SÃO JOÃO DA CRUZ, PRESBÍTERO, DOUTOR DA IGREJA E NOSSO PAI.
I
Oh! Chama de amor viva
que ternamente feres
De minha alma no mais profundo centro!
Pois não és mais esquiva,
Acaba já, se queres,
Ah! Rompe a tela deste doce encontro.
II
Oh! Cautério suave!
Oh! Regalada chaga!
Oh! Branda mão!
Oh! Toque delicado
Que a vida eterna sabe,
E paga toda dívida!
Matando, a morte em vida me hás trocado.
III
Oh! Lâmpadas de fogo
Em cujos resplendores
As profundas cavernas do sentido,
que estava escuro e cego,
Com estranhos primores
Calor e luz dão junto a seu Querido!
IV
Oh! Quão manso e amoroso
Despertas em meu seio
Onde tu só secretamente moras:
Nesse aspirar gostoso,
De bens e glória cheio,
Quão delicadamente me enamoras!”
Por: Estela da Paz, OCDS.
Grupo São José, de Petrópolis - RJ.
Celebrar este dia 14 de dezembro é celebra a vida, as fundações e as obras de vida interior do Santo doutor da Igreja, pai espiritual e fundador do Carmelo, guia e mestre espiritual das almas que buscam a comunhão de amor com Deus.
É festa no Céu, é festa no Carmelo, é festa na vida de todos que se deixam formar pelo guia e bom pai João da Cruz!
Amigo e companheiro espiritual de santa Teresa, empreende ao seu lado a obra de reforma, Frei João converteu-se em colaborador seguro e fiel da Madre Fundadora. Acompanhou-a pessoalmente às fundações de Alba de Tormes (1571) e Segóvia (1574), e prestou-lhe sua ajuda incondicional para a renovação espiritual do mosteiro da Encarnação de Ávila: dirigido e diretor da Santa durante os anos de 1572-1574, continuou exercendo seu ministério de confessor no triênio sucessivo. Esteve presente nas comunidades masculinas de Duruelo-Mancera (novembro 1568-abril 1571), Pastrana (outubro 1570) e Alcalá (abril 1571-maio 1572).
Pai espiritual de santa Teresinha do Menino Jesus. Para ela, João da Cruz é o "Santo do Amor" por excelência. Santa Teresinha devorava os textos do Santo, que a acompanharam até os seus momentos finais na enfermaria, relatado por Irmã Inês. Dizia Santa Teresinha: "Ele é o Santo do Amor por excelência". Meditava suas glosas e se orientava por seus escritos, utilizava-as para orientar as noviças. Dirá da Glosa 11. "O amor tira proveito de tudo, do bem e do mal que encontra em nós" - Teresinha.
Teresinha cria na intercessão deste pai espiritual e afirmava: “Tenho certeza de que ele trabalha para a nossa santidade, quando da canonização dele” - Depois da canonização dela, veio o Doutorado dele.
Também para Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), que teve a alegria viver e morrer com as experiências de grande pai, ela pode narrar e explicar sobre sua vida e suas obras no seu quarto centenário na sua obra iniciada "Ciência da Cruz", que concluíra no martírio da alma e do corpo. Dirá Edith Stein em resposta à carta de uma religiosa dominicana chamada Agnella Stadtmüller, doutora em filosofia que lhe perguntava sobre o que entendia São João da Cruz por “amor puro”: “São João da Cruz entende por “amor puro” o amor de Deus por Ele próprio; o de um coração livre de todo apego a qualquer coisa criada: a sí próprio e ao resto das criaturas, mas também a todo o consolo e coisas semelhantes que Deus possa conceder à alma, a qualquer forma de devoção especial, etc.; o de um coração que não deseja outra coisa senão que se cumpra a vontade de Deus e que se deixa guiar por Ele sem resistência. O que não podemos fazer para chegar até aqui está amplamente tratado na Subida do Monte Carmelo. Como Deus purifica a alma, na Noite Escura. O resultado, na Chama de Amor viva e no Cântico Espiritual. Pode encontrar-se todo o caminho em cada uma das obras, apesar de que em cada caso se acentua uma etapa ou outra. Mas se deseja aprender o essencial, dito de forma muito mais breve, então deve ver os escritos breves”.
Em suas obras, São João apresenta o caminho de purificação da alma, ou seja, a posse progressiva e jubilosa de Deus, até que a alma chegue a sentir que ama a Deus com o mesmo amor com que é por Ele amada. Em sua poesia Chama de amor viva descreve mais em detalhes o estado de união transformadora com Deus. Nos ensina que vida da alma é uma festa contínua do Espírito Santo, que deixa entrever a glória da união com Deus na eternidade. Utiliza a comparação sempre a comparação do fogo, e certifica que como o fogo, quanto mais arde e consome a madeira, tanto mais se torna incandescente até se tornar chama, também o Espírito Santo, que durante a noite obscura purifica e limpa a alma, com o tempo ilumina-a e aquece-a como se fosse uma chama.
Termino convidando o leitor à meditação e mergulho espiritual na Graça do Espírito Santo indicada por são João da Cruz em seu Poema 3 - "CHAMA VIVA DE AMOR" - Canções da alma na íntima comunicação de UNIÃO de amor com Deus, escrito em Granada 1582-1584.
Que o santo padre João da Cruz interceda por nós neste dia, atualizando nesta intercessão um frituoso caminho espitual.
I
Oh! Chama de amor viva
que ternamente feres
De minha alma no mais profundo centro!
Pois não és mais esquiva,
Acaba já, se queres,
Ah! Rompe a tela deste doce encontro.
II
Oh! Cautério suave!
Oh! Regalada chaga!
Oh! Branda mão!
Oh! Toque delicado
Que a vida eterna sabe,
E paga toda dívida!
Matando, a morte em vida me hás trocado.
III
Oh! Lâmpadas de fogo
Em cujos resplendores
As profundas cavernas do sentido,
que estava escuro e cego,
Com estranhos primores
Calor e luz dão junto a seu Querido!
IV
Oh! Quão manso e amoroso
Despertas em meu seio
Onde tu só secretamente moras:
Nesse aspirar gostoso,
De bens e glória cheio,
Quão delicadamente me enamoras!”
Por: Estela da Paz, OCDS.
Grupo São José, de Petrópolis - RJ.

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