quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Liturgia - 06 de agosto - TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR



TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

Cor
litúrgica: Branco

Ofício festivo próprio
Liturgia das Horas: 1150-1161-795
Oração das Horas: 1310-1314-907

Leituras: Dn 7,9-10.13-14 – Sl 96(97) – IIPd 1,16-19 – Mc 9,2-10
“Mestre, é bom estarmos aqui.”
Cristo é tal como apareceu na montanha da Transfiguração.

Festa da Transfiguração do Senhor, mistério pelo qual Cristo manifestou sua glória divina, atestada pela voz do Pai e pela presença de Moisés e de Elias, para preparar seus discípulos para a provação da cruz. Esta festa é celebrada neste mesmo dia pelos orientais bizantinos, sírios e coptas, ao passo que os armênios a celebram no domingo seguinte.


O MISTÉRIO DA TRANSFIGURAÇÃO


No mistério da Transfiguração, a Igreja não celebra apenas a transfiguração de Cristo, mas também a sua própria. São Paulo usa duas vezes o verbo transfigurar-se (em grego, transfigurar-se e transformar-se são termos equivalentes) com referência aos cristãos, e nas duas vezes indica algo que tem lugar aqui e agora: “transformai-vos pela renovação de vosso espírito” (Rm 12, 2). O verbo, que é traduzido por “refletir como em um espelho”, pode ter por si mesmo dois significados. O primeiro, adotado pelos antigos, é “contemplar como em um espelho”; o segundo, preferido pelos modernos, é “refletir como um espelho”. No primeiro caso, Cristo é o espelho no qual contemplamos a glória divina, no segundo, nós somos o espelho que, contemplando Cristo refletimos a glória divina. A interpretação antiga é às vezes criticada pelo fato de levar a pensar que, desse modo, Cristo seria equiparado ao restante do mundo criado, o qual é também definido como espelho (cf. 1 Cor 13,12), mas nada obriga a pensar que o Apóstolo use o termo no mesmo sentido nos dois textos. Também o homem é imagem de Deus, e, no entanto, isso não impede o Apóstolo de definir também Cristo como "Imagem de Deus", em um sentido diferente e mais forte. Ambas as nuances mantêm-se, portanto, unidas, como procede uma autorizada tradução moderna da Bíblia que sugere entender a expressão no sentido de que "nós contemplamos e refletimos", isto é, "refletimos o que contemplamos". Segundo o Apóstolo, é preciso ir além. O homem não só reflete o que contempla, mas transforma-se naquilo que contempla. Con­templando, somos transfigurados na imagem que contemplamos. Trata-se de um pensamento cuja profunda verdade talvez tenhamos hoje melhor aptidão para apreender. Se em determinada época, nos inícios do materialismo científico, afirmava-se: "O homem é aquilo que come", hoje, numa civilização totalmente dominada pela ima­gem e pela comunicação visual, deve-se dizer: "O homem é aquilo que vê". A imagem tem o poder de penetrar não só no corpo, mas na própria alma por meio da fantasia. O olho é "a lâmpada da alma" (cf. Mt 6,22); e é também a porta da alma. Contemplando Cristo, diz, portanto, o Apóstolo, nós nos tornamos semelhantes a ele, conformamo-nos a ele, consentimos que seu mun­do, seus propósitos e seus sentimentos se imprimam em nós, que substituam nossos pensamentos, propósitos e sentimentos, que nos façam semelhantes a ele. Ocorre na contemplação o mesmo que na fotografia, e é curioso descobrir que o próprio termo "fotografar" aparece pela primeira vez em um autor bizantino do século XII, precisamente para indicar o que acontece quando a alma contempla o Cristo. "Preservemos" - afirma ele - "com toda a atenção o espelho da alma, no qual usualmente imprime-se e fotografa-se (photeinographein) Jesus Cristo, sabedoria e potência de Deus." Mas não é exatamente o que constatamos por nós mesmos? Certas ima­gens têm o poder de ficar gravadas em nossa mente e nela permane­cer como grafites em muros de cimento. O Tabor foi o alicerce instituidor e continua a ser o apelo mais forte a essa contemplação de Cristo que transforma. Ele é, por exce­lência, o mistério da contemplação de Jesus. No "monte santo", como o chama São Pedro, os apóstolos foram contempladores, espectadores, testemunhas oculares da grandeza de Jesus (cf. 2Pd 1,16-18). Em outros mistérios, prevalece a atualização sacramen­tal ou litúrgica; na Transfiguração, prevalece a direção intencional que é a contemplação. Com efeito, não existe um sacramento para celebrar a Transfiguração, como há para o batismo de Cristo e pa­ra a sua morte e Ressurreição.Todavia, não pretendemos contentar-nos em fazer uma simples reflexão sobre o tema da contemplação de Cristo, mas também, tan­to quanto possível por meio das páginas de um livro, uma experiên­cia de contemplação. Nesse caso, queremos igualmente chegar ao "âmago do assunto", sem nos limitar à idéia do fato. Assim, as meditações que reunimos neste livro foram concebidas como outras tantas subidas matutinas ao monte Tabor, com o propósito de pas­sar meia hora "de olhos fitos naquele que é o iniciador da fé e a conduz à realização" (Hb 12,1), retornando depois, revigorados, ao trabalho quotidiano.O propósito da contemplação consiste precisa­mente em ir além da letra e reviver dentro de si os sentimentos e os estados de espírito: de Jesus, dos apóstolos, do próprio Pai celeste quando proclama: "Este é o meu Filho bem-amado". Os pintores do ícone, representando Moisés e Elias curvados quase como um arco diante de Jesus, convidam-nos a nos identificar com eles, fazendo nossa a sua atitude de adoração ilimitada. Todo ícone deve reflectir em si a mesma luz que brilhou no Tabor. Todo ícone de Cristo deve levar a entrever o invisível através da imagem do visível, exatamente como a divindade de Cristo transpareceu no Tabor por entre o véu de sua carne.


Cf. Raniero Cantalamessa, “O Mistério da Transfiguração”, Edições Loyola, São Paulo,

“Sabe que o tempo é incerto, a conta rigorosa, a perdição muito fácil e a salvação bem difícil.”
São João da Cruz – C 1.1

Cartas de Santa Teresa de Jesus em 06


1578 – C 245 – Ao Padre Jerônimo Gracián, em Peñaranda – Perseguições contra a reforma e o Padre Gracián. “Responda a atudo pois se está tornando muito biscaínho.”

1580 – C 336 – À Madre Maria de São José, Priora de Sevilla – Negócios que se oferecem à Santa por morte de D. Lorenzo de Cepeda. Legado para uma capela em S. José de Ávila. Pagamento de dívidas. É concedida da Província de Descalças, por Breve de Sua Santidade. Sobre o dinheiro chegado das Índias para D. Lorenço.

1582 – C 438 – Á D. Teresa Laíz, em Alba de Tormes – Pede desculpas de não poder enviar ao seu Convento de Alba a Priora de Burgos, Tomazina Bautista. Ninharias e bagatelas religiosas de Alba nas quais tomava parate a Priora D. Teresa. Lamenta-se de que transpirem fora do convento. Promete regular tudo, mediante a ida de Padre Gracián. É hoje dia da Transfiguração.




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