domingo, 22 de fevereiro de 2015

FELIZ ANIVERSARIO LUCIANO DIDIMO



Deus  é Abridor de caminhos.



Deus  é Abridor de caminhos.
Quando tudo parecer sem rumo , cansado ou sem solução 
Deus remove os troncos velhos e nos dá novos brotos.
Deus nos surpreende, dando-nos o futuro...
Deus é o semeador de amor em nosso caminho,
Com o seu novo, nunca desgastado,
quebrando novamente e novamente, a casca da monotonia.
Deus  é oportunidade em tempo integral.

Confrontado com estradas repetidas, propondo novas maneiras.
Deus transborda nossas perguntas com seu projeto de vida.
Vem a nós como um semeador de esperança.
Convida a  lançar um novo modo de viver.

A sua fonte de água nunca se esgota.
Deus sempre fala bem de nós e nós mesmos.
Quando chegarmos a menos do que o que nós somos, Ele levanta a nossa dignidade.

Deus nos oferece, não impõe o seu amor.
Saber esperar pacientemente para a nossa resposta.


Luciano,
 nós  Carmelitas Descalços Seculares, da Província de  São José,
desejamos a você tudo isso neste aniversario: 
novas esperanças e novos caminhos no Senhor Jesus, 
e que a  exemplo de nossa SANTA MADRE,
 você seja corajoso andarilho  em sua Missão!
Feliz aniversário com as bençãos de Nossa Senhora
a Flor mais linda do Monte Carmelo!

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sábado, 21 de fevereiro de 2015

IMPRESSÕES SOBRE A PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO CARMO

IMPRESSÕES SOBRE A PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO CARMO
                                                                                                Frei Mariano Júnior, ocd

Hoje completam quatro dias que me encontro em Itabaiana. Itabaiana é a segunda ou terceira maior cidade do menor estado da federação: Sergipe. Sua população é pouco mais de 91 mil habitantes; pertence à arquidiocese de Aracaju. É a última cidade antes do chamado sertão de Sergipe. Quem vem do sertão sergipano quase que necessariamente passa por Itabaiana
A cidade é conhecida como a cidade dos caminhoneiros.  Por aqui passam caminhões de várias partes do país. E com isso vem  também os desafios: houve época em que se dizia que aqui era forte o roubo – não só de cargas, mas também de caminhões. Ouvi de dentro da Fazenda Esperança – em Marechal Deodoro – que ao lado de um posto policialhá pouco tempo foi desbaratada uma oficina de desmanche. Ouvi também da boca de um dos que lá se encontram que Itabaiana era a única cidade do Brasil em que foi proibido por lei municipal de os motociclistas pilotarem com o capacete.
Se verdade ou não, fato é que a fama de violência na cidade é grande. Isso em nível geral, mas não escapa à Paróquia Nossa Senhora do Carmo que se encontra na periferia da cidade, num bairro denominado São Cristóvão, mas conhecido como a paróquia da Invasão.
“Paróquia da Invasão” porque, segundo o moto-táxi que me levou ao convento, as casas foram construídas pelo governo para serem vendidas a preço popular para o povo. Mas, uma vez prontas e somada a demora em liberar para a população, a mesma população sofrida se sentiu no direitode ocupar aquilo que lhe era destinada. Assim a região ficou conhecida como a ‘invasão’, e a paróquia, como ‘Paróquia da Invasão’.
O clima é bom, muito bom. Não é tão quente como o de Marechal Deodoro. Esta, por sua vez, é aliviada pela brisa do mar, que, como canta o poeta nordestino,não se cansa de beijar e balançar as vagas do mar. A cidade de Itabaiana não tem mar, e consequentemente não possui os beijos da brisa marítima; no entanto, é aconchegada pela Serra de Itabaiana com um frescor todo especial, serra que traz em si a proteção de um Parque Nacional.
Em quatro dias que aqui cheguei, presidi apenas uma vez na eucaristia, assim mesmo foi fora da paróquia. O antigo pároco deixou a impressão de que não queria muito a presença dos religiosos na diocese. Isso percebi quando, no dia em que fui celebrar missa, sozinho com ele em seu carro, falou-me  que  na diocese há mais de 120 padres e pouco mais de 90 paróquias. E que havia mais padres diocesanos que paróquias, e que, fora os carmelitas, havia cerca de 10 congregações masculinas prestando assistência na diocese. Enfim, utilizando suas palavras, ‘os religiosos estavam tomando o emprego dos diocesanos’.
Fato é que ele foi convidado pelo bispo a deixar a paróquia e assumir outra. Aqui deixou após um sexênio de zelo pela ‘igreja pedra’. ‘Zelo pela igreja pedra’ é linguajar dele. Partilhou que trabalhou muito a ‘igreja pedra e muito pouco a igreja povo’.  E fez bem o seu trabalho. A casa é imensa, muito grande. É verdade que não foi ele o idealizador, mas um padre que no passado esperava ser bispo, e querendo fazer daqui um seminário, construiu ‘casa paroquial’ pensando num seminário.
E por aqui passaram vários padres, segundo antigo pároco e alguns paroquianos com quem conversei. Alguns, não sei se maioria, deixaram o ministério, seja para edificar família, seja para dedicar ao povo de Deus na política. Fato é que foram três ou quatro padres, antes da vinda do último pároco.
Se a ‘Igreja pedra’ está bem trabalhada, o mesmo não se pode dizer da ‘Igreja Povo de Deus’. Pastoralmente, ou melhor, ‘movimentalmente’- isto porque  Movimento é diferente de Pastoral - na Paróquia se reúnem: ‘Apostolado da Oração, Legião de Maria, Terço, Armada branca (=terço de crianças) e Catequese. Há também uma missa muito frequentada – talvez mais pelo pessoal de fora que dos da paróquia, chamada ‘missa da misericórdia’. No mais, pelo menos na matriz, nada mais há, fora as missas dominicais. Há também nove capelas no território paroquial que requer assistência do padre.
Digo de nota é o projeto ‘nossa mesa’, ligado ao SESC e que, por duas ou até mais vezes por semana distribui alimentos às famílias mais necessitadas, todas cadastradas. Funciona nas dependências da matriz. Se é trabalho voluntário ou não, não me inteirei; mas fato é que muito contribui para a subsistência dos mais carentes da zona denominada ‘invasão’.
Algo, no entanto, acontece aqui que não vi em lugar algum, embora tenha quase duas décadas de ordenado. Aqui há uma ou duas funcionárias que são pagas pela prefeitura. Segundo meu confrade, alguns dos coordenadores de comunidadestêm laços muito fortes com os políticos. Outro fenômeno que observei é que a igreja matriz fica aberta apenas na parte da manhã, com uma secretária (?) que trabalha apenas meio horário; secretária que é funcionária da prefeitura (?).
E o povo? Sem deixar de ser detalhes, o povo é acolhedor. Como nos recorda o evangelho, joio e trigo caminham juntos até a época da colheita em que o Dono da Messe virá separar o que lhe pertence.  Para quem se sente chamado a ser discípulo missionário, trabalho é que não falta. O discípulo missionário não precisará se preocupar com estrutura. Há ‘benfeitores’ de peso na cidade, principalmente os ‘devotos da missa da misericórdia’, onde é grande a frequência dos empresários, dizem.
Estranhou-me o fato de o padre antecessor partilhar que, quando aqui chegou há seis anos, veio substituir um padre muito querido, alguém que poderia se qualificado, ao nosso limitado entender, como ‘pastor com cheiro de ovelhas’. E o ‘cheiro de ovelhas’ era tão forte que, segundo o padre, trazia para a casa paroquial quem se encontrava caído à beira do caminho, ou seja, todos os tipos de ovelhas machucadas, a saber, prostitutas, travestis, bêbados, dependentes químicos.  Com isso, achegava-se também à casa todo tipo de bandidagem. Assim, muitas portas tiveram fechaduras arrombadas, danificadas. Razão pela qual, em seus primeiros tempos de paróquia, dormisse nunca sozinho, mas sempre acompanhado de um revólver.
Hoje, pela segunda vez – há quatro dias aqui me encontro! – resolvi visitar o lado direito da paróquia, isto é, o pessoal da ‘invasão’; visitar mais o lugar que o pessoal propriamente dito. Algumas pessoas – na verdade menos que meia dúzia! – me aconselharam a não ir, pois consideram a região perigosa.  Tão perigosa, que um dos grupos da Legião de Maria resolveu trocar o horário de reunião da noite para tarde a fim de evitar possíveis encontros com pessoas não desejáveis; algumas legionárias optaram em não fazer a visita legionária na região mais afastada, pois, ali o ‘perigo’ ronda com mais frequência.
E pensando nas atitudes o Mestre, olhando sempre a sua humanidade, Ele que ‘desceu aos infernos para resgatar os que lá se encontravam’, resolvi não obedecer aos que me aconselharam. Com certo receio – o novo parece sempre causar medo ou insegurança! - , venci a mim mesmo e segui pela direita da frente da Igreja. De frente a um asilo, que segundo frei Claudiano é uma obra da paróquia vizinha, fui aconselhado por mais dois senhores com quem puxei conversa para não seguir adiante.  Mas não lhes dei ouvidos, fui até o final da rua calçada e onde havia poste de luz na rua. Depois adentrei, ainda que rapidamente, para o interior. As casas que vi são de alvenaria. Não é favela como se vê no sudeste. São casas, pelo menos por fora, boas, embora sejam pequenas e pobres. Encontrei com muitas crianças brincando na rua, em frente das casas. Descobri uma praça no interior do povoado; praça sem árvores, cimentada e com bancos. Encontrei um pequeno grupo de crianças correndo na praça. Estranhei, pois, esperava maior número. Cruzei com alguns adolescentes a pé e alguns que passaram por mim com motos.  Motos com 50 ou 100 cilindradas, daquelas que não precisam de placas ou Permissão para conduzi-las. Sem me deter muito no olhar, percebi que os olhos de muitos desses adolescentes pareciam denunciar que consomem drogas. Mas quase não trocamos palavras, exceto com um ou outro uma ‘boa tarde’. Isso porque quando saí de casa para visitar o ‘povo de Deus’ era mais ou menos 17 horas.
Interessante que no interior da ‘invasão’ encontrei uma igreja pentecostal, Igreja Pentecostal Fogo de Amor. Na porta da igreja, que se localizava numa garagem, estava o pastor. Como se encontrava na porta,resolvi aproximar e puxar conversa. Havia uma ou duas pessoas no interior preparando o som e cadeiras para o culto, que se daria às 19 horas. Conversamos pouco, foi a segunda vez que parei e puxei conversa. A primeira vez foi quando perguntando por uma obra a dois senhores, eles me aconselharam não seguir adiante, pois era ‘perigoso’. Com o pastor não houve esse tipo de aconselhamento. Trocamos palavras a respeito da vida e do Reino e, após cordiais contatos e apresentações, me despedi.
Refleti comigo: tem razão de o catolicismo está perdendo adeptos. Muitos líderes religiosos católicos não se misturam com o povão, pois tem medo daqueles por quem Jesus deu a vida.Pensei: certo está o papa que não se cansa de exortar a Igreja a deixar a pastoral de manutenção para abraçar a pastoral de ‘missão’. Indaguei a mim mesmo pensando na igreja: “será possível passar de uma pastoral (de manutenção) a outra (de missão) e viver numa segurança estrutural com muros altos, cercas elétricas, portões e janelas com grades e cadeados? Por fim, conclui refletindo comigo mesmo: há momentos que dizemos que ‘damos tudo para Deus,professamos votos de pobreza, castidade e obediência para mais livres servir a Deus e seu Reino, e, no entanto,[ sem querer julgar, mas só constatando e refletindo,] parece não sermos capazes de ‘ir aos confins do mundo e ensinar tudo aquilo que Jesus ensinou’, pois não estamos dispostos a sair de nosso comodismo e segurança. E os poucos que se dizem ‘sair para servir’ – há exceções, graças a Deus! - fazem tantas exigências que é preciso de uma ‘baita estrutura econômica’ para manter o missionário, ‘homem de Deus’. Enfim, concluí que vivemos para nós e não para os outros. E fazemos isso em nome de Deus”.
Voltei, então, para casa, pedindo perdão a Deus e misericórdia por todos nós, principalmente nós que recebemos pela imposição das mãos de um sucessor dos apóstolos o ‘encargo’- diga-se múnus - de ‘reger, governar e ensinar’ o povo de Deus.
Antes de chegar a casa, puxei conversa com uma senhora que estava com a camisa estampada com a imagem de Nossa Senhora do Carmo, paroquiana, frequentadora da igreja. E desta conversa, ofereceu-me um copo de café, que tomei na calçada mesmo. Louvei e agradeci a Deus, e pedi a Ele que não se esquecesse de recompensá-la pelo café, Ele que prometeu não deixar sem paga a quem desse um copo de água em seu nome.
Itabaiana, 12 de fevereiro de 2015.
Frei Mariano Júnior,ocd


Observação: o texto foi lido e aprovado por frei Claudiano, futuro pároco da Paróquia de Itabaiana, que aqui chegou uma semana antes de mim.  Embora com muitíssimo pouco tempo de estadia aqui, temos consciência de que nossas impressões são por demasiadas limitadas. Nós confabulamos e chegamos a seguinte conclusão interpessoal, com a consciência de que cada comunidade tem o seu perfil próprio e depende do estado de espírito de cada membro que a compõem.  Acreditamos que cada membro da comunidade deve ter claro para si mesmo o porquê aqui veio. Diante dessa pergunta duas são as possíveis respostas: ou para servir o povo de Deus (pastoral de missão) ou para ser servido pelo povo de Deus (pastoral de manutenção). Sendo assim, projetamos:
Quem aqui vier morar e chegar com o espírito missionário de quem quer fazer comunidade de partilha, de vida, de doação ao outro e serviço – pois o missionário é sempre um servo que se imola para o outro - há de encontrar ambiente propício na paróquia, pois há uma estrutura – embora a casa seja grande – que possibilita a manutenção dos frades que não queiram levar vida ociosa e não são muitos exigentes para si mesmos. A manutenção viria de esportulas de missas, dízimos (a trabalhar) e cursos).


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Quaresma tempo de crescer na Intimidade com Deus através do silêncio

    A ESCADA DO SILÊNCIO NA QUARESMA
           "Uma proposta de Encontro"-
              "O Barulho adoece, o Silêncio Cura "
                  (Frei Patrício Sciadini, OCD)

“Estamos entrando na QUARESMA, quero lhe propor um exercício de silêncio, onde será frutuosa a experiência com a ESCADA DO SILÊNCIO.
Como a QUARESMA se discorre ao longo de 6 (seis) semanas, sugiro que se faça a meditação de dois degraus por semana. Dessa forma, ao final, os frutos para a Páscoa do Senhor, terá um novo entendimento para a vida interior e para o crescimento espiritual, para o bom uso das obras criadas e para o relacionamento com os irmãos, mas sobretudo, para a INTIMIDADE COM DEUS.”(Alma Carmelita)

Conheça e decida-se por uma Quaresma diferente:

"Chega-se ao silêncio de todo o nosso ser,
silêncio que evita o barulho, o desgaste físico e mental, não de um dia para o outro, mas lentamente. É caminho. Não devemos forçar o passo, porque cansaremos com facilidade e nunca chegaremos à meta. Mas devagar se vai ao longe'. Toda a nossa vida interior é silêncio, e Deus, nos recorda, João da Cruz, pronunciou uma única palavra, que é seu Filho, seu Cristo. Ele a pronunciou em silêncio e é em silêncio.
A mística Maria Amada de Jesus, carmelita descalça, nasceu na Normandia, em 1839 e faleceu em 1874. Fez-se carmelita em 1859, teve noites escuras duras e terríveis.Escreveu os DOZE DEGRAUS DO SILÊNCIO, que vamos comentar um pouco. São caminhos que podem curar nossas feridas, as doenças abertas pelo BARULHO. (Comentário de Frei Patrício, Ocd.)

PRIMEIRO DEGRAU DO SILÊNCIO:
Falar pouco com as criaturas e muito com Deus.

É o segredo para começar a cura pelo silêncio:
Redescobrir Deus como amigo, como médico, como aquele que vem em nosso socorro, nos ESCUTA a cada momento e nos convida a entrar em comunhão com Ele.
O falar muito com as criaturas nos leva a uma hiperagitação.
O silêncio da Prudência e da Sabedoria é o silêncio que devemos ter nas conversações, nos encontros.
Não é raro que falemos mais forte com “nossos silêncios” que com as palavras.
Há silêncios que apavoram, gritam e condenam o palavreado vazio de tantas pessoas.

SEGUNDO DEGRAU DO SILÊNCIO:
Silêncio no trabalho, silêncio nos movimentos.

Vimos que o silêncio não é, de forma alguma, mutismo, alienação, afastamento dos outros, porque não somos capazes de dialogar ou de entrar em comunhão. É uma atitude interior que nos leva saber fazer tudo com amor e com recolhimento.
Por que deixar que a agitação e o barulho entrem em nós e coloquem nossa morada interior numa confusão insuportável?
Os mestres da vida interior nos ensinam que tudo deve ser feito com calma, com silêncio, evitando qualquer barulho que possa perturbar a nós mesmos e aos outros.
 SILÊNCIO no andar, SILÊNCIO dos olhos, dos ouvidos, da voz. SILÊNCIO de todo o exterior, preparando a alma a unir-se a Deus.

TERCEIRO DEGRAU DO SILÊNCIO:
Silêncio da imaginação.

A imaginação é boa, é um dom de Deus e devemos aproveitá-la na nossa oração e na nossa memória, para reviver momentos de ação de graças, de alegria e também de dor, de pecado para purificar-nos cada vez mais e estarmos prontos para receber a graça da fonte de Deus que jorra em nós. Porém, a imaginação, pode tornar-se uma fera violenta, que, como tempestade, nos leva longe e sempre fora da nossa casa interior, quando nos faz perder o contato com a vida de cada dia, isso se faz terrível e doloroso. Aí adoecemos na alma, nos tornamos tristes, preocupados.

QUARTO DEGRAU DO SILÊNCIO:
Silêncio da memória.

Nada de mais belo que a nossa memória. Jesus nos mandou celebrar Sua Memória, torná-Lo Presente, Vivo e Real no Sacramento da Eucaristia.
A memória não é o reviver da imaginação, mas o recordar e, com força da vontade, tornar presente. É uma mística Eucarística que vivemos no nosso dia-a-dia. É necessário silenciar a memória para que possamos não nos deixar alienar da nossa realidade cotidiana. Esvaziar-nos de nós mesmos.

A MEMÓRIA DEVE SER RECONHECIMENTO, AÇÃO DE GRAÇAS por tantas Misericórdias que Deus tem feito em nós.
Vale a pena meditar com o canto da memória agradável e vivo do MAGNIFICAT, por exemplo.
Recomendação: Não se deixe influenciar pelas suas memórias, ou se condicionar por elas.
Não podemos viver de saudosismo, é necessário viver de vida, de esperança e de amor.
Nossa memória deve ser vivida, atualizada, e o é assim no Mistério da Eucaristia de Cristo, que nos dá nova força para caminharmos para nosso futuro.

QUINTO DEGRAU DO SILÊNCIO:

Silêncio com as criaturas.

Falamos demais. Isso prejudica a saúde física, psíquica, espiritual.
Não importa do que falamos. O que importa é falar e falar muito.
Parece ser um impulso incontrolável.
Temos uma tendência de fazer monólogos longos, que nunca irão preencher e curar as doenças terríveis da solidão humana.
É necessário sim, ter uma lembrança das criaturas de Deus.
Sua Criação traz em si mesma a figura do Criador, do Senhor. A Natureza nos fala e nós podemos falar com Ela. Como não lembrar a voz das Criaturas do Cântico de Daniel (Dn 3)?




SEXTO DEGRAU DO SILÊNCIO:
O Silêncio do Coração.

Somos levados a avançar para as águas mais profundas do silêncio.
É necessário entrar agora no silêncio do coração.
Silenciando tudo o que está fora de nós e dentro de nós.
Nada pode perturbar nossa paz interior; nem as criaturas, nem a memória, nem a imaginação.
Tudo é paz. Deixemos, neste caso, tomar-nos pela mão da Virgem Maria e por Cristo Jesus, onde tudo é silêncio.


SÉTIMO DEGRAU DO SILÊNCIO:
Silêncio da natureza.

Silenciar a natureza humana que vive revoltada com o mínimo vento de dor, de contrariedade, é uma obra lenta, fruto de paciência e de tempo.
Não devemos nos revoltar nem achar que tudo isso se dá à toque de caixa.
Temos de saber que sem um grande esforço nunca ficaremos curados de nossas feridas físicas e espirituais.
Devemos silenciar o orgulho, o amor-próprio ferido, nos afastar das situações que podem nos levar a críticas inúteis e desfavoráveis aos outros e a nós mesmos.
“De toda palavra ciosa que pronunciarmos, daremos conta a Deus”.
Devemos saber dominar o desejo de vingança, muitas vezes travestido de justiça, de zelo e de verdade.

OITAVO DEGRAU DO SILÊNCIO:
Silêncio do espírito.

É um ponto muito importante para não adoecer:
... de orgulho, de superioridade, de “ insubstitutividade”, de “ tudo eu faço e sou melhor”- doença terrível, dentro e fora da Igreja.
O silêncio do espírito nos leva a agir somente pela Glória de Deus, pois para quem busca a viver a santidade não pode existir duplicidade de vida.
Está comprovado que a “ambiguidade de vida” é fonte de sofrimento e doenças físicas e psíquicas.
Como pode viver tranquilo e com saúde quem trai os amigos, a esposa, o esposo, ou vive com constante medo do que faz, ou ainda, aqueles que não cumprem com os seus compromissos ou com a palavra dada?
É o silêncio do espírito que devemos procurar na paz da nossa consciência mais íntima e profunda do ser.

NONO DEGRAU DO SILÊNCIO:
Silêncio do julgamento.

Não julgar é também um mandamento de Jesus: “não julgueis e não sereis julgados”.
Para que deixar a ânsia e a angústia de julgar entrar em nosso coração?
Silenciar o julgamento não é renunciar a emitir nossas opiniões. Estas devem ser conformes à verdade e nada mais.
Não devemos impor nosso ponto de vista.
Quantas vezes a imposição da nossa maneira de pensar e de julgar, nos levam ao isolamento, à marginalização ou ao sofrimento físico e espiritual.




DÉCIMO DEGRAU DO SILÊNCIO:
Silêncio da vontade.

É o silêncio nas angústias do coração e nas dores d´alma.
É o silêncio de uma alma favorecida por Deus e que, sentindo-se repelida, não pronuncia estas palavras como: “Por quê? Até quando?”. É o silêncio do abandono...
Silêncio ante a severidade do olhar de Deus... Silêncio sob o peso da Mão Divina.
Silêncio cuja única queixa é a do amor.
É o silêncio da Crucifixão. É o silêncio dos mártires. É o silêncio da agonia de Jesus.
Enquanto essa vontade humilde e livre - verdadeiro holocausto de amor - procura aniquilar-se para glorificar o Nome de Deus, Deus a transforma em sua vontade.

DÉCIMO PRIMEIRO DEGRAU DO SILÊNCIO:
Silêncio consigo mesmo.

Uma das piores doenças é “monologar consigo mesmo”, falar e, falar consigo mesmo dos próprios problemas, dificuldades, dramas, traumas e doenças.
Torna-se um círculo vicioso a partir do qual não conseguimos ver a vida com os olhos límpidos e transparentes.
Para que ruminar o dia todo e a noite inteira as situações conflitantes da vida?
Não é melhor dar a volta por cima e lançar-se nos braços de Deus, e rezar com calma o Salmo 130?
Este Salmo é do silêncio interior, fruto de ascese e de oferta de si mesmo a Deus.

DÉCIMO SEGUNDO DEGRAU DO SILÊNCIO:
O Silêncio com Deus.

O silêncio com Deus consiste em ter a certeza no nosso coração do amor do Senhor, de não duvidar Dele, mesmo que nada sintamos.
É deixar-se amar por Ele. É talvez o silêncio mais doloroso do ser humano, que em determinados momentos se sente abandonado por todos e até mesmo por Deus.
É o grito que surge dentro de nós: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Sl 21)”.
Esse grito não é falta de fé. Ele é à força da natureza que se rebela diante da dor, da solidão, da doença. Mas Deus sempre vem em nosso socorro. Confirmamos esta experiência com os textos:

Dt 6, 4-5/Is 43, 1-5.

“O Barulho Adoece e o Silêncio Cura” ( Frei Patrício )


PEREGRINAÇÃO QUARESMAL COM SANTA TERESA DE JESUS





Neste ano comemorativo do V Centenário do nascimento de Santa Teresa, nada mais aconselhável do que recordar alguns de seus ensinamentos para o crescimento pessoal nas virtudes, com a consequência de um maior empenho pessoal e comunitário no serviço a Deus e ao próximo, objeto da verdadeira conversão que nos pede o Tempo Quaresmal. É um tempo de graça (2 Cor 6,2) para crescer no amor, pelo qual vencemos a globalização da indiferença pessoal e social (cf. Mensagem Papa Francisco para Quaresma 2015).
O sentido da ascese cristã, da luta contra o egoísmo, nos oferece a Santa Madre:
“... eu gostaria que essas grandes virtudes [amor fraterno, humildade e desapego] fossem objeto do nosso particular esforço, tornando-se a nossa penitência, porque, como já sabeis, não aprovo penitências excessivas, que, se forem feitas sem discernimento, pode provocar malefícios à saúde. Neste caso, porém, não há o que temer, já que, por maiores que sejam, as virtudes interiores não privam o corpo de suas forças para servir à religião, antes fortalecendo a alma. E, como eu disse outras vezes, podemos acostumar-nos a coisas muito pequenas para alcançarmos a vitória nas grandes” (S. Teresa de Jesus, Caminho de perfeição 15,3).
O acostumar-se a coisas muito pequenas joga um papel fundamental no crescimento espiritual, já que no dia a dia fazemos tantas pequenas coisas no trabalho, na família, mas sem colher ou dar um sentido cristão a estas coisas, que talvez as façamos rotineiramente. Cabe-nos, então, viver as mesmas ocupações diárias de forma vigilante e do ponto de vista da fé, da esperança e da caridade.
Como? A Santa Madre vem ao nosso encontro para dizer-nos que “o verdadeiro amante em todas as partes ama e sempre se recorda do amado” (Fundações 5,16), pois o perfeito amor consiste em contentar a quem amamos (id., 5,10) nas coisas que fazemos. Assim, vivendo na presença de Deus, à luz da fé, as ocupações cotidianas são ocasiões para participar nos ofícios de Cristo pelo exercício do ofício sacerdotal, através do qual prestamos culto a Deus por meio das ocupações da vida familiar, da vida de trabalho e estudo e nos relacionamentos sociais; do ofício profético, pois o fim de tudo o que fazemos é a glória de Deus;  do ofício real, pois mostra que cada pequeno gesto, mesmo escondido, feito por amor a Cristo e ao próximo, colabora na edificação do Reino de Deus. Por meio delas nos associamos a Cristo Jesus e vamos transformando ações banais em ações divinas, segundo a B. Elisabeth da Trindade (cf. Céu na terra, 40).
Muitas vezes torna-se fácil permanecer um dia ou mesmo algumas horas sem alguma refeição por penitência. Mais difícil poderia ser o estar um dia sem usar a internet, sem assistir a novela preferida ou programa de TV, ou mesmo não comentar alguma fraqueza de um colega ou familiar, para dedicar-se à oração ou ao serviço de algum enfermo ou mesmo na visita a alguma pessoa anciã ou afastado da Igreja ou da Comunidade...
Creio que seja importante nesta Quaresma escutar este conselho de S. Teresa: prestar atenção às virtudes e fazer delas objeto de nosso particular esforço, tornando-se nossa penitência. E sabemos que o empenho diário para vivê-las exige esforço, já que o exercício das virtudes é sinal de uma fé e oração vivas, transformadas em obras concretas para o bem dos outros.
Perguntemo-nos então: como está minha vivência do amor fraterno, da humildade e do desapego em meio às ocupações diárias na família e em outros lugares?
O  amor fraterno antepõe o outro a mim; busca o seu bem e o seu crescimento. Favorece o que é bom e interessa-se pelo bem do próximo. É um amor que se nutre do encontro com Cristo, que se une ao sofrimento e necessidades do outro.
Ao mesmo tempo é um amor humilde, o qual não olha o outro com superioridade, mas que vê a sua possibilidade de ajudar como um dom da graça divina. É um amor que supera a tentação de desistir diante da enormidade dos problemas, mas é capaz de fazer o que lhe é possível, de dar a sua contribuição, mesmo que seja pequena, para aliviar em alguma coisa o sofrimento de quem lhe está próximo. O resto confia ao Senhor da História, que é quem a conduz (cf. Deus caritas est, 34-35) e que na Cruz assumiu o último lugar da humanidade. Tudo isso nos conduz ao desapego de nós mesmos, do egocentrismo, tentação tão presente em tudo o que habitualmente fazemos.
Se conseguirmos encarnar na vida um pouquinho mais destas virtudes neste Tempo Quaresmal, estaremos certos de que haverá mudanças na própria vida e na vida familiar e de Comunidade, transformando-as em ilhas de misericórdia por meio da oração, de gestos concretos e de uma sincera conversão. Assim estaremos agindo contra a globalização da indiferença (Francisco, Mensagem...).
Quer fazer a prova? Mãos à obra!

Fraternalmente e com votos de santa peregrinação quaresmal!
Fr. Alzinir F. Debastiani OCD
Roma, Quaresma 2015


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Visita à Comunidade Santa Teresinha (São Roque-SP)

O presidente provincial da OCDS Luciano Dídimo esteve presente no dia 15/02/2015 na primeira reunião de 2015 da Comunidade Santa Teresinha, da OCDS de São Roque-SP, onde fez convite para os próximos eventos da OCDS, como o retiro espiritual de 01 a 03/05/2015 e o Fórum 500 anos de 04 a 07/09/2015, dando também informes sobre a mudança do conselheiro provincial responsável pela comunidade, bem como sobre a utilização do livro de formação e estudo do novo Estatuto da OCDS.

Luciano Dídimo com a Comunidade Santa Teresinha, de São Roque-SP

domingo, 15 de fevereiro de 2015

II MÓDULO FORMAÇÃO DOUTRINAL - 13 A 17 DE FEVEREIRO 2015 / CENTRO TERESIANO DE ESPIRITUALIDADE

ABERTURA 
ORAÇÃO DA ESCOLA



ABERTURA FEITA POR MISES ROCHA 
COORDENADOR DA ESCOLA

MISSA DE ABERTURA CELEBRADA POR FREI ANTONIO PERIN 



I DIA- TEOLOGIA DO LAICATO
Pr. Laudelino, vice presidente da CNLB- CONSELHO NACIONAL DO LEIGO NO BRASIL

Pr. Laudelino, vice presidente da CNLB-



II DIA-
 A  evangelização no mundo contemporâneo
HISTORIA DA EVANGELIZAÇÃO
CONCILIO VATICANO II
A EVANGELIZAÇÃO
IMPLANTAÇÃO DO CONCILIO VATICANO II
  • A Igreja de Cristo sempre foi missionária, sob as mais diversas formas, com pessoas das mais diversas condições sociais. Com homens e mulheres de toda a sorte a Igreja tem anunciado a Palavra de Deus a todas as gentes, conforme a missão que o Senhor lhe confiando.

Vamos apontar, sem dúvida de modo bastante sumário e muito incompleto, alguns momentos históricos da vida missionária da Igreja até nossos dias.

  • Na aventura cristã milenar da Igreja, as grandes assembleias conciliares se constituem como uma espinha dorsal. O conhecimento de seu desenvolvimento deixa transparecer um elemento crucial da intervenção do Espírito Santo na história da Igreja.

O impacto do Concílio Vaticano II sobre a vida da Igreja Católica faz desejar pesquisas que nos permitam descobrir de modo mais preciso sua gênese e desenvolvimento – com todas as suas peripécias, e o jogo complexo das diversas influências humanas, através dos quais o Espírito Santo traça o seu caminho.

Prof. Ms. GUSTAVO DO PASSO CASTRO, OCDS




Visita à Comunidade paroquial Santa Teresa de Jesus em Carapicuíba-SP

O Presidente da OCDS - Província São José Luciano Dídimo foi convidado para abrir o grupo de estudos sobre Santa Teresa de Jesus promovido no dia 14/02/2015 pela Comunidade da Capela Santa Teresa de Jesus, vinculada à Paróquia Cristo Ressuscitado, no Município de Carapicuíba, no Estado de São Paulo, como preparação para a celebração do V Centenário de nascimento de Santa Teresa.


Luciano Dídimo compareceu acompanhado da Conselheira Provincial do Estado de São Paulo, Haide Zakaib, sendo calorosamente recebidos pela comunidade local, liderada pelo jovem Emerson Costa Santos.


A capela dedicada a Santa Teresa de Jesus possui uma belíssima imagem da Santa, além de relíquias genuínas tanto de Santa Teresa como de São João da Cruz. O cuidado e o zelo com a capela, bem como o amor à Santa Teresa saltam aos olhos de quem visita o local.

Relíquia de Santa Teresa
 (pedacinho de um osso do dedo da santa)

Luciano Dídimo apresentou um resumo da biografia de Santa Teresa de Jesus, além de falar sobre a Ordem Carmelita Descalça, enfatizando o ramo secular, informando sobre sua estrutura e modo de vida. Ao final, foi feita a foto oficial do encontro, seguida de um saboroso lanche.


A OCDS agradece o convite e se coloca à disposição da Comunidade de Carapicuíba.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

6° Domingo do Tempo Comum - A Penitência por Amor a Deus (Marcos 1, 40-45)





O Evangelho deste Domingo conclui o primeiro capítulo da narrativa de São Marcos. Depois de expulsar um demônio e curar a sogra de São Pedro, Nosso Senhor cura um homem de lepra.

São Beda, o Venerável
São Beda, o Venerável, comentando essa sequência apresentada pelo Evangelista, escreve que,

"Depois de calada a língua da serpente dos demônios e curada a mulher, que foi seduzida primeiro, em terceiro lugar, foi curado da lepra de seu erro o homem, que escutou os maus conselhos da mulher, a fim de que a ordem de restauração no Senhor fosse como a ordem da queda em nossos primeiros pais" [1].

Este comentário de Beda – alegórico, mas de importante valor espiritual – indica o que Cristo veio fazer em relação a nós, e que Zacarias canta no Benedictus: "salvar-nos do poder dos inimigos" [2]. E, assim como a sogra de Pedro, depois de ser curada, começou a servir ao Senhor e aos Apóstolos, Cristo nos liberta para que "a ele nós sirvamos sem temor em santidade e em justiça diante dele, enquanto perdurarem nossos dias" [3].

É verdade que o leproso do Evangelho tinha muitas razões para não aproximar-se do Senhor. Diante da primeira leitura deste Domingo, tirada do livro do Levítico, segundo a qual "se o homem estiver leproso é impuro" e, "sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento", a sua atitude de chegar perto de Jesus chega a ser escandalosa. Mas, quando ele diz a Cristo: "Se queres, tens o poder de curar-me (em grego, καθαρίσαι, que significa, literalmente, purificar)", e Nosso Senhor realmente o livra de sua lepra, acontece uma maravilha: ao invés de Ele ser contaminado pela impureza do leproso, é o leproso quem é purificado por Sua santidade.

Por isso, a narrativa deste Domingo incita-nos à confiança em Deus. Nós também, com nossas misérias e pecados, talvez tenhamos milhares de razões para não nos aproximarmos de Cristo; para dizermos, com São Pedro: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!" [4]. A cura do leproso, todavia, mostra que em Cristo há um poder e uma graça capazes de libertar-nos de nossa sujeira. Também na Última Ceia, quando Se reclina para limpar os pés de Seus discípulos, Nosso Senhor já indica o que vai fazer na Cruz: lavar o que temos de mais sujo, que é a nossa alma.

Às portas da Quaresma, tempo propício para a penitência, importa refletir com que espírito os fiéis devem escolher as mortificações que farão neste período. Muitas pessoas acham que as penitências quaresmais são uma coisa mágica, como se bastasse fazer alguns atos de jejum e outros de abstinência para viver uma boa Quaresma. Mas, não adianta simplesmente fazer jejum. Se fome fosse sinal de santidade, a África seria o continente mais santo do mundo. Não é o simples passar fome o que nos purifica, mas o amor. E é isto o que está por trás da virtude da penitência.

Quem olha para o mundo animal nota que os animais podem ser contrariados – quando sua fome, sua sede ou seus instintos não podem ser satisfeitos. Eles não podem, porém, contrariar-se. Só o ser humano é capaz de fazê-lo e é por isso que ele pode amar. O amor é a capacidade de contrariar as próprias vontades e caprichos para amar o outro – no caso, Deus. Nesta Quaresma, urge que façamos penitência com espírito de compunção, isto é, tomando consciência da tremenda ingratidão a Deus que está em todo pecado. A Deus, que tanto nos amou, até a morte de Cruz.

A penitência, pois, está relacionada ao amor. Não se trata de um complexo de culpa. Este nasce do orgulho. A pessoa começa a se perguntar: Nossa, como "eu", o maravilhoso "eu", foi capaz de fazer isso? Ela está mais preocupada com a sua imagem, que foi ferida, que com o coração de Deus, ferido pela sua ingratidão. A verdadeira penitência, ao contrário, é aquela que nasce do arrependimento. No Missal Romano, existe uma oração – antigamente chamada pro petitione lacrymarum – que pede a Deus a compunção do coração (compuntionem cordis): "Omnipotens et mitíssime Deus, qui sitienti pópulo fontem viventis aquæ de petra produxísti: educ de cordis nostri durítia lácrimas compunctiónis; ut peccata nostra plángere valeámus, remissionémque eorum, te miseránte, mereámur accípere." [5]

Nesta bela súplica, a pedra do deserto, da qual Deus tirou uma fonte de água viva para o povo de Israel, é comparada à dureza do nosso coração, da qual devem sair, agora, lágrimas de compunção. Estas, então, alcançam de Deus a remissão dos nossos pecados.

É claro que Jesus perdoa os nossos pecados gratuitamente. Mesmo assim, existe uma ligação entre os nossos atos de contrição e o perdão do Senhor. Quando, por exemplo, aquela mulher pecadora lava os pés de Cristo com suas lágrimas, Ele diz: "Os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, pois ela mostrou muito amor" [6]. Na verdade, para esta mulher, Jesus não era um desconhecido. Ela certamente já havia entrado em contato com Ele, já tinha recebido o Seu perdão. Quem sabe não foi ela a mesma mulher pêga em adultério, a qual os escribas e fariseus queriam apedrejar [7]? Quando percebe, então, o grande amor de Jesus para consigo, ela corresponde com amor.

Eis, pois, o espírito da Quaresma. Em gratidão a Deus, respondamos com amor ao grande amor com que fomos amados.

Referências:

Cf. Sanctus Thomas Aquinas, Catena Aurea in Marcum, 1, 13
Lc 1, 71
Lc 1, 74-75
Lc 5, 8
Missale Romanum, Missae et orationes pro variis necessitatibus vel ad diversa, 38, Pro remissione peccatorum, B, Aliae orationes, Collecta. "Deus todo-poderoso e misericordiosíssimo, que ao povo sequioso fizestes surgir da pedra uma fonte de água viva, tirai da dureza de nossos corações lágrimas de compunção, para que possamos chorar os nossos pecados e mereçamos receber, suplicantes, a sua remissão." (tradução nossa)
Lc 7, 47

Cf. Jo 8, 1-11

(site: "Christo Nihil Praeponere")

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

FÓRUM 500 ANOS SANTA TERESA DE JESUS



Carta Circular 001/2015

 Aos Carmelitas Descalços Seculares da Província São José,
 Venho através desta incentivar e animar a todos os carmelitas descalços seculares a participarem do grande evento comemorativo dos 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Jesus, organizado pela OCD/OCDS de nossa Província São José, o qual terá a presença também da Província Nossa Senhora do Carmo (Sul).
Portanto, como disse nosso Provincial Frei Cléber dos Santos, ”o Fórum 500 anos de Santa Teresa é um evento do Carmelo do Brasil e para o Carmelo não é um convite, mas uma convocação!”
Trata-se assim de um grande momento histórico e a presença de cada um de nós será um momento único e inesquecível em nossa caminhada carmelitana! Teremos momentos de formação, de oração, de testemunhos, show musical, teatro, etc e você poderá convidar seus amigos e familiares.
Não percamos a oportunidade desse maravilhoso encontro com Santa Teresa de Jesus, nossa Mãe, Mestra e Fundadora!
Toda as informações e notícias sobre o evento poderão ser obtidas através do site: http://forumstj500.webnode.com/.
Fraternalmente,

 Luciano Dídimo Camurça Vieira
Presidente da OCDS – Província São José


Local: Aparecida-SP;
Data: de 04/09/2015 (16h) a 07/09/2015 (12h);

Inscrição: R$ 200,00 (4 x R$ 50,00) – de abril a julho/2015 – Os valores da inscrição devem ser depositados na conta bancária em nome da Associação das Comunidades dos Carmelitas Descalços: Banco: Itaú(341) Agência:0156 conta:  06234-1 e a comprovação enviada para o e-mail: forum500stj@gmail.com.
Para maiores informações: forum500stj@gmail.com WattsApp:  016  99972 3711

A estadia (Hotel): fica por conta de cada participante, porém foi feita uma parceria de hospedagem com o Hotel Rainha do Brasil:

· O Hotel Rainha do Brasil é uma propriedade do Santuário Nacional de Aparecida, localizado aproximadamente a 700m de um dos portões do Santuário;
· O hotel oferece translado do Hotel/Santuário/Hotel até um dos portões do santuário que fica localizado aproximadamente a 700m do hotel;
· O Hotel Rainha disponibilizará sua central de reserva (telefones 012 3104 1010 e 012 3104 3437) para que cada participante entre em contato e realize sua reserva livremente, podendo escolher o tipo de pensão e número de pessoas por apartamento. Portanto cada participante se responsabilizará pelo pagamento de sua reserva, cuja negociação será realizada no momento da efetivação. Identifique-se como participante do Fórum;
· As (03) três diárias reservadas em fevereiro/2015 podem ser parceladas em 7 vezes de fevereiro a agosto/2015. Então para quem quer ficar no Hotel Rainha do Brasil é bom fazer logo a reserva, pois há a previsão de 1 milhão de peregrinos no período do evento e o hotel não garante vagas

· Veja os tipos de pensão: importante vamos ficar o dia todo no fórum  é aconselhado a diária apenas com café da manhã pois na basílica possui vários  restaurantes.
Para estes custos devemos nos organizar em quartos para 2 pessoas ou 3 pessoas

TIPO DE PENSÃO
DIÁRIA  2 PESSOAS
DIÁRIA  3 PESSOAS
Pernoite + Café da Manhã
R$ 246,00
R$ 332,00

· Custo mensal da inscrição e hospedagem com café da manhã:
 por pessoa:


   
CRONOGRAMA
DIA 04SEXTA
15:00
RECEPÇÃONOHOTEL E INSTRUÇÕES DE CREDÊNCIAMENTO
16:00
INÍCIO DO CREDENCIAMENTO NA ARENA BASÍLICA
19:30
MISSA  DE ABERTURA NA ARENA
20:30
ABERTURA COM APRESENTAÇÃO COMUNIDADES PRESENTES E OUTROS
22:00
ENCERRAMENTO
DIA 05  SÁBADO
07:00
SAÍDA HOTEL RAINHA DO BRASIL
08:00
Frei Ulrich Dobhan OCD- Provincial Alemanha
Tema:Santa Teresa-aspectos históricos e biográficos
09:00
CAFÉ
09:30
Frei Patrício Sciadini - Delegado Geral Egito 
Tema: Santa Teresa - fundadora e missionária
11:00
TESTEMUNHOS
12:00
SAIDA PARA ALMOÇO
14:00
Frei Romano Gambalunga-Postulador Geral OCD
Tema: O Carmelo de Teresa-Formador de Santos Evangelizadores
15:00
CAFÉ NA ARENA
15:30
Frei Francisco Javier Sancho Fermin-Diretor da Universidade Mística CITES  Tema: Santa Teresa e o conceito de pessoa humana a partir de 1M1
17:00
MISSA NA  ARENA
18:00
SAÍDA  PARA  UM  LANCHE  OU  JANTAR LIVRE
19:00
Bate Papo Musical  com Frei Marcos Hideo Matsubara
20:30
RECREIO CARMELITANO -  Fiesta de la vida
22:00
ENCERRAMENTO
DIA  06  DOMINGO
07: 00
SAÍDA HOTEL RAINHA DO BRASIL
08:00
MISSA  NA  BASÍLICA  COM BISPOS E FREIS
09:30
TEMPO LIVRE  NA  BASÍLICA
14:00
Padre Jean Marie Laurier, França-Instituto Notre Dame de Vie 
Tema: Santa Teresa e a Mística
15:00
CAFÉ NA ARENA
15:30
Moisés Rocha OCDS Província São José - mestre em Filosofia
Tema: Santa Teresa e a missão do Leigo a partir  do Documento de Aparecida
16:30
Frei Patrício  Sciadini - Delegado Geral do Egito 
Tema: Santa Teresa  e a vida consagrada
18:00
SAÍDA PARA UM LANCHE OU JANTAR LIVRE
19:00
Show musical  Freis Carmelitas e Convidados
21:00
ENCERRAMENTO
DIA 07  SEGUNDA
07:00
SAÍDA HOTEL RAINHA DO BRASIL
08:00
Mesa redonda- Frei Cléber (Provincial OCD província São José) - Luciano Dídimo (Presidente Provincial OCDS Província São José) - Monja da Associação - Tema:  A vivência do carisma Teresiano no Carmelo Descalço
09:00
CAFÉ NA ARENA
09:30
Lúcia Pedrosa - Doutora em Teologia  tema: a Oração como relação esponsal em Santa Teresa
11:00
MISSA NA  ARENA 
12:00
ENCERRAMENTO

LOCAL DO EVENTO:
Centro de Eventos  Padre Vitor Coelho de Almeida
Santuário Nacional de Aparecida
Av. Dr. Júlio  Prestes s/n CEP 12.570-000 - Aparecida-SP




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