sábado, 29 de dezembro de 2007

ORAÇÃO PARA A CELEBRAÇÃO DO 2o CAPÍTULO PROVINCIAL (JANEIRO-2008)

Ó Deus, Pai de Bondade, volvei o vosso olhar amoroso sobre os religiosos de nossa Província. Fazei que o Vosso Espírito crie em nós uma profunda comunhão de corações que nos leve a realizar uma presença fecunda, através de um testemunho autêntico da nossa vocação carmelitana. Concedei-nos, Senhor, a graça de responder com generosidade aos desafios e necessidades da Igreja. Atendei-nos, Senhor, pela intercessão da Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo e de São José, protetor particular desta Província. Amém.

Santa Madre Teresa, rogai por nós!
Santo Padre João da Cruz, rogai por nós!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

VOTOS DE FELIZ ANO NOVO

A Comunidade Santa Teresinha de Passos-MG
deseja a todos os Carmelitas :
frades, monjas e seculares
um ano de 2008 cheio de
paz e harmonia,
alegria
e Determinação na
fé , esperança e caridade.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

CRÔNICA DE NATAL


Frei Marcos Hideo Matsubara, ocd


Acordei mais cansado do que o normal...
Segunda-feira é folga do Mariano (sacristão) e geralmente quem abre a igreja é a Nenê,
mas ela está afastada por causa da licença-maternidade e sou eu quem abre a igreja na ausência dos dois.
Acendi as luzes da igreja perdida no breu da manhã e abri as portas pesadas como quem abre com dificuldade as portas do coração. Levei um susto com o mendigo que dormia na soleira e nem se importou que eu estivesse ao seu lado, bem pertinho e continuava dormindo como quem não tem nenhum motivo para acordar.
As flores estavam acochambradas num vaso, totalmente desarrumadas, e por isso resolvi dispô-las em vários vasos para dar espaço entre uma e outra. Elas estavam apertadas demais e imagino que flores também sintam-se sufocadas com a falta de espaço entre uma e outra. De um vaso consegui fazer três. A água do vaso já estava fedendo. Como podemos deixar flores sufocando e bebendo de água suja?
Dona Elza, sempre assídua, foi uma das primeiras a chegar na igreja e desejou-me feliz Natal. Disponível, como sempre, perguntou-me se eu já tinha comprado os pães e ofereceu-se para fazê-lo. Agradecendo-lhe pelo gesto, pedi apenas que tomasse conta do lugar enquanto eu (que suponho ter pernas mais ágeis do que ela) daria um pulo rapidamente até a padaria do Sr. Caetano. São Paulo de manhã é uma beleza. Nada de carros, nada de barulho, nada de corre-corre... Quer dizer, só o meu. Eu corri até a padaria e fiquei pensando que os porteiros dos prédios vizinhos devam achar que sou louco. Um padre correndo às seis e meia da manhã para comprar pães na padaria do português. Mas acho que eles já se aostumaram.
Curiosamente vi, entre os pães oferecidos, um que se chamava "Pão do Padre". Resolvi fazer uma pequena revolução mudando nosso cardápio matinal. Nada mais apropriado para os padres do que o "pão do padre". Na hora de pagar os pães no caixa, lembrei-me de que havia saído de casa sem dinheiro. Envergonhado pedi à moça do caixa que "pendurasse" a conta até eu trazer o dinheiro. Claro que temos crédito... Desejei-lhe Feliz Natal e corri para casa novamente.
Dei uma rápida varrida no corredor, fui ao refeitório colocar os pães na cesta. Lembrei-me que precisava regar as plantas do jardim e rezava agradecendo a Deus pela saúde e pelo término do triênio. Três anos se passaram desde que cheguei aqui em São Paulo. A rotina de trabalhos, o corre-corre diário, atendimentos, pagamentos, compras, a sensação de que sou uma formiga operária as tarefas da economia... nem me deixaram perceber que o tempo passava rápido.
Fiz muitos amigos aqui. Aqui aprendi a ser padre. Chorei comovido com as pessoas que vinham confessar, dei gargalhadas arriscadas com as gafes nos casamentos, fui acusado de coisas que me surpreenderam e me entristeceram, mas também elogiado por coisas que não fiz. Como dia a Rita Lee "Não sou santa, nem sou prostituta": quero apenas ser feliz.
Gostaria de enviar uma daquelas mensagens bonitas de Natal, mas francamente estou sem a mínima criatividade... Mas mesmo em meio ao cansaço, à falta de criatividade, ao corre-corre, queria deixar para você umas palavras de agradecimento e meus augúrios natalinos.
Deus te pague. Deus abençoe pelo bem que você tem feito a mim.
Feliz Natal para você e sua família. Para aqueles que você ama, e para os que ainda não consegue amar o suficiente.
Um grande abraço, perdoe-me pela falta de notícias, pela ausência em sua vida. tantas vezes me perco em meio às distrações da vida, esquecendo de cultivar as amizades. Faço isso não por maldade, mas por minha extrema debilidade em enxergar aquilo que é essencial.
Com carinho,
Frei Marcos Hideo Matsubara, ocd

O NATAL SERÁ SEMPRE DE JESUS

-

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Ninguém conseguirá profanar totalmente o Natal. É uma festa que nasceu no coração da Igreja e da comunidade e permanecerá para sempre como sinal da paz. O mundo pode atrever-se e tentar comercializar o Natal, mas o símbolo religioso deste acontecimento não poderá ser destruído e nem anulado. Haverá sempre necessidade de representar anjos que cantam nos céus “glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade!” Os presépios poderão até ser fabricados, vendidos por ateus, mas não poderá ser anulado e desligado da mentalidade religiosa e representativa do nascimento de Jesus.
Além de ser um grande evangelizador Francisco de Assis, quando reproduziu em Greccio o mistério do Natal ao vivo foi um grande artista, de uma sensibilidade religiosa e humana que poucas pessoas possuem. Viver os ideais mais íntimos do coração humano de paz, de unidade e de felicidade é todo o conteúdo do evangelho, que é boa nova. Quem lê o evangelho independentemente da crença e sem preconceitos, percebe que não há livro mais positivo e otimista que a palavra deixada por Jesus e transmitida a nós pelos evangelistas que, depois de séculos, continuam com a mesma força sedutora e convincente.
Para quem vive o evangelho e acredita em Jesus Cristo não tem espaço para o pessimismo, para o ódio e para o mal. O bem será vencedor. Como vencer o desejo íntimo de nós mesmos de bondade através do mal? A primavera sempre alegrará os nossos olhos e Deus faz florescer no mundo em todos os países homens e mulheres que, tocados pela graça de Deus, cantam no meio dos campos de batalha e dos novos campos de concentração o cântico da esperança e da vida.
O Natal será sempre a festa do grande silêncio. Nenhum barulho e nenhuma festividade materialista poderá apagar o desejo que está em nós de escutar a nossa consciência e perceber que o caminho da materialidade, do dinheiro, não pode dar felicidade. Não há como sufocar o grito de esperança que surge cada vez mais forte e se faz sinfonia na garganta, por tanto tempo impedida de falar pelas ditaduras e pelas escravidões. Não há como permanecer indiferente diante da coerência de Deus que vem nos visitar e se faz um de nós, fixando a sua tenda entre nós, assumindo a nossa natureza humana e partilhando conosco a sua divindade.
Não há como não sentir um calafrio quando vemos que Jesus foi reconhecido como Deus não pelos doutores, estudiosos e sabidos, mas sim pelo povo simples, por pastores que estavam cuidando dos rebanhos e esquentando-se em um fogo improvisado nas frias noite da Palestina. Eram pobres, passavam quem sabe fome e frio, mas tinham o coração aberto ao mistério e ao divino.
Qual comércio natalino terá condições de matar o espírito da infância que o Natal carrega em si mesmo? Sempre as crianças, ao lado dos vídeo games ou de computadores gostarão de ver presépios animados, onde todo o universo se faz presente. Quem poderá aniquilar em nós a memória dos cantos natalinos? Noite feliz será cantada para sempre. Ela entrou a fazer parte do DNA da humanidade. Não há natal sem papai Noel como não há Natal sem Noite Feliz, mas especialmente não há Natal sem Jesus Cristo.
É verdade que todas estas parafernálias midiáticas tentam destruir o religioso, mas não conseguirão. O ser humano, quando chega ao abismo de seu nada, volta de novo a levantar o vôo para o alto, com as suas asas quebradas, mas sempre, como diz Teresinha do Menino Jesus, “com olhos de águia fitará o sol que é Cristo”.
O Natal é de Jesus e só dele. O resto é e será sempre papel de embrulho enganador o precisamos não de papel de embrulho mas do presente de Deus à humanidade que é o seu Filho unigênito que nos é oferecido por Maria na manjedoura da vida.
Feliz Natal!

MINHAS PREVISÕES 2008


Frei Patrício Sciadini, ocd.

Quando chegamos ao fim do ano sentimos uma coceira na língua, nos dedos e uma vontade incontrolável de fazer um “balanço” do ano que vai e previsões para o ano que está chegando, não mais novo, mas simplesmente mais velho. Queiramos ou não estamos todos com uma certeza de que ninguém pode duvidar: com um ano a menos de vida, um ano mais velhos, com mais rugas, mais cabelos brancos, menos saúde. Quem sabe com menos dinheiro, mais dívidas mais preocupações. São certezas das quais não podemos fugir. Dizemos com muita facilidade que o ano que passou foi um ano bom, mas poderia ter sido melhor, e que o ano que vem será bem melhor. Com que garantia afirmamos isto?
No ano 2008 prevejo que deve ser um ano em que devemos redobrar a nossa atenção para assumir a nossa fé com alegria, num mundo que tenta cada dia nos afastar dos verdadeiros valores da vida. A vida dos nossos irmãos pobres, despossuídos e marginalizados, se faz cada vez mais dura, sem esperança. Cabe a nós que temos fé, e aos que têm “bens”, ter a coragem de partilhar e de questionar todas as estruturas injustas e pecaminosas porque aumentam os pobres.
O ano 2008, ano da solidariedade universal. Não devemos fechar-nos em nós mesmos, mas sim abrir o coração ao amor generoso e total, para que ninguém, como na primeira comunidade cristã, passe fome ou necessidades. Será um ano decisivo para todos nós: para crescermos na santidade ou diminuir no amor a Deus e ao próximo. A regra de ouro da vida espiritual é a seguinte: não se pode ficar parados, ou se progride ou se regride; não há terceira via.
Desde já devemos pedir ao nosso Deus, porque sem Ele nada podemos fazer, muita saúde para poder trabalhar e ter uma qualidade de vida. Não podemos esperar do governo que se preocupe da saúde pública e nem da cultura, ele tem muitas ocupações e muitas coisas para pensar, especialmente em se “propagandear” a si mesmo e preparar-se assim às eleições. Aos nossos governantes - e o temos visto – não interessa o povo, mas o bolso e só os próprios interesses. Lógico que entre todos há quem luta honestamente e com justiça, mas são moscas brancas. É necessário gritar nos telhados e através de uma “resistência pacífica” a obrigar o poder público a ver as necessidades do povo.
Necessitamos no ano 2008 ser Igreja cada vez mais missionária, comprometida com o povo e com a evangelização. Uma evangelização corpo a corpo, missionária, cada um de nós sentir-se responsável de evangelizar os que encontramos na vida de cada dia nas ida e voltas de trabalho, em todos os lugares.
2008, ano feliz se por nossa parte nos abrirmos a Deus, eu garanto que Deus, como sempre, fará a sua parte. Ele não falha, ele continua a usar de tudo para nos amar: nos envia os seus profetas, cabe a nós a resposta do nosso sim.
Feliz Ano Novo! Mangas arregaçadas, coração em Deus, tudo dará certo. “Quem nos separará do amor de Cristo?”... Nada!
Feliz Ano Novo! As minhas previsões são otimistas, quer vivamos quer morramos vivemos e morreremos no Senhor!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

COMISSÕES REUNIDAS EM BELO HORIZONTE


Nos dias 01 e 02 de dezembro de 2007, em Belo Horizonte (MG), os Freis do Convento São João da Cruz acolheram carinhosamente, na Casa de Filosofia, a Comissão de Formação que lá se reuniu para elaborar o X ENCONTRO DE PRESIDENTES, FORMADORES E CONSELHEIROS de nossa Província.

Neste mesmo período, com o mesmo carinho e pelo mesmo propósito, os Freis também acolheram na Casa de Teologia, a Comissão de Jovens e Iniciantes.

As duas equipes trabalharam separadamente, mas no final fizeram uma reunião conjunta para resolver questões afins.

Foi bem vinda a feliz visita do Conselheiro Paulinho, que chegou trazendo uma mensagem de sua “consorte”, nossa querida Presidente Ana Maria.

O final de semana, porém, não foi só de trabalho. As três comunidades de BH se reuniram na casa da acolhedora Liz, para confraternizar com a Comissão de Formação e a Comissão de Jovens e Iniciantes. Durante a festa a sobrinha de Liz, vestida de Santa Teresa, cantou lindamente uma canção carmelitana.

Neste clima abençoado foi elaborado um Encontro maravilhoso, com as bênçãos e graças da Trindade Santa e a proteção de Nossa Senhora do Carmo e de todos os Santos e Santas do Carmelo.

Portanto, Presidentes, Formadores e Conselheiros aguardem e fiquem atentos!

O Encontro será de 18 a 21 de abril de 2008, em Belo Horizonte.

Em breve, serão enviadas para as Comunidades as cartas com as informações necessárias.

Mas, desde já, é bom saber:

- as inscrições serão feitas pela Carmelita (e-mail: carmelitaocds@yahoo.com.br)

- pede-se, na medida do possível, que todos leiam e levem para o Encontro o Documento de Aparecida.

Fiquem com Deus!

COMISSÃO DE FORMAÇÃO

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Poesia para Duas Santas


Abençoada França, venturoso berço,

De dois luzeiros , rebentos duma só beleza.

Elizabete, morena, santa firme e meiga.

A outra , loura, a doce Irmã Teresa!

Duas vidas ...curtas, intensas, vibrantes

Ao mesmo tempo eternas , passageiras

Viveram poucos anos no exílio: terra!

Plenitude do espírito lutas corriqueiras.

Uma de Lisieux, uma de Dijon, reclusas.

Humildade, pureza.

A fé consola nas noites escuras,

horas mais confusas...

Filhas legítimas da Santa Madre Espanhola!

Santas pequeninas e tão grandes Santas,

Na árdua batalha, secura sem véus!

Claramente sublimes entre outras tantas,

Eu clamo:Dai-me as mãos ,

pois quero is aos céus!

Com Elizabete, sentido os sentimentos seus,

Com Teresinha entre lauréis e almas venturosas;

Vibrar ao ser: “HABITAÇÃO DE DEUS”!

Fazer chover sobre a terra :”UMA CHUVA DE ROSAS!”

Lourdes Lara,ocds- Passos

Na apresentação final dos estudos de nossa comunidade sobre as cartas de Santa Teresinha do Menino Jesus e Besta Elizabete da Trindade.

sábado, 15 de dezembro de 2007

CNBB CONVOCA CRISTÃOS DE BOA VONTADE A JEJUM E ORAÇÃO POR D. CAPPIO

Jejuo também por democracia real Dom LUIZ FLÁVIO CAPPIO (Artigo publicado na FSP, 12/12/2007, p. A3)

----------Acusam-me de inimigo da democracia por estar em jejum e oração combatendo um projeto autoritário e falacioso: o da transposição
----------ACUSAM-ME de inimigo da democracia por estar em jejum e oração combatendo um projeto do governo federal autoritário, falacioso e retrógrado, que é o da transposição de águas do rio São Francisco. Meu gesto não é imposição voluntarista de um indivíduo. Fosse isso, não teria os apoios numerosos, diversificados e crescentes que tem tido de representantes de amplos setores da sociedade, inclusive do próprio PT. Vivêssemos uma democracia republicana, real e substantiva, não teria que fazer o que estou fazendo.
----------Um dos mais graves males da "democracia" no Brasil é achar que o mandato dado pelas urnas confere um poder ilimitado, aval para um total descompromisso com o discurso de campanha, senha para o vale-tudo, para mais poder e muito mais riquezas. Tráficos de influências, desvios do erário, porcentagens em obras públicas e mensalões são práticas tradicionais na política brasileira, infelizmente, pelo visto, ainda longe de acabar. A sociedade está enojada e precisa se levantar. Há políticos -e, infelizmente, não são poucos- que, por onde passaram na vida pública, deixaram um rastro de desmandos, corrupção, enriquecimento ilícito etc. Como ainda funcionam o clientelismo eleitoral, a mitificação de personagens, as falsas promessas de campanha, o "toma-lá-dá-cá" e mais deseducação que educação política do povo, esses políticos conseguem se reeleger e galgar posições de alto poder em governos, quaisquer que sejam as siglas e as alianças. Na campanha do candidato Lula, o tema crucial da transposição era evitado o máximo possível. Mas as campanhas eleitorais, à base do marketing e das verbas de "caixa dois" das empresas, são tidas e havidas como grandes manifestações do vigor de nossa democracia, que, com urnas eletrônicas, dá exemplo até aos EUA... O projeto de transposição não é democrático, porque não democratiza o acesso à água para as pessoas que passam sede na região semi-árida, distante ou perto do rio São Francisco. O governo mente quando diz que vai levar água para 12 milhões de sedentos. É um projeto que pretende usar dinheiro público para favorecer empreiteiras, privatizar e concentrar nas mãos dos poucos de sempre as águas do Nordeste, dos grandes açudes, somadas às do rio São Francisco.
----------A transposição não tem nada a ver com a seca. Tanto que os canais do eixo norte, por onde correriam 71% dos volumes transpostos, passariam longe dos sertões menos chuvosos e das áreas de mais elevado risco hídrico. E 87% dessas águas seriam para atividades econômicas altamente consumidoras de água, como a fruticultura irrigada, a criação de camarão e a siderurgia, voltadas para a exportação e com seríssimos impactos ambientais e sociais. Esses números são dos EIAs-Rima (Estudos de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente), públicos por lei, já que, na internet, o governo só colocou peças publicitárias.
----------O projeto de transposição é ilegal e vem sendo conduzido de forma arbitrária e autoritária: os estudos de impacto são incompletos, o processo de licenciamento ambiental foi viciado, áreas indígenas são afetadas e o Congresso Nacional não foi consultado como prevê a Constituição. Há 14 ações que comprovam ilegalidades e irregularidades ainda não julgadas pelo Supremo Tribunal Federal. Mas o governo colocou o Exército para as obras iniciais, abusando do papel das Forças Armadas, militarizando a região. A decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, de Brasília, em 10/12 deste ano, obrigando a suspensão das obras, é mais uma evidência disso.
----------O mais revoltante, porque chega a ser cruel, é que o governo insiste em chantagear a opinião pública, em especial a dos Estados pretensos beneficiários, com promessas de água farta e fácil, escondendo quem são os verdadeiros destinatários, os detalhes do funcionamento, os custos e os mecanismos de cobrança pelos quais os pequenos usos subsidiariam os grandes, como já acontece com a energia elétrica. Os destinos da transposição os EIAs/Rima esclarecem: 70% para irrigação, 26% para uso industrial, 4% para população difusa.
----------Temos um projeto muito maior. Queremos água para 44 milhões de pessoas no semi-árido. Para nove Estados, não apenas quatro. Para 1.356 municípios, não apenas 397. Tudo pela metade do preço previsto no PAC para a transposição. O Atlas Nordeste da ANA (Agência Nacional de Águas) e as iniciativas da ASA (Articulação do Semi-Árido) são muito mais abrangentes, têm prioridade no abastecimento humano e utilizam as águas abundantes e suficientes do semi-árido. Fui chamado de fundamentalista e inimigo da democracia porque provoquei que o povo se levantasse e, disso, os "democratas" que me acusam têm medo. Por que não se assume a verdade sobre o projeto e se discute qual a melhor obra, qual o caminho do verdadeiro desenvolvimento do semi-árido? É nisso que consiste a nossa luta e a verdadeira democracia.

DOM FREI LUIZ FLÁVIO CAPPIO, 61, é bispo diocesano da cidade de Barra (BA) e autor do livro "Rio São Francisco, uma Caminhada entre Vida e Morte".

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O CANTOR DO AMOR E DA ESPERANÇA



VÉSPERAS


CARACTERÍSTICAS DE
SÃO JOÃO DA CRUZ




Dedicado e esforçado.
Lutava, superava obstáculos.
Simples e simpático. Seu sorriso cativava.
Amante da oração, silêncio e solidão.
Não se contentava nem com o pouco e nem com a mediocridade. Doutor do tudo ou nada.
Não gostava de polêmica. Presença questionadora para os amantes do poder. Considerado rebelde.
Amor e verdade, marcas de suas atitudes. "Onde não há amor, coloca amor e receberá amor".
Seu estilo de vida: sofrer, silenciar e agir.
Sua presença: sinal de Deus.
Suas palavras educavam para Deus, aliviavam, consolavam e orientavam.
Seu testemunho convencia.
Dócil, humilde e acolhedor.
Dialogava com sabedoria e repreendia com amor.
Nômade, destemido. O sofrimento não era motivo para afastá-lo de seu ideal."Quem não ama a cruz de Cristo é inimigo de sua glória".
Visão pacificadora de Deus.
Forte consciência da presença cósmica de Deus.

"Ó bosques e espessuras,
Plantados pela mão de meu amado!
Ó prado de verduras,
De flores esmaltado,
Dizei-me se por vós ele há passado
!"

"Hoje, cada um permaneça sozinho no silêncio da montanha e passe este dia em oração, num diálogo com Deus".

Discreto. De nada se queixava e nem deixava transparecer sofrimento.
Somente à amigos mais íntimos confiava o que o fazia sofrer.
Ciumento de sua liberdade. "Deus me deu o dom da liberdade para pensar um pouco mais em minha alma".
Nutria um grande e forte amor pela ordem. (Ler Subida do Monte Carmelo)
A palavra de Deus era seu guia, certeza e segurança na caminhada. Conhecia de cor e lia de joelhos o Cântico dos Cânticos.

Como escritor:
Sua atividade é breve, apenas oito anos, de 1578/1586.
É no cárcere, em Toledo, que começa a escrever, em meio ao sofrimento, desprezo, marginalização, dor, angústia...
Não se preocupou em terminar suas obras.
Para entendermos São João da Cruz é necessário fazer várias leituras de seus escritos, pois seu estilo não é de fácil compreensão, exigindo paciência e perseverança.
Suas obras relatam as feridas, angústias, dores do homem, mas também a cura para todos os males, apontando-nos o caminho da esperança, do amor, da união com Deus, 'do abraço embriagante de Deus'(Obras Completas).

Compleição física:
Franzino, traços delicados, calvo, pequena estatura . Presença questionadora para os amantes do poder. Considerado rebelde
.
Estudos feitos por
Loudes Souza Pimenta
Comunidade Santa Teresinha de Passos

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

É SÓ O AMOR QUE CONTA

Jovens e Iniciantes na OCDS - Um pouco de nossa história...


Tudo começou durante a realização do XIX Congresso da OCDS, em São Roque, cujo tema era: “Edith Stein, Uma Espiritualidade de Fronteira“, onde se deu início a um novo apostolado dentro da OCDS, com o objetivo de na força do Espírito Santo, gerar almas novas à Cristo.
A nova Comissão, assistida pela Província do Sudeste do Brasil (Província São José), com o intuito e o comprometimento de levar uma nova e profunda experiência de Deus, transmitindo ao mundo jovem o profundo silêncio carmelita, buscando conhecer a espiritualidade dos nossos Santos, organiza com muito afinco o I Encontro de Jovens em Piumhi - MG, em Setembro de 2.004, com o Tema: “Como Pássaros, Sentinelas da Manhã”.
Foi um Encontro maravilhoso que ficou na lembrança de todos que lá puderam estar. Era assim o inicio de um trabalho, de uma caminhada em busca da Juventude Carmelitana...
“Sede como pássaros que ao pousarem um instante sobre ramos muito leves sente-nos ceder, mas cantam. Eles sabem que possuem ASAS!”


Sabendo-se que não se pode parar no Caminho, foi dada continuidade a este trabalho e juntos com a Comissão de Presidentes e Mestres, em Itaici-SP, em 2.005, realizava-se o II Encontro de Jovens com o Tema: “Descalça-te”, O chamado...
Por isto a atrairei, conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração...
Era necessário o despojamento, tirar as sandálias e continuar o caminho, mesmo com as quedas e os espinhos, mas é preciso sempre seguir em frente.
Em 2.006, realiza-se em Caratinga- MG, o III Encontro de Jovens, como o Tema: “Busca-te em Mim”! Foi um Encontro dinâmico, alegre e maravilhoso. De uma vivencia maravilhosa da graça de Deus em nossas vidas. Foi um verdadeiro Buscar e Encontrar, no Nosso Deus de Amor.
Nessa caminhada de profundo aprendizado, vimos que não poderíamos nos reter apenas nos Jovens, e por graça de Deus, nos abrimoas aos Jovens e também as Iniciantes, que começando a conhecer e a beber desta espiritualidade, podem conhecer o Carmelo, que em nossos Encontros, lhe são apresentados de forma dinâmica e profunda. Nesta dimensão, na Casa de Retiro São José, em Belo Horizonte - Minas Gerais, em 2.007, acontece o IV Encontro de Jovens e Iniciantes da OCDS, juntamente com o Encontro de Presidentes e Mestres, buscando assim, um maior entrosamento e levando-nos a termos a oportunidade de nos conhecermos.

Este Encontro teve como Tema: “Não quero ser Santa pela metade”, com a Vivência da Santidade nas pequenas coisas...
Hoje, nos preparamos para o V Encontro de Jovens e Iniciantes da OCDS. Parece que foi ontem, o tempo passa...
O próximo Encontro será em Belo Horizonte – MG, juntamente com o Encontro de Presidentes e Mestres, cujo Tema será: “Estar a sós com Aquele que sabemos que nos ama” e vamos trabalhar muito a Oração: Trato de amizade com Deus. Este Encontro será na Casa de Retiro da Santíssima Trindade.
Estamos caminhando e sabemos que esta caminhada não é fácil e para Caminhar, precisamos do alicerce, que são as Nossas Comunidades.
Este ano temos um diferencial, um dia a mais de Encontro. Acreditamos que isso seja um pouco mais difícil para os jovens. Por isso pedimos que fossem nossos aliados nessa luta, ajudando os Jovens e Iniciantes que desejam beber da água da fonte de Elias a estarem neste Encontro conosco.
Todas as informações serão postadas no Blog da OCDS: http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/
Informações pelo e-mail: sldequeiroz@yahoo.com.br
Ou até mesmo pela Comunidade: Jovens e Iniciantes na OCDS, que criamos, no Orkut, para assim tentarmos continuar mantendo contato.
Que não seja em vão o trabalho iniciado no Congresso e que nas Nossas Comunidades tenha um lugar para essa juventude que anda sedenta por Deus e que muitas das vezes, não sabe onde buscar, pois pecamos na omissão de não evangelizar...

Sérgio do Sagrado Coração de Jesus e de Maria, pela Comissão de Jovens e Iniciantes da OCDS.

domingo, 9 de dezembro de 2007

COMISSÃO DE JOVENS E INICIANTES DA OCDS


No desejo de levar ao mundo jovem nosso carisma carmelitano, a Comissão de Jovens e Iniciantes da OCDS se reuniu nos dias 01 e 02 de dezembro na Casa de Teologia em Belo Horizonte.

Desde o primeiro momento fomos agraciados com os mimos amorosos do Pai. Recepcionados pelo nosso mui querido Frei Afonso que lá estava já de partida, mas nos presenteou com o convite de participarmos juntos com os freis da Santa Missa.

Fortalecidos pela Palavra e pela Eucaristia iniciamos os nossos trabalhos.

Sendo a oração a base do nosso carisma o Sergio convidou-nos para juntos rezarmos o santo Terço.

Após uma breve estória da comissão, nos reunimos com os membros da comissão de formação onde o nosso conselheiro Paulinho leu para nós carta da nossa Presidente Provincial Ana Scarabelli. Entre tantas palavras fortes frisou-nos o objetivo de sempre voltarmos ao Essencial, retornando as nossas fontes e nosso carisma. Que nossa seja exemplificada por nossa vida. E que sem a atuação na vida da igreja não há cristãos verdadeiros, é no meio do povo de Deus que vivemos a fé, pois somos esse povo.

Passamos então um momento com a comissão de formação para ali combinarmos alguns pontos comuns em relação aos cronogramas dos Encontros de Jovens e Iniciantes e Encontro de Presidente, Formadores e Conselheiros da OCDS que acontecerão nos dias 18 a 21 de abril de 2008 na Casa da Santíssima Trindade em Belo Horizonte/MG.

Deixamos aqui um convite aos presidentes, formadores e conselheiros das comunidades não deixem de levar os jovens e iniciantes “amantes do nosso carisma” ao V Encontro de Jovens e Iniciantes que terá como tema: “Está a sós com Aquele que sabemos que nos ama” e como lema: Oração: Um trato de amizade com Deus. Estamos nos preparando com grande alegria para este momento e gostaríamos muito de termos vocês como nossos aliados. Sejamos comprometidos com a santidade carmelita no mundo, vivenciando as palavras do texto do Papa João Paulo II “Precisamos de Santos sem véu ou batina. Precisamos de Santos de calças jeans e tênis...”

O nosso agradecimento todo especial ao Frei Wilson e a todos os freis da casa de teologia pela acolhida; a Mª Helena pela docilidade de sempre e as comunidades Santa Teresinha, Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz que nos brindaram com uma bela confraternização, num verdadeiro espírito natalino. A comissão de formação pela parceria. A todos o nosso Deus lhe pague.

Andréia Virgínia da Silva

(Pela Comissão de Jovens e Iniciantes da OCDS)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Começando a conhecer São João da Cruz


1542 – Fontiveros, Povoado entre Medina e Salamanca - Nasce João, filho de Gonçalo de Yepes e Catarina Alvarez. Caçula. Seus irmãos: Francisco e Luís.

Foi Francisco, irmão de João, quem fez um relato do primeiro período de sua vida. Suas origens, o difícil começo, vida em família até os 21 anos.
Daí, mesmo sendo um relato simples, podemos traçar seu perfil psicológico e espiritual.


-Dificuldades - fracassa nos trabalhos manuais: pintor, entalhador, alfaiate - quer ajudar nas finanças, mas não consegue.


_ Três qualidades - religiosidade, o amor e serviço aos doentes e dedicação aos estudos.
_ Piedoso - coroinha, futuro contemplativo.
_ Serviço aos doentes terminais – tuberculose, malária, sífilis, peste... - Hospital de Las Bubas, em Medina Del Campo.
_ Dedicação aos estudos - aproveitava o tempo para estudar - costumava estudar à noite no depósito de lenha (na época do hospital).

Dos 17 aos 21 anos - colégio dos Jesuítas.
O hospital o queria como capelão e os jesuítas o queriam pelos seus dotes intelectuais e de piedade. Aos 21 anos - 1563 - fim do Concílio de Trento, escolhe o Carmelo (Medina).

(Concílio de Trento – Concílio da contra reforma – mais longo – cidade de Trento – Itália – 1545 – 1563). Tópicos de discussão: Protestantismo/combater. Reforma da Igreja Católica, confirma a presença de Cristo na Eucaristia, superioridade do Papa, seminários, reorganização da Inquisição, salvação, obrigações dos bispos.

Por que João da Cruz escolhe o Carmelo? Espírito contemplativo e piedade mariana.

1563 – Recebe o hábito religioso dos carmelitas.

1564 - professa com o nome de Frei João de São Matias.

1564 - Salamanca - Somente nove léguas de Salamanca, mas muito distante daquele ambiente de aulas. Foi cursar Filosofia e Teologia. Universidade no momento auge.
Mora no convento de Santo André - João sofre muito. Não está contente. Ambiente do convento mais acadêmico que contemplativo. Só se fala em cátedras, promoções, remunerações... João sofre, trabalha, silencia.
A crise não é vocacional, mas onde vivê-la?
Decide entrar para a Cartuxa.

1567 - Encontra padre Rubeo, geral da ordem, em fevereiro e Madre Teresa em outubro. Tentam tirá-lo da crise Padre Rubeo não o convence.
Teresa 52 anos e João 25anos e recém sacerdote. Teresa o convence a iniciar a reforma masculina, e a fundar, com sua ajuda, o convento de Duruelo. João da Cruz, agora é o seu nome.
Comunidade formada por padre Antônio de Jesus, Frei José de Cristo e João da Cruz.
Pacto - não contar a ninguém da experiência de Duruelo. Nem na hora de sua morte permitiu tal coisa.

1567 – Ordenação sacerdotal

1568 – encontra-se em Valladollid com Teresa para acertar a fundação das monjas.

Espírito da reforma - mais oração, austeridade de vida, vida fraterna e recreação, atividade pastoral moderada.


1568 a 1572 – Formador dos descalços. Forma e é formado, ensina e aprende, ajuda e é ajudado. Assim pensava e agia João da Cruz. Sua atividade preferida era ser mestre, formador. Dizia ser um “amadurecimento compartilhado” (Frederico Ruiz – Místico e Mestre SJC). Gostava mais de falar, orientar, do que de escrever: “Ainda que falasse dias e noites sobre N. Senhor, não se cansava nem se cansaria, desde que os que o ouvissem não se cansassem” (Pr 378)

1572 a 1577- Formador das monjas, confessor do Mosteiro da Encarnação a pedido de Madre Teresa. Está agora com 30 anos. Estreita os laços de amizade com a priora Madre Teresa. "Tão diferentes e tão complementares".

1575/1576 – Considerado incômodo, rebelde. Prisioneiro em Medina, libertado em seguida.

1577/1578 - Prisão - Após 14 anos de sua entrada para o Carmelo é seqüestrado e encarcerado na prisão do convento de Toledo, em um cubículo, sem ar e sem luz. Estava na metade de sua vida religiosa - morre 14 anos após o cárcere.
É amarrado, arrastado, olhos vendados. Não por terroristas criminosos, mas por freis carmelitas calçados, seus irmãos. Sofre fome, sede, frio. Passava a pão e água. Ajoelhado recebia açoites nas costas e às vezes até mais do que mandava o castigo, dependia do carcereiro ou do mestre. Dizia que recebeu mais açoites que São Paulo. Falava com respeito e bondade daqueles que o havia maltratado. Prisãozinha, assim se referia ao cárcere.
Motivo da prisão - queria viver uma vida mais austera.

A legislação previa este tipo de castigo.
João da Cruz foi considerado um homem rebelde, quando na verdade era um homem pacífico.
"Estas coisas não são feitas pelos homens, mas por Deus, que sabe o que melhor nos convém e as determina para o nosso bem. Não pense outra coisa, mas que Deus tudo ordena e onde não há amor, coloque amor e obterá amor".
João não deixou que o cárcere o destruísse física, psíquica ou moralmente, mas que o transformasse em uma nova criatura humana e espiritual. Entregou-se passivamente nas mãos de Deus. "Encontrou-se no ventre da baleia".
Mudança de carcereiro - mais flexível. Concede-lhe papel e lápis.
Aí então escreve o poema do Cântico Espiritual, a Fonte e os Romances.
Como entender? Encontrava-se nas piores condições físicas e psíquicas... e mesmo assim conseguia fazer poemas...

Fuga - 1578 – “De que valerá minha morte? Vou fugir”. Com pedaços de sua manta ou lençol sai por uma janela. Arrisca o salto. Cai no muro que separa o convento do rio Tejo. Procura as monjas descalças as quais o encaminham a um benfeitor até que se restabeleça.

1578 - 1588 – Jaén, região da Andaluzia, entre Úbeda e Beas, convento, solitário - O Calvário –

Andaluzia é uma região que atrai turistas até hoje. Natureza privilegiada. Cidades principais: Barcelona, Valença, Sevilla, Saragoza. No ano de 711 aC foi invadida pelos árabes que a dominaram por oito séculos.

Aí, João vive um misto de liberdade, saudade dos amigos e estranhamento, pois começa a conviver com pessoas que não conhecia e com costumes diferentes. Vive uma vida de oração, trabalho na horta - "É lindo manusear estas criaturas mudas, melhor que ser manipulado pelas vivas". Escreve Noite Escura, é superior do convento, confessor e orientador das carmelitas de Beas. Para elas escreve Avisos e Recomendações, e Comentário de poesias. Seus bilhetes, apesar de frases curtas possuem conteúdo rico e como ele mesmo dizia: “Leia-o muitas vezes”. Fica aí nove meses numa "solidão sonora".

Funda Baeza em 1579. Local de grande apostolado. Superior do Colégio de teologia, diretor da comunidade, formador dos estudantes, confessor e diretor espiritual das monjas, além de visitar os doentes do hospital.
Seu confessionário era ponto de referência. Suas homilias eram anotadas por muitos que as usavam em suas meditações, pois despertavam para a perfeição.
Escreve Cautelas e Avisos.

1580 – Morre Catalina Alvarez, sua mãe, em Medina. Mais uma grade perda e dor.

1581 – Participa do capítulo da separação – Província Independente de Carmelitas Descalços.
Novembro – Último encontro com Teresa de Jesus.

Granada - 1582 - 1588 – Prior - Convento dos Mártires - paisagem maravilhosa - jardins, planícies, cumes da Serra Nevada.
O trabalho é grande - construção de um aqueduto, claustro em arcos, viagens, leitura da Bíblia, orações, contemplação solitária, assistência espiritual e material às irmãs de Granada, cujo convento ajudou na fundação. Comunica-se muito com Madre Ana de Jesus a quem dedica os comentários do Cântico, e com D. Ana de Peñalosa, a quem dedica os escritos de Chama.
Além disso, conclui suas quatro grandes obras: Subida do Monte Carmelo, Noite Escura, Cântico Espiritual e Chama Viva de Amor.

1588 – 1591 – Segóvia – Saudades de sua Castela natal.

Maior maturidade psicológica e espiritual.
Fase negativa – Não viaja, não escreve (mesmo tendo obras inacabadas), não visita freis nem monjas)
Vida ativa e contemplativa, jejuns, convívio e solidão, mística e trabalho manual.
_ Primeiro definidor do Governo Geral. Vigário da Ordem, na ausência de Padre Dória.
_ Superior da casa.
_ Responsável pelas obras de ampliação do convento e reconstrução da igreja.
_ trabalho na obra, pedreira e horta.
Direção espiritual das monjas e leigos da comunidade.
_ Contemplação – longas horas – diante do Santíssimo ou na natureza.
Foi para Segóvia que seus restos mortais voltaram dois anos após sua morte.

Etapa final – 1591 – de junho a dezembro -

_ Junho - Capítulo Geral em Madri.
Defensor das monjas e de padre Gracián – contra padre Nicolas Dória.
Reeleição do Conselho – Todos são reeleitos menos João da Cruz.
Padre Diego Evangelista assume seu lugar – homem rancoroso que faz campanha contra João, caluniando-o.
Vai para o deserto de Pañuela – Jaén – “A imensidão do deserto ajuda muito à alma e ao corpo, mesmo que a alma esteja pobre”.
Aí sua vida é orar, trabalhar no campo, nova redação da Chama Viva.
_ Nomeado provincial para o México.
_ Febre.
Vai para Úbeda, conforme seu desejo, para se tratar. Motivo do desejo: ali ninguém o conhecia, e o prior era amigo de Diego Evangelista, o rancoroso, que certamente o trataria como o próprio.
A doença se agrava: febre alta, ferida na perna direita, nas costa. Ossos amputados da perna sem anestesia.
Foi maltratado pelo prior, que reclamava das despesas, proibia visitas etc.
Dizia sempre: “Mais paciência, mais amor e mais dor”.
Queima todas as cartas dos amigos temendo expô-los.
Dois dias antes de sua morte pede perdão ao prior pelas despesas e incômodos, e ainda pede-lhe o hábito para ser enterrado.
O prior se converte.
Pede que leiam o Cântico dos Cânticos, o qual lia de joelhos.

De 13 para 14 de dezembro de 1591, ao ouvir o sino para as matinas exclama: “Vou cantar matinas no céu”. Morre.

(Em estudo)

Lourdes Pimenta, ocds
Comunidade Santa Teresinha de Passos
07/12/2007

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

VEM, SENHOR JESUS!


Vem nascer em nós, Senhor Jesus!
Nossa terra tão seca, rachada,
sedenta, cansada,
mas chamada a ser fértil,
rejeita esta veste tecida de monotonia
e tingida de esterilidade,
feita de esperas superficiais,
fecunda de ilusões...

Nossa terra espera por Ti, Jesus,
criador de desejos,
portador de mistérios,
realizador dos divinos desígnios
e dos humanos projetos.

Nossa terra clama por Ti, Jesus,
encarnação de paz,
de plena ternura,
de plenitude humana,
de liberdade divina e de libertação da história.

Vem, Senhor Jesus!
Vem nascer em nós,
náufragos na solidão orgulhosa
e renitentes no egoísmo que mata.
Vem trazer-nos alegria
e o amor que a todos contagia.
Vem infundir em nós,
no árduo caminho da dor,
a sabedoria da cruz
e, ainda, mais amor.
Vem gerar em nós,
vagueantes sem norte,
cansados viandantes
em busca de metas distantes e estéreis ideais,
vem gerar opções certas: sem vacilação,
e verdadeiras: sem ilusão.

Vem, Jesus,
e irradia em nós tua luz
e rompe com todas as dúvidas
que pairam no ar e no coração.
Vem nascer em nós, Jesus!
Nossa gruta te espera!
Nossa gruta, nosso coração
nossa vida, nossa terra,
nossa história.
Nossa gruta por vezes quente – obrigado, Senhor! –
por vezes fria – perdoa-nos, Senhor! –
às vezes estreita –liberta-nos, Senhor! –
às vezes luminosa, às vezes escura,
nossa gruta, nossa pobre “Belém” te espera.
Vem nascer em nós a cada instante, a cada hora.
Sem Ti, Jesus, é noite funda
e contigo em nossa vida,
è dia sem fim.
“Amém! Vem, Senhor Jesus!”

Frei Pierino Orlandini

domingo, 2 de dezembro de 2007

NOTICIAS DA COMUNIDADE DE PASSOS



"Nós carregamos o céu dentro de nós,
porque aquele que sacia os bem-aventurados,
na luz da visão beatífica,
entrega-se a nós na fé e no mistério."
Beata Elizabete da Trindade


Noticias de Passos

A Comunidade de Passos teve eleições para Presidente, no dia 27/11/2007, com a presença de nosso delagado Provincial Frei Pierino Orlandini. Sempre sereno e disponível para as nossas necessidades. Também neste dia 27/11, comemormos 22 anos de vida fundação.
Nossa gratidão e carinho á nossa presidente anterior Aparecida Ribeiro, por tudo que fez pela comunidade, e pela Ordem Secular de Passos. Que Deus sempre a cubra de bençãos e a acompanhe sempre nossa padreoira Santa Teresinha do Menino Jesus.
Sandra Regina Ferreira, presidente eleita , participa de nossa Comunidade desde a sua fundação , tendo já um trabalho silencioso e amoroso de muitos anos.
Nossa Comunidade acolhe a nova presidente Sandra e deposita junto com ela aos pés de Nossa Senhora do Carmo a Confiança e o trabalho para que possamos concientes de que carregamos o céu dentro de nós sejamos semeadores da espiritualidade Carmelitana e testemunhas do amor dde Cristo, Como o foram Santa Teresa e S.João da Cruz.

A Comunidade Santa Teresinha também deseja a todos os Carmelitas Seculares, que tenham um santo Natal e o ano novo de 2008 cheio de graças.


Rosemeire Lemos Piotto,ocds
Conselheira da Comunidade S. T. de Passos

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

“Não quero ser santa pela metade”

Santa Teresinha do Menino Jesus

Novembro é um mês creio eu, dedicado à santidade. Nele a mãe igreja celebra todos seus filhos que triunfam na glória e intercedem por nós.

Ser santo... Um chamado constante em nosso processo de cristãos batizados.

O mundo precisa de santos, agora como nunca é necessário testemunhas do mistério.

Santos e Santas do dia a dia; gente que faz no ordinário o extraordinário de viver a graça.

Parece utopia alçar a santidade em pleno 2007, mundo evoluído, globalizado e informatizado.

Mas esta é a hora...

A hora de assumir...

A hora de ser...

Ser com Ele, Nele, por Ele.

É crendo e assumindo esta verdade que encontramos possibilidades de santidade.

Uma santidade inteira, encarnada, revelada nos acontecimentos do tempo presente.

Não, não é permitido ser santo (a) pela metade nem dizer “meia verdade”, pois a radicalidade do evangelho é nossa meta.

Quantos vieram antes de nós e deixaram sua contribuição mística; foram santos. Tornaram se santos porque não tiveram medo de anunciar e denunciar.

Não permitiram meio termo no empenho de ser igreja.

Viveram, morreram... Só para amar!

Por isto, hoje ainda vivem em nossos corações e são pedras vivas nesta construção do reino... São Santos!

Foram apaixonados, loucos pelo amor do Amado.

Se desejarmos viver eternamente, sejamos santos...

Façamos escolhas...

Construamos a humanidade...

Tenhamos coragem, ardor, força, fé naquele que nos amou primeiro, o Santo dos Santos: Deus-amor.

É por Ele que vale a pena não só ter idéias, mas transformar o ideal no real.

Hoje, aqui e agora repito com a pequena e grande doutora da Igreja:

“Não quero ser santa pela metade”.

Ana Maria Eymard Pereira Scarabelli-OCDS

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

CONGRESSO DA REGRA DO CARMO



Tema: Regra do Carmo: Um jeito fascinante de seguir Jesus
Lema: 800 anos ao redor da fonte

Ao redor da fonte, foi assim que nos sentimos no Congresso da Regra do Carmo.
A fonte é velha, mais a água é nova...


A árvore é velha, mais a cada ano surgem frutos novos...
Assim é árvore do Carmelo.

Estudar e reler a Regra do Carmo foi sem dúvida um grande presente. Desde o alojamento tudo foi aprendizado na rica troca de experiência com os nossos irmãos da Ordem Terceira. Frei Geraldo da Abadia, O. Carm (Prior Provincial) nos brindava a todo instante com alegria, verdades, unção e oração, ensinando-nos a todo o momento com o seu jeitinho “mineiro-nordestino” que aquele que ama, acolhe e serve com alegria.
Estudar ponto a ponto a Regra do Carmo com Frei Carlos Mesters, O. Carm. (Delegado Geral para a América Latina) foi como saborear o bolo das núpcias, o bolo de uma vida inteira dedicada ao Carmelo, ao próximo e a palavra. A Regra do Carmo é uma bússola que norteia nossa vida enquanto comunidade, família, trabalho e missão. A Regra do Carmo tem 800 anos, mas é atual e se faz em nós hoje, um presente diário para nossa caminhada com Jesus e os irmãos!

De Dom Vital, o convite, de bebermos a água viva, a água pura que renova e nos remete à reflexão e oração, na certeza que só viveremos uma intimidade maior com Deus através da escuta da palavra e da oração.
Vivenciar com a nossa irmã Vera Melo (OCDS) a leitura Teresiana da Regra do Carmo foi desfrutar, entre os tantos ensinamentos de Santa Teresa, que viver a Regra do Carmo é viver a liberdade e a alegria (dom precioso do Espírito Santo) e que viver o silêncio do Carmelo não é viver um silêncio vazio e sim um encontro íntimo com Deus.
Partilhamos em forma de jogral com a Ir. Marlene Frianni (Carmelita da Divina Providência) o tema: “Os Laços Fraternos na Família Carmelitana”.
Conhecemos e admiramos através do Frei Antonio Silvio, O. Carm (Delegado das Ordens Terceiras) a vida de Santa Maria Madalena de Pazzi que soube guardar e seguir com carinho a Regra (caminho reto e seguro).
Todos nós nos embalamos ao som da viola e dos violeiros na noite cultural com Pereira da Viola.
Receber o carinho de Jesus pelas mãos e

dedicação de todos os freis e junioristas, que tudo fizeram e organizaram pelo êxito do Congresso, foi vivenciar verdadeiramente um encontro de irmãos.
A OCDS marcou presença através dos seguintes membros: Andréia, Kênia e Rejane (Sete Lagoas/MG), Ana,Edna, Fernando, Lis, Liliane, Vera e Suely Belo Horizonte/MG), Carmem (Campanha/MG), James e Aparecida (Três Pontas/MG), Cristina, Jane e Zélia (Divinópolis/MG), Sônia Seixas (Campinho/RJ) e da OCD, o Frei Everaldo (Belo Horizonte/MG), estudante de filosofia.

Andréia Virgínia e Rejane Marques
(Comunidade Santa Teresinha-Sete Lagoas/MG)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Comemoração dos 800 anos da Regra de Vida Por Frei Carlos Mesters

Uma chave de leitura para a Regra
Frei Carlos Mesters ,OC

I. Prólogo (Rc 1-3)
Rc 1: Saudação e Bênção
Rc 2: O rumo de vida para todos: viver em obséquio de Jesus Cristo
Rc 3: O projeto comum, próprio dos Carmelitas


II. A infra-estrutura da vida comunitária (Rc 04-09)
Rc 4: O Prior e os Votos: assumir o projeto da Comunidade
Rc 5: O Lugar de Moradia: preservar o deserto interior
Rc 6: A Cela dos Frades: garantir o diálogo com Deus
Rc 7: A Refeição em comum: aprofundar o convívio fraterno
Rc 8: A Estabilidade no Lugar: assumir a forma de vida dos mendicantes
Rc 9: A Cela do Prior na entrada: acolher e encaminhar os visitantes


III. Os pontos básicos do ideal da Vida Carmelitana (Rc 10-15)
Rc 10: Na cela: meditar dia e noite na lei do Senhor e vigiar em orações
Rc 11: Em comunidade: o Ofício Divino ou a reza do Pai Nosso
Rc 12: Na vida: opção do Carmelo pelos "menores" através da comunhão de bens
Rc 13: No dia-a-dia: mitigação em vista das necessidades
Rc 14: Na capela: a memória de Jesus através da Eucaristia diária
Rc 15: Compromisso de todos: revisão semanal e correção fraterna


IV. Os meios para alcançar o ideal (Rc 16-21)
Rc 16: O jejum: santificar o tempo, desde a festa da Cruz até à Páscoa
Rc 17: A abstinência de carne: passar pelo nada para chegar ao tudo
Rc 18: A condição humana: a fragilidade que pede resistência
Rc 19: A luta da vida e as armas espirituais: não desistir nunca
Rc 20: O trabalho: ocupar o tempo e providenciar o próprio sustento
Rc 21: A prática do silêncio: esvaziar-se para Deus e os irmãos


V. Recomendações finais para uma convivência madura (Rc 22-23)
Rc 22: O prior como servidor dos irmãos
Rc 23: O respeito dos irmãos para com o prior


VI. Epílogo (Rc 24)
Rc 24: Discernimento, e opção dos pobres pelo Carmelo

Comemoração dos 800 anos da Regra de Vida-Palestra de Frei Carlos Mesters


Apêndice 1
A mística que deve animar a Leitura Orante da Bíblia


Em dez pontos procuramos resumir tudo o que dissemos, até agora, sobre o método e a mística da Leitura Orante da Bíblia. O texto que aqui apresentamos teve uma longa história. Foi elaborado, primeiro, para ajudar os noviços carmelitas na leitura da Bíblia. Foi publica­do na coleção "Horizontes" sobre o Carisma Carmelitano. Com algumas modificações, foi integrado no Volume 1 do Projeto "Tua Palavra é Vida". Foi publicado e divulgado pela CRB como folheto separado. Finalmente, após ter recebido uma boa revisão pela equipe, foi pu­blicado no Volume final do Projeto "Tua Palavra é Vida". Reintroduzimos aqui as refe­rên­cias à Regra do Carmo que estavam na primeira redação. Usamos os números da nova enumeração.

1. "Faça-se em mim segundo a tua palavra!"
Ao iniciar a Leitura Orante da Bíblia, você não vai estudar; não vai ler a Bíblia para aumentar o seu conhecimento nem para preparar algum trabalho apostólico; não vai ler para ter experiências extraordinárias. Mas vai ler a Palavra de Deus para escutar o que Deus lhe tem a dizer, para conhecer a Sua Vontade e, assim, viver melhor em obséquio de Jesus Cristo (Rc 2). Em você deve estar a pobreza; deve estar a disposição que o velho Eli recomendou a Samuel: "Fala, Senhor, que teu servo escuta!" (1Sm 3,10). Deve estar a mesma atitude obediente de Maria diante da Palavra: “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra!” (Lc 1,38).

2. Pedir o Espírito Santo: "Pedi e recebereis!"
Poder escutar a Deus não depende de você nem do esforço que fará, mas só e unica­mente de Deus, da Sua decisão gratuita e soberana de entrar em contato com você e de fazer com que você pos­sa ouvir a Sua voz. O ponto de partida da Leitura Orante deve ser a humildade. Saber recolher-se à sua própria pequenez e dignidade. Para isto é necessário que você se prepare, vigiando em orações (Rc 10), pedindo que Ele mande o seu Espírito. Pois sem a ajuda do Espírito de Deus, não é possível descobrir o sentido que a sua Palavra tem para nós hoje (cf Jo 14,26; 16,13; Lc 11,13).

3. Criar um ambiente de recolhimento e de escuta
É importante criar um ambiente adequado que favoreça o recolhimento diante da Palavra de Deus. Ler a Bíblia é como conversar com uma amiga. As duas, tanto a conversa como a leitura, exigem o máximo de atenção, respeito, amizade, entrega e escuta atenta. Para isto você deve aprender a cultivar dentro de você o silêncio (Rc 21), recolher-se dentro da sua cela interior (Rc 10), durante todo o tempo da Leitura Orante. E lembre-se: uma boa e digna posição do corpo favorece o recolhimento da mente.

4. Receber a Bíblia como o Livro da Igreja e da Tradição da Vida Religiosa
Abrindo a Bíblia, você deve estar bem consciente de que está abrindo um livro que não é seu mas sim da comunidade. Fazendo a Leitura Orante, você está entrando no grande rio da Tradi­ção da Igreja que atravessa os séculos. A Leitura Orante é o barquinho que o carrega pelas curvas deste rio até o mar. O clarão luminoso que nos vem do mar já clareou a "noite escura" de muita gente. Mesmo fazendo sozinho, sozinha, a Leitura Orante da Bíblia, você não está só, mas esta­rá unido aos irmãos e às irmãs que, antes de você, procuraram "meditar dia e noite na lei do Senhor" (Rc 10). São muitos! Mesmo aqueles e aquelas que não sabiam ler o texto escrito! Eles sabiam ler o texto da vida e dos acontecimentos no rosto dos irmãos e das irmãs. Por isso, “permaneça firme naquilo que aprendeu e aceitou como certo. Você sabe de quem o aprendeu!” (2 Tim 3,14).

5. Ter uma correta atitude diante da Bíblia
A leitura atenta e proveitosa da Bíblia deve estar marcada, do começo ao fim, por uma atitude interpretativa que tem três aspectos básicos: Leitura, Meditação e Oração. Estes três aspectos formam a marca registrada e a espinha dorsal da Vida Religiosa, culmi­nando na Contemplação:
1º ASPECTO: Leitura: conhecer, respeitar, situar
Antes de tudo, você deve ter sempre a preocupação de investigar: "O que o texto diz em si?". Isto exige que se faça silêncio (Rc 21). Dentro de você tudo deve silenciar, para que nada o impeça de escutar o que texto tem a dizer, e para que não aconteça que você leve o texto a dizer só aquilo que você gosta de escutar. Neste ponto, o estudo da Bíblia, feito a partir de um bom método, pode ser de grande ajuda
2º ASPECTO: Meditação: ruminar, dialogar, atualizar
Você também deve ter sempre a preocupação de se perguntar: "O que o texto diz pa­ra mim, para nós?" Este segundo aspecto pede que você entre em diálogo com o texto, para que o sentido se atualize e pene­tre sua vida. Como Maria, rumine o que escutou (Lc 2,19.51) e, assim, des­cobrirá que “a Palavra está muito perto de você: está na sua boca e no seu coração, para que a ponha em prática” (Dt 30,14; Rc 19).
3º ASPECTO: Oração: suplicar, louvar, recitar
Além disso, você deve estar sempre preocupado, preocupada, em descobrir: "O que o texto me faz dizer a Deus?" É a hora da prece, o momento de vigiar em orações (Rc 10). Até agora, Deus falou para você; chegou a hora de você responder a Ele.

6. Colocar-se sob o julgamento da Palavra de Deus
Fazer Meditação não é o mesmo que ficar sentado, sem fazer nada, mas é o momento forte do confronto entre a vontade de Deus e as próprias aspirações. Guigo dizia: "A Meditação é uma dili­gente atividade da mente que, com a ajuda da própria razão, procura o conhecimento da verdade oculta". Meditar é fazer o que fazia o filho pródigo quando estava longe da casa do Pai:
* é cair em si e confrontar-se com a vida na Casa do Pai, com a Palavra de Deus;
* é olhar a própria vida com os olhos do Pai, levar em conta o ponto de vista da outra, do outro;
* é conversar muito com Deus e com os pobres, pois conversa bem grande produz conversão;
* é confrontar as aspirações pessoais com a proposta do ideal do Carmelo;
* é aprender a situar-se dentro do projeto de Deus que se revela na Bíblia e na vida;
* é resolver mudar de idéia e de vida, por mais doloroso que seja ;
* é erguer-se e decidir voltar para o Pai, para os irmãos e as irmãs.

7. Ponto de chegada da Leitura Orante: olhar tudo com os olhos de Deus:
Contemplação não é o mesmo que ficar longe do mundo. Guigo dizia: "A leitura leva a comi­da à boca, a meditação a mastiga e rumina, a oração prova o seu gosto e a contem­plação é a própria doçura que alegra e recria". A Contemplação é enxergar, saborear, agir.
* é ter no peito pensamentos santos que nascem do livro santo (Rc 19), e nos olhos algo da "sabedoria que leva à salvação" (2Ts 3,15);
* é começar a ver o mundo e a vida com os olhos dos pobres, com os olhos de Deus;
* é você assumir a própria pobreza e eliminar do seu modo de pensar aquilo que vem dos poderosos;
* é tomar consciência de que muita coisa, da qual você pensava que fosse fidelidade ao Evangelho e à Tradição da sua Congregação, na realidade nada mais era do que fidelidade a você mesma(o) e aos seus próprios interesses e idéias;
* é saborear, desde já, algo do amor de Deus que supera todas as coisas;
* é mostrar pela vida que o amor de Deus se revela no amor ao próximo;
* é fazer com que a palavra desça da boca para o coração e anime todas as nossas ações (Rc 19);
* é dizer sempre: "faça-se em mim segundo a tua Palavra" (Lc 1,38).

8. Procurar por todos os meios que a interpretação seja fiel
Para que a sua Leitura Orante não fique entregue só às conclusões dos seus próprios senti­mentos, pensamentos ou caprichos, mas tenha uma firmeza maior e seja realmente fiel, é importante você levar em conta três exigências fundamentais:
1ª EXIGÊNCIA: confrontar com a fé da Comunidade Eclesial
Confronte sempre o resultado da sua Leitura com a fé da Igreja viva, com a comunidade a que você pertence. Do contrário, poderia acontecer que o seu esforço não leve você a canto nenhum (Gl 2,2). Pois é lá, na pequena comunidade eclesial, alimentada e sustentada pela Palavra de Deus (Rc 7, 11 e 14), que nasce a fé da igreja como da pequena fonte nasce o rio que irriga a terra.
2ª EXIGÊNCIA: confrontar com a realidade
Confronte sempre aquilo que você lê na Bíblia com a realidade que hoje vivemos. Quando a Leitura Orante não alcança o seu objetivo na nossa vida, a causa nem sempre é falta de oração, falta de atenção à fé da Igreja, ou falta de estudo crítico do texto. Muitas vezes, é simplesmente falta de atenção à realidade nua e crua que hoje vivemos. Quem vive na superficialidade, sem aprofundar sua vida, não pode atingir a fonte de onde nasceu a Escritura.
3ª EXIGÊNCIA: confrontar com o resultado da exegese
Confronte sempre as conclusões da sua leitura com os resultados do estudo que você faz da Bíblia. O estudo investiga o sentido da Letra. A Leitura Orante não pode ficar parada na Letra. Ela deve procurar o sentido do Espírito (2Cor 3,6). Mas querer estabelecer o sentido do Espírito sem fundamentá-lo na Letra é o mesmo que construir um castelo no ar (St. Agostinho). É cair no engano do fundamentalismo. Hoje em dia, em que tantas idéias novas se propagam, é muito importante ter bom senso. O bom senso se alimenta do estudo crítico da Letra e ajuda a integrar a Lectio Divina com o estudo sério da Bíblia.

9. Imitar o exemplo de São Paulo
O apóstolo Paulo, primeiro teólogo do cristianismo, soube reler a Bíblia a partir da sua fé na ressur­reição de Jesus. Nas suas cartas, como bom intérprete das Escrituras Sagradas do seu povo, ele nos deixou vários conselhos de como ler a Bíblia (Rc 20). Eis algumas das normas e atitudes recomendadas ou observadas por ele:
* Considere-se destinatário, destinatária, do que está escrito na Bíblia, pois tudo foi escrito para a nossa instrução (1Cor 10,11; Rm 15,4); a Bíblia é o nosso livro.
* Procure ter nos olhos a fé em Jesus Cristo, pois é só pela fé em Jesus que o véu cai e que a Escri­tura revela o seu sentido e nos comunica a sabedoria que leva à salvação (2Cor 3,16; 2Tm 3,15).
* Lembre-se: Paulo falava de "Jesus Cristo Crucificado" (1Cor 2,2), "escândalo para uns, loucura para outros". Foi este Jesus que lhe abriu os olhos para perceber a Palavra viva de Deus no meio dos pobres da periferia de Corinto, onde a loucura e o escândalo da cruz estavam confundindo os sábios, os fortes e os que pensavam ser alguma coisa neste mundo (1Cor 1,21-31).
* A melhor carta de Deus é a Comunidade. O melhor texto é a vida comunitário! "Vocês são a carta de Cristo!" (2Cor 3,3). Pois é na comunidade viva que atua o Espírito transfigurando seus membros na imagem do próprio Jesus (2Cor 3,17-18).
* Paulo alerta contra o fundamentalismo que toma tudo ao pé da letra. Ele diz: "A letra mata, mas o Espírito dá vida" (2Cor 3,6). Sem a ação do Espírito, a Bíblia não passa de uma letra morta. Paulo tirou esta lição da sua própria experiência. Quando era fundamentalista, chegou a matar Estêvão! (At 7,58; 8,1)
* Tenha presente os problemas da sua vida pessoal e familiar, da sua família religiosa, das Comuni­da­des, da Igreja e do povo a que você pertence e serve. Foi assim que Paulo relia e entendia a Bíblia: a partir dos problemas do povo das comunidades (1 Cor 10,1-13).
* Misture o eu e o nós; nunca só o eu, e nunca só o nós! O apóstolo também misturava, pois recebeu sua missão da comunidade de Antioquia e falava a partir dela (At 13,1-3; Gál 2,2).

10. Descobrir na Bíblia o espelho do que vivemos hoje
Ao ler a Bíblia tenha bem presente que o texto bíblico não é só uma janela, por onde você olha para saber o que aconteceu com os outros no passado; é também um espelho, um "símbolo" (Hb 11,19), onde você olha para saber o que está acontecendo hoje com você (1Cor 10,6-10). A leitura orante diária é como a chuva mansa que, aos poucos, vai amolecendo e fecundando o terreno (Is 55,10-11). Entrando em diálogo com Deus e meditando a sua Palavra (Rc 10), você cresce como a árvore plantada à beira dos córregos (Sl 1,3). Você não vê o crescimento, mas perceberá o seu resultado no encontro renovado consigo, com Deus e com os outros. Diz o canto: "É como a chuva que lava, é como o fogo que arrasa, Tua Palavra é assim, não passa por mim, sem deixar um sinal" O objetivo último da Leitura Orante não é interpretar a Bíblia, mas sim interpretar a vida. Não é conhecer o conteúdo do Livro Sagrado, mas sim, com a ajuda da Palavra escrita, descobrir, assumir, praticar e celebrar a Palavra viva que Deus fala hoje na sua vida, na nossa vida, na vida do povo, na realidade do mundo em que vivemos (Sl 95,7); é crescer na fé e, co­mo o profeta Elias, experimentar, cada vez mais, que "Vivo é o Senhor, em cuja presença estou!" (1R 17,1;18,15).
Frei Carlos Mesters, OC

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

RETIRO CONTEMPLATIVO EM BELO HORIZONTE


Tema: Rumos à Contemplação, com Padre Bernardo Bonowits OCSO - Prior do Mosteiro Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo, no Paraná.

Período: 11 a 13 de Janeiro de 2008

Recepção: a partir das 16:h do dia 11/01, sexta-feira.

Local: Casa de Retiros São José - Avenida Itaú 475 , Dom Bosco - Belo Horizonte - MG - tel. (31) 3411-5040 (atrás da PUC Minas - Coração Eucarístico)

Preço por pessoa (pensão completa):
apartamento duplo: R$150,00
apartamento individual: R$300,00

Inscrições: 20 de novembro de 2007 a 04 de janeiro de 2008

Local das inscrições: Livraria Paulinas - Av. Afonso Pena, 2142 - Belo Horizonte ou através de depósito bancário identificado em nome de Fernando de Carvalho Azevedo Alcici - Caixa Econômica Federal agência 2922 conta 39-2 (enviar comprovante identificado por e-mail para fernandoalcici@hotmail.com ou pelo correio para Rua Ludgero Dolabela 527 ap. 201 Gutierrez CEP 30.340-130 - Belo Horizonte - MG.

Com. Santa Edith Stein - Três Pontas - MG

O PERFIL DA MINHA COMUNIDADE
.
Quero lhes apresentar a minha comunidade OCDS.
Somos uma grande comunidade! Grande mesmo: 31 membros entre os que tem promessas e os que estão procurando conhecer o Carmelo e confirmar sua vocação. Tem dia que não tem cadeira pra todo mundo.Antes de continuar quero lhes dizer que o objetivo desta apresentação é convidar a SUA comunidade a entrar em intimidade conosco e confirmar nosso forte sentimento de unidade. Estamos buscando a SUA amizade.

Nosso nome é "Comunidade Santa Edith Stein", eleita pelos nossos fundadores por seu carisma de forte personalidade e sua incansável busca da verdade que a levou ao Carmelo.
Sempre colocamos sua foto no altar no dia em celebramos sua canonização.Belo!
Estamos na cidade de Três Pontas(MG), nos reunimos num salão que as irmãs aqui do Carmelo cederam. Temos um mural de notícias, recados. Colocamos também fotos dos nossos eventos pra que todos, sobretudo aqueles que por uma ou outra razão não puderam participar, conheçam os lugares, os palestrantes, os membros do Conselho enfim, é uma forma de trazer para dentro do nosso convívio tudo o que vemos fora. É muito legal. Todo mundo gosta, fica olhando, perguntam e aí já começa aquela troca de experiência gostosa. Gostosa mesmo! Como voces fazem aí na sua comunidade?

Vejam, aqui temos pessoas com idades entre 14 e 80 anos. Acho isto incrível! É uma interação onde a mistura de valores, crenças, idéias se funde, as idades se misturam e tudo isso junto, vira a nossa comunidade.
Tem gente da cidade e da zona rural. Tem gente de outra cidade tambem. É um casal que vive em Ilicínea-MG onde não tem OCDS e nem Carmelo. Eles tem um bebezinho.
Teve um dia que tinha até uma colchonete com criança dormindo na nossa reunião.
Isto deu uma paz que voces não fazem ideia viu!
E é assim, a avó traz a neta que fica quietinha ouvindo, as vezes com sono, as vezes compenetrada no que dizemos e rezamos e as vezes bagunçando tambem.

Olha, tem tanta coisa pra contar, mas queremos conhecer tambem a sua. Venha nos apresentar. Conte-nos como voces vivem. Façam isto utilizando o ítem "comentário" aí em baixo do relato que lhes fiz. Uma vez por semana vou contando um pouco mais está bem?
Tenham todos uma ótima semana. Que tudo transcorra exatamente dentro de todas as suas melhores expectativas.

Ah! Hoje comemoramos o dia dos fiéis defuntos da nossa Ordem. Já pensaram no encontro que foi entre Santa Teresa e Maria Madalena? Dá pra meditar...
Beijo grande! Espero voces!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

DIA 14/11 - DIA DE TODOS OS SANTOS CARMELITAS

-


LADAINHA DOS SANTOS CARMELITAS
(Giovani Carvalho Mendes)

Senhor, tende piedade de nós
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós!
Deus Filho Redentor do Mundo, tende piedade de nós!
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós!
Santíssima Trindade que sois Um só Deus, tende piedade de nós!
Santa Maria, rogai por nós!
Santa Mãe de Deus ( rogai por nós )
Santa Virgem das Virgens
Nossa Senhora do Carmo
Rainha e Mãe da Igreja
Rainha da Ordem do Carmelo
Mãe dos Carmelitas
Virgem do Santo Escapulário
Refúgio dos pecadores
São José, patrono do Carmelo
Santo Elias, patriarca do Carmelo ( profeta )
Santo Eliseu ( profeta )
Todos os santos eremitas do Carmelo
Santo Alberto de Jerusalém ( bispo )
São Simão Stock ( presbítero )
São João da Cruz, nosso pai ( presbítero e doutor da Igreja )
São Pedro Tomás ( bispo)
Santo André Corsini ( bispo)
Santo Alberto de Trápani ( presbítero )
São Rafael Kalinowski ( presbítero )
Todos os santos religiosos de nossa Ordem
Santa Teresa de Jesus, nossa mãe ( virgem e doutora da Igreja )
Santa Maria Madalena de Pazzi ( virgem )
Santa Teresa do Menino Jesus ( virgem e doutora da Igreja)
Santa Teresa Margarida Redi ( virgem )
Santa Teresa de Jesus de los Andes ( virgem )
Santa Edith Stein - Teresa Benedita da Cruz ( virgem e mártir )
Todas as santas monjas de nossa Ordem
Beato Tito Brandsma (presbítero e mártir )
Beato Dionísio da Natividade (presbítero e mártir)
Beato Redento da Cruz (religioso e mártir)
Beato Nuno Álvares Pereira ( religioso )
Beato João Soreth ( presbítero )
Beato Francisco Palau ( presbítero )
Beato Elias Ciríaco Chavara ( presbítero )
Beato Batista Mantovano ( presbítero )
Beata Maria de Jesus Crucificado ( virgem )
Beata Elizabete da Trindade ( virgem )
Beata Ana de São Bartolomeu ( virgem )
Beata Maria da Encarnação ( virgem )
Beata Maria dos Anjos ( virgem )
Beata Maria de Jesus ( virgem )
Beata Teresa de Santo Agostinho e companheiras ( virgens e mártires)
Beata Maria Sacrário de São Luís de Gonzaga ( virgem )
Beata Maria Maravilhas de Jesus ( virgem )
Beata Teresa Maria da Cruz ( virgem )
Beatas Maria Pilar, Teresa e Maria Angeles ( virgens e mártires)
Beato Isidoro Bakanja (mártir)
Beata Josefa Naval Girbés (virgem da OCDS)
Beato Afonso Mazurek (presbítero e mártir)
Todos os bem-aventurados de nossa Ordem
São João Maria Vianney, o Cura d'Ars. ( presbítero )
São João Bosco ( presbítero e fundador )
São Francisco de Sales ( bispo, fundador e doutor da Igreja)
São Pompílio Pirrotti ( presbítero )
Santo Afonso Maria de Ligório ( bispo, fundador e doutor da Igreja )
Santo Antônio Maria Claret ( bispo )
São Gabriel da Virgem Dolorosa ( religioso )
São Domingos Sávio
São Cláudio de la Columbière ( presbítero )
Santa Bernadette Soubirous ( virgem )
Todos os santos e beatos devotos do Escapulário do Carmo
Todos os habitantes do Carmelo Celeste, rogai por nós!
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo (3x): Perdoai-nos Senhor! Ouvi-nos, Senhor! Tende piedade de nós!
V :Rogai por nós, todos os Santos e Santas carmelitas:
R :Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos : Ó Deus, que condecorastes a Ordem do Carmo com o singular título da Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria, Vossa Mãe, concedei propício que nós, que agora veneramos todos os Santos e Santas do Celestial Carmelo, mereçamos participar dos gozos eternos em que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos! Amém!
( ou )

Oremos : Ajude-nos, ó Deus Todo-Poderoso, o patrocínio da Bem-Aventurada Virgem Maria, nossa Mãe, e a intercessão dos Santos e Santas carmelitas, para que, seguindo fielmente seus exemplos, sirvamos generosamente vossa Igreja com a oração e a vida apostólica. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho, que convosco vive e reina, na Unidade do Espírito Santo! Amém!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007


" O homem não é uma casa desabitada e sem dono;
Deus habita em nós, vive dentro de nós.
É um perfeito louvor de glória ao Senhor.
Encontrou o seu paraíso aqui na terra
porque o paraíso é Deus e Ele habita dentro de nós.
E a vontade de Deus deve ser o alimento, o pão de cada dia;
cada incidente, cada acontecimento, cada sofrimento,
cada prazer é um sacramento que Deus nos dá."


08/11 - Beata Elizabete da Trindade
Virgem da nossa Ordem

(memória obrigatória)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

XXIV CONGRESSO PROVINCIAL OCDS

O Congresso Nacional da Ordem Secular, que está no seu 24º. ano, foi em São Roque – 11 a 14.10.2007, com o Tema: A Espiritualidade do Discipulado de Cristo: Reflexão para uma nova atitude missionária do apostolado Carmelitano. E o Lema: “De discípulos a apóstolos de Cristo: anunciadores do Evangelho da Vida”.

Muito preparado e esperado por todos nós, teve inicio com a missa no dia 11, nos preparando para os momentos que teríamos nessa semana tão rica e importante para nossa Província .
Tivemos vários palestrantes que nos fizeram meditar sobre a missionariedade do Carmelo Descalço Secular.
O primeiro foi o Prof. Dr. Fernando Altemeyer Jr., que nos falou sobre o tema: De Medellín a Aparecida - Carmelitas Seculares, e agora?, nos fazendo uma reflexão sobre o comprometimento com a Ordem, a buscar o rosto de Deus, para o bem da Igreja e do mundo. Também nos levando a reencontrar as palavras de Nossa Mãe Santa Teresa e Nosso Pai João da Cruz que foram missionários de origem e vocação para que o nosso Carmelo crescesse e hoje pudesse beber dessa fonte, abundante em espiritualidade, graça e missão.

Tivemos Frei Afonso, que nos levou a reflexão: “PERMANECER EM CRISTO PARA PRODUZIR FRUTOS”, o “Ser cristãos, discípulos e missionários significa participar da única vida, missão e destino do Mestre. Caso isso não aconteça, seremos apenas “admiradores”, “devotos” do Senhor. Admirar-lhe e ter-lhe devoção ajuda enquanto nos orientar para o seguimento, ou seja, participar de sua Vida, levando vida para onde formos.”

Frei Patrício Sciadini, apresenta a Realidade do Carmelo no Brasil, a partir do método : ver , julgar e agir. “Ser carmelita na realidade do Brasil deve reavivar em nós a chama da nossa vocação carmelitana, o nosso chamado. Ser Ordem Secular não é pertencer a um grupo para preencher tempo, para ter amigos, ou companheiros para passear, ou passar tardes na alegria. Ser carmelita secular é ser fermentado pelo fermento carmelitano e o desejo de transformar o mundo a partir de dentro, com o fermento bom da oração e da contemplação. Um fermento que não pode perder a sua força, um sal que não pode se tornar insosso.”


Maria Efigênia Ribeiro Barbosa, conselheira provincial também nos oferece uma riqueza de ensinamentos sobre termos e temas abordados nas Conferências do Episcopado Latino-Americano e do Caribe CELAM. “A decisão mais importante desta Conferência foi o pedido dirigido ao Papa Pio XII para se criar um organismo que pudesse unir mais as forças da Igreja da América Latina. É aí que surgiu a idéia do CELAM = CONSELHO EPISCOPAL LATINO AMERICANO.” Isso nos remete á formação eclesial que todos nós Carmelitas seculares devemos nos dedicar a cada dia sem ficar esperando que venha tudo pronto de nossas comunidades.

Nossa querida Vera Melo , com o tema Identidade do Apostolado Carmelita Descalço, apresenta a missionariedade de Santa Teresa, através de suas obras e dos documentos da Igreja que nos levam a encarar de forma sempre nova a atitude missionária do apostolado carmelitano.

Frei João Bonten, OCD com sua simpatia característica de missionário que há muitos anos vive no Brasil sua missão de carmelita descalço, que com certeza sabe bem sobre o que estava falando, já que experimenta isso na própria vida dedicada toda a essa entrega total à Vontade de Cristo. Foi forte no momento da afirmação: “Há pessoas que se preocupam muito em não mexer-se na oração para poder ficar em união com Deus. Diz Teresa: pouco entendem do caminho para alcançar a união. Estas exterioridades não têm importância. Não, irmãs, não é assim! O Senhor quer obras! Isso significa manifestações verdadeiras de amor ao próximo. Não se deve ficar com medo de perder a devoção. O importante são as obras: o fazer concretamente a vontade de Deus.”(S.Teresa) Santa Teresa assim quer que a atividade pastoral marque a vida dos Carmelitas. Como? Em primeiro lugar deve viver o espírito apostólico de Santa Teresa: ter o desejo de fazer conhecer o Evangelho aos outros. Importante é também ter presente a missão própria que a Ordem tem na Igreja de hoje. É sobretudo a partir do Vaticano II que a Ordem descobriu que tem uma missão especial na promoção da vida espiritual, da vida de oração. Também neste ponto a Ordem Secular tem uma missão.”

Frei Geraldo Boletini, com sua simpatia e amor singular OCDS, nos ensinou tanto nos momentos de auxilio durante todo o encontro, como em sua palestra sobre o discipulado. Só para citar um ponto que nos atrai para o centro que é Jesus Cristo: “Carmelo: põe-te de pé e evangeliza, vindo cada um de nós da Comunidade: Lugar da companhia, da comunhão e comunicação.” Estamos nós realmente vendo nossas comunidades com esses olhos amorosos de apóstolos anunciadores?

Frei Pierino com uma reflexão Mariana nos levou a passear pelos claustros a luz de velas nos lembrando as clausuras de Nossos Santos, prestando nossas homenagens a Nossa Mãe do Céu Nossa Senhora Aparecida. Aqui vão uns versos da nossa linda meditação mariana:

Silenciosa esperaste,
velante,
o nascimento de Deus em Belém.
Silenciosa aguardaste,
dolente,
sua morte na cruz.

Também tivemos nossas eleições provinciais, na qual também foi escolhido o conselho que dará seqüência aos trabalhos começados pelo conselho anterior. A nova presidente provincial Ana Maria Eymard Pereira Scarabelli e o novo conselho: José Paulo (Minas Gerais); Rosemeire (Minas Gerais); João Carlos (Rio de Janeiro); Marilene Bueno (Rio de Janeiro); José Eduardo (São Paulo); Elisa (São Paulo); Maria Efigênia (Nordeste); e Jovita (Norte).


Na noite de sábado tivemos o indispensável e sempre inesquecível recreio no qual a presidente eleita foi coroada, com musica composta para a ocasião com a participação especial na letra de frei Afonso acompanhado de Ligia. Com o show do frei Marcos lançando seu CD “Chama de Amor” que é uma musicalização de textos das poesias de santos carmelitas (Teresa, Teresinha e João da Cruz). O CD pode ser adquirido na Livraria e Editora "Ave Maria" (Rua Jaguaribe, 761 - São Paulo - SP. CEP: 01224-001 Tel (11) 3825.0700 ou telefax (11) 3825.0154) ou pela internet: livraria.sp@avemaria.com.br. Cada CD custa R$15,00. Nosso recreio teve também um teatro no qual participaram como atores cômicos Marcelo Passos), Íris RJ), Edna (BH), Liginha (Caratinga), Dyonisio (SP) e Vera (BH) . Foi demais!!!

Terminamos esse pequeno relato de nosso congresso com as palavras do querido Fernando Alccici, o nosso “visitador” como é carinhosamente conhecido em nossas alegres recreações (e mesmo em conversas sérias): “Transbordados destas delicias, somos comunicadores desta experiência, para isso deixamos nossa cela interior, descemos a santa Montanha e vamos ao encontro do mundo, para servir, transformar e amar este mundo, nos nossos irmãos. É a nossa diaconia. Sermos agentes discretos, fermento na massa, que com nosso estilo contemplativo, nos engajamos em tantos serviços, aonde o Espírito nos impele, junto aos pobres e carentes de toda espécie. Percorrendo a historia do Carmelo, encontramos belos testemunhos deste serviço, missionários em terras distantes, pregadores da palavra, homens e mulheres que no silêncio dos claustros rezavam sobre este mesmo mundo, a ponto de mesmo sem nunca ter saído dele, tornar-se Padroeira das Missões. Ou profetas num mundo esquecido de Deus e de seus verdadeiros valores, em meios a regimes totalitários, chegando ao ponto de darem a sua própria vida. Pais e mães de família, em seus locais de trabalho, engajados na paróquia e nos serviços mais diferentes, nas escolas, nos hospitais, nos ambulatórios, nas visitas domiciliares, nos clubes de mãe, nos lactários, em casas de retiro, nas prisões, nas creches e asilos. Tenho certeza, que cada um de nós, aqui, consegue se encontrar num destes serviços. Mistério maravilhoso de amor, que une o céu a terra. Somos portadores de uma grande riqueza, verdadeiros tesouros que trazemos, que é a nossa espiritualidade, em vasos de barro. Destituamos tudo o que somos, desejos de outros, que na tentativa de nos construírem nos distanciaram do que devemos realmente ser, homens do desejo de Deus, repletos de alegria e vivamos em plenitude, para isso temos uma senda, carisma deixado por nosso Pais espirituais, inspirado pelo Espírito Santo, que é a vida carmelitana.”


E nos preparando para a grande festa de nossas Bodas de prata no ano de 2008, fazemos memória de todos aqueles que neste encontro e nos passados desses 24 anos: frades, monjas e leigos carmelitas seculares que nos ajudaram e ensinaram a crescer, estudar e rezar, nos deram a mão e caminharam e permanecem caminhando conosco, ao nosso lado, sendo família e irmanados de afeto fraterno para levarmos juntos o Carmelo ao mundo de hoje .


Rose Piotto, ocds
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