Distância,
separação,
dura realidade
que mexe nas dobra mais fundas do coração,
semeando nuvens
carregadas de espera,
tingidas de saudade doída!
E o tempo que para
-demorada parada no tempo!-
interrompe o ritmo doce da vida,
e quente harmonia da união
projetos e alegrias.
Distância,
um “nós” dividido,
um bloco partido,
mesmo que por instantes partido.
Mas como são longos
os instantes do “nós” dividido!
Distância
é nostálgica espera
do “eu” distante, tão longe,
a imagem do “tu” tão distante,
hetérea imagem
que foge dos olhos
e volta
e tange as cordas sonoras do coração,
em ritmo de saudade.
Terminará a espera
e as nuvens da noite
deixarão, ao céu estrelado, lugar;
pensadas serão as feridas
e os silêncios, sonoros.
Que voe este tempo!
Que me leve em suas asas, fora do tempo!
Que me leve no espaço que eu quero!
Um dia terminará a noite,
quando de novo oferecer-me-ás teus olhos,
portas abertas de teus secretos mistérios,
e tu, suavemente,
penetrará nos segredos
de minha alma em festa.
Pierino Orlandini, OCD
Beleza infinita
Pierino Orlandini, OCD
Ó BELEZA Infinita,
sempre clara e sempre viva,
sem limites, nem circunscrita,
sempre antiga e sempre nova,
sempre outra!
Ultrapasso os espaços
ao sopro do Vento,
nas asas do Espírito,
transpondo limites.
Esta Imensa Beleza,
cativante Beleza sem fim, cria em mim asas:
Invisíveis, misteriosas asas...
que quebram barreiras,
rasgam os medos,
sem calcular precipícios,
num vôo livre e audacioso e impossível.
Mas nada é impossível!...-
E, assim, a Eternidade faz-se presente no tempo,
no espaço tão angusto, tão breve da história
do ser tão limitado!
“Olhos ao Alto e voe ! E, do Alto, perscrute!”
- eu sinto, eu escuto -.
Embaixo,
além e fora de si,
os homens circulam, caminham, labutam...
em busca do Outro.
E o Outro, absolutamente Outro,
Majestade Infinita, o Altíssimo,
“Deus-Conosco”, feito carne, -quem diria?-
vive nos outros: pequenos, carentes,
famintos, sedentos, abandonados, desfigurados,
deixados à margem, deixados de lado, jogados...
e nos outros se esconde.
Assim, simplesmente, misteriosamente,
como no Sacramento,
Cristo vivo neles se torna presente.
Neles – ó difícil Beleza escondida e presente de sempre!
- está o precipício que é preciso transpor.
Só é possível esse vôo,
vôo livre, voando,
carregados pelas asas do Amor.
“Existir hoje é deixar-se guiar pela Beleza, mesmo quando o guiará na orla do precipício e, embora ela tenha asas e você não e ela ultrapassará o precipício ,siga-a, porque onde não existe Beleza, nada existe” (Kahlil Gibran)
Nenhum comentário:
Postar um comentário