terça-feira, 30 de outubro de 2007

CARMELO SECULAR



Leigos a buscar
na missa a Eucaristia,
leigos a levar
Jesus no dia-a-dia.

Leigos a rezar
com fé a liturgia,
leigos a cantar
louvores a Maria.

Leigos a amar
o irmão a cada dia,
leigos a doar
a vida com alegria.


Luciano Dídimo

Trindade que adoro / Elizabete da Trindade

JM + JT

Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar-me a paz nem me fazer sair de vós, ó meu Imutável, mas que em cada minuto eu me adentre mais na profundidade de vosso Mistério. Pacificai minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada preferida e o lugar de vosso repouso. Que eu jamais vos deixe só, mas que aí esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, entregue inteiramente à vossa Ação criadora.
Ó meu Cristo amado, crucificado por amor; quisera ser uma esposa para vosso Coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos... até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-vos revestir-me de vós mesmo, identificar a minha alma com todos os movimentos da vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-vos a mim, para que minha vida seja uma verdadeira irradiação da vossa. Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador. Ó Verbo eterno, Palavra de meu Deus, quero passar minha vida a escutar-vos, quero ser de uma docilidade absoluta para tudo aprender de vós. Depois, através de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero ter sempre os olhos fixos em vós e ficar sob vossa grande luz; ó meu Astro amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair da vossa irradiação.
Ó Fogo devorador. Espírito de amor, “vinde a mim” para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo: que eu seja para ele uma humanidade de acréscimo na qual ele renove todo o seu Mistério. E vós, ó Pai, inclinai-vos sobre vossa pobre e pequena criatura, cobri-a com vossa sombra vendo nela só o Bem-Amado, no qual pusestes todas as vossas complacências.
Ó meu Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a vós qual uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em vós, até que vá contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

BEATA JOSEFA NAVAL GIRBÉS



Josefa Naval nasceu em Algemesi, na diocese de Valência, Espanha, a 11 de Dezembro de 1820. Desde a adolescência se consagrou, para sempre, ao Senhor. Percorreu o caminho da oração e da perfeição evangélica numa vida simples e de ardente caridade. Dedicou-se com generosidade às obras de apostolado no ambiente da sua comunidade paroquial. Fez da sua casa uma oficina e uma escola de oração e de virtudes evangélicas, onde se formaram muitas jovens e mulheres na sabedoria humana e espiritual.
Acorria todos os dias à igreja, para a celebração da eucaristia, tratando também com carinho os paramentos e os altares. Recordando a palavra de Cristo que nos mandou ser luz para iluminar a todos, procurava todas as oportunidades para falar de Deus. Em sua casa organizava reuniões para as mães, ajudando-as na formação familiar e cristã. Encaminhava para a virtude, as mulheres que se haviam apartado do recto caminho. Admoestava com prudência a todos os pecadores. No entanto, os seus cuidados primorosos eram a educação humana e religiosa das jovens; para elas abriu, mais tarde, uma escola gratuita de bordados, trabalho no qual era muito entendida. Aquela escola transformou-se num centro de convívio fraterno, de oração e louvor a Deus onde era explicada e aprofundada a Sagrada Escritura e as verdades eternas. Josefa Naval cultivava com fervor a vida interior, a oração, a meditação e a fortaleza nos trabalhos da vida. Era grande a sua devoção à Eucaristia, à Virgem Maria e aos Santos.
Qual foi, podemos perguntar, o segredo, o mistério e a força interior que levou Josefa Naval aos cumes da santidade? Josefa era membro da Ordem Terceira do Carmo Descalço, agora chamada Ordem Secular. A Ordem Carmelita, como família de Maria, agrupa ao redor de Nossa Senhora do Monte Carmelo, inúmeros filhos: uns vivem a sua vocação no claustro do convento, os frades e as freiras; outros vivem em outras congregações de religiosas e religiosos que se alimentam na espiritualidade carmelitana; outros ainda, constituem uma numerosa multidão de homens e mulheres, rapazes e moças que, fazendo no mundo a sua vida normal e nele permanecendo, se alimentam e vivem a vida carmelita, unidos a esta família. São também eles Carmelitas e constituem parte integrante da Ordem. Estes laços são distintos. Vão desde a amizade, passando pelo uso do Escapulário, até chegar aos Carmelitas Seculares ou Terceiros que como os religiosos têm também votos de pobreza, castidade e obediência.
Josefa Naval era uma Carmelita Secular, e como tal sentia-se verdadeira carmelita, um membro vivo da Ordem Secular do Carmo. No conhecimento de Santa Teresa de Jesus e de S. João da Cruz e no seguimento da Virgem do Carmo bebeu ela o segredo da sua santidade. Tornou-se, por isso, a primeira flor amadurecida e reconhecida como santa na Ordem Secular do Carmo, fundado por Santa Teresa e S. João da Cruz.
Morreu piedosamente no Senhor a 24 de Fevereiro de 1893. O seu corpo conserva-se na igreja Paroquial de S. Jaime que ela serviu com muita dedicação, carinho e esmero.
Oração: Ó Deus, que pusestes no mundo a força do Evangelho como fermento de renovação,concedei aos irmãos dedicados às coisas seculares a graça de cumprirem sempre, no mundo,a vossa vontade, e que, pelo exemplo e intercessão da bem-aventurada Josefa Naval,instaurem sem descanso o vosso Reino através do cumprimento fiel dos seus deveres temporais com fervoroso espírito cristão.

ORAÇÃO DO CARMELITA SECULAR



Virgem Mãe e Rainha do Carmelo,
guia-nos e apóia-nos para vivermos sempre,
como autênticos filhos e filhas
da Igreja do teu Filho Jesus.
E, como fiéis carmelitas,
que a nossa oração seja em benefício da Igreja,
o nosso estilo de vida simples e fraterno e o nosso
empenho missionário contribua para a implantação
da verdade e do amor sobre a terra.
E assim, cresça nossa colaboração
com a família carmelitana,
segundo o desejo de Deus
e para sua maior glória. Amém!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

PRECISAMOS DE SANTOS

"Jovens e Iniciantes na OCDS“


Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.
Precisamos de Santos que vão ao cinema,
ouvem música e passeiam com os amigos.


Precisamos de Santos que colocam Deus em
primeiro lugar, mas que também se “ lascam “
na faculdade.

Precisamos de Santos que tenham tempo todo
dia para rezar e que saibam namorar na pureza
e castidade, ou que consagrem sua castidade.
Precisamos de Santos modernos, Santos do século
XXI, com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.


Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e
as necessárias mudanças sociais.

Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem
no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.

Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot-dogs, que usem jeans, que sejam internautas, que usem disc man.

Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de
música, de dança, de esporte.

Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a
Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refrí
ou comer uma pizza no fim de semana com os amigos.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos,
alegres, companheiros.

Precisamos de Santos que estejam no mundo;
e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo,
mas que não sejam mundanos."
João Paulo II


Todos os anos, nos preparamos para este momento onde juntos
partilhamos este nosso jeito jovem e carmelita de ser.
Se você é Jovem ou Iniciante na OCDS, junte-se a nós,
para sermos estes carmelitas que estão no mundo, mas que não são do mundo...

Precisamos e contamos com “ VOCÊ “ !

Sérgio Lopes pela Comissão de Jovens e Iniciantes na OCDS.

MOMENTOS DO CONGRESSO CICLA EM LONDRINA (16 A 19/10/2007)

A CICLA promoveu este congresso para toda a família carmelitana, frades, monjas, seculares, e institutos filiados ao Carmelo, além de membros da OC (Ordem Carmelita da Antiga Observância) de toda a América Latina. O tema foi o V CELAM DE APARARECIDA PARA O CARMELO TERESIANO, com a finalidade de nos aprofundarmos no Documento de Aparecida. O evento contou com a participação de seis membros da OCDS - Província São Jose (foto acima): Marcelo Piotto (MG), Rose Piotto (MG), Maria Eduarda (RJ), Lourdes (MG), Ruth (CE) e Luciano (CE).




As monjas argentinas enriqueceram o evento com apresentações de música e danças folclóricas. Da Argentina, vieram representações de Mar Del Plata, 9 de Julho, Calcete e San Juan, entre outras. Houve representações também do Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, República Dominicana, Colômbia, Cuba e México, entre outros.

Nosso delegado provincial para a OCDS, Frei Pierino, também se fez presente ao Encontro, tendo o mesmo participado de uma reunião extraoficial entre todos os leigos presentes ao Congresso, onde todos se apresentaram e partilharam suas realidades.

Houve alguns momentos de descontração, inclusive com visita à Catedral de Londrina e jantar em uma churrascaria.


O Congresso teve palestrantes de peso, como Dom Orlando Brandes, Frei Camilo Maccise, Frei Carlos Mesters. Ir. Vilma Moreira, entre outros.

Foto oficial do Congresso CICLA

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

QUEM SOMOS NÓS


Autor: Fernando de Carvalho Azevedo Alcici, OCDS

Membros da família do Carmelo, fundado por Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, formada pelos frades, monjas e nós. Reconhecidos oficialmente no meio do século XV, no priorado do Beato João Soreth, já estávamos presentes desde a origem, no Monte Carmelo, leigos eremitas que tiveram seu estilo de vida confirmado pela Igreja, através da regra do Carmo dada pelo patriarca de Jerusalém, Santo Alberto de Jerusalém, por volta do ano de 1207-1208. Ali está nossa origem, nesta regra está condensada nosso estilo de vida e nossos valores, que devem permear nossa vida hoje, de carmelitas leigos, irmão descalços da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Homens e mulheres, de diferentes condições econômicas, sociais, culturais, mais movidos pelo mesmo ideal e pelo mesmo amor, que é viver em obsequio de Jesus Cristo, ou seja, viver no seguimento de Jesus Cristo, sendo para isso necessário conhecê-lo, por isso meditamos dia e noite a lei do Senhor. Devemos nos impregnar das sagradas escrituras, ter uma grande familiaridade com ela, ruminá-la, confrontá-la com nossa vida, rezá-la, por isso devemos ser fieis a lectio divina, o seja a leitura orante da palavra cotidianamente, para nos transformarmos em palavra viva. Se as Sagradas Escrituras são a carta de Deus para nós, devemos ser homens e mulheres que se transformam em outras cartas de Deus para o mundo. Isso só é possível através desta familiaridade com a Palavra e do autoconhecimento, tão recomendado por nossa Santa Madre. Por isso nossa espiritualidade é a espiritualidade do caminho, do conhecimento progressivo de si e de Deus, de um processo lento e transformador, em que vamos nos deificando, nos identificando com o Cristo, o homem perfeito, é a subida do Monte Carmelo, conforme processo descrito por nosso Pai são João da Cruz, através das noites dos sentidos e do espírito.
Somos homens sedentos do Absoluto, que um dia buscando um sentido maior para nossas vidas, ou quem sabe, cada qual por caminhos diferentes, num momento de grande falta ou sofrimento, por pura graça e misericórdia de Deus, nos atraiu para esta espiritualidade, para este poço de águas profundas, que saciam nossa sede. Dom gratuito. Carmelo, jardim de delicias, paraíso terrestre, no qual Deus tem seu projeto para o homem, que ele volte ao seu projeto original, ao seu sonho de ser sua imagem e semelhança, vivendo em harmonia consigo mesmo e com os irmãos. Como aqueles eremitas, que cansados das longas lutas das Cruzadas, buscando uma vida de maior intimidade com Deus, no silêncio, na solidão, nós leigos carmelitas do século XXI, amantes também do silêncio e da solidão, buscamos nossa cela interior, nosso deserto, nossa solidão sonora, para estarmos a sós com Aquele que sabemos que nos ama incondicionalmente, como somos, seres limitados, cheios de sombras, mas também de luzes. Mas não ficamos somente neste jardim de delicias, fechados em nós mesmos, num intimismo estéril e narcísico. Transbordados destas delicias, somo comunicadores desta experiência, para isso deixamos nossa cela interior, descemos a santa Montanha e vamos ao encontro do mundo, para servir, transformar e amar este mundo, nos nossos irmãos. É a nossa diaconia. Sermos agentes discretos, fermento na massa, que com nosso estilo contemplativo, nos engajamos em tantos serviços, aonde o Espírito nos impele, junto aos pobres e carentes de toda espécie. Percorrendo a historia do Carmelo, encontramos belos testemunhos deste serviço, missionários em terras distantes, pregadores da palavra, homens e mulheres que no silêncio dos claustros rezavam sobre este mesmo mundo, a ponto de mesmo sem nunca ter saído dele, tornar-se Padroeira das Missões. Ou profetas num mundo esquecido de Deus e de seus verdadeiros valores, em meios a regimes totalitários, chegando ao ponto de darem a sua própria vida. Pais e mães de família, em seus locais de trabalho, engajados na paróquia e nos serviços mais diferentes, nas escolas, nos hospitais, nos ambulatórios, nas visitas domiciliares, nos clubes de mãe, nos lactários, em casas de retiro, nas prisões, nas creches e asilos. Tenho certeza, que cada um de nós, aqui, consegue se encontrar num destes serviços. Mistério maravilhoso de amor, que une o céu a terra. Somos portadores de uma grande riqueza, verdadeiros tesouros que trazemos, que é a nossa espiritualidade, em vasos de barro.
Por isso mesmo, devemos ser puros de coração, tendo sempre a reta intenção, conforme nos diz a nossa regra carmelitana e sermos homens, do vacare deo, esvaziando-nos, para que Deus nos habite. Somos templos da Santíssima Trindade, inabitados por Ela, conforme nos lembra muito bem nossa irmãzinha Elisabeth da Trindade. A nossa espiritualidade visa a que sejamos homens plenamente realizados, felizes, em sintonia com o projeto de Deus, para isso nos apegamos ao essencial, ao que realmente vale a pena, por isso emitimos nossas Promessas de vivermos os conselhos evangélicos, no espírito das Bem-Aventuranças. Para chegarmos ao Tudo, devemos escolher o Nada. Homens movidos pelos seus desejos mais genuínos, valorizando a sua identidade própria, identificando com Jesus Cristo, nosso modelo e sua mãe, nossa Mãe e Rainha. Se somos marianos é para nos identificarmos mais ainda com Cristo, seu filho e nosso irmão. Maria, a mulher que soube ouvir e guardar em seu coração todas as coisas e sempre se pôs a serviço. A vida do carmelita deve ser como a de nossa Mãe, modelo de seguimento do Cristo. Por isso a veneramos com tão grande amor e trazemos seu escapulário, como sinal de pertença e proteção, assim como de serviço. Maria nos inspira a uma entrega total ao projeto de
Deus em nossas vidas e nos faz suas testemunhas, do amor e da ternura. Devemos estar grávidos de Cristo como Ela e sermos portadores do seu filho ao mundo. Alimentados pela Eucaristia, fazemos dela o centro de nossas vidas. O carmelita é o homem eucarístico por natureza. Buscamos ali nosso alimento cotidiano, nosso momento de unificação, inspiração para nossos projetos, força e remédio para nossos males. É a nossa grande alegria e dali, fortalecidos e inspirados nos transformamos em hóstias vivas, em seres eucaristizados, prontos para servir, atentos às necessidades dos irmãos. Somos profetas de um mundo novo, a exemplo de nosso Pai Santo Elias, nos consumimos de ardente zelo pelo Senhor. Homem de profunda oração contemplativa, ao mesmo tempo atento às necessidades do mundo, capaz da denúncia dos contra-valores e de posições firmes, defendendo os verdadeiros valores, mas ao mesmo tempo sensível aos toques do Senhor, capaz de reconhecê-lo na brisa suave. Quanta inspiração para nossas vidas de carmelitas. Homens e mulheres da ternura, do amor, da sensibilidade, da atenção ao outro. Se somos amantes da solidão e do silencio, dos nossos dias de deserto, amamos estarmos em comunidade, na alegria de nossos recreios, procurando divertir nossos irmãos, como crianças, fazendo o outro feliz, possibilitando que o outro seja e possa mostrar o melhor de si mesmo. Destituamos tudo o que somos, desejos de outros, que na tentativa de nos construírem nos distanciaram do que devemos realmente ser, homens do desejo de Deus, repletos de alegria e vivamos em plenitude, para isso temos uma senda, carisma deixado por nosso Pais espirituais, inspirado pelo Espírito Santo, que é a vida carmelitana.
___________________________________________________
Fernando de Carvalho Azevedo Alcici tem 48 anos, é casado e membro da OCDS desde julho de 1990, sendo atualmente Presidente da Comunidade Santa Teresa de Jesus de Belo Horizonte-MG (Palestra proferida no XXIV Congresso Provincial OCDS)

PRINCIPAIS MOMENTOS DO XXIV CONGRESSO PROVINCIAL DA OCDS EM SÃO ROQUE-SP (11 a 14/10/2007)

Palestras


Missa

Momento mariano - homenagem à N. S. Aparecida

Vera Melo encerrando seu triênio como presidente provincial da OCDS e Ana Maria Scarabelli, eleita para substituí-la no dia 12/10/2007


Filmagem da foto oficial do Congresso em São Roque


Recreio

Vera Melo como Santa Teresa, Dyonísio como São João da Cruz, Íris como Santa Teresinha e Liginha como Edith Stein deram show de interpretação!!! Ô comédia!!!!


Recreio II

"Coroação" da nova presidente provincial!!!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

CD “CHAMA DE AMOR” (FREI MARCOS MATSUBARA, OCD)

O CD “Chama de Amor” é uma tentativa de atualização da doutrina carmelitana a partir de um viés muito caro aos carmelitas: viver a relação com Deus como um Romance de Amor, por isso o nome tomado de João da Cruz: “Chama de Amor” O CD aposta na mesma linha de trabalho do anterior (“Descalço”), que se baseava simplesmente na musicalização de textos das poesias de santos carmelitas (Teresa, Teresinha e João da Cruz). Tem, contudo, algumas pequenas diferenças: neste novo trabalho, além de tomar literalmente algumas poesias de Teresa e João da Cruz, Frei Marcos também compõe letras inspiradas na doutrina dos nossos santos, ou seja, há uma tentativa de releitura dos escritos, a fim de simplificar o pensamento carmelitano para os jovens e iniciantes no Carmelo, que são os destinatários preferenciais deste trabalho. Por isso mesmo as melodias estão mais joviais, mais alegres, ritmadas. O novo CD tem onze músicas: Living Flame of Love (Chama Viva de Amor); Aquela Eterna Fonte; Vivo sem viver em mim (2ª versão); Nada te perturbe; Perder para ganhar; É feliz quem ama a Deus; Onde não houver amor, semeia o amor; Feliz Demais; A paciência tudo alcança; Importa muito; Amor com amor se paga (Cântico dos Cânticos). Algumas novidades são as participações especiais de Kennia Heloisa e de Frei Eduardo Augusto. Este CD conta também com a participação de outros compositores: André Librelon, Daniel Romagnolo e John Michael Talbot. O CD pode ser adquirido na Livraria e Editora "Ave Maria" (Rua Jaguaribe, 761 - São Paulo - SP. CEP: 01224-001 Tel (11) 3825.0700 ou telefax (11) 3825.0154) ou pela internet: livraria.sp@avemaria.com.br. O contato pode ser feito com o gerente sr. Delvo, ou com a sra. Schelliga. Cada CD custa R$15,00 mais as despesas do correio.

Definição Teresiana da Oração




A primeira surpresa com que nos deparamos é que não encontraremos sua definição pessoal de oração no Caminho de perfeição, e sim no livro de sua Vida. Ela, que lera tantos livros piedosos de seu tempo, poderia haver-se limitado a copiar uma das clássicas definições tão em voga então, por exemplo: “Oração é uma elevação da mente e do coração a Deus”, ou “Oração é pedir a Deus tudo aquilo que necessitamos”, ou, finalmente, aquela tão comum entre os “letrados”: “A oração é uma virtude moral, um ato da virtude da religião, parte integrante da virtude cardeal da justiça pela qual se aperfeiçoa a virtude teológica da fé, através da qual chegamos ao reconhecimento da soberania de Deus sobre todas as coisas e lhe pedimos tudo aquilo que necessitamos.”
Mas a Madre Teresa não era uma teóloga abstrata, e formulou sua definição da oração baseando-se em sua experiência pessoal. Não se preocupa com questões técnicas, isto é, se a oração pertence a uma virtude cardeal ou moral, se é infusa ou adquirida, indispensável ou opcional. Como mulher prática que era, quis oferecer às suas filhas uma definição que pudessem compreender facilmente. Assim, saiu de sua pena uma belíssima e original definição que vamos estudar atentamente, porque estamos convencidos de que se - como alguns sustentam - o Carmelo está atravessando um período de crise na oração, isto talvez se deva a que não se estudou e meditou com atenção suficiente a definição dada por sua Madre Fundadora.
Para compreendê-la plenamente, poderemos recorrer à técnica da ciência, ou seja: examinar seu contexto, analisar cuidadosamente a definição, anotar os paralelismos e, sobretudo, estudar a analogia da amizade proposta pela Madre. De fato, todo nosso conhecimento nos vem da analogia, porque pouca coisa poderíamos compreender sem comparações com o que já conhecemos ou com aquilo de que já temos experiência pessoal.
Eis aqui, pois, a definição da oração mental nas próprias palavras de sua Autora: “A meu ver, a oração não é outra coisa senão tratar intimamente com aquele que sabemos que nos ama, e estar muitas vezes conversando a sós com ele.” (V 8, 5).
Como se pode perceber de imediato, a palavra chave desta belíssima definição é o verbo “tratar”, repetido duas vezes: tratar de amizade (ativo) e tratar a sós, conversando - usado aqui no gerúndio para indicar uma ação em curso, progressiva. Mas este verbo “tratar” - como tantos outros - pode ser usado em contextos diferentes, com significados e matizes diversos conforme o uso. Portanto, o exato significado na definição da Madre dependerá do contexto e de tantas outras particularidades.
De fato, se consultarmos o “Dicionário da Real Academia Espanhola” (DRAE), encontramos que o verbo “tratar” tem pelo menos dez acepções diferentes ou complementares. Deixando de lado duas acepções do verbo “tratar” que não nos interessam aqui (significado comercial: tratar de mercadorias, casas ou cavalos, etc, e o significado moral de mau entendimento com alguma pessoa, moralmente censurável, etc), restam-nos oito significados muito úteis para compreender melhor a definição teresiana, a saber:
- falar com outro: se duas pessoas não se falam, dizemos que não se tratam”;
- comunicar-se com outro, o que implica abertura e confiança em relação a outra pessoa, e não somente uma troca de palavras;
- ocupar-se com alguma coisa, como estudos, oração, etc;
- consultar alguém, pedir-lhe conselhos, tratar com o professor, o confessor, etc;
- ter relações amorosas, o que supõe um maior grau de intimidade, tratar-se entre si os noivos, esposos, etc.;
- ter interesse ou empenho em contentar outra pessoa, tratar de ou empenhar-se em contentar ao outro ou agradar-lhe;
- entreter-se ou divertir-se com outra pessoa, tratar-se alegremente duas pessoas;
- conversar freqüentemente com outra pessoa, tratar-se muito em freqüentes conversações.
Tendo em conta todas estas diversas acepções do verbo “tratar”, tentemos agora precisar, se possível, o significado concreto na definição teresiana.

Santa Teresinha do Menino Jesus e a Santíssima Virgem Maria, um Relacionamento Filial


Autor: Frei Luis Filipe, ocd

Nas "últimas palavras" no "Caderno amarelo" da madre Inês de Jesus, descobrimos nos ditos de Teresa no dia 31 de Agosto, durante o período de "matinas" (meia-noite) este estranho dito à sua irmã de sangue e da vida religiosa, a madre Inês de Jesus: "Quem poderia ter inventado a Santa Virgem?". Para um leitor desavisado esta exclamação fora de contexto poderia, até, abalar a sua fé, mas, para o mais atento poderia descobrir que Teresa se encontrava naquilo que é chamado na vida espiritual de "a noite escura do espírito" e que mostra como Deus purifica aqueles que mais ama, purificando-os, sobretudo, nas três grandes potências que Ele nos deu: a Fé, a Esperança e a Caridade. Aqui, vemos que Teresa está sendo purificada em sua Fé pela mão amorosa de Deus.
Notamos, contudo, que desde a infância de Teresa sempre houve um apego incondicional à Mãe de Deus e nossa. Vejamos, por exemplo, no poema, escrito por ela "Porque te amo, ó Maria" na estrofe 2;
"Para que um filho possa amar sua mãe,
Que ela chore com ele e partilhe suas dores ...
Pois tu, querida Mãe, nestas plagas de exílio,
Quanto pranto verteste a fim de conquistar-me! ...
Ao meditar tua vida escrita no Evangelho,
Ouso te contemplar e me acercar de ti;
Nada me custa crer que sou um de teus filhos,
Pois te vejo mortal e, como eu, sofredora".

Notamos, assim, já esta aproximação que se afirma desde a declaração em que ela , em sua infância, estando possuída por uma doença estranha (de cunho nervoso-psicológico) é curada pela "Virgem do sorriso": "Não encontrando socorro nenhum na terra a pobre Teresa apelou para a sua Mãe do Céu. Pedia-lhe de todo o coração que se compadecesse dela ... de repente a Santíssima Virgem pareceu-me bonita, tão bonita, que nunca vira algo semelhante, seu rosto exalava uma bondade e uma ternura inefáveis, mas o que calou fundo em minha alma foi o "sorriso encantador da Santíssima Virgem". Todas as minhas penas se foram naquele momento, sim, a "florzinha" ia renascer para a vida, o raio luminoso que a aquecera não ia parar com seus favores, não faz tudo de uma vez só, mas suavemente, docemente, levantou sua flor e a fortificou de tal forma que cinco anos mais tarde, desabrochava no Monte fértil do Carmelo"(História de uma alma, manuscrito (A). Ainda durante este tempo da infância notamos Teresa estudando na abadia das beneditinas e aí se tornar "filha de Maria", isto é, pertencendo à "Legião de Maria" e , como era seu costume, ser bastante fiel ao que prometia.
Outra coisa que nos interessa aqui é a sua devoção substanciosa e esclarecida em relação à Mãe de Deus. Vejamos, então, num outro famoso exemplo: "...Pelo contrário, gosto muito das orações em comum, pois Jesus prometeu ficar no meio dos que se reúnem em nome Dele. Sinto, então, que o fervor das minhas irmãs supre o meu; sozinha(tenho vergonha de confessá-lo), a recitação do terço, custa-me mais do que usar um instrumento de penitência... sinto que o recito mal; mesmo fazendo esforço para meditar sobre os mistérios do rosário, não consigo fixar a minha mente... ...Durante muito tempo , lastimei essa falta de devoção que me intrigava, pois amo tanto Nossa Senhora que deveria ser-me fácil recitar em honra dela orações que lhe agradam. Agora , lastimo menos, penso que por ser minha Mãe, a Rainha dos Céus deve perceber a minha boa vontade e se agradar com ela ..."(História de uma alma, Manuscrito C).
Desta maneira, vemos que Teresa não corre atrás de quaisquer tipos de devoções, mas que a sua devoção é centrada sobre a Palavra de Deus e, portanto é assim que ela gostaria que a Virgem Santíssima fosse apresentada a todos, isso descobrimos, também num dos ditos feitos à madre Inês de Jesus:"...Como gostaria de ser padre para pregar sobre a Santa Virgem uma única vez teria sido suficiente para dizer tudo o que penso sobre o assunto ... para que um sermão sobre a Santa Virgem me agrade e me faça bem, preciso ver a sua vida real e não sua suposta vida, e estou certa de que a sua vida real devia ser absolutamente simples. Ela é mostrada inatingível, seria preciso mostrá-la imitável, ressaltar as suas virtudes, dizer que vivia de Fé, como nós, dar provas disso por meio do Evangelho, onde lemos:"Eles não compreendiam o que lhes dissera" ... sabe-se perfeitamente que a Santa Virgem é a Rainha do Céu e da terra, mas ela é mais Mãe do que Rainha... ("ultimas palavras" caderno amarelo dito de 21 de agosto). Notamos de forma bastante forte o sentido de filiação que existe em Teresa do Menino Jesus e Maria o que pode ficar comprovado pelo último bilhete que ela escreveu pouco antes de falecer de tuberculose e que reza assim "Se eu fosse a rainha do Céu".
”Ó Maria, se eu fosse a rainha do Céu e vós fósseis Teresa, eu gostaria de ser
Teresa para que fosseis a Rainha do Céu!...8 de Setembro de 1897".

Desta forma nos deparamos com o profundo e filial amor de Teresa para com a Virgem Santíssima e também nos mostra o quanto esse mesmo amor nos pode aproximar de Jesus, da Santíssima Trindade e... consequentemente dos irmãos.
Só devemos, pois, agradecer a santa Teresinha do Menino Jesus que com seu exemplo nos leva a Maria e, esta a Jesus. Ela a "onipotência suplicante".

Discernimento Vocacional Carmelitano OCDS

ORDEM DOS CARMELITAS DESCALÇOS SECULARES
PERFIL DE UM CARMELITA SECULAR

Elementos para o discernimento da vocação à Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares

Pe. Aloysius Deeney, OCD
Delegado Geral

O ponto de partida para esta colocação é responder à pergunta: Quais são os princípios que se usa para discernir a vocação à Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares? Quem é chamado a ser um Carmelita Secular e, como você distingue entre os que são chamados e os que não são chamados?
Entre os frades e as monjas, as pessoas não saem por serem más pessoas. As pessoas não são mandadas embora do mosteiro (ou do convento) por serem moralmente inaceitáveis. Ser membro da Ordem é uma vocação, e uma vocação que precisa, para o bem de todos, ser claramente identificada. De outro modo, a Ordem – sejam os frades, ou as monjas, ou os seculares – se se desvia de seu caminho, confunde sua identidade.
Eu descreveria um membro da Ordem Secular de Nossa Senhora do Monte Carmelo e Santa Teresa de Jesus como um membro praticante da Igreja Católica que, sob a proteção de Nossa Senhora do Monte Carmelo e inspirado por Santa Teresa de Jesus e por São João da Cruz, se compromete com a Ordem a buscar o rosto de Deus, para o bem da Igreja e do mundo.
Em tal descrição se distinguem seis elementos que, conjuntamente, são elementos que movem as pessoas a se aproximarem da Ordem e a buscar uma identificação com ela de uma maneira mais formal.
Membro praticante da Igreja Católica. Isto significa católico romano, não em referência ao rito latino, porém em referência à unidade sob a liderança do Bispo de Roma, o Papa. A maioria dos católicos romanos pertence ao rito latino; entretanto, há outros ritos dentro da Igreja Católica Romana: maronita, malabar, melquita, ucraniano, etc.. Há comunidades da Ordem Secular em cada um destes ritos: a comunidade OCDS do Líbano pertence ao rito maronita.
A palavra praticante diz alguma coisa sobre a pessoa que pode ser membro da Ordem Secular. Como critério básico para identificar um praticante da fé católica sugiro determinar sua capacidade de participar plenamente na Eucaristia, com uma consciência limpa. A eucaristia é o cume da identidade e da vida católicas; é o ponto de encontro entre o céu e a terra. Assim, se alguém é livre para participar do cume, então os pontos menores são certamente permitidos.
Na maioria dos casos, no passado, isto era de fácil determinação. As pessoas que vinham à Ordem Secular procediam de paróquias onde os frades estavam presentes, ou tinham contatos com frades ou monjas que os recomendavam para a Ordem Secular. O divórcio não era um problema significativo na vida católica; a maioria das situações era transparente. Hoje em dia não é assim. As coisas não são sempre claras, e é precisamente aqui que o Assistente Espiritual pode ser de maior ajuda para o Conselho de uma comunidade da Ordem Secular, ajudando a fazer uma seleção dos candidatos.
Darei um exemplo. Uma mulher se aproxima de uma comunidade de Ordem Secular. Ela é conhecida de alguns do Conselho, e eles sabem que ela está em seu segundo casamento. Eles também sabem que ela vai regularmente à missa e participa dos sacramentos. O Conselho gostaria de ter mais esclarecimentos antes de admitir essa pessoa na formação.
Há poucas possibilidades neste caso. A primeira é que a Igreja tenha declarado nulo seu primeiro casamento. Outra possibilidade é que, por acordo com seu confessor, ela e seu marido vivam de tal modo que participem dos sacramentos da Igreja. Uma entrevista com o Assistente Espiritual esclareceria as respostas, sem necessidade de maiores explicações. Respeitando o direito à privacidade e a um bom nome de que todo membro da Igreja desfruta, ele daria uma palavra ao Conselho que permitiria a essa pessoa entrar para a Ordem Secular.
A Ordem Secular é, juridicamente, parte da Ordem dos Carmelitas Descalços. É uma instituição da Igreja Católica Romana e está sujeita às leis da Igreja. A Sagrada Congregação deve aprovar sua legislação própria. Então, alguém que não pertence à Igreja Católica não pode ser membro da Ordem Secular. As pessoas não-católicas interessadas na espiritualidade do Carmelo são certamente bem vindas para participar de qualquer maneira que a comunidade os convidar, mas não podem ser membros da Ordem Secular.
Aqui nós temos o primeiro elemento de identidade de um membro da Ordem Secular: uma pessoa que participa da vida da Igreja Católica. Há, certamente, mais, porque existem milhões de pessoas que participam da vida da Igreja Católica que não têm o menor interesse no Carmelo.
Chegamos ao segundo elemento: sob a proteção de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Não é qualquer devoção a Nossa Senhora que identifica a uma pessoa chamada à Ordem Secular. Há muitos cristãos que são muito devotos de Nossa Senhora e têm um caráter mariano altamente desenvolvido em sua vida cristã. Existem muitos cristãos ortodoxos, assim como anglicanos, que são verdadeiramente marianos. Há muitos católicos que usam o escapulário por razões válidas e com sincera dedicação a Maria, que não são chamados a serem Carmelitas Seculares. Não é só isso, mas há algumas pessoas que vêm à Ordem Secular precisamente por sua devoção a Maria, ao escapulário e ao rosário, que não têm vocação para a Ordem Secular.
O aspecto específico da Bem-Aventurada Virgem Maria que deve estar presente em qualquer pessoa chamada ao Carmelo é a inclinação a meditar em seu coração, frase que o evangelho de São Lucas usa duas vezes para descrever a atitude de Maria frente a seu Filho. Sim, todos os demais aspectos da vida e devoção marianas podem estar presentes – a devoção ao escapulário, o terço e outros. Eles são, todavia, secundários àquele aspecto da devoção mariana. Maria é nosso modelo de oração e meditação. O interesse em aprender a meditar ou a inclinação à meditação é uma característica fundamental de qualquer OCDS. Talvez seja a mais fundamental.
Uma experiência freqüente em muitos grupos é a de ter pessoas que se aproximam da Ordem Secular para se tornarem membros – às vezes um sacerdote diocesano que é muito devoto de Maria, ou alguém que já tenha feito muitas peregrinações a santuários marianos em todo o mundo, ou uma pessoa que está muito familiarizada com muitas das aparições e mensagens atribuídas a Maria – verdadeira autoridade em movimentos marianos da atualidade. Muitas vezes essas pessoas não têm a menor inclinação para meditar em seu coração. Desejam tornar-se rapidamente “professores” da comunidade sobre a Bem-Aventurada Mãe e introduzem uma corrente mariana não-carmelitana na comunidade. Se essa pessoa é um sacerdote, é muito difícil para a comunidade proteger-se desse desvio em sua vida mariana. Há outros grupos marianos e movimentos que podem ser lugar para essa pessoa, porém não a Ordem Secular.
Além disso, na família Teresiano-Carmelitana há um lugar para aqueles cuja motivação primária é a devoção ao escapulário e a Nossa Senhora do Carmo. É a Confraria (ou Irmandade) do Escapulário ou a Confraria (ou Irmandade) de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
Maria, para os membros da Ordem Secular, é o modelo de atitude meditativa e de disponibilidade. Ela atrai e inspira o Carmelita a um modo contemplativo de entender a vida do corpo místico de seu Filho, a Igreja. É ela quem atrai a pessoa ao Carmelo. E no programa de formação, que a pessoa conhece quando entra no Carmelo, este é o aspecto que deve ser desenvolvido na pessoa. Então, digo que este é o segundo elemento: sob a proteção de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
O membro da Ordem Secular de Nossa Senhora do Monte Carmelo e de Santa Teresa de Jesus é um praticante de qualquer dos ritos da Igreja Católica Romana que, sob da proteção de Nossa Senhora do Monte Carmelo e inspirada por Santa Teresa de Jesus e por São João da Cruz... Aqui nós temos o terceiro elemento. Mencionei ambos, Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, e devo dizer, logo no início desta seção, que também posso incluir Santa Teresinha do Menino Jesus ou a Beata Elisabeth da Trindade ou Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), mas Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz são centrais para este ponto.
Tendo mencionado todos estes grandes personagens da tradição carmelitana, sublinho a importância de santa Teresa de Jesus, a quem, em nossa tradição, nos referimos como Nossa Santa Madre. A razão é porque a ela foi dado o carisma. Em muitas partes do mundo somos chamados Carmelitas Teresianos. São João da Cruz foi o colaborador original de Nossa Santa Madre tanto no aspecto espiritual quanto no aspecto jurídico da re-fundação do Carmelo neste novo caminho carismático; por isso é chamado Nosso Santo Padre. Para mim, é difícil imaginar um Carmelita Descalço, de qualquer ramo, que não seja atraído por um, que não o seja por ambos: suas histórias, suas personalidades e, o mais importante, seus escritos.
Os escritos de Santa Teresa de Jesus são a expressão do carisma dos Carmelitas Descalços. A espiritualidade dos Carmelitas Descalços tem um fundamento intelectual muito bem cimentado. Há uma doutrina envolvida aqui. Doutrina vem de docere, palavra latina que significa ensinar. Qualquer pessoa que queira ser Carmelita Descalça deve ser uma pessoa interessada em aprender dos Mestres do Carmelo. Há três carmelitas Doutores da Igreja Universal: Teresa, João e Teresinha.
Uma pessoa vem à comunidade. É uma pessoa com um grande amor pela Bem-Aventurada Mãe e quer vestir o escapulário em honra de Maria como um sinal de dedicação a seu serviço. Esta pessoa é muito orante, porém não tem interesse em ler ou estudar a espiritualidade do Carmelo Teresiano. Esta pessoa tenta ler um dos doutores Carmelitas, porém simplesmente não tem interesse em continuar lendo. Para mim, é uma boa pessoa, que pode pertencer à Irmandade do Escapulário, mas definitivamente não tem vocação para a Ordem Secular do Carmelo.
Este é um aspecto acadêmico da formação de um Carmelita Teresiano. Há uma base intelectual na espiritualidade e na identidade de quem é vocacionado para a Ordem. E, como acontece com cada frei e cada monja, cada Secular representa a Ordem. Um Carmelita que não tem interesse em estudar ou aprofundar as raízes de sua identidade por meio da oração e estudo perde sua identidade e não pode mais representar a Ordem. Também não fala pela Ordem. Muitas vezes, quando ouvimos um Carmelita falar, torna-se óbvio, enquanto escutamos o que é dito, que ele não foi além do que aprendeu na formação, anos atrás.
Esta base intelectual é o princípio de uma atitude de abertura ao estudo. Ela leva a um interesse mais profundo na Escritura, teologia e documentos da Igreja. A tradição da leitura espiritual, a lectio divina e tempo para estudar são a coluna vertebral da vida espiritual. Boa formação depende de boa informação. Quando a informação é ruim, ou ausente, ou incorreta, a formação é interrompida ou atrasada, tendo como resultado confusão para o Secular. Se esse Secular, por algum acaso, torna-se de algum modo representante de uma comunidade OCDS, a comunidade sofre. Isto acontece com os freis, com as monjas e também acontece com os Seculares.
Esta base acadêmica ou intelectual é muito importante e está, infelizmente, ausente em muitos grupos da Ordem Secular. Não é uma questão de “ser intelectual” para ser Secular. É uma questão de ser inteligente na busca da verdade sobre Deus, sobre si mesmo, sobre a oração, sobre a Ordem e sobre a Igreja. A obediência, desde longa data, tem sido associada com o intelecto e a virtude da fé. Obediência significa abertura para ouvir (ob + audire, em latim). É uma atitude radical da pessoa, para ir além do daquilo que ela já sabe. Educação também vem do latim (ex e ducere = levar para fora de). Santa Teresa descreve a pessoa da terceira morada como quase presa e incapaz de se mover. Uma das características desta pessoa, permanentemente na terceira morada, é que ela quer ensinar todo mundo: ela sabe tudo. Na realidade, ela é desobediente e não pode ser educada. Isto é, ela está fechada e incapaz de aprender.
O quarto elemento da descrição é: quem faz o compromisso com a Ordem. Há muitos católicos comprometidos, que são devotos de Maria e até mesmo experts em Santa Teresa, São João ou em um de nossos santos e não têm vocação para Ordem Secular. Estas pessoas podem ser contemplativas ou quase ermitãs, gastando horas na oração e no estudo cada dia, mas não têm vocação para serem Carmelitas. Qual é o elemento que distingue estas pessoas daquelas chamadas a seguir Jesus Cristo mais de perto como Carmelitas Seculares?
Não é a espiritualidade, nem o estudo, nem a devoção a Maria. Expondo de maneira simples, o Carmelita Secular é movido a comprometer-se com a Ordem e com a Igreja. Este compromisso, na forma das Promessas, é um acontecimento eclesial e um acontecimento da Ordem, além de ser um acontecimento na vida da pessoa que faz as Promessas. Em certo sentido, tendo sempre em mente os contextos particulares de família, trabalho e responsabilidades que estão presentes em sua vida, a pessoa que faz o compromisso passa a ser caracterizada como Carmelita.
Como disse, é um acontecimento eclesial e um evento da Ordem. É por essa razão que a Igreja e a Ordem têm uma palavra essencial, em união com o candidato, na aceitação e aprovação do compromisso da pessoa. É também por essa razão que a Igreja e a Ordem dão as condições e estabelecem os termos contidos nas Promessas. É possível que uma pessoa queira comprometer-se a certas coisas, meditação diária e o ofício divino, por exemplo. Porém a Igreja, por meio da Ordem, estabelece as linhas básicas e gerais para entender esta compromisso.
O Secular pertence ao Carmelo. O Carmelo não pertence ao Secular. O que quero dizer com isso é que há uma nova identidade, desenvolvida a partir da identidade batismal, que se torna, necessariamente, ponto de referência. Assim como a Igreja é ponto de referência para a pessoa batizada (a pessoa batizada pertence à Igreja), o Carmelo passa a ser ponto de referência para o Secular. Quanto mais “católico” alguém se torna, mais reconhece a universalidade da Igreja. Da mesma forma, quanto mais “Carmelita” alguém se torna, mais reconhece a universalidade do Carmelo. De fato, a pessoa que se compromete com o Carmelo na Ordem Secular descobre que o Carmelo se torna essencial à sua identidade como católico.
É porque as Promessas são o meio pelo qual alguém se torna membro da Ordem Secular que a formação para as Promessas é tão importante – formação e formação permanente.
Um aspecto importante deste compromisso é o compromisso com a comunidade. Uma pessoa que deseja ser membro da Ordem Secular deve ser capaz de formar comunidade, de ser parte de um grupo que está dedicado a uma meta comum, mostrar seu interesse pelos outros membros, ser capaz de apoiar outros na busca de uma vida de oração e ser capaz de receber o apoio de outros. Isto se aplica mesmo àqueles que, por várias razões, não podem participar ativamente de uma comunidade. Na formação com vistas ao futuro da comunidade, esta característica social é uma das que devem ser desenvolvidas. Há pessoas que são introvertidas e quietas, mas são muito sociáveis e capazes de formar comunidade. E há pessoas que são muito extrovertidas e ao mesmo tempo incapazes de formar comunidade. Nesta questão é necessário usar o bom senso. Responda à seguinte questão: daqui a dez anos, com a ajuda desta pessoa, o que a comunidade será?
Há também a questão de pessoas que pertencem a outros movimentos: Catecumenato, Focolares, Movimento Mariano de Sacerdotes, Renovação Carismática, por exemplo. Se o envolvimento da pessoa não interfere com seu compromisso com o Carmelo e se a pessoa não introduz na comunidade elementos incompatíveis com a espiritualidade OCDS, então, em geral, não há problema. Quando a pessoa desvia a comunidade de seu propósito e estilo de vida espiritual que os problemas começam. Algumas vezes há pessoas tão confusas que elas vêm ao Carmelo e falam sobre Nossa Senhora de Medjugorie. E vão a um encontro de Medjugorie e falam sobre oração teresiana.
O ponto mais importante é: a pessoa deve escolher a Ordem Secular. Este compromisso deve ser mais importante do que outros movimentos ou grupos.
Este compromisso com a Igreja mediante o Carmelo tem tanto um conteúdo, quanto um propósito. Eles estão expressos nos dois últimos elementos de minha descrição de quem é um Carmelita Secular.
O quinto elemento é buscar o rosto de Deus. Este elemento expressa o conteúdo das Promessas. Eu poderia reformular este elemento de várias formas: rezar, meditar, viver a vida espiritual. Escolhi este porque é bíblico e expressa a natureza da contemplação: observar maravilhado a palavra e a obra de Deus para conhecê-lo, amá-lo e servi-lo. O aspecto contemplativo da vida carmelitana deve concentrar-se em Deus, reconhecendo sempre que a contemplação é dom de Deus, não uma aquisição resultante do dedicar bastante tempo a essa tarefa. Este é o compromisso com a santidade pessoal. O Carmelita Secular deseja ver Deus, deseja conhecer Deus e reconhece que a oração e a meditação adquirem grande importância. As Promessas são um compromisso com um novo modo de vida, no qual a fidelidade a Jesus Cristo marca a pessoa e a maneira como ela vive.
A vida pessoal do Carmelita Secular se torna contemplativa. O estilo de vida muda com o crescimento nas virtudes que acompanha o crescimento no espírito. É impossível viver uma vida de oração, meditação e estudo sem mudanças. Este novo estilo de vida melhora todo o resto da vida. A maioria dos membros da Ordem Secular que são casados, e aqueles com famílias, experimentam que o compromisso com a vida carmelitana na OCDS enriquece seu compromisso matrimonial e familiar. Homens e mulheres Carmelitas Descalços Seculares que trabalham experimentam um novo compromisso moral pela justiça no lugar de trabalho. Os que são solteiros, viúvos ou separados encontram neste compromisso com a santidade uma fonte de graça e força para viver suas vidas com dedicação e propósito. Isto é o resultado direto de buscar o rosto de Deus.
A oração é a essência do Carmelo? Muitas vezes ouvi ou li esta afirmação. Nunca tenho muita certeza de como respondê-la. Não porque não saiba o que é a oração ou porque a oração não seja de grande importância para qualquer Carmelita, mas porque nunca sei o que o orador ou escritor quer justificar com seu enunciado. Se para a pessoa oração quer dizer santidade pessoal e a busca de uma espiritualidade genuína que reconhece a supremacia de Deus e da vontade divina para a família humana, então sim, eu concordo. Se a pessoa quer dizer que eu, como Carmelita, realizo minha inteira obrigação de Carmelita sendo fiel à minha oração e que não há nada mais que eu precise fazer, então não, não estamos de acordo. Santidade pessoal não é o mesmo que busca pessoal de santidade. Para um membro batizado da Igreja a santidade é sempre eclesial, nunca egoísta ou apenas para satisfação própria. Nunca sou juiz de minha própria santidade (Nemo judex in causo suo).
Sou santificado pela prática das virtudes. Isto é resultado direto de uma vida de busca orante de Deus em minha vida. Este é o segredo Carmelita: a oração não nos torna santos. A oração é um elemento essencial na santidade cristã (carmelitana) porque é o contato freqüente e necessário para permanecer fiel a Deus. Este contato permite a Deus fazer sua vontade em minha vida, a qual então anuncia ao mundo todo a presença de Deus e sua bondade. Sem o contato da oração não posso conhecer a Deus, e Deus não pode ser conhecido por outros.
Buscar o rosto de Deus requer um inacreditável quantidade de disciplina no sentido clássico e original da palavra (discípulo – alguém que aprende). Devo reconhecer que sou para sempre um estudante. Nunca me torno um mestre. Sou sempre surpreendido com a ação de Deus no mundo. Deus é, para sempre, mistério. As pistas da existência de Deus sempre me interessam; eu as encontro em todos os momentos da vida, como solteiro, viúvo, casado, na família, no trabalho e na solidão. Porém, elas só se tornam reconhecíveis e claras por meio da oração, observando a partir do coração. O chamado à santidade é um desejo ardente no coração e mente daquele que é chamado à Ordem Secular. É um compromisso que o Secular deve assumir. O Secular é atraído pela oração, achando na oração um lar e uma identidade.
Esta oração, esta busca de santidade, este encontro com o Senhor tornam o Secular mais consciente do seu ser parte da Igreja. E, como membro mais comprometido com a Igreja, a vida do Secular é mais eclesial. À medida que a vida de oração cresce, ela produz mais frutos na vida pessoal (crescimento da virtude) e na vida eclesial (apostolado) do indivíduo.
Isto me leva ao sexto elemento da descrição: para o bem da Igreja e do mundo. Esta é a novidade no entendimento do lugar do Secular na Ordem e na Igreja. É o resultado do desenvolvimento da teologia da Igreja sobre o papel dos leigos na Igreja, e da aplicação dessa teologia à Ordem. Começando com o documento do Concílio Vaticano II Apostolicam Actuositatem – Sobre o Apostolado dos Leigos e seus frutos, os Sínodos sobre os Leigos, em 1986, e sobre a Vida Consagrada, em 1996 (Christifidelis Laici e Vita Consecrata), a Igreja tem sublinhado constantemente a necessidade de um mais aprofundado compromisso dos leigos para com suas necessidades e as necessidades do mundo. Santa Teresa tinha a convicção de que a única prova da oração era o crescimento nas virtudes, e que o fruto da vida de oração era o nascimento de boas obras.
Às vezes ouço um Secular dizer: o único apostolado do Secular é a oração. A palavra que torna esta afirmativa falsa é “único”. Uma atitude orante e obediente aos documentos da Igreja nos faz ver claramente que o papel do leigo na Igreja mudou. A Regra de Vida fala sobre a necessidade de cada Secular ter um apostolado individual. A Christifidelis laici ressalta a importância do apostolado de grupo das associações na Igreja, e a OCDS é uma associação na Igreja. Muitos Seculares, quando ouvem mencionar o apostolado de grupo, pensam que estou falando sobre a comunidade inteira estar envolvida em algo que toma horas e horas de cada dia. Não é isto, em absoluto, o que “apostolado de grupo” quer dizer. O parágrafo 30 da Christifidelis laici dá os princípios básicos de eclesialidade para as associações e faz uma lista dos frutos desses princípios. O primeiro fruto da lista é um desejo renovado pela oração, meditação, contemplação e vida sacramental. Estas estão “bem dentro do caminho do Carmelo”. Quantas pessoas precisam saber o que nossos carmelitas Doutores da Igreja têm a dizer! Se cada carmelita se dedicasse a propagar a mensagem do Carmelo, quantas pessoas evitariam confusão em sua vida espiritual! Entre em uma grande livraria e você verá quanta bobagem está classificada na seção “Misticismo”.
Cada comunidade tem que responder, como comunidade, a esta pergunta: Que podemos fazer para compartilhar com outros o que temos recebido por pertencer ao Carmelo?
Nós, como Carmelitas, podemos ajudar a esclarecer essa bagunça tornando conhecido o que sabemos. Isto não é uma opção. É uma responsabilidade. Ser Carmelita não é um privilégio. É uma responsabilidade, tanto pessoal quanto eclesial.
Como disse no começo, não é só um elemento que ajuda no discernimento da pessoa que tem a vocação para a Carmelo como Secular. É a combinação de todos estes elementos que faz a diferença!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

A MISSÃO DO CARMELITA SECULAR


Garimpeiro do Verbo,
o leigo carmelita
anuncia o Evangelho
com a sua própria vida

Apóstolo de Cristo,
das sementes, o plantador
jardineiro missionário,
do pomar, o regador

Afinal, quem somos nós?
Somos cartas de amor
enviadas por Deus
para o mundo de dor

Luciano Dídimo
_______________________________
Inspirado no tema e lema do XXIV Congresso Provincial OCDS – 2007: A ESPIRITUALIDADE DO DISCIPULADO DE CRISTO – REFLEXÃO PARA UMA NOVA ATITUDE MISSIONÁRIA DO APOSTOLADO CARMELITANO – “De discípulos a apóstolos de Cristo anunciadores do evangelho da vida”

ORDEM DOS CARMELITAS DESCALÇOS SECULARES – OCDS



Uma vez que os Carmelitas Descalços foram declarados como Ordem independente dos Calçados, tiveram que começar, em muitas ocasiões e lugares, a construir novos conventos que geralmente se levantaram em lugares onde já os tinham levantado os Calçados, os quais desde épocas anteriores vinham atendendo à então chamada Ordem Terceira. Os Descalços, com o propósito de evitar diferenças e confusões, não erigiam a Ordem Terceira em lugares onde já a tivessem erigido os Calçados, porque também o Direito Canônico (C 711) proibia erigir no mesmo lugar dos confrades de mesmo nome e parece que este mesmo critério se aplicava às Ordens Terceiras.
Em 1708, na França, se encontrou um livro da V.O.T. do Carmelo Descalço que, se não é o primeiro que se escreveu, é o primeiro que utiliza o título de Santa Teresa para distingui-la dos Carmelitas Calçados. Sua origem deve ser italiana, porque na Espanha não houve Ordem Terceira alguma dos Carmelitas Descalços, senão até o ano de 1775.
A primeira fundação da Ordem Terceira dos Carmelitas Descalços que se comprova com documentos, é a da Fraternidade “São João Evangelista”, estabelecida na Igreja do Carmo da cidade de Toluca , no México. O Padre Geral, Frei Pablo de La Concepción , com o consentimento do Definitório, autorizou o estabelecimento da Ordem Terceira dos Carmelitas Descalços em Toluca, em 02 de março de 1731 (segundo o livro da fundação). Poucos anos mais tarde, em 02 de junho de 1737, se estabeleceu solenemente a fraternidade. A Congregação da Espanha a autorizou em atenção ao fato de que não havia Carmelitas Calçados em Toluca. Estas são as razões pelas quais se considera esta fraternidade a primeira da Ordem Terceira dos Carmelitas Descalços, canonicamente erigida.

Natureza da Ordem
A Ordem Carmelita Secular da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (historicamente conhecida como Ordem Terceira) é uma associação principalmente de pessoas leigas. Seus membros, respondendo a um chamado especial de Deus, se comprometem livremente e deliberadamente a viver no seguimento de Jesus Cristo, de acordo com as tradições e o espírito do Carmelo Teresiano.
A espiritualidade carmelitana acentua a pureza de coração e o esvaziamento do ego, de tal forma, que Deus possa ser nosso tudo. O Carmelita Secular é chamado a buscar a Deus, nas circunstâncias normais da vida cotidiana, levando amor, flor brotada das raízes do Carmelo, a todos, como os quais convive, ou trabalha.
Os membros da Ordem Secular dos Carmelitas Descalços pertencem plenamente à família carmelitana, são filhos da mesma Ordem, na comunhão fraterna dos mesmos bens espirituais e na participação da mesma vocação de santidade e da mesma missão da Igreja, que é de viver a mensagem do Evangelho e levar Jesus Cristo a outras pessoas.
Um padre diocesano pode ser admitido na Ordem Carmelita Descalça Secular, adaptando seu estado de vida, com a espiritualidade carmelitana.
O membro da Ordem Carmelita Secular será chamado de: “Carmelita Secular”.
A comunidade formada pelos seus membros chamar-se-á, por exemplo: “Comunidade Santa Teresa de Jesus”, ou “Comunidade Rainha do Carmelo”, etc.

Propósito da Ordem
A proposta da Ordem Secular dos Carmelitas Descalços é oferecer ao leigo um ambiente em fraternidade, onde se viva o Evangelho e a espiritualidade carmelitana de buscar o Senhor em oração contemplativa, numa comunhão de fé, esperança e amor; e num espírito de serviço para Deus e à humanidade.
A família carmelitana é inspirada nas vidas da Bem-Aventurada Virgem Maria e do profeta Santo Elias. Maria é nossa Rainha, Mãe e Irmã. Uma comprovação da influência de Maria em nossas vidas é determinada pela declaração “Carmelus totus marianus est” (o Carmelo é eminentemente Mariano). Nela, nós achamos o modelo de tudo aquilo que desejamos e esperamos ser.
Elias é o profeta do Monte Carmelo e nosso pai na fé. Com um desejo ardente voltado para o Deus vivo e verdadeiro, ele passou a vida inteira a testemunhar a presença de Iahweh no mundo.
Este modo de viver o Evangelho deve ser buscado pelo Carmelita Secular, numa vida de oração contemplativa e numa comunhão permanente com os irmãos. Em resumo, vivendo verdadeiramente o amor. Este amor foi alegremente declarado por Santa Teresinha do Menino Jesus, quando descobriu sua vocação, exclamando: “ó Jesus, meu amor... minha vocação, afinal eu a encontrei... minha vocação é o amor !”.

O Chamado à Oração
O desafio do Carmelita Secular é buscar a presença de Deus na oração, mesmo tendo uma vida ativa e ocupada no meio do mundo. Esta era a situação enfrentada pelos primeiros eremitas Carmelitas que migraram para a Europa. Estes homens viviam uma vida de oração na solidão e foram chamados para ser envolvidos em um ministério ativo. Oração e serviço são os companheiros mútuos de acordo com nossas tradições. A oração desenvolve de forma concreta uma fé que alcança generosamente os que estão ao nosso redor, enquanto este envolvimento com os outros gera frutos de amadurecimento e crescimento na oração. É uma tentativa de viver esta vida de oração no mundo agitado de hoje. Esta é a forma como a Igreja tem agido durante séculos.
Os Sacramentos da Igreja devem estar no centro do coração de um Carmelita Secular.
A Liturgia das Horas santifica o nosso dia e nos une à oração da Igreja. O leigo Carmelita deve ser fiel à oração litúrgica e às devoções marianas, especialmente o terço diário. Se possível, a Missa diária, como forma mais perfeita de crescimento espiritual.
Nos momentos livres de nossa vida diária, somos chamados pela Regra Carmelita a ler e escutar a Palavra de Deus, no intuito de edificar e trazer quietude ao nosso coração. Esta quietude e reflexão da Sagrada Escritura nos conduzem a uma oração contemplativa, aos moldes de Maria, nossa Mãe, que “guardava todas estas coisas e refletia em seu coração (Lc 2,19)”.
Através destes esforços, as Comunidades de Carmelitas Seculares tornar-se-ão modelos de comunidades orantes, dentro da Igreja.

Um Chamado para a Comunidade
A Ordem Carmelita oferece aos membros da Ordem Secular os meios necessários à vivência do Evangelho e a fidelidade aos compromissos assumidos no Batismo. Este chamado para a comunidade é evidenciado profundamente na Regra de Vida do Carmelo, escrita por Santo Alberto de Jerusalém, capítulos 7 a 11, que determina que os carmelitas vivam em comunidade, celebrem juntos a Eucaristia, freqüentemente se encontrem para encorajar um ao outro, tenham sempre um espírito de pobre e encontrem na oração contemplativa o caminho de um encontro profundo com o Senhor. Os membros da Ordem Secular devem dar testemunho de cristãos, sendo “um só coração e uma só mente, vivendo em comum, na partilha do pão e da oração (Atos 2, 42-47; 4, 32)”.
Este relacionamento mútuo de amor, no entanto, difícil de alcançar, fortalece os corações dos membros, num espírito de cooperação amorosa e ativa, para estabelecer o Reino de Deus, em um mundo freqüentemente secularizado e hostil. Este espírito de amor não deve se estender somente aos Carmelitas, mas a todos e, principalmente, aos pobres e marginalizados, num esforço de se estabelecer a paz e justiça neste mundo injusto e sem paz.
Viver como membro de uma Comunidade Carmelita, implica também, não negligenciar nos deveres; de acordo com seu estado de vida, pessoa casada ou solteira.
As Comunidades de Carmelitas Descalços Seculares devem ser testemunhas na comunidade, dentro da Igreja e no mundo.

O Chamado para o Ministério
Os Carmelitas Seculares, como todas as pessoas batizadas, são chamados a se envolver profundamente na missão da Igreja. Submersos no mundo como eles estão, deverão refletir um espírito cristão, nas suas famílias, no ambiente de trabalho, nas responsabilidades sociais, nas relações com outros e em todos os momentos do dia.
Eles encontrarão na pessoa de Elias inspiração e testemunho. Foi ele quem disse: “Eu me consumo de ardente zelo por Iahweh dos Exércitos” (I Reis 19, 10). Em luta com os falsos profetas de seu tempo, Elias proclamou o Reino de Deus e trabalhou arduamente para seu estabelecimento. Um Carmelita Secular no mesmo espírito de Elias é chamado a criticar os valores, ações, sistemas e metas que são hostis ao Evangelho.
Nossa Mãe Maria, é também um maravilhoso exemplo de Ministério, caminhando com Jesus em todos os momentos da sua vida, até mesmo ao pé da cruz.
O Ministério em nossos dias envolve um sacrifício de tempo, talento e dedicação por parte do indivíduo. Um Carmelita Secular aceita o sofrimento e estima o convite do Senhor de renunciar a si mesmo e levar sua cruz diariamente no seguimento do Senhor (Mc 8, 34).
Qualquer ministério exercido individualmente, ou pela comunidade, deve fluir de nossa herança Carmelita e deve provocar a santificação de nossas famílias, do nosso trabalho e da sociedade. Ou seja, os ministérios devem ser integrados com as outras áreas da vida de um Carmelita. Orar pelos outros é um ministério bastante válido, como é tão bem exemplificado e executado, na Ordem Carmelita Descalça, pelas monjas que vivem nas clausuras do mundo inteiro e sustentam o mundo com suas orações.

Devoção Mariana
Desde seu começo, toda a Família Carmelitana tem tido uma dedicação especial pela Santíssima Virgem Maria. Realmente, os Carmelitas, em todos os tempos, têm sido conhecidos como: “Irmãos e Irmãs de Nossa Senhora do Monte Carmelo”. Então, toda a Ordem Secular deverá honrar Nossa Senhora com especial amor e devoção. Ela é um modelo de tudo aquilo que nós desejamos e esperamos ser.
Os Carmelitas sempre se colocaram sob os cuidados maternos de Nossa Senhora, chamando-A de Mãe. A Ordem desfruta de Sua ajuda especial.
O Escapulário marrom é um sinal de sua proteção , é um símbolo também da vida interior da pessoa que tem devoção por Nossa Senhora .

A Ordem Carmelita Descalça Secular nos tempos atuais

A OCDS pertence ao “tronco” do Carmelo Descalço. Somos perfeita e plenamente unidos ao Frades Carmelitas Descalços e às Monjas Carmelitas Descalças. Cada uma desses grandes ramos, que na verdade formam uma única família, possui seu carisma próprio, seu “modo” de ser e de agir no mundo e na Igreja. Cada vez mais cresce no meio dos membros da OCDS a consciência de nossa grande responsabilidade eclesial, apostólica e missionária: sermos verdadeiros carmelitas, no espírito e carisma de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz, porém vivendo inseridos no mundo secular, na sociedade.
Para isso devemos estar muito bem preparados. Não é fácil, em nosso mundo secularizado, que esqueceu valores humanos e espirituais básicos, sermos legítimos carmelitas. Temos que nos “encher” do Carmelo para vivermos o carisma carmelitano em nossas vidas e famílias e, depois, levarmos esse carisma para o mundo. Falei que não é fácil, porém, não é impossível. Através da oração, da leitura e vivência da Palavra de Deus, de nossa união com a Igreja (sua doutrina, ensinamentos, sacramentos e missão), com o Carmelo Descalço (seu carisma e apostolado) e por meio de um consciente e generoso “sim” à causa do Reino de Deus, é possível ser um verdadeiro carmelita vivendo no mundo.
Assim é a OCDS: uma sociedade de fiéis leigos que se apaixonaram por Cristo através dessa “ótica” ensinada por nossos santos e santas: sermos plenamente dEle, de corpo e alma, amando-O com um amor puro e desprendido, cheios de zelo por Sua glória e desejosos de que todos O amem como Ele merece ser amado.

ORDEM DOS CARMELITAS DESCALÇOS –OCD


A origem da Ordem dos Carmelitas Descalços confunde-se com a própria vida e obra de Santa Teresa de Jesus, a grande mestra da oração, reformadora e mãe dos “descalços”.
Dona Teresa de Ahumada y Cepeda, como se chamava, há 27 anos que vivia no grande Mosteiro da Encarnação de Ávila, local que abrigava cerca de 180 monjas, muitas delas vindas da mais alta nobreza da cidade. Teresa mesma era de uma família nobre, famosa por sua bravura nas batalhas dos reinos espanhóis cristãos contra os mouros (muçulmanos). Aos 20 anos de idade, essa bela, inteligente e cativante jovem ingressara nesse famoso mosteiro.
Aos 47 anos de idade, após uma vida religiosa repleta de futilidades e vãos cuidados, Teresa “dá um salto” gigantesco: resolve, por inspiração divina, fundar um mosteiro pobre, simples, inteiramente voltado à oração e contemplação: o mosteiro de São José de Ávila.
Há anos que Teresa, em sua “Encarnação de Ávila”, já vivia uma vida de intensa e profunda oração, que a levaram a um desejo ardente de implantar em sua amada Ordem um “novo estilo” de vida religiosa, mais voltado à contemplação. Na verdade Santa Teresa queria que sua querida Ordem Carmelita voltasse às origens, isto é, àquele estilo de vida dos “Padres do Monte Carmelo”, que ela tanto admirava por suas vidas austeras e inteiramente voltadas para Deus.
Podemos dizer assim que a fundação do Mosteiro de São José (24 de agosto de 1562), pequenino e pobre, abrigando apenas quatro jovens aspirantes, é a origem da Ordem Carmelita Descalça.
Apesar de seu imenso desejo, Teresa não pôde, no começo da existência do mosteiro de São José, ingressar nesse mosteiro que ela tanto amava. Ainda estava “ligada” por força de seus votos religiosos à Ordem Carmelita da antiga observância. Apenas depois de alguns anos de muita luta e de sofrimentos e incompreensões, é que Teresa teve consentimento de seus superiores para entrar na Ordem que ela fundara. Na verdade, insistia Teresa em dizer que “não fundava nada de novo”, porém que apenas desejava que a Ordem voltasse às suas origens, que seguisse aquele carisma primitivo e cumprisse fielmente a Regra de Santo Alberto de Jerusalém, que é a Regra da Ordem Carmelita. Podemos assim dizer que Teresa é mais “Reformadora” (pessoa que veio restaurar algo “defeituoso”) que propriamente “fundadora”.
Teresa inaugura no século XVI uma coisa, se não inconcebível, ao menos incrível: colocar por escrito suas experiências espirituais e sua história de vida. Antes dela, nenhuma outra santa ou mística tinha feito isso. A Inquisição “imperava” e tinha-se muito medo de se colocar “por escrito” experiências espirituais. Porém, por inspiração e ordem divinas e também por obediência a seus superiores, Teresa pôs-se a escrever. Graças aos seus escritos, foi possível não apenas conhecer detalhadamente sua biografia, mas também conhecer sua belíssima alma, eleita pelo Senhor e inteiramente voltada para a causa de seu Reino e da Igreja.
Através do Livro da Vida conhecemos sua história de vida, sua conversão, sua subida para os cumes da oração contemplativa e os maravilhosos dons que o Senhor se dignou conceder a sua serva. Através do Caminho de Perfeição conhecemos o que Teresa desejava para suas filhas espirituais, isto é, como ela queria que elas fossem. No livro Castelo Interior ou Moradas , Teresa detalha sua experiência de oração contemplativa, deixando como que “um guia” para quem a quisesse seguir pelo mesmo caminho da oração, no qual é exímia mestra.
Teresa de Jesus (como agora se chamava, após sua passagem para o Carmelo Descalço) era uma pessoa humana formidável. Era dotada de vários dons naturais e espirituais. Tinha uma alma cativante, um espírito alegre e juvenil, aliados a uma profunda vida de oração e a uma santidade genuína. Logo atraiu para si muitas almas sedentas da mesma vida que ela vivia e ensinava. Por causa disso, muitas outras fundações sucederam-se. Teresa, qual “peregrina de Jesus”, andava por terras de Espanha a fundar outras casas de oração contemplativa que ela chamava de os “pombais da Virgem”: Medina del Campo (1567), Malagón e Valladolid (1568), Toledo e Pastrana (1568), Salamanca (1570), Alba de Tormes (1571), Segóvia (1574), Beas e Sevilha (1575), Caravaca (1576), Villanueva de la Jara e Palência (1580), Soria (1581), Granada e Burgos (1582). A história dessas fundações foi muito bem documentada pela própria santa no livro das Fundações e também por documentos da época nas grandes biografias teresianas.
Faço aqui um parêntese para explicar essa tão “estranha” expressão para os nossos dias: Ordem Carmelita “ Descalça ” . Que significa isso? Naquele tempo, a expressão “descalço” não era nada estranha. Movimentos reformistas ocorridos em outras ordens religiosas também adotavam tal “título” ou “adjetivo”. A expressão “descalço” significava “vida rude e pobre”, nos termos da época. Assim, Santa Teresa, ao desejar que a ordem voltasse ao rigor primitivo, a uma vida de mais oração, de pobreza, desapego e simplicidade, estava querendo a “descalcês” para sua nova família religiosa. As monjas e frades que aderiam aos movimentos reformistas ditos “descalços”, o faziam para demonstrar seu desejo por uma vida de maior pobreza, sobriedade e sacrifício. Geralmente passavam a usar hábitos mais rudes, feitos de panos grosseiros, ásperos e pobres e, muitas vezes, também andavam descalços , visto que sapatos, naquela época, eram tidos como “objetos de luxo”, símbolos de uma vã vaidade. Já naqueles tempos havia os que de forma santa e justa “criticavam” as mudanças e adaptações ocorridas em suas ordens e congregações, achando que as mesmas já não andavam de acordo com suas Regras e Constituições.
O QUE LEVOU SANTA TERESA A FUNDAR A OCD?
O imenso amor de Santa Teresa de Jesus pela Igreja Católica foi a “força motriz” que a levou a fundar a Ordem Carmelita Descalça. Teresa desejava opor uma espécie de “barreira espiritual” à difusão do Protestantismo, que a santa via como uma terrível desgraça para a Igreja naquela época. Para ajudá-la nesta tarefa é que Teresa, com a assistência do Senhor, começou a “convocar” esse pequeno, porém valoroso exército de almas santas e generosas.
Falamos das origens da Ordem no ramo feminino. Teresa também ansiava para que a reforma se estendesse aos frades carmelitas. As monjas seriam apóstolas e guerreiras pela oração e vida santa. Os frades seriam a “boca e mãos” do Espírito Santo no mundo. Santa Teresa era uma mulher forte e plenamente consciente da necessidade que a Igreja tinha (e ainda tem) de sacerdotes e religiosos santos, que através de palavras e exemplos difundissem o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo e o carisma da Ordem pelo mundo.
Tal oportunidade iniciou-se através de dois frades carmelitas que se apaixonaram pelas idéias da santa: Frei Antônio de Jesus e Frei João de São Matias, que mais tarde mudaria o nome para Frei João da Cruz, o grande santo e doutor místico. Esses frades iniciaram a reforma do ramo masculino com a fundação da pequeníssima e paupérrima comunidade de Duruelo . No início da reforma entre os homens, os mesmos às vezes exageravam no rigorismo de suas ações e penitências.
Teresa, amorosa e sabiamente, conseguiu que seus ardores por sofrimentos arrefecessem um pouco, visto que, para ela, havia mais virtude no amor puro a Deus do que na penitência pura. Depois desses primeiros frades muitos outros foram surgindo. Os conventos (pequenos e simples) se multiplicavam. O coração da Madre Fundadora estimava a todos os frades, porém, os que mais a cativavam eram especialmente dois: o santo Frei João da Cruz, imagem viva da perfeição na vida contemplativa e austera, e Frei Jerônimo Gracián da Mãe de Deus, modelo de frade zeloso e cheio de ardor missionário e apostólico. Os dois como que compunham as faces de uma mesma medalha: a de um frade perfeito, idealizado por Santa Madre Teresa de Jesus. Esses dois santos homens muito enriqueceram a Ordem e a Igreja com suas vidas cheias de méritos e exemplos e também através de seus escritos. Especialmente São João da Cruz, depois de canonizado, foi proclamado “Doutor da Igreja Universal” por causa de suas obras, cheias da ciência divina e do fogo do Espírito Santo.

DIFUSÃO DA ORDEM E AS “FORTES TORMENTAS”...A nova Ordem, mesmo enfrentando a contínua oposição e hostilidade dos padres da Ordem Carmelita da Antiga Observância (apelidados na época como “padres do pano”, por causa de seus hábitos feitos com tecidos confortáveis e pelas largas capas que usavam), crescia continuamente; expandia-se por vários lugares na Espanha e também por países vizinhos, como França e Itália. No início do século XVII missionários foram enviados ao Novo Mundo, especialmente ao México e ao Peru (América Hispânica).
Após a morte da Madre Fundadora, suas antigas companheiras e testemunhas de sua vida e obras – Madre Ana de São Bartolomeu e Madre Ana de Jesus – deram continuidade aos trabalhos. Elas foram verdadeiras apóstolas do espírito teresiano nas citadas França e Itália, ajudadas por almas generosas que, naquelas terras européias, tinham se apaixonado por Teresa de Jesus (p. ex., a Beata Maria da Encarnação). Porém, como bem sabemos, toda obra de Deus sempre é e será provada no “fogo” da perseguição, da incompreensão ou da contradição. Jesus mesmo tinha previsto isso aos seus Apóstolos e discípulos.
Dentro da própria Ordem, religiosos movidos por outros interesses, cheios de orgulho e ou de “idéias próprias” (por exemplo, o “famoso” Padre Dória, Geral da Ordem), minaram aquela espiritualidade que Teresa tanto lutara para implantar nas almas de seus filhos e filhas tão amados. Nos séculos XVII e XVIII a Ordem sofreu seriamente com o desvio daquele carisma inspirado pelo Senhor a Santa Teresa. Podemos dizer que o ramo masculino foi o mais atingido pelas mudanças. Os filhos de Santa Teresa (claro que não sem a permissão de Deus) tomaram rumos diferentes do carisma primitivo. Isso causou na Espanha sérias baixas na Ordem, a ponto da mesma quase que extinguir-se ali. Sobrevivia, porém, na França, Itália e Holanda.
Quanto ao ramo feminino, o modo de ser e de viver das monjas, por força das Constituições (que ficaram quase que imutáveis) foi o mais preservado nessa “tempestade”. Claro que também elas sofreram em tais “tormentas” por causa do amor ao carisma teresiano original e por causa de alguns frades que também desejavam alterar-lhes o estilo de vida previsto nos escritos de Santa Madre Teresa de Jesus.
Porém, em todos os tempos, talvez o período mais difícil tenha sido aquele contido entre o final do século XVIII e início do século XIX. Naquela época, as idéias anticlericais e iluministas da Revolução Francesa e da Maçonaria foram amplamente difundidas, matando lentamente aquele espírito religioso, tradicional ao povo europeu. Governos regionais e até mesmo nacionais (p. ex., Napoleão Bonaparte), instigados e apoiados por lideranças maçônicas, colocavam-se abertamente contra o Papa e a Igreja, enchendo-os de calúnias, difamações, de chacotas, difundidas por meio de jornais, panfletos ou discursos inflamados. Na famigerada Revolução Francesa o sangue dos mártires correu abundante e generoso. São famosos os testemunhos da Beata Teresa de Santo Agostinho e suas companheiras, monjas carmelitas e mártires e do Beato João Batista e companheiros, mártires carmelitas descalços de Rochefort.
Ainda hoje a Europa sofre as conseqüências dessa época de perseguição à Igreja. Porém, Deus continuava enviando seus santos e santas à sua amada Igreja e à Ordem Carmelita Descalça. No final do século XIX, Santa Teresinha do Menino Jesus, com o suavíssimo perfume de sua vida encantadora, deu como que uma nova vida à Ordem. Muitos homens e mulheres, após sua morte, lendo seus escritos autobiográficos e testemunhos de suas co-irmãs, deixaram-se apaixonar pelo seu modo simples e direto de amar Deus. Podemos dizer que Teresinha do Menino Jesus explicou e “simplificou” Teresa de Jesus e João da Cruz. Outros santos, como o Beato Francisco Palau, pregador carismático e ardoroso missionário, e Santa Maria Maravilhas de Jesus, mulher forte, cheia de amor pelo Carmelo e pela Igreja, praticamente ressuscitaram a Ordem Carmelita Descalça na terra pátria de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz. Muitos outros santos e santas dos “tempos modernos”, como a Beata Elisabete da Trindade (França), a Beata Maria de Jesus Crucificado (Itália e Palestina), São Rafael Kalinowski (Polônia), Santa Teresa de Los Andes (Chile) e a Serva de Deus Maria José de Jesus (Brasil), com seus modos peculiares de ser, também foram perfeitos seguidores da Santa Madre, sendo poderosos difusores de sua espiritualidade em seus países e também no mundo.
Nesses ditos “tempos modernos”, especialmente no século XX, o sangue glorioso dos mártires ornou a OCD com a cor rubra do testemunho. São riquíssimos os testemunhos das Beatas Maria Pilar e companheiras, assassinadas por causa do ódio à fé, por revolucionários na famigerada Guerra Civil Espanhola; do Beato Afonso Mazurek, torturado e morto por nazistas num campo de concentração na Polônia e de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), famosa convertida do judaísmo ao catolicismo - que com sua inteligência e virtudes tão profundamente escreveu sobre o projeto de santidade desejado e planejado por Deus a cada homem e mulher – também morta pelo nazismo.

IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E ECLESIAL DO CARMELO DESCALÇO
A importância do Carmelo Descalço na vida e na história da Igreja e da humanidade não está alicerçada em grandes obras culturais (p.ex., fundação de universidades ou colégios) ou assistenciais (p. ex., creches, asilos, hospitais, etc), mas nas grandes e belas almas ali fecundadas e oferecidas à Igreja e ao mundo. Santa Teresa chamava seus conventos de “pombais da Virgem”, isto é, locais onde almas sedentas de Deus eram acolhidas e “treinadas” para alcançarem grandes vôos para Aquele que habita as alturas. Falar do Carmelo muitas vezes é falar daqueles santos e santas que nele habitaram, sustentaram e enriqueceram, hoje colocados pela Igreja como “luzeiros” e modelos de vida evangélica. Porém, falar do Carmelo Descalço também é falar daqueles e daquelas que hoje em dia habitam essa “Montanha Sagrada” e que ao mesmo tempo a formam e constroem: a multidão de almas generosas que diária e continuamente se colocam aos pés da Trindade, oferecendo suas vidas em holocausto e sacrifício agradáveis ao Senhor.
Quem nunca ouviu falar das monjas de clausura? Seu título – Monjas Carmelitas – praticamente absorve todo o conhecimento que o mundo tem da Ordem. Com suas vidas recolhidas e dedicadas à oração em favor das almas e da Igreja, tanto bem fazem ao mundo e à Igreja! Quantos não compreendem sua vocação à clausura acusando-as de serem isoladas e “alienadas”. Que calúnia! Quem fala isso não sabe que milhares de pessoas, em todo o mundo, as procuram constantemente, para chorar-lhes as mágoas e sofrimentos, pedindo orações e conselhos. Quais outros “Cristos”, elas tomam para si os sofrimentos e dores dessas almas chorando e intercedendo continuamente ao Pai por elas.
Os frades, com o advento do Concílio Vaticano II, bem compreenderam sua missão no mundo, tão desejada por Teresa: serem almas apostólicas. Dedicam-se ao apostolado e pastoreio em paróquias e santuários, na manutenção de centros de espiritualidade, na pregação de retiros, na publicação de revistas e livros, na divulgação dos escritos de nossos santos e santas, no acompanhamento espiritual das monjas e dos leigos carmelitas descalços (Ordem Carmelita Descalça Secular).
A Ordem muito ainda tem a fazer pela Igreja... O Céu é o limite! Pois o Senhor está no meio de nós!
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