sábado, 11 de abril de 2009

TEREZA DE LOS ANDES - JUVENTUDE SANTA!



Teresa de Los Andes – Modelo para os Jovens e para a América Latina

“Agora subsistem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior delas é a caridade” (1Cor 13,13). Com estas palavras de São Paulo, o Papa João Paulo II iniciou a cerimômia de Beatificação da Jovem Teresa de Los Andes, a mais jovem Santa do Carmelo. Por que Santa? E por que lembrar-se desta jovem neste dia? Há 89 anos, morria santamente, no Chile, próximo as cordilheiras e encostas dos Andes, esta menina, assim podemos chamá-la pela pureza, pelo amor obstinado e íntimo a Jesus, a quem com tamanha proximidade chama de meu “Jesusinho” e pela Virgem Maria com quem dialoga no seu dia a dia com enorme familiaridade e carinho. Se pudéssemos lhe atribuir um lema, como ela dizia, “Jesus é a nossa alegria infinita”. Ou ainda como sempre repetia e praticava o seu amar, sofrer, orar e servir, poderíamos dizer que caracteriza a sua breve existência terrena.
Por que se fez Santa esta jovem Carmelita e que obra de santidade constituiu? Como a pequena Teresinha do Menino Jesus ou a Beata Elisabete da SS. Trindade, Juanita Fernández Solar (Teresa de Los Andes) buscou e com a graça de Deus viveu uma teologia de santidade, uma pedagogia de simplicidade e amor. Na virgindade de sua infância já proclamava que deveria ser espelho de Maria, pois assim, sendo sua filha, pareceria com ela e seria semelhante a Jesus. “Não hei de amar senão a Jesus. Logo, meu coração há de ter o selo do amor de Deus. Meus olhos devem fixar-se em Jesus crucificado. Meus ouvidos hão de ouvir constantemente a voz do Divino Crucificado. Minha língua há de expressar-lhe o amor. Meu pé há de encaminhar-se ao Calvário”. Trata-se um hino de observância a santidade. Quando conhece os escritos da vida de Elisabete da Trindade, um dos seus modelos de caminhada descreve que sua irmã francesa a encanta e diz que sua alma é parecida com a dela e diz: se ela foi santa, eu a imitarei e serei santa. E ainda como Elisabete da Trindade pedia que Jesus fizesse de sua alma uma casinha. Teresa pedirá que façamos em nós outro tanto e que vivamos com Jesus como num pombalzinho. E como sua outra irmãzinha de Lisieux, fará o céu na terra porque Deus é o céu e ele habita em nós.
Pela reflexão e análise dos escritos de Teresa de Los Andes (resumidos em diários e cartas diversas) pode parecer que teve uma extensa vida no seio do Carmelo. Embora tenha vivido em clausura apenas 11 meses, alguns fatos chamam atenção pela pureza e espiritualidade presente. Com apenas 7 anos sente uma devoção a Ssma. Virgem, prometendo-lhe rezar todos os dias o santo rosário. Participa da celebração eucarística diariamente com sua mãe e com 10 anos fará sua primeira comunhão e destacará de forma histórica e bela que aquele dia foi “sem nuvens”. Desse dia em diante comungará todos os dias e terá com Jesus uma comunicação constante. Devido a sua devoção a Imaculada, entre os anos de 1911 a 1914, no dia 8 de dezembro ficará sempre doente neste mesmo dia.
Com 15 anos e pela relação de união familiar percebe que será muito difícil viver longe de seus pais e irmãos, mas observa que a voz de Deus manda mais e deverá seguir Jesus ao fim do mundo se Ele desejar. Por Ele deixará tudo para se ocultar atrás das grades do Carmelo, onde se fará menos indigna e realizará seus votos esponsais. Porém, pela suas frágeis condições de saúde e delicadeza, ouvirá que a Ordem Carmelitana é muito austera e não será conveniente para ela. Posteriormente, suas dúvidas serão sanadas, por quem? Ela mesma nos explica: “Mostrou-me sua grandeza e meu nada e me disse que havia me escolhido para vítima. Que subisse com Ele ao Calvário. Que empreenderíamos juntos a conquista das almas: Ele, Capitão, e eu soldado. Nossa arma, a Cruz. A divisa, o amor. Disse-me que seria carmelita; que não desconfiasse; que não disesse a ninguém pois tratariam de persuadir-me a não ser. Enfim, que não fosse senão d’Ele: virgem, intata e pura. Com 19 anos, fará sua primeira visita a um Carmelo e ao chegar a Los Andes, nos conta que encontra uma casa pobre e velha. Sua pobreza me falou ao coração e senti-me atraída a ele. Neste dia sentiu-se aniquilada diante de Deus, sua alma chorava de agradecimento, sentia-se feliz e satisfeita. Via seu Jesusinho sorridente e pensava que algum dia estaria ali naquele coro, com aqueles anjos. De fato, a profecia se cumpriu e no dia 7 de maio de 1919 ingressa no Carmelo mais pobre do Chile para perseverar nos ensinamentos de seu pai João da Cruz e sua mãe Teresa de Jesus. De Juanita, passará a se chamar Teresa de Jesus e viverá com as Irmãs apenas até 12 de abril do ano seguinte. Pouco tempo, mas para Deus a missão estava cumprida. Para Teresa também, pois seria futuramente intitulada a padroeira da Juventude na América Latina e no ano de 1993, no Vaticano, o santo Padre, João Paulo II, assim nos dirá: ...especialmente aos jovens, famintos de verdade e em busca de uma luz que dê sentido às suas vidas... No seu terno amor a Cristo, Teresa encontra a mensagem cristã: amar, sofrer, orar e servir. Eis ai sua vida, o seu exemplo e a forma mais singela de ser o Tudo sendo o Nada, a forma mais bela de Aparecer ao mundo, estando Escondida nele, como já fora ensinado por sua Irmã Carmelita italiana, Teresa Margarida Redi.

Professor Hercílio Martelli Júnior, Montes Claros, Minas Gerais, Brasil

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