domingo, 30 de março de 2008

O PAI-NOSSO E A MISERICÓRIA DIVINA

(Segundo as palavras de João Paulo II no rito de canonização da Irmã Maria Faustina Kowalska)*

* PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS
1 SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME
Louvai o Sonhor, porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor. (Sl 118,1) Assim canta a Igreja na Oitava da Páscoa, como que recolhendo dos lábios de Cristo estas palavras do Salmo, dos lábios de Cristo ressuscitado, que no Cenáculo traz o grande anúncio da misericórdia divina e confia aos apóstolos o seu ministério: (1)

2.VENHA A NÓS O VOSSO REINO
A paz seja convosco! Assim como o Pai Me enviou, também eu vos envio a vós...Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos. (Jo 20,21-23) (1)

3.SEJA FEITA A VOSSA VONTADE
ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
Antes de pronunciar estas palavras, Jesus mostra as mãos e o lado. Isto é, indica as feridas da Paixão, sobretudo a chaga do coração, fonte onde nasce a grande onda de misericórdia que inunda a humanidade. Daquele Coração a Irmã Faustina Kowalska, a Beata que de agora em diante chamaremos Santa, verá partir dois fachos de luz que dominam o mundo. “Os dois raios, explicou-lhe certa vez o próprio Jesus representam o sangue e a água” (Diário, pág.132).(1)

4.O PÃO NOSSO DE CADA DIA
NOS DAI HOJE
Sangue e água! O pensamento corre rumo ao testemunho do evangelista João que, quando um soldado no Calvário atingiu com a lança o lado de Cristo, vê jorrar ali “sangue e água” (cf Jo 19,34). E se o sangue evoca o sacrifício da cruz e o dom eucarístico, na simbologia joanina, recorda não só o batismo, mas também o dom do Espírito Santo (cf.Jo3,5; 4,14; 7,37-39).(2)

5.PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS
ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS
A QUEM NOS TEM OFENDIDO
A misericórdia divina atinge os homens através do Coração de Cristo crucificado.”Minha filha, dize que sou o Amor e a Misericórdia em pessoa”, pedirá Jesus à Irmã Faustina (Diário, pág.374). Cristo derrama esta misericórdia sobre a humanidade mediante o envio do Espírito que, na Trindade, é a Pessoa-Amor. E porventura não é a misericórdia o “segundo nome” do amor (Cf. Dives in misericórdia,7),cultuado no seu aspecto mais profundo e terno, na sua atitude de cuidar de toda a necessidade, sobretudo na sua imensa capacidade de perdão? (2)

6.E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO
O que nos trarão os anos que estão diante de nós? Como será o futuro do homem sobre a terra? A nós não é dado sabê-lo. Contudo, é certo que ao lado de novos progressos não faltarão, infelizmente, experiências dolorosas. Mas a luz da misericórdia divina, que o Senhor quis como que entregar de novo ao mundo através do carisma da Irmã Faustina, iluminará o caminho dos homens do terceiro milênio.
Assim como os Apóstolos outrora, é necessário porém que também a humanidade de hoje acolha no cenáculo da história Cristo ressuscitado, que mostra as feridas da sua crucifixão e repete: A paz seja convosco! É preciso que a humanidade se deixe atingir e penetrar pelo Espírito que Cristo ressuscitado lhe dá. É o Espírito que cura as feridas do coração, abate as barreiras que nos separam de Deus e nos dividem entre nós, restitui ao mesmo tempo a alegria do amor do Pai e da unidade fraterna. (3)

7.MAS LIVRAI-NOS DO MAL
Esta mensagem consoladora dirige-se sobretudo a quem, afligido por uma provação particularmente dura ou esmagado pelo peso dos pecados cometidos, perdeu toda a confiança na vida e se sente tentado a ceder ao desespero. Apresenta-se-lhe o rosto suave de Cristo, chegando-lhe aqueles raios que partem do seu Coração e iluminam, aquecem e indicam o caminho, e infundem esperança. Quantas pessoas já foram consoladas pela invocação “Jesus, confio em Ti”, que a Providência sugeriu através da Irmã Faustina! Este simples ato de abandono a Jesus dissipa as nuvens e faz chegar um raio de luz à vida de cada um. (7)
Misericórdias Domini in aeternum cantabo (Sl88[89],2). À voz de Maria Santíssima, “Mãe da Misericórdia”, à voz desta nova Santa, que na Jerusalém celeste canta a misericórdia, juntamente com todos os amigos de Deus, unamos também nós, Igreja peregrinante, a nossa voz.
Jesus Cristo, confio em Ti!
“Jezu,ufam tobie!”(8)
Amém.

AS HARMONIAS DO PAI-NOSSO
Horácio Dídimo


* RITO DE CANONIZAÇÃO DE MARIA FAUSTINA KOWALSKA. Homilia do Papa João Paulo II na Concelebração Eucarística, 30 de abril de 2000, ( 1,2,3,7,8).

sábado, 22 de março de 2008

FELIZ PÁSCOA


'De tudo quanto vi no Carmelo, não há nada mais bonito que a Semana Santa e o dia de Páscoa.
Até me atreveria a dizer que é algo de único.'


Nova Ressurreição

[para 30 de março de 1902*]


Neste belo dia, nesta doce aurora,

Fujamos, minha Irmã, fujamos a seu túmulo89.

Quero vê-lo, este Mestre que eu adoro,

Este Bem-Amado, tão cativante, tão belo.

O que minha alma almeja, o que meu coração deseja

É seu primeiro olhar, seu primeiríssimo sorriso.

Mas eu creio que Ele me espera,

Minha irmã, neste momento

Vem comigo.

A fé tudo pode, Jesus mesmo o disse.

Corre então, minha Irmã, corre ante Ele.

Por mim eu sei que à pobre que Ele ama

Será dado vê-lo hoje.

O amor, esta palavra do céu e que eu não sei dizer,

É um não sei quê, que o prende e o atrai,

Casa do Deus90 do amor,

Eu posso cantar sempre:

Ele ama em mim.

De seu olhar eu quero ver a luz

Oh! Que esplendor deve brilhar em seus olhos!

Contemplando este Gerado do Pai

Terei os Três e terei todos os Céus!

Ele vai fazer brilhar sua luz em minha alma,

Ele vai-me purificar nas divinas chamas.

Senhor, em teu amor

Seja noite seja dia,

Consome-me!

Eu o feri, ó pura, ó doce embriaguez!

Que me pode recusar agora?

Ele não sabe resistir às carícias

Do pequeno coração que ele fez todo amante.

Vou contemplá-lo, visão radiosa,

Face a face divina, fusão bem aventurada.

Ó meu Verbo adorado,

Luminosa Beleza,

Olha-me...

Creio, minha irmã, que ele virá bem depressa,

Este Bem-Amado, tão oferente e tão bom.

Ele ama tanto suas queridas Carmelitas

E seu Carmelo onde se vive de abandono.

Senhor, não sabes, somos tuas noviças.

Vem ante nós, tu farás nossas delícias.

Tu me disseste que sempre

Cedias ao amor,

Lembra-te!

...........................................

Oh! Vem a mim, que eu seja a primeira

A contemplar Aquele que ama meu coração.

Eu quero ver-te92, ver-te em tua luz,

Todo radioso de glória e de esplendor!

Sustenta-me somente porque eu sou pequenina.

Talvez tua visão mate tua carmelita,

Mas isto não importa,

Ó minha Águia divina,

Leva-me!

....................................

Lembra-te que meu coração te deseja,

Que ele te reclama dia e noite.

Verbo adorado que me prendes e me atrais,

Que fazes então para não estar aqui?

Não te tardes em ver tua noiva,

Em dizer-lhe baixinho que é tua bem-amada,

Que no país do Amor

Tu a tomarás um dia

Pertinho de ti?

........................................

Beata Elisabete da Trindade

segunda-feira, 17 de março de 2008

Retiro "OS TRÊS BEIJOS: A teologia mística de São Bernardo", com Padre Bernardo Bonowitz


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Queridos amigos,
Encaminho os textos das conferências do retiro-Os Tres Beijos- com Padre Bernardo Bonowitz, ocorrido no Rio de Janeiro de 7 a 9 de Março de 2008, promovido pela Sociedade dos Amigos Fraternos de Thomas Merton. Imperdivel.
Com afeto,

Fernando Alcici

Acessem o blog:http://retiro2008saftm.blogspot.com/

domingo, 16 de março de 2008

Notícias - Publicado estudo «O Carmelo Teresiano na História»

Um grande avanço na historiografia carmelita-teresiana

Por Nieves San Martín
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ROMA, quinta-feira, 13 de março de 2008 (ZENIT.org).-
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O Pe. Domingo A. Fernández de Mendiola acaba de publicar um monumental estudo em dois volumes: «O Carmelo Teresiano na História», informa o site da Cúria da Ordem Carmelita Descalça (OCD).
O volumoso estudo publicado pelo Institutum Historicum Teresianum tem o subtítulo: «Uma nova forma de vida contemplativa e apostólica».
O primeiro volume analisa o tema durante a vida de Santa Teresa de Jesus (1515-1582). E o segundo envolve o período de 1581 a 1597, «de província a ordem autônoma e crise de identidade».
«Em muitos aspectos, é uma contribuição nova à historiografia carmelita – afirma a Ordem Carmelita Descalça. Não se trata da história da Ordem. É, mais ainda, a análise de como foi considerado o Carmelo Teresiano na história.»
«Há mais de 25 anos – escreve o autor na apresentação –, iniciei este trabalho de reflexão histórica: acompanhar cronológica e sincronicamente o desenvolvimento do Carmelo Teresiano na história, segundo os documentos contemporâneos em cada momento.»
Ou seja, explica, «examinar não a doutrina evangélica espiritual de Teresa, da qual é uma mestra exímia reconhecida na Igreja, mas o que ela chamava de ‘sua obra’ – ‘obra de Deus’ antes de tudo –, a criação como carmelita de uma nova forma de vida contemplativa e apostólica, e sua vitalidade na história».
A reflexão e a documentação apresentada confirmam o projeto ao longo das páginas (750 e 544). A obra do Pe. Domingo Fernández de Mendiola é uma análise documentada sobre o tema.
O livro ajuda a conhecer o nascimento e primeiro desenvolvimento do Carmelo Teresiano. «É um aprofundamento excepcional sobre nosso carisma na Igreja», afirma a OCD.
Tema emergente nesta perspectiva é a vocação missionária do Carmelo «ex ventre» da Madre Teresa de Jesus.Uma nota a destacar, afirma a OCD, «é a redação serena, que nunca se detém em polêmicas. Não é um livro de consulta, mas de leitura integral para esclarecer idéias, para reforçar convicções que se refiram à nossa vocação».
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Fonte: Zenit

sábado, 1 de março de 2008

O Cristo de São João da Cruz



“O DESENHO DE CRISTO CRUCIFICADO”

Este pequeno desenho de Cristo Crucificado - seu tamanho é de 57 X 47 mm - pinto-o João da Cruz durante sua permanência em Ávila, sendo vigário e confessor do mosteiro da Encarnação, entre os anos de 1572 e 1577, onde ainda hoje é conservado. Por sua proximidade cronológica às que podemos considerar como primícias literárias do autor, ao menos entre as chegaram até nós, e sobretudo pela originalidade de sua perspectiva, pelo ponto de vista em que está realizado, este desenho constitui um expressivo pórtico a toda sua obra, além de um sinal chave para a compreensão de seu sistema místico.

Trata-se, efetivamente, de um desenho único e genial que representa a imagem de Cristo morto na cruz, no momento mesmo de entregar seu espírito; daí seu evidente patetismo e essa impressão acolhedora de seus membros desconjuntados, com as mãos rasgadas na abertura dos cravos pelo peso do corpo inerte que cai para frente, como que delineando; a cabeça abatida sobre o peito, o que faz com que o rosto apenas seja visível; a cintura, estreitíssima. e as pernas encolhidas pelo peso do corpo que já não podem sustentá-lo. E todo ele visto de lado, em esboço, em perspectiva cônica oblíqua, a partir de um ponto de vista que está situado no ângulo superior direito, e que é sem dúvida, o mais atrativo e original de desenho, pois sua perspectiva oblíqua e esse ponto de vista obrigam ao pintor a romper os cânones da estética e dar à imagem esboçada umas novas proporções ( dos pés ao extremo do braço esquerdo, em linha reta, há 20 mm, enquanto até ao direito há 60 mm), resultando assim imagem única, completamente insólita.

Os escassos testemunhos a respeito (duas referências nas declarações processuais para a beatificação: a do carmelita calçado João de São José, confessor da Irmã Ana Maria de Jesus, a religiosa, a quem o santo deu de presente o desenho, e a do padre Alonso da Mãe de Deus procurador da causa de beatificação; mais outras duas alusões nas hagiografias posteriores: a do mesmo Padre Alonso e a do Padre Jerônimo de São José) não esclarecem muito, que digamos sobre a origem e circunstâncias de semelhante desenho: todos o atribuem sem mais a “uma aparição maravilhosa uma visão recebida pelo místico enquanto estava em oração; o que é muito dizer e às vezes não dizer nada, mesmo que algum mais explícito, ou mais ocorrente - caso do padre Jerônimo - chegue a supor que “para que assim lhe visse, é fácil considerar e crer estaria o servo de Deus em alguma janela ou tribuna, que nas igrejas de conventos acostuma haver ao lado do altar mor, no meio do qual se considera haver - lhe aparecido, voltado diretamente ao povo. Mas, por que assim e não voltado ao venerável padre? Poder-se-ia crer haver sido para representar com aquele esboço a seus olhos figura mais lastimosa e desconjuntada do que pareceria diretamente”.

Porém este suposto da janela ou tribuna na lateral do altar maior é o primeiro que haveria que demonstrar e não supor, e que além de não existir nada disso na igreja da Encarnação, a imagem refletida no desenho tampouco tem algo a ver com uma visão no sentido estrito , com uma percepção dimensional, posto que o “artifício do desenho”, o efeito estético de sua perspectiva, isso é sinal de outra coisa e está apontando para outro local, não já em sentido físico, mas metafórico. E é que não há que se esquecer que no caso de João da Cruz tudo está visto e dito em sentido metafórico, como corresponde a um verdadeiro poeta místico que escreve, não a partir de si mesmo, senão a partir da perspectiva de Deus, que fala dele. Pois bem, esse é o motivo que explica a perspectiva do desenho e o lugar desde o qual está vista a imagem de Cristo crucificado, não já a partir da posição do pintor, mas a partir da direita mesma de Deus Pai, um lugar mais além de todo lugar e só a partir do qual se pode contemplar precisamente o sentido último da morte de Cristo, como “a maior obra que em toda sua vida com milagres e obras havia feito, nem na terra nem no céu, que foi reconciliar e unir ao gênero humano por Graça com Deus; e isto foi, como digo, ao tempo e ponto que este Senhor esteve mais aniquilado em tudo. . . , ficando assim aniquilado assim como em nada (Subida II, 7, 11).

O desenho, portanto, é toda sua metáfora estética que tenta expressar graficamente o inexplicável com palavras e que convida a contemplar essa figura a partir de outro ponto de vista, de outra maneira, pretendendo “deixar voar a alma do pintado a Deus vivo” (Subida III, 15,2) para compreender a partir daí o amor de Deus manifestado em seu Filho Jesus Cristo. “Tanto amou Deus ao mundo que lhe deu seu Filho único” (Jo 3,16) que, “não se reservou nem a seu Filho, antes bem, o entregou por nós” (Rm 8,32). O Desenho não passa simplesmente uma imagem de caráter devocional, como queria o Padre Jerônimo de São José, senão mística, no sentido mais rico da palavra, pois se refere diretamente ao “mysterion” da revelação divina essa “sabedoria de Deus” da qual já o apóstolo Paulo falava nestes termos: “Falamos uma sabedoria que não é deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que ficam desvanecidos, senão que ensinamos uma sabedoria divina, misteriosa, escondida, predestinada por Deus antes dos séculos para nossa glória; nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu, pois se a houvesse conhecido nunca haveriam crucificado ao Senhor da Glória; senão, como está escrito (aludindo a Is 64,3) nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem o homem pode pensar o que Deus preparou para os que o amam” Cor 2, 6-9; Rm 5, 1-5; Fl 2, 6-11; Cl 1, 15-20). E isto mesmo é o que em linguagem de João da Cruz se chama “a mística teologia, que quer dizer sabedoria de Deus secreta e escondida, na qual, sem ruído de palavras e sem ajuda de algum sentido corporal nem espiritual, como em silêncio e quietude, ensina Deus ocultíssima e secretíssimamente à alma sem ela saber como; o que alguns espiritualistas chamam entender não entendendo” (Cântico B 39,12; Noite II, 5,1; Chama B 3,48).

O mistério dessa sabedoria divina, mistério essencialmente TRINITÁRIO e ao mesmo tempo CRISTOCÊNTRICO, é o que João da Cruz conheceu e saboreou em sua experiência mística como “uma das mais altas obras de Deus e mais saborosa para a alma”, entendendo “de raiz essas profundas vias e mistérios que são parte de sua bem-aventurança” C B 23, 1; 37,1). E isso é justamente, o que vai cantar em seus poemas. Daí que este desenho seja para nós uma expressão fundamental a não perder de vista, o pórtico de entrada a toda sua obra e à referência chave para compreender seu sistema místico. Porque, além de uma mestra inequívoca de como “a pessoa devota de verdade, no invisível principalmente põe sua devoção, e faz-se mister poucas imagens e de poucas usa, e daquelas que mais se confortam com o divino que com o humano, porque a viva imagem busca dentro de si, que é Cristo Crucificado” (S III, 35,3). esta imagem representa, antes de tudo, o “desenho de amor” de Deus à alma, “desejando que se acabe de figurar com a figura de cujo desenho é o Esposo, o Verbo Filho de Deus, porque esta figura aqui entende a alma que se deseja transfigurar por amor.


Assim pois, em virtude desse sentido metafórico, razão última de sua perspectiva foi motivo de inspiração a outros artistas modernos e induziu a estudar diversos especialistas, este desenho expressa em última instância a mesma beleza dos versos finais do poema Partorzinho e corresponde, além do mais, com o que o mesmo João da Cruz lhe faz dizer a Deus no capítulo central da Subida do Monte Carmelo: “ o que agora quisesse perguntar a Deus, ou querer alguma visão ou revelação, não só faria uma necedade senão faria um agravo a Deus, não pondo os olhos totalmente em Cristo, sem querer outra coisa ou novidade. Porque poderia lhe responder Deus desta maneira, dizendo: ‘Se te tenho faladas todas as coisas em MINHA PALAVRA, que é meu Filho, e não tenho outra, que te posso eu agora responder ou revelar que seja mais que isso? Ponha os olhos somente nele, porque nele tenho dito tudo e revelado, e acharás nele ainda mais do que pedes e desejas . . . Se quiseres que te respondesse eu alguma palavra de consolo, olhe para meu Filho, sujeito a mim e sujeitado por meu amor e afligido, e verás quantas te responde. Se quisesse que te declare eu algumas coisas ocultas ou casos, ponha os olhos nele, e acharás ocultíssimos mistérios, sabedoria e maravilhas de Deus, que estão encerradas nele’ ...” (S II, 22, 5-6)

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