sexta-feira, 1 de outubro de 2021

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS, VIRGEM E DOUTORA DA IGREJA



Amor e missão: "O Amor escolheu-me para holocausto"

 Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim”. (Jo 15,4) Como pode uma alma tão imperfeita como a minha aspirar à plenitude do Amor?... Ó Jesus! meu primeiro, meu único Amigo, Tu que amo UNICAMENTE, dize-me que mistério é esse”. (Santa Teresinha – MB)

Os frutos de santidade colhidos por Santa Teresinha são de amor e missão, e estão plenamente associados à intensa experiência vivida no amor de Deus. Teresinha viveu e permaneceu no amor de Deus, buscando a santidade, oferecendo-se como vítima de holocausto a Jesus. No Manuscrito B, encontramos uma belíssima experiência vivida por ela com Jesus, narrada numa carta que escreveu para sua “duplamente irmã”, como costumava dizer à Irmã Maria do Sagrado Coração. Na carta, ela descreve um sonho, onde apresenta sua “pequena doutrina", num profundo colóquio de amor com Jesus. Desta narrativa relevante, compreendemos a grandeza de sua entrega e abandono confiante ao Amor misericordioso ao concluir: Ó Jesus! como posso dizer a todas as almas pequeninas o quanto é inefável a tua condescendência... sinto que, embora seja impossível, se tu encontrasses uma alma mais fraca, menor que a minha, terias prazer em cumulá-la de favores ainda maiores, caso ela se abandonasse com inteira confiança à tua misericórdia infinita. Mas por que desejar comunicar teus segredos de amor, ó Jesus. Não foste tu quem os ensinaste a mim e não podes revelá-los aos outros?... Sim, sei, e te suplico para fazê-lo, te suplico que abaixes teu olhar divino sobre um grande número de almas pequeninas... Suplico-te escolher uma legião de pequenas vítimas dignas do teu AMOR!” (MB)

Apesar de sua frágil condição, segundo a própria Teresinha, será como criança que ela se oferecerá como vítima de Amor a Jesus: "Sou apenas uma criança, impotente e fraca, mas é minha própria fraqueza que me dá a audácia para me oferecer com Vítima ao teu Amor, ó Jesus! Outrora, só as hóstias puras e sem manchas eram aceitas pelo Deus forte e poderoso. Para satisfazer a justiça divina, havia necessidade de vítimas perfeitas. Mas à lei do temor sucedeu a do Amor e o Amor escolheu-me para holocausto, eu, fraca e imperfeita criatura... Não é escolha digna do Amor?..."

Para ela, a santidade e o amor a Jesus se resumiam num complexo de anseios e vocações que devem nos despertar e redespertar para tamanho compromisso com a busca dessa mesma santidade: “Ser tua esposa, ó Jesus; ser carmelita; ser, pela minha união a Ti, a mãe das almas, deveria ser-me suficiente... mas não é... Sem dúvida, esses três privilégios formam minha vocação: carmelita, esposa e mãe. Todavia, sinto em mim outras vocações, a de Guerreiro, a de Sacerdote, a de Apóstolo, a de Doutor, a de Mártir, enfim, sinto a necessidade, o desejo de realizar, para Ti, Jesus, as mais heróicas obras... Sinto na minha alma a coragem de um cruzado, de um zuavo pontifício. Queria morrer num campo de batalha pela defesa da Igreja... Sinto em mim a vocação de Sacerdote. Com que amor, ó Jesus, levarte-ia em minhas mãos quando, pela minha voz, descesses do Céu... Com que amor eu Te daria às almas!... Mas ai! embora desejando ser sacerdote, admiro e tenho inveja da humildade de são Francisco de Assis e sinto em mim a vocação de imitá-lo, recusando a sublime dignidade do Sacerdócio”.

Os santos foram sempre fonte e origem de renovação nas circunstâncias mais difíceis em toda a história da Igreja. Hoje temos muitíssima falta de santos, que devemos pedir com assiduidade. Todos na Igreja, precisamente porque são seus membros, recebem e, por conseguinte, partilham a comum vocação à santidade, dirá S. João Paulo II: «Todos os fiéis são convidados e têm por obrigação tender à santidade e à perfeição do próprio estado». (CF 16) Santidade e perfeição de vida aos moldes do Evangelho que devem nos conduzir a “permanecer no amor”, para então produzir frutos, como dirá o Senhor: Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim”. (Jo 15,4)

Como padroeira das Missões, santa Teresinha acende um facho de luz e amor para a missão de anunciar o Cristo que é Luz do mundo. Eis o nosso compromisso, ser santos para a missão! Ela nos ensinará ainda com sua declaração: Ó Jesus! meu amor, minha vida... Ah! apesar da minha pequenez, queria iluminar as almas como os profetas, os doutores. Tenho a vocação de apóstolo... Gostaria de correr a terra, propagar teu nome e fincar tua Cruz gloriosa no solo infiel. Ó meu amor, uma missão só não seria suficiente. Gostaria também de pregar o Evangelho nas cinco partes do mundo, até nas mais longínquas ilhas... Queria ser missionária, não só durante alguns anos, mas gostaria que fosse desde a criação do mundo e até o final dos séculos...

Dirá o Papa Francisco: A santidade é o rosto mais belo da Igreja. Mas, mesmo fora da Igreja Católica e em áreas muito diferentes, o Espírito suscita «sinais da sua presença, que ajudam os próprios discípulos de Cristo». Para um cristão, não é possível imaginar a própria missão na terra, sem a conceber como um caminho de santidade, porque «esta é, na verdade, a vontade de Deus: a [nossa] santificação» (1 Ts 4, 3). Cada santo é uma missão; é um projeto do Pai que visa refletir e encarnar, num momento determinado da história, um aspeto do Evangelho. O desígnio do Pai é Cristo, e nós n’Ele. Em última análise, é Cristo que ama em nós, porque a santidade «mais não é do que a caridade plenamente vivida». Por conseguinte, «a medida da santidade é dada pela estatura que Cristo alcança em nós, desde quando, com a força do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida sobre a Sua». Assim, cada santo é uma mensagem que o Espírito Santo extrai da riqueza de Jesus Cristo e dá ao seu povo. (GE 9.19.21) E completa, “não tenhas medo da santidade. Não te tirará forças, nem vida nem alegria. Muito pelo contrário, porque chegarás a ser o que o Pai pensou quando te criou e serás fiel ao teu próprio ser. Depender d’Ele liberta-nos das escravidões e leva-nos a reconhecer a nossa dignidade.  Cada cristão, quanto mais se santifica, tanto mais fecundo se torna para o mundo. Não tenhas medo de apontar para mais alto, de te deixares amar e libertar por Deus. Não tenhas medo de te deixares guiar pelo Espírito Santo. A santidade não te torna menos humano, porque é o encontro da tua fragilidade com a força da graça”. (GE 32-34)

Precisamos nos deixar impulsionar pelo amor que moveu o coração de santa Teresinha, para que tenhamos a coragem de testemunhar este mesmo amor que o mundo tanto carece e deseja: “Bem! eu sou a criança da Igreja e a Igreja é Rainha, pois é tua esposa, o divino Rei dos Reis... Não são as riquezas e a Glória, nem a Glória do Céu, que o coração da criança deseja... Compreendo que a Glória pertence por direito a seus irmãos, os anjos e os santos... A glória dele será o reflexo daquela que brotará da fronte de sua Mãe. O que pede é o Amor... Só quer uma coisa, te amar, ó Jesus... As obras de grande repercussão lhe são interditadas, ele não pode anunciar o Evangelho, derramar o próprio sangue... mas não importa, seus irmãos trabalham no lugar dele e ele, criancinha, fica junto do trono do Rei e da Rainha. Ama pelos seus irmãos que combatem... Como irá testemunhar seu amor se o Amor se prova pelas obras? A criancinha lançará flores, perfumará o trono real, com sua voz argêntea, cantará o cântico do Amor...” (Santa Teresinha)

Concluímos com são João Paulo II, “a Bíblia emprega a imagem da vinha de muitas maneiras e com diversos significados: ela serve particularmente para exprimir o mistério do Povo de Deus. Nesta perspectiva mais interior, os fiéis leigos não são simplesmente os agricultores que trabalham na vinha, mas são parte dessa mesma vinha: ‘Eu sou a videira, vós os ramos’, diz Jesus (Jo 15, 5). Já no Antigo Testamento os profetas recorriam à imagem da vinha para indicar o povo eleito. Israel é a vinha de Deus, a obra do Senhor, a alegria do Seu coração: ‘Eu tinha-te plantado como vinha predileta’ (Jer 2, 21); ‘A tua mãe era como uma videira plantada à beira das águas. Era fecunda e rica em sarmentos, graças à abundância de água’ (Ez 19, 10); ‘O meu amado possuía uma vinha numa colina fértil. Cavou-a, tirou-lhe as pedras, e plantou-a com varas escolhidas...’” (Is 5, 2). (CF 8)

 SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS,

Rogai por nós!

 

Estela da Paz, OCDS.

Comissão de Espiritualidade

 

Ref.:

·         Carta de Santa Teresinha à querida Irmã Maria do Sagrado Coração, em 08/09/1896.

·         Contextualização Bíblica: São João, 15

·         EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL - CHRISTIFIDELES LAICI, S. JOÃO PAULO II, SOBRE VOCAÇÃO E MISSÃO DOS LEIGOS NA IGREJA E NO MUNDO, 30.12.1988.

·         EXORTAÇÃO APOSTÓLICA GAUDETE ET EXSULTATE, PP. FRANCISCO. SOBRE A CHAMADA À SANTIDADE NO MUNDO ATUAL, 19.03.2018.

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