Quintas Moradas
Capítulo 1
Começa a falar
como a alma se une a Deus na oração.
Diz como se saberá
não ser engano.
Nesta
morada Teresa explica as riquezas e os tesouros que o Senhor realiza nas almas.
Porém o intelecto não é capaz de captá-las nem as comparações servem para
explicá-las. Para este fim, são muito baixas as coisas da terra.
Pede a luz
do Senhor para explicar e esclarecer as irmãs, para que não sejam enganadas
pelo demônio, transfigurado em anjo de luz. Não são todos que recebem as graças
e não chegam a esta morada, pois “poucos de nós nos dispomos a que o Senhor nos
revele este tesouro”. Que Ele nos mostre o caminho e dê forças à nossa alma
para cavar até encontrar esse tesouro escondido (Mt 13,44). “A verdade é que
Ele está em nós mesmos”.
Se cada um
der o que tiver, Ele já se contenta. O Senhor não quer que fiquemos com nada.
Pouco ou muito, tudo o quer para Si. A prova para saber se nossa oração chegou
ou não à união total é considerar o que temos dado ao Senhor. O Senhor está tão
unido à essência da alma que o inimigo não arriscará a aproximar-se.
Tem as
portas bem fechadas ao recebimento destas graças aquele que não crê que Deus
pode muito mais. Crede que Deus pode fazer muito mais.
A certeza
que temos destas graças é que Deus é todo poderoso. É Deus quem o faz; por isso
não desejemos entendê-lo. É o Senhor quem vai nos introduzir, estando Ele no
centro da nossa alma – “Levou-me o Rei à adega dos vinhos, ou introduziu-me”
(Ct2,4 e 3,2). Qual é a nossa participação então? Rendermos inteiramente a
nossa vontade à Sua.
Capítulo 2
Prossegue
o mesmo assunto. Explica a oração de união por meio de uma comparação delicada.
Fala dos efeitos disso na alma.
Teresa
compara este processo, ou a oração de união, com o bicho da seda, onde os
vermes tecem a seda e forma o casulo muito apertado, onde se encerra; então
desaparece o verme, que é muito feio, e sai do mesmo casulo uma borboletinha
branca, muito graciosa. Aí podeis considerar as maravilhas e a sabedoria do
nosso Deus.
A alma =
lagarta. Começa a ter vida com o calor do Espírito santo. Fazendo uso dos meios
que o Senhor concede à Igreja (confissões, boas leituras, sermões, etc). A
lagarta começa a fabricar a seda e a edificar a casa – a casa é, para nós,
Cristo. “Nossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Col3,3-4). O Senhor é a
nossa morada.
Efeitos: a alma não se conhece a si
mesma, a alma não sabe como pode merecer tanto bem, tem um grande desejo de
louvar o Senhor que gostaria de desfazer-se e morrer por Ele mil mortes, tem
desejos de penitência, de solidão e de que todos conheçam a Deus, grande pesar
de O ver ofendido. Na próxima morada vai explicar com mais detalhes todos esses
efeitos.
Nasceram-lhe
asas. Se pode voar, como pode ela contentar-se em andar passo a passo?
Cada vez
que tem oração, esse é seu pesar, decorrente, de certo modo, da dor que lhe
causa ver o quanto Deus é ofendido e pouco estimado no mundo. A alma está tão
rendida pelo grande amor que não sabe nem deseja senão que Deus faça dela o que
quiser. Quer sair dali marcada com o seu selo (cera).
Capítulo 3
Prossegue
no mesmo tema. Fala de outra maneira de união que a alma pode alcançar com o
favor de Deus e de como é importante para isso o amor ao próximo.
Deus não quer
que uma graça tão grande seja concedida inutilmente. A verdadeira união pode
ser alcançada se nos esforçarmos em procurá-la mantendo a nossa vontade atada
apenas ao que for a vontade de Deus. A união da qual fala Teresa neste capítulo
é a conformidade com a vontade de Deus (união não-deleitosa, de pura
conformidade de vontades. Cf nota 9). É esta união que Santa Teresa mais
desejou em sua vida (5).
O amor ao
próximo – sinal para saber se já alcançamos esta união com o Senhor. Quanto
mais praticamos o amor ao próximo, mais estaremos praticando o amor a Deus.
Capítulo 4
Prossegue
o mesmo assunto, explicando com mais detalhes este tipo de oração.
Fala
de andar com atenção, pois o demônio faz de tudo para levar a alma a
retroceder
no caminho recomeçado.
O que é a
oração de união? Faz uma comparação com o sacramento do matrimônio (nota 4).
O contrato: corresponde às graças
preparatórias das IV M;
O encontro: inicia na alma um conhecimento mais profundo de Deus
e desperta nela um amor novo;
O enamoramento: uma permanente ferida
de amor;
O conceder a mão: o compromisso de
vigilância e proteção do esposo divino com relação à alma;
O mútuo intercambio de dons tem sua
correspondência mística nas três “jóias que o Esposo começa a dar à esposa”:
conhecimento da grandeza de Deus, conhecimento próprio e desprezo do terreno.
Atenção com
as sutilezas do inimigo. Se alma estivesse sempre unida à vontade de Deus, está
claro que não se perderia.
Teresa coloca duas dúvidas:
1)
Se a alma está tão unida à vontade de Deus, como
se pode enganar já que em nada quer fazer a própria vontade (7)? Resposta: se a alma estivesse sempre
unida à vontade de Deus, está claro que não se perderia (8).
2)
Porque meios o demônio pode entrar tão
perigosamente que vos faça perder a alma? Resposta:
Não há recinto tão fechado onde o demônio não possa penetrar nem deserto tão
isolado onde deixe de ir. O Senhor pode permitir para ver como se comporta a
alma.
Procuremos
sempre avançar pois o amor nunca está ocioso.
Obs: este
texto não é uma síntese, mas uma cópia literal de alguns trechos das Quintas
Moradas de Santa Teresa de Jesus. Portanto não se encontra entre aspas.
Frei
Fabiano Alcides
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