sábado, 14 de dezembro de 2019

SÃO JOÃO DA CRUZ, uma singela homenagem.



1.   Meu nome é João de Yepes
Baixa estatura, bem franzino...
Passei fome e aperto
Por isso sou assim tão pequenino. 
Lutei muito na vida
De tudo fiz um pouquinho...
Mas a fé em meu peito ardia
Queria ser filho de Maria
Ó que benção! Doce anelo!
Dentro da bendita Ordem do Monte Carmelo.


2.     Sempre fui inteligente,
Esperto e trabalhador.
Sustentei minha família
Com trabalho e com suor.
Mas queria algo maior:
Ser de Cristo servidor
Na Ordem da Virgem Maria
Doce Mãe e garantia
De um dia eu ir para o Céu
ver a nosso Senhor.

3.  Encontrei uma certa madre
Bem esperta com certeza
Era Teresa de Ahumada
A grande Madre Teresa. 
Vinha de família nobre
Muito rica e importante. 
Tinha porte e elegância,
Era viva e cativante. 
Falou-me de seus planos
Que me levariam mais à diante. 

4.  Eu queria o silêncio
Penitência e oração. 
Resolvi ir para a Cartuxa
Seguir minha vocação. 
Mas, a Madre garantia,
Com a audácia e certeza,
Que no Carmo eu poderia
Ser um frade penitente. 
Sair não seria inteligente
Quem me garantia era Teresa!

5.   Resolvi então ficar,
Aplicar- me à oração,
Com constância e desvelo.
No pequeno Duruelo,
Vivia em santa oblação.
A vida era dura,
Porém, cheia de ternura!
O Amor nos aquecia e, 
Naquela casinha fria, 
Deus era nossa brandura. 

6.     Virei causa de contenda, 
De “avexo” e de peleja, 
Meus irmãos não me entendiam
E me viam com inveja. 
Desejava ser santo
Pertencer só a Jesus
Ser portador do “fogo santo”,
Ter no peito a Santa Cruz,
E ser nela crucificado
Imitando o bom Jesus. 

7.     Certa noite me levaram
Para uma dura prisão.
Colocado numa cela
Padecendo privação. 
Queriam que eu deixasse
Minhas ideias e “pecados”. 
Mas, na cela encontrei
Verdadeira liberdade! 
Compus hinos, fiz poesia: 
Ó que grande felicidade!

8.     Não trataram do mesmo jeito
O meu doce e bom Jesus?
Assim também não tratariam
O pobre João da Cruz?
Era grato ao Senhor. 
Gozava grande penhor:
Ser pelo mundo desprezado
E tido por "desgraçado". 
Mas, sabia muito bem
O grande amor que Deus me tem.

9.     Maria me libertou:
Mandou da prisão eu sair. 
Aproveitei a situação
E pus-me logo a fugir. 
Graças à distração
Do guarda da minha prisão, 
Desci aquele grande muro. 
Era noite, muito escuro
Mas com Maria passando à frente
Tudo se fazia diferente.

10.   Acolhido por minhas irmãs
Do Carmelo de Toledo
Mantiveram-me em segredo
Esconderam-me dos irmãos
Que buscavam com altivez
Por as mãos, mais uma vez, 
No pobre Padre João.
Mas, Maria deu livramento
Queria que naquele momento
Fosse salvo do inimigo
Naquele seguro abrigo.

11.  Voltando ao convívio
Com meus irmãos descalços
Pus-me logo ao encalço
Do Amado que chamava. 
Cumprindo doce preceito
Aquela luz que tinha no peito
Procurei distribuir:
Ensinava, exortava
Aos irmãos e irmãs ensinava
Aquele novo e santo conceito.

12.   Eu, pobre fradinho
Tão pequeno e franzino
Desejava só sofrer. 
Ser imitador de Cristo
Ter o nada por visto
Sem mais nada querer! 
Mas o Senhor me confiava
Importante missão: 
Fez-me “mestre e prior”
Da noviça fundação.

13.  Mas, eu, padre João
Nunca, nunca desistia...
Queria em recompensa
De seu grande padecer
Ser ainda mais desprezado
E só para Cristo viver.
Pressentindo o doce fim
Que no horizonte surgia
Como bom filho de Maria
Disse: “quero só amar e sofrer”!

14.  No convento de Ubeda
Isolado e escondido
estava já, bastante ferido
Pelo Amor e pela Cruz
Imitando ainda mais a Jesus
Preparei-me para morrer.
O coração quase parando
A alma se preparando
Para o encontro final
E o abraço Eternal.

15.  Já era quase meia noite
O sino na torre badalava
E convidava à oração
Inquieto e ansioso
sofrendo muito, mas, em gozo. 
Perguntava de quando em vez:
“São que horas? São que horas”?
Deseja a toda a hora, 
Sem sossego e sem descanso
Voar ao santo Remanso
Ver no Céu o meu Jesus.  

16.   À reunida  comunidade
Que assistia àquela partida
Que julgavam triste minha sina, 
Grande dor, triste labéu,
Dizia: em breve cantarei Matinas
Não aqui, mas lá no Céu!

E a alma do Santo ditoso
Que no Céu tinha seu penhor,
Na forma de globo luminoso
Partiu para junto do Senhor

17.  João não foi esquecido:
Ficou na terra o seu valor.
Seus irmãos exultantes
Cantam as glórias do Senhor
Desejando com anelo
Subir o Monte Carmelo,
Que ele em vida conseguiu.
Em seus livros encontram a luz
Que vem do Bom Jesus
Que o Santo amou e seguiu.


Giovani Carvalho Mendes
(Giovani Maria da Encarnação, ocds)



Figura no princípio da página: de "Tia Adelita", da comunidade Canção Nova. Imagem conseguida pelo Google Images. 

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