
SACERDOTES QUE TRASMITAM DEUS – 1ª. parte
Frei Patrício Sciadini, ocd.
O ano sacerdotal esta terminando no dia 19 de junho. É mais do que necessário que todos nós façamos um balanço e nos perguntemos: o que temos feito? A que serviu este ano dedicado ao Santo Cura d’Ars e, através dele, a ajudar todos os sacerdotes da Igreja a reassumir com alegria o próprio ministério? Podemos correr o risco de escrever páginas e páginas, de gastar palavras e palavras e no fim nos encontrar com um punhado de areia ou de palha que o vento leva. Mas uma coisa é importante, não cabe a nós julgar os frutos e verificar se os Padres são mais santos ou não. A nós cabe a responsabilidade de assumir a missão, de sentir-nos co-responsáveis pela vida de todos os nossos sacerdotes e seminaristas.
O sacerdote não é um “ZÉ NINGUÉM”, abandonado a si mesmo, um solitário que vive desligado da comunidade e que presta um serviço sagrado de vez em quando e depois é marginalizado na vida. Ele é parte integrante da comunidade, ele é membro vivo de todas as famílias, ele é pessoa amada e querida pela missão que desempenha. E todos nós, católicos, temos a certeza que sem o sacerdote a Igreja não poderia existir, ela seria uma piedosa sociedade sem alma e sem vida. Não haveria a Igreja de Jesus Cristo e nós seríamos todos órfãos e sem a presença real de Cristo na Eucaristia e sem o perdão dos nossos pecados. Uma comunidade cristã que não vela, não cuida amorosamente dos seus sacerdotes não compreendeu o evangelho e nem a missão de Jesus.
Os sacerdotes necessitam não de presentes, de coisas, ele necessita de afeto sincero, de apoio, de amor, de estímulo para que esteja sempre atento à sua missão. O sacerdote não necessita de projeção humana e nem do apoio dos políticos, ele necessita de oração para que na sua vida saiba passar pelos dificuldades humanas e espirituais sem cair nas tentações que o circundam dia e noite. Ele não necessita de amizades manipuladoras, mas de amizade verdadeira que no momento o corrijam diante dos seus erros e advirtam pelos perigos que possa encontrar. O sacerdote não necessita de ser convidado para almoços e para festas, ele necessita ser convidado nas famílias para evangelizar, para visitar os doentes, para ser presença ao lado dos pobres e dos anciãos que vivem não raramente em profunda solidão.
SACERDOTES QUE TRASMITAM DEUS – 2ª. parte
Frei Patrício Sciadini, ocd.
O sacerdote não deve ser amigo só dos ricos e nem os ricos podem exigir que o Padre seja só amigo deles, ele é o homem de Deus enviado a todos, especialmente aos pobres. Nesta terrível violenta tempestade que se abate na Igreja por causa de alguns Padres que cometeram pecados de pedofilia, onde me parece que há uma tempestade contra a mesma Igreja, o sacerdote necessita que os fiéis estejam ao lado dos nossos Padres para animá-los a continuar o caminho e lembrar-se da bem-aventurança de Jesus: “felizes sois vós quando sois perseguidos por causa do meu nome...Mt 5. Desta tempestade a Igreja, tenho certeza, sairá mais bela, mais corajosa e mais fortalecida. E na noite a estrela do Padre brilhará com mais luz. É no esterco que também nascem as flores mais belas. Ninguém conseguirá anular a importância, a beleza e o heroísmo corajoso de tantos sacerdotes. Não há na terra vocação mais bela que o sacerdócio. É a comunhão mais íntima que alguém possa alcançar com Jesus Cristo. Ser o continuador do amor de Cristo no meio da humanidade.
O povo não se importa se o padre não sabe grego e aramaico, nem se não tem faculdade de filosofia ou história, não vai exigir do Padre que seja um bom político e nem um ótimo arquiteto, não fica preocupado se o Padre não conhece muito bem a gramática brasileira, não está interessado se o Padre estudou em Nova York ou Oxford, o povo quer que o Padre seja um homem de Deus, de oração, que onde passa deixe a presença viva do Senhor.
Em outras palavras, o povo quer Padres santos, os santos sabem entrar em diálogo com todas as culturas e com todos os povos. Quer Padres que levantem suas mãos para abençoar e abram sua boca para cantar as maravilhas do Senhor. Isto não dispensa que o Padre estude mais, seja sempre atento à realidade em que vive, mas a sua principal preocupação é a santidade. O povo procura o Padre não para se aprofundar em história e filosofia e arte, mas para que lhe fale de Deus e lhe ensine os caminhos que levam para o céu. O mestre do Padre é um só, Jesus Cristo, caminho, verdade e vida. Precisamos de sacerdotes que nos transmitam Deus e todas as verdades do evangelho e da Igreja.
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