segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Uma Homenagem ao nosso querido irmão Frei Pierino Orlandini, OCD

 





Distância,
separação,
dura realidade
que mexe nas dobra mais fundas do coração,
semeando nuvens
carregadas de espera,
tingidas de saudade doída!
E o tempo que para
-demorada parada no tempo!-
interrompe o ritmo doce da vida,
e quente harmonia da união
projetos e alegrias.

Distância,
um “nós” dividido,
um bloco partido,
mesmo que por instantes partido.
Mas como são longos
os instantes do “nós” dividido!

Distância
é nostálgica espera
do “eu” distante, tão longe,
a imagem do “tu” tão distante,
hetérea imagem
que foge dos olhos
e volta
e tange as cordas sonoras do coração,
em ritmo de saudade.

Terminará a espera
e as nuvens da noite
deixarão, ao céu estrelado, lugar;
pensadas serão as feridas
e os silêncios, sonoros.

Que voe este tempo!
Que me leve em suas asas, fora do tempo!
Que me leve no espaço que eu quero!
Um dia terminará a noite,
quando de novo oferecer-me-ás teus olhos,
portas abertas de teus secretos mistérios,
e tu, suavemente,
penetrará nos segredos
de minha alma em festa.

Pierino Orlandini, OCD





Beleza infinita


Pierino Orlandini, OCD


Ó BELEZA Infinita,
sempre clara e sempre viva,
sem limites, nem circunscrita,
sempre antiga e sempre nova,
sempre outra!
Ultrapasso os espaços
ao sopro do Vento,

voando
nas asas do Espírito,
transpondo limites.
Esta Imensa Beleza,
cativante Beleza sem fim, cria em mim asas:
Invisíveis, misteriosas asas...
que quebram barreiras,
rasgam os medos,
sem calcular precipícios,
num vôo livre e audacioso e impossível.
Mas nada é impossível!...-
E, assim, a Eternidade faz-se presente no tempo,
no espaço tão angusto, tão breve da história
do ser tão limitado!
“Olhos ao Alto e voe ! E, do Alto, perscrute!”
- eu sinto, eu escuto -.
Embaixo,
além e fora de si,
os homens circulam, caminham, labutam...
em busca do Outro.
E o Outro, absolutamente Outro,
Majestade Infinita, o Altíssimo,
“Deus-Conosco”, feito carne, -quem diria?-
vive nos outros: pequenos, carentes,
famintos, sedentos, abandonados, desfigurados,
deixados à margem, deixados de lado, jogados...
e nos outros se esconde.
Assim, simplesmente, misteriosamente,
como no Sacramento,
Cristo vivo neles se torna presente.
Neles – ó difícil Beleza escondida e presente de sempre!
- está o precipício que é preciso transpor.
Só é possível esse vôo,
vôo livre, voando,
carregados pelas asas do Amor.


“Existir hoje é deixar-se guiar pela Beleza, mesmo quando o guiará na orla do precipício e, embora ela tenha asas e você não e ela ultrapassará o precipício ,siga-a, porque onde não existe Beleza, nada existe” (Kahlil Gibran)

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