domingo, 6 de dezembro de 2020

2º DIA - NOVENA EM HONRA DE SÃO JOÃO DA CRUZ.

 


De 05 a 13 de dezembro de 2020.
Tema: "O Mistério do Amor Trinitário".
Lema: De volta ao Essencial. 

“Vivemos numa época, que alguns compararam ao exílio. Como Israel, que nesse período de sua história se encontrou despojado de todas as suas seguranças: o templo, lugar da presença de Deus (...) ponto de referência de sua identidade como nação (...) também, perdemos muitos pontos de segurança que tínhamos num passado próximo. Deu-se lugar à busca, à incerteza, à pluriformidade, ao desconcerto”. (Voltar ao Essencial. Documento Capitular, 2003) 

A proposta de nossa “Novena em honra a São João da Cruz” deste ano será um tanto ousada, pois visará nos conduzir ao “Mistério do Amor Trinitário”, que traz em si o sentido de retorno ao “essencial” de nossa vida cristã-carmelita e à essência de nosso CARISMA, que há muito tempo possa estar esquecido ou inebriado pelo volume de informações que nos chegam diariamente, e nos levam a perda da identidade. 

Sabemos que a centralidade da mensagem cristã encontra seu ápice no Amor Trinitário de Deus. A exigência deste Amor Trinitário foi profundamente compreendida por São João da Cruz, o Doutor Místico, que em suas obras o traduz como ninguém, especialmente ao explicar a doutrina do poema "Chama Viva de Amor". Esta é a última das quatro grandes obras sãojoanistas e a mais inefável, a mais elevada. Páginas endeusadas que só um espírito como o de São João da Cruz poderia entrever e balbuciar. É composta de quatro canções cujos versos são acompanhados de pontos de admiração, indicando a inefabilidade do mistério que querem declarar. Escritas em Granada entre os anos de 1582-1584, foram comentadas quando São João da Cruz era vigário provincial da Andaluzia (1585-87), para satisfazer os desejos de Dona Ana de Peñalosa, filha espiritual do Santo, "nobre e devota senhora" de Segóvia. É a obra mais inebriante, porque trata do "mais candente e inflamado amor", do grau mais perfeito e depurado de perfeição que se pode chegar nesta vida, dirá frei Felipe Sanz de Baranda. 

O propósito principal de todas as novenas e tríduos será sempre o de aumentar a intimidade das almas com Deus, elevando-as à perfeição do amor, em Deus, com Deus e por Deus. Pensa-se que São João da Cruz alegrava-se intimamente lendo suas duas de suas obras mais primorosas, Chama Viva e Cântico Espiritual, talvez por poder contemplar, límpida e claramente, o retrato de sua alma frente ao íntimo contato com Deus. Assim, traçaremos nossas meditações mediante suas explicações em Chama Viva de Amor, para redescobrirmos nossa essência frente ao nosso carisma, iluminados pela Sagrada Escritura, pela doutrina do Catecismo, e, norteados pelo Documento Capitular de 2003, Voltar ao Essencial “Em marcha com Santa Teresa e São João da Cruz”, e pela Declaração Carismática do Carmelo Teresiano, de 2019, “Ser carmelitas descalços hoje”. Desta maneira nos examinaremos e poderemos voltar ao essencial de nossa vocação sãojoanista-teresiana. 

×××××××××××××××××××××××××××××××××××× 

ORAÇÃO INICIAL: (Todos os dias) 

· Sinal da Cruz. 

· Vinde, Espírito Santo. 

· Salve-Rainha. 

· Intenção pessoal (.........) 

Senhor Deus, Uno e Trino, dai-nos a graça de mergulhar com profundidade, ao longo destes dias de oração, no vosso mistério de amor trinitário, e ensinai-nos a redescobrir o valor da vocação batismal e do chamado ao Carmelo, a partir de uma vida carismática comprometida mediante a doutrina sãojoanista-teresiana, e assim nos colocarmos “de volta ao essencial” de nosso carisma, tanto na vida pessoal, quanto na vida comunitária. Tudo isto vos pedimos com a intercessão do santo padre João da Cruz, que cantou tão divinamente os segredos e as belezas da vida de união convosco. 

São João da Cruz, rogai por nós! 

2° Dia - 06/12/2020. 
Tema: Nosso Carisma, nossa identidade. 
Lema: “É preciso partir sempre de Cristo” 


Doutrina sãojoanista-teresiana: 

“Em Cristo Deus revelou-nos tudo. Jamais podemos dizer que o conhecemos perfeitamente: “há muito que aprofundar em Cristo; sendo qual mina abundante, com muitas cavidades cheias de ricos veios, e por mais que se cave, nunca se chega ao termo, nem se acaba de esgotar; ao contrário, vai-se achando em cada cavidade novos veios de novas riquezas, aqui e ali...” (CE 37,4). É preciso partir sempre de Cristo: “o primeiro: tenha sempre o anseio de imitar a Cristo em todas as suas coisas, conformando-se à sua vida, sobre a qual se deve meditar para saber imitá-la e agir em todas as circunstâncias como Ele agia” (1S 13,3). Ele é o centro de nossa vida e nele temos tudo: “meus são os céus e minha é a terra; minhas são as gentes, os justos são meus e meus os pecadores; os anjos são meus e a Mãe de Deus e todas as coisas são minhas, e Deus mesmo é meu e para mim, pois Cristo é meu e todo para mim” (D 26 – Oração da Alma Enamorada). (DC 19.25,2003) A livre resposta pessoal com a qual se aceita o chamado converte-se no início de um itinerário de discernimento, de acolhida e identificação progressiva com a identidade carismática. Tal identificação irá crescendo e amadurecendo em um processo que durará a vida toda. A identidade carismática, com efeito, existe somente como identidade-em-formação, ou seja, em um processo de identificação pessoal e comunitário, e a formação existe apenas em função de uma identidade a alcançar. A resposta ao chamado introduz em uma experiência de vida que tem suas características específicas e foi desenvolvida, vivida e já transmitida por outras pessoas que constituem a família religiosa do Carmelo Teresiano. Para quem foi chamado, abre-se um caminho de assimilação e amadurecimento humano, evangélico, espiritual, intelectual. Desse empenho depende o futuro da própria vocação e cada um, ao responder ao chamado, assume pessoalmente a responsabilidade de trabalhar na própria formação’. (DC 2.4.6 2019) 

“Os cristãos são batizados ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’ (Mt 28, 19). Antes disso, eles respondem «Creio» à tríplice pergunta com que são interpelados a confessar a sua fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo: A fé de todos os cristãos se assenta na Trindade. Somos batizados, ‘em nome’ do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e não ‘nos nomes’ deles porque não há senão um só Deus – o Pai Onipotente, o Seu Filho Unigênito e o Espírito Santo: 

a Santíssima Trindade”. (Catecismo 232-233) 

Meditação: As três Pessoas da Trindade operam a unidade. 

“A primeira graça é a regalada chaga, que atribui ao Espírito Santo, chamando-a, por esta razão, cautério suave. A segunda és o sabor de vida eterna, que atribui ao Filho, e por isto lhe dá o nome de toque delicado. A terceira é a transformação em Deus, dádiva com que a alma fica bem paga, atribuindo-a ao Pai, e denominando-a, por tal motivo, mão branda. Embora mencione agora as Três, por causa dos efeitos particulares que produzem, na realidade fala somente com uma Pessoa, dizendo: a morte vida me hás trocado; porque as Três operam em unidade, e assim a alma atribui tudo a uma só, e, ao em mesmo tempo, a todas. Segue-se o verso: Oh! cautério suave!” (São João da Cruz - Ch 2,1) 

×××××××××××××××××××××××××××××××××××× 

ORAÇÃO FINAL: (Todos os dias) 

Podemos dizer que "Chama Viva" é a epifania do mistério sobrenatural escrito e inspirado a São João da Cruz, que os olhos não podem ver, nem ouvidos podem ouvir, e que só o coração sente e conhece (cf. Is 64,4), que é o mistério da transformação da alma na Santíssima Trindade. O Senhor generosamente o antecipa a quem, como São João da Cruz, renunciando a tudo, sabe esperar tudo do Tudo. Que do vale de nossa miséria, sintamos a atração dos altos cumes, por onde passeia o espírito do místico carmelita, encerrando como oração, o poema de São João da Cruz: 


Canção I 

Oh! Chama de amor viva 

que ternamente feres 

De minha alma no mais profundo centro! 

Pois não és mais esquiva, 

Acaba já, se queres, 

Ah! Rompe a tela deste doce encontro. 


Canção II 

Oh! Cautério suave! 

Oh! Regalada chaga! 

Oh! Branda mão! Oh! Toque delicado 

Que a vida eterna sabe, 

E paga toda dívida! 

Matando, a morte em vida me hás trocado. 


Canção III 

Oh! Lâmpadas de fogo 

Em cujos resplendores 

As profundas cavernas do sentido, 

que estava escuro e cego, 

Com estranhos primores 

Calor e luz dão junto a seu Querido! 


Canção IV 

Oh! Quão manso e amoroso 

Despertas em meu seio 

Onde tu só secretamente moras: 

Nesse aspirar gostoso, 

De bens e glória cheio, 

Quão delicadamente me enamoras!” 



Propósito do dia: (.........) 



Oração: Ó Deus, que inspirastes ao presbítero são João da Cruz, nosso pai, extraordinário amor pelo Cristo e total desapego de si mesmo, fazei que, imitando sempre seu exemplo, cheguemos à contemplação da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

São João da Cruz, rogai por nós! 



Estela da Paz. 
(Estela Maria Teresa de Jesus, OCDS) 
Comissão de História 
Comissão de Espiritualidade 



Ref.: 

Catecismo da Igreja Católica. 

Bíblia Sagrada. 

“Ser carmelitas Descalços hoje”. Declaração carismática, 2019. 

CAPÍTULO GERAL DOS CARMELITAS DESCALÇOS. ÁVILA – 17 de maio de 2003. "Em Marcha com Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz". Voltar ao Essencial. Documento Capitular. 


Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...