terça-feira, 10 de dezembro de 2019

RETIRO DA COMUNIDADE SÃO JOSE OCDS - SETE LAGOAS/MG


Comunidade, Espiritualidade de comunhão, vida fraterna, conforme os documentos da Igreja e a doutrina de Santa Teresinha


Somos construtores de comunidades de comunhão, construtores de unidade e enviados em missão.  Somos discípulos e missionários de Jesus, conforme o carisma que recebemos do próprio Deus e por mediação de nossos pais Santa Teresa e São João da Cruz, cuja doutrina nós temos que conhecer em profundidade e vive-la em intensidade.
Meditar, refletir e rezar sobre: comunidade, fraternidade, espiritualidade de comunhão, conforme os documentos da Igreja e de nossos santos, em modo particular de Santa Teresinha, foi o tema escolhido pelo Frei Pierino, para o retiro da comunidade São José de Sete Lagoas, nos dias trinta de novembro e primeiro de dezembro.

Iniciamos com um momento de comunhão:  a celebração da Santa Missa no Carmelo pela ereção canônica da Comunidade Santa Teresinha OCDS de Sete Lagoas, significou isso, a comunhão das comunidades, todas representadas, pelas monjas carmelitas, por frei Pierino, frade Carmelita Descalço, pelas duas comunidades da OCDS, a comunidade Santa Teresinha e a comunidade São José.

A comunidade que se abre à comunhão com Deus é contagiante. Torna-se evangelizadora, manifestando a própria identidade, composta de cristãos, discípulos de Jesus e Carmelitas descalços seculares. E a comunhão foi o tema da oração sacerdotal de Jesus: “Para que todos sejam um

A comunidade de comunhão manifesta a presença de Jesus. Onde há caridade e unidade, Deus ali está. Deus não pode estar presente na desunião, na desagregação e na divisão. A divisão é o contrário de Deus, pois é o contrário do amor. Somos chamados a viver o amor, que é o próprio Deus, e criar comunhão com todos, sem excluir ninguém.

São João Paulo II, em seu documento “Novo Millennio Ineunte” assinalou: Fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão, eis o grande desafio que nos espera no milênio que começa, se quisermos ser fieis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo.”

A comunhão não se acha pronta e a comunidade também não. É construída todos os dias. E nós somos os construtores. Há gestos positivos, que constroem a comunidade e gestos negativos, que a destroem. Incrementar o que há de positivo e abolir o que há de negativo: esse é nosso trabalho desafiador.

Deus quer que o ser humano se assemelhe sempre mais a Ele, tendo como modelo, medida e fonte deste amor - comunhão, o próprio Jesus em seu mistério pascal.

Para imitarmos Cristo, nós precisamos morrer constantemente para que nasça vida nova.

Não há vida nova, em nós, sem morte. Tem que morrer em nós o egoísmo, ou seja, tudo que nos separa de Deus e dos irmãos de caminhada.

Cristo, em seu mistério pascal, é a fonte, o modelo e a medida de como se constrói a comunidade e a comunhão. Ele instituiu a Igreja como um “Corpo”: vários membros diferentes, mas que devem estar unidos pela comunhão. Também instituiu como “Povo” peregrino a caminho; e como “Família”, onde os filhos são infinitamente amados por Deus. A Igreja não exclui ninguém, porque Deus não exclui ninguém.

Espiritualidade da comunhão significa, em primeiro lugar, ter o olhar do coração voltado para o mistério da Trindade, que habita em nós e cuja luz há de ser percebida também no rosto dos irmãos que estão ao nosso redor. Espiritualidade da comunhão, significa também a capacidade de sentir o irmão de fé na unidade profunda do Corpo místico, isto é, como « um que faz parte de mim », para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar remédio às suas necessidades, para oferecer-lhe uma verdadeira e profunda amizade. (CARTA APOSTÓLICA NOVO MILLENNIO INEUNTE)

O bem e o mal que o outro faz, são meus também. Essa bela realidade, que o outro faz parte de mim, só se descobre mediante a prática do amor que nos identifica com quem amamos. O mandamento novo é “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.

Santa Teresinha dizia que, quando ela praticava a caridade fraterna, era Jesus que amava nela.
A comunidade está sempre em construção e todos somos construtores. Nós somos aquilo que somos. Ninguém tira nem acrescenta nada em nós, à nossa verdade. E a nossa verdade é aquilo que somos diante de Deus. Esta verdade, quando acolhida e aceita, torna-nos livres, da liberdade dos filhos de Deus.
A verdadeira Igreja é uma comunidade em saída.  E a caridade, no fundo, é sair de si e prestar atenção no outro, quem quer que seja.

Espiritualidade da comunhão é ainda “a capacidade de ver antes de mais nada o que há de positivo no outro, para acolhê-lo e valorizá-lo como dom de Deus: um « dom para mim », como o é para o irmão que diretamente o recebeu”.
 Por fim, espiritualidade da comunhão é saber « criar espaço » para o irmão, levando « os fardos uns dos outros » (Gal 6,2) e rejeitando as tentações egoístas que sempre nos insidiam e geram competição, arrivismo, suspeitas, ciúmes”. Não haja ilusões! Sem esta caminhada espiritual, de pouco servirão os instrumentos exteriores da comunhão. Revelar-se-iam mais como estruturas sem alma, máscaras de comunhão, do que como vias para a sua expressão e crescimento. (NOVO MILLENNIO INEUNTE).

É evangélico julgar todo agir de nossos irmãos numa perspectiva de bondade: assim faz nosso Pai que está no céu. Ele faz nascer o sol sobre os justos e sobre os pecadores. O nosso Pai do Céu é infinitamente misericordioso e nos acolhe, nos aceita e nos ama como somos e a pesar daquilo que somos.
Uma das verdades mais fundamentais do cristianismo, verdade por demais desconhecida é esta: o que salva é o olhar. Tudo depende do olhar, a realidade muda conforme nosso olhar. Existindo amor, Ele sempre nos coloca do lado da bondade, da benignidade, da indulgência, da compaixão, da esperança e da promoção da vida. Um olhar bom não para na exterioridade. Temos que ter um olhar profundo, um olhar contemplativo.

No profundo do nosso eu, há “alguém” (o proprio Deus) e nós temos que entrar em contato com Ele. Não somos ocos, como diria a Santa Madre Teresa: somos habitados por aquele que quer dar sentido último e pleno à nossa existência.
O que dá valor às nossas ações é nossa reta intenção.
O bem e o mal que o outro faz são meus também.
Essa bela realidade, que o outro faz parte de mim, só se descobre mediante a prática do amor, que nos identifica com quem amamos.

Olhar
Dá-me, senhor, um olhar livre,
Límpido e simples,
Que rompa as correntes
Do meu egoísmo
E abra as portas
De minha prisão,
De minha fácil e estreita prisão.

Dá-me um olhar profundo
Que não se limite
A roçar as pessoas de modo fugaz,
Dum jeito apressado.

Que seja meu olhar
Desarmado, sem vínculos e atento.
Dá-me, Senhor, um olhar
Que ultrapasse a casca das coisas
E penetre para além das fachadas.

Um olhar explorador eu quero
Que chegue,  Senhor, no teu aposente,
No centro do ser
E, no centro, fixe teu rosto,
No centro, fixe o rosto do outro
E, nele, te veja e te adore Senhor.
(Frei Pierino Orlandini, OCD)

O amor é o fulcro, o centro, o coração da vida e da doutrina de S. Teresinha, em sua dupla vertente: vertical e horizontal. É claro que o amor fraterno em S. Teresinha tem como razão básica e fundamental o próprio Deus. Amando a Deus, ama-se tudo o que é de Deus e a Ele se refere: particularmente, os filhos de Deus, nossos irmãos de caminhada.

Antes de morrer, ela disse, como se fosse um testamento por ela deixado para todos:” Só o amor conta”. Na verdade, toda a sua vida foi um ato de amor que ela procurou viver, dar, receber, realizar a cada instante, em cada palavra, em cada gesto, em cada pensamento. Quis viver de amor e morrer de amor.

“Viver de amor é navegar sem cessar
Semeando paz, alegria em todos os corações.
Piloto amado, a caridade me incita
Pois te vejo nas almas, minhas irmãs.
A caridade, eis minha única estrela.
Á sua luz navego sem rodeios.
Minha vida está escrita na minha vela:
“Viver de amor” (16 de novembro de 1895)

S. Terezinha entende que o verdadeiro amor é feito de pequenas coisas: ultrapassar o negativo, saber ver e apreciar o positivo que existe em cada pessoa, não excluir ninguém do nosso convívio. E, com a simplicidade e o realismo que lhe são próprios, indica-nos algumas normas elementares para viver o amor evangélico.

“Compreendo agora que a caridade perfeita consiste: a) em suportar os defeitos dos outros; b) em não se surpreender com suas fraquezas; c) edificar-se com os menores atos de virtudes que as vemos praticar; d) alegrar, amando, não somente os que nos são caros, mas todos os que estão em casa, sem excluir ninguém.

Para que aumente em nós o verdadeiro amor fraterno, faz-se necessário aumentar nosso amor para com Jesus, identificando-nos sempre mais com seus sentimentos, ensinamentos, gestos. “Em toda dinâmica comunitária, Cristo em seu mistério pascal permanece o modelo de como se constrói a unidade. O mandamento do amor mútuo tem nele, de fato, a fonte, o modelo, a medida: devemos amar-nos como ele nos amou. E Ele nos amou até dar sua vida. Nossa vida é a participação da caridade de Cristo. Em seu amor ao Pai e aos irmãos, um amor esquecido de si mesmo”. (Vida fraterna em comunidade, N. 21).

A correção fraterna, tão necessária para o crescimento pessoal e o crescimento de qualquer comunidade de fé, não é coisa fácil. É preciso que se ame muito quem se quer corrigir, que se queira verdadeiramente o bem dele. É interessar-se sadiamente pelo crescimento do outro. No fundo, é amor que, quando existe de modo autêntico, se difunde, se expande e, como suave perfume, enche a casa assim que, de certa maneira, todos se sintam impulsionados a caminhar na santidade.

O amor fraterno, na prática e no ensinamento de S. Teresinha, possui todas as características que São Paulo lhe atribui em sua Carta ao Coríntios (1Cr 13).
Parafraseando o Apóstolo, podemos dizer que em S. Teresinha o amor fraterno é sobrenatural, universal, encarnado, sem interesses, paciente, indulgente, benevolente, operoso; é amável e alegre, atencioso, delicado, humilde e generoso; é constante e incondicional. É o mesmo amor de Jesus que ela vive e ensina a viver.
Que Deus nos conceda a graça de sermos fieis e perseverantes, a exemplo de Maria, fiel discípula e missionária até o fim.

 



















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