sábado, 29 de dezembro de 2007

ORAÇÃO PARA A CELEBRAÇÃO DO 2o CAPÍTULO PROVINCIAL (JANEIRO-2008)

Ó Deus, Pai de Bondade, volvei o vosso olhar amoroso sobre os religiosos de nossa Província. Fazei que o Vosso Espírito crie em nós uma profunda comunhão de corações que nos leve a realizar uma presença fecunda, através de um testemunho autêntico da nossa vocação carmelitana. Concedei-nos, Senhor, a graça de responder com generosidade aos desafios e necessidades da Igreja. Atendei-nos, Senhor, pela intercessão da Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo e de São José, protetor particular desta Província. Amém.

Santa Madre Teresa, rogai por nós!
Santo Padre João da Cruz, rogai por nós!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

VOTOS DE FELIZ ANO NOVO

A Comunidade Santa Teresinha de Passos-MG
deseja a todos os Carmelitas :
frades, monjas e seculares
um ano de 2008 cheio de
paz e harmonia,
alegria
e Determinação na
fé , esperança e caridade.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

CRÔNICA DE NATAL


Frei Marcos Hideo Matsubara, ocd


Acordei mais cansado do que o normal...
Segunda-feira é folga do Mariano (sacristão) e geralmente quem abre a igreja é a Nenê,
mas ela está afastada por causa da licença-maternidade e sou eu quem abre a igreja na ausência dos dois.
Acendi as luzes da igreja perdida no breu da manhã e abri as portas pesadas como quem abre com dificuldade as portas do coração. Levei um susto com o mendigo que dormia na soleira e nem se importou que eu estivesse ao seu lado, bem pertinho e continuava dormindo como quem não tem nenhum motivo para acordar.
As flores estavam acochambradas num vaso, totalmente desarrumadas, e por isso resolvi dispô-las em vários vasos para dar espaço entre uma e outra. Elas estavam apertadas demais e imagino que flores também sintam-se sufocadas com a falta de espaço entre uma e outra. De um vaso consegui fazer três. A água do vaso já estava fedendo. Como podemos deixar flores sufocando e bebendo de água suja?
Dona Elza, sempre assídua, foi uma das primeiras a chegar na igreja e desejou-me feliz Natal. Disponível, como sempre, perguntou-me se eu já tinha comprado os pães e ofereceu-se para fazê-lo. Agradecendo-lhe pelo gesto, pedi apenas que tomasse conta do lugar enquanto eu (que suponho ter pernas mais ágeis do que ela) daria um pulo rapidamente até a padaria do Sr. Caetano. São Paulo de manhã é uma beleza. Nada de carros, nada de barulho, nada de corre-corre... Quer dizer, só o meu. Eu corri até a padaria e fiquei pensando que os porteiros dos prédios vizinhos devam achar que sou louco. Um padre correndo às seis e meia da manhã para comprar pães na padaria do português. Mas acho que eles já se aostumaram.
Curiosamente vi, entre os pães oferecidos, um que se chamava "Pão do Padre". Resolvi fazer uma pequena revolução mudando nosso cardápio matinal. Nada mais apropriado para os padres do que o "pão do padre". Na hora de pagar os pães no caixa, lembrei-me de que havia saído de casa sem dinheiro. Envergonhado pedi à moça do caixa que "pendurasse" a conta até eu trazer o dinheiro. Claro que temos crédito... Desejei-lhe Feliz Natal e corri para casa novamente.
Dei uma rápida varrida no corredor, fui ao refeitório colocar os pães na cesta. Lembrei-me que precisava regar as plantas do jardim e rezava agradecendo a Deus pela saúde e pelo término do triênio. Três anos se passaram desde que cheguei aqui em São Paulo. A rotina de trabalhos, o corre-corre diário, atendimentos, pagamentos, compras, a sensação de que sou uma formiga operária as tarefas da economia... nem me deixaram perceber que o tempo passava rápido.
Fiz muitos amigos aqui. Aqui aprendi a ser padre. Chorei comovido com as pessoas que vinham confessar, dei gargalhadas arriscadas com as gafes nos casamentos, fui acusado de coisas que me surpreenderam e me entristeceram, mas também elogiado por coisas que não fiz. Como dia a Rita Lee "Não sou santa, nem sou prostituta": quero apenas ser feliz.
Gostaria de enviar uma daquelas mensagens bonitas de Natal, mas francamente estou sem a mínima criatividade... Mas mesmo em meio ao cansaço, à falta de criatividade, ao corre-corre, queria deixar para você umas palavras de agradecimento e meus augúrios natalinos.
Deus te pague. Deus abençoe pelo bem que você tem feito a mim.
Feliz Natal para você e sua família. Para aqueles que você ama, e para os que ainda não consegue amar o suficiente.
Um grande abraço, perdoe-me pela falta de notícias, pela ausência em sua vida. tantas vezes me perco em meio às distrações da vida, esquecendo de cultivar as amizades. Faço isso não por maldade, mas por minha extrema debilidade em enxergar aquilo que é essencial.
Com carinho,
Frei Marcos Hideo Matsubara, ocd

O NATAL SERÁ SEMPRE DE JESUS

-

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Ninguém conseguirá profanar totalmente o Natal. É uma festa que nasceu no coração da Igreja e da comunidade e permanecerá para sempre como sinal da paz. O mundo pode atrever-se e tentar comercializar o Natal, mas o símbolo religioso deste acontecimento não poderá ser destruído e nem anulado. Haverá sempre necessidade de representar anjos que cantam nos céus “glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade!” Os presépios poderão até ser fabricados, vendidos por ateus, mas não poderá ser anulado e desligado da mentalidade religiosa e representativa do nascimento de Jesus.
Além de ser um grande evangelizador Francisco de Assis, quando reproduziu em Greccio o mistério do Natal ao vivo foi um grande artista, de uma sensibilidade religiosa e humana que poucas pessoas possuem. Viver os ideais mais íntimos do coração humano de paz, de unidade e de felicidade é todo o conteúdo do evangelho, que é boa nova. Quem lê o evangelho independentemente da crença e sem preconceitos, percebe que não há livro mais positivo e otimista que a palavra deixada por Jesus e transmitida a nós pelos evangelistas que, depois de séculos, continuam com a mesma força sedutora e convincente.
Para quem vive o evangelho e acredita em Jesus Cristo não tem espaço para o pessimismo, para o ódio e para o mal. O bem será vencedor. Como vencer o desejo íntimo de nós mesmos de bondade através do mal? A primavera sempre alegrará os nossos olhos e Deus faz florescer no mundo em todos os países homens e mulheres que, tocados pela graça de Deus, cantam no meio dos campos de batalha e dos novos campos de concentração o cântico da esperança e da vida.
O Natal será sempre a festa do grande silêncio. Nenhum barulho e nenhuma festividade materialista poderá apagar o desejo que está em nós de escutar a nossa consciência e perceber que o caminho da materialidade, do dinheiro, não pode dar felicidade. Não há como sufocar o grito de esperança que surge cada vez mais forte e se faz sinfonia na garganta, por tanto tempo impedida de falar pelas ditaduras e pelas escravidões. Não há como permanecer indiferente diante da coerência de Deus que vem nos visitar e se faz um de nós, fixando a sua tenda entre nós, assumindo a nossa natureza humana e partilhando conosco a sua divindade.
Não há como não sentir um calafrio quando vemos que Jesus foi reconhecido como Deus não pelos doutores, estudiosos e sabidos, mas sim pelo povo simples, por pastores que estavam cuidando dos rebanhos e esquentando-se em um fogo improvisado nas frias noite da Palestina. Eram pobres, passavam quem sabe fome e frio, mas tinham o coração aberto ao mistério e ao divino.
Qual comércio natalino terá condições de matar o espírito da infância que o Natal carrega em si mesmo? Sempre as crianças, ao lado dos vídeo games ou de computadores gostarão de ver presépios animados, onde todo o universo se faz presente. Quem poderá aniquilar em nós a memória dos cantos natalinos? Noite feliz será cantada para sempre. Ela entrou a fazer parte do DNA da humanidade. Não há natal sem papai Noel como não há Natal sem Noite Feliz, mas especialmente não há Natal sem Jesus Cristo.
É verdade que todas estas parafernálias midiáticas tentam destruir o religioso, mas não conseguirão. O ser humano, quando chega ao abismo de seu nada, volta de novo a levantar o vôo para o alto, com as suas asas quebradas, mas sempre, como diz Teresinha do Menino Jesus, “com olhos de águia fitará o sol que é Cristo”.
O Natal é de Jesus e só dele. O resto é e será sempre papel de embrulho enganador o precisamos não de papel de embrulho mas do presente de Deus à humanidade que é o seu Filho unigênito que nos é oferecido por Maria na manjedoura da vida.
Feliz Natal!

MINHAS PREVISÕES 2008


Frei Patrício Sciadini, ocd.

Quando chegamos ao fim do ano sentimos uma coceira na língua, nos dedos e uma vontade incontrolável de fazer um “balanço” do ano que vai e previsões para o ano que está chegando, não mais novo, mas simplesmente mais velho. Queiramos ou não estamos todos com uma certeza de que ninguém pode duvidar: com um ano a menos de vida, um ano mais velhos, com mais rugas, mais cabelos brancos, menos saúde. Quem sabe com menos dinheiro, mais dívidas mais preocupações. São certezas das quais não podemos fugir. Dizemos com muita facilidade que o ano que passou foi um ano bom, mas poderia ter sido melhor, e que o ano que vem será bem melhor. Com que garantia afirmamos isto?
No ano 2008 prevejo que deve ser um ano em que devemos redobrar a nossa atenção para assumir a nossa fé com alegria, num mundo que tenta cada dia nos afastar dos verdadeiros valores da vida. A vida dos nossos irmãos pobres, despossuídos e marginalizados, se faz cada vez mais dura, sem esperança. Cabe a nós que temos fé, e aos que têm “bens”, ter a coragem de partilhar e de questionar todas as estruturas injustas e pecaminosas porque aumentam os pobres.
O ano 2008, ano da solidariedade universal. Não devemos fechar-nos em nós mesmos, mas sim abrir o coração ao amor generoso e total, para que ninguém, como na primeira comunidade cristã, passe fome ou necessidades. Será um ano decisivo para todos nós: para crescermos na santidade ou diminuir no amor a Deus e ao próximo. A regra de ouro da vida espiritual é a seguinte: não se pode ficar parados, ou se progride ou se regride; não há terceira via.
Desde já devemos pedir ao nosso Deus, porque sem Ele nada podemos fazer, muita saúde para poder trabalhar e ter uma qualidade de vida. Não podemos esperar do governo que se preocupe da saúde pública e nem da cultura, ele tem muitas ocupações e muitas coisas para pensar, especialmente em se “propagandear” a si mesmo e preparar-se assim às eleições. Aos nossos governantes - e o temos visto – não interessa o povo, mas o bolso e só os próprios interesses. Lógico que entre todos há quem luta honestamente e com justiça, mas são moscas brancas. É necessário gritar nos telhados e através de uma “resistência pacífica” a obrigar o poder público a ver as necessidades do povo.
Necessitamos no ano 2008 ser Igreja cada vez mais missionária, comprometida com o povo e com a evangelização. Uma evangelização corpo a corpo, missionária, cada um de nós sentir-se responsável de evangelizar os que encontramos na vida de cada dia nas ida e voltas de trabalho, em todos os lugares.
2008, ano feliz se por nossa parte nos abrirmos a Deus, eu garanto que Deus, como sempre, fará a sua parte. Ele não falha, ele continua a usar de tudo para nos amar: nos envia os seus profetas, cabe a nós a resposta do nosso sim.
Feliz Ano Novo! Mangas arregaçadas, coração em Deus, tudo dará certo. “Quem nos separará do amor de Cristo?”... Nada!
Feliz Ano Novo! As minhas previsões são otimistas, quer vivamos quer morramos vivemos e morreremos no Senhor!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

COMISSÕES REUNIDAS EM BELO HORIZONTE


Nos dias 01 e 02 de dezembro de 2007, em Belo Horizonte (MG), os Freis do Convento São João da Cruz acolheram carinhosamente, na Casa de Filosofia, a Comissão de Formação que lá se reuniu para elaborar o X ENCONTRO DE PRESIDENTES, FORMADORES E CONSELHEIROS de nossa Província.

Neste mesmo período, com o mesmo carinho e pelo mesmo propósito, os Freis também acolheram na Casa de Teologia, a Comissão de Jovens e Iniciantes.

As duas equipes trabalharam separadamente, mas no final fizeram uma reunião conjunta para resolver questões afins.

Foi bem vinda a feliz visita do Conselheiro Paulinho, que chegou trazendo uma mensagem de sua “consorte”, nossa querida Presidente Ana Maria.

O final de semana, porém, não foi só de trabalho. As três comunidades de BH se reuniram na casa da acolhedora Liz, para confraternizar com a Comissão de Formação e a Comissão de Jovens e Iniciantes. Durante a festa a sobrinha de Liz, vestida de Santa Teresa, cantou lindamente uma canção carmelitana.

Neste clima abençoado foi elaborado um Encontro maravilhoso, com as bênçãos e graças da Trindade Santa e a proteção de Nossa Senhora do Carmo e de todos os Santos e Santas do Carmelo.

Portanto, Presidentes, Formadores e Conselheiros aguardem e fiquem atentos!

O Encontro será de 18 a 21 de abril de 2008, em Belo Horizonte.

Em breve, serão enviadas para as Comunidades as cartas com as informações necessárias.

Mas, desde já, é bom saber:

- as inscrições serão feitas pela Carmelita (e-mail: carmelitaocds@yahoo.com.br)

- pede-se, na medida do possível, que todos leiam e levem para o Encontro o Documento de Aparecida.

Fiquem com Deus!

COMISSÃO DE FORMAÇÃO

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Poesia para Duas Santas


Abençoada França, venturoso berço,

De dois luzeiros , rebentos duma só beleza.

Elizabete, morena, santa firme e meiga.

A outra , loura, a doce Irmã Teresa!

Duas vidas ...curtas, intensas, vibrantes

Ao mesmo tempo eternas , passageiras

Viveram poucos anos no exílio: terra!

Plenitude do espírito lutas corriqueiras.

Uma de Lisieux, uma de Dijon, reclusas.

Humildade, pureza.

A fé consola nas noites escuras,

horas mais confusas...

Filhas legítimas da Santa Madre Espanhola!

Santas pequeninas e tão grandes Santas,

Na árdua batalha, secura sem véus!

Claramente sublimes entre outras tantas,

Eu clamo:Dai-me as mãos ,

pois quero is aos céus!

Com Elizabete, sentido os sentimentos seus,

Com Teresinha entre lauréis e almas venturosas;

Vibrar ao ser: “HABITAÇÃO DE DEUS”!

Fazer chover sobre a terra :”UMA CHUVA DE ROSAS!”

Lourdes Lara,ocds- Passos

Na apresentação final dos estudos de nossa comunidade sobre as cartas de Santa Teresinha do Menino Jesus e Besta Elizabete da Trindade.

sábado, 15 de dezembro de 2007

CNBB CONVOCA CRISTÃOS DE BOA VONTADE A JEJUM E ORAÇÃO POR D. CAPPIO

Jejuo também por democracia real Dom LUIZ FLÁVIO CAPPIO (Artigo publicado na FSP, 12/12/2007, p. A3)

----------Acusam-me de inimigo da democracia por estar em jejum e oração combatendo um projeto autoritário e falacioso: o da transposição
----------ACUSAM-ME de inimigo da democracia por estar em jejum e oração combatendo um projeto do governo federal autoritário, falacioso e retrógrado, que é o da transposição de águas do rio São Francisco. Meu gesto não é imposição voluntarista de um indivíduo. Fosse isso, não teria os apoios numerosos, diversificados e crescentes que tem tido de representantes de amplos setores da sociedade, inclusive do próprio PT. Vivêssemos uma democracia republicana, real e substantiva, não teria que fazer o que estou fazendo.
----------Um dos mais graves males da "democracia" no Brasil é achar que o mandato dado pelas urnas confere um poder ilimitado, aval para um total descompromisso com o discurso de campanha, senha para o vale-tudo, para mais poder e muito mais riquezas. Tráficos de influências, desvios do erário, porcentagens em obras públicas e mensalões são práticas tradicionais na política brasileira, infelizmente, pelo visto, ainda longe de acabar. A sociedade está enojada e precisa se levantar. Há políticos -e, infelizmente, não são poucos- que, por onde passaram na vida pública, deixaram um rastro de desmandos, corrupção, enriquecimento ilícito etc. Como ainda funcionam o clientelismo eleitoral, a mitificação de personagens, as falsas promessas de campanha, o "toma-lá-dá-cá" e mais deseducação que educação política do povo, esses políticos conseguem se reeleger e galgar posições de alto poder em governos, quaisquer que sejam as siglas e as alianças. Na campanha do candidato Lula, o tema crucial da transposição era evitado o máximo possível. Mas as campanhas eleitorais, à base do marketing e das verbas de "caixa dois" das empresas, são tidas e havidas como grandes manifestações do vigor de nossa democracia, que, com urnas eletrônicas, dá exemplo até aos EUA... O projeto de transposição não é democrático, porque não democratiza o acesso à água para as pessoas que passam sede na região semi-árida, distante ou perto do rio São Francisco. O governo mente quando diz que vai levar água para 12 milhões de sedentos. É um projeto que pretende usar dinheiro público para favorecer empreiteiras, privatizar e concentrar nas mãos dos poucos de sempre as águas do Nordeste, dos grandes açudes, somadas às do rio São Francisco.
----------A transposição não tem nada a ver com a seca. Tanto que os canais do eixo norte, por onde correriam 71% dos volumes transpostos, passariam longe dos sertões menos chuvosos e das áreas de mais elevado risco hídrico. E 87% dessas águas seriam para atividades econômicas altamente consumidoras de água, como a fruticultura irrigada, a criação de camarão e a siderurgia, voltadas para a exportação e com seríssimos impactos ambientais e sociais. Esses números são dos EIAs-Rima (Estudos de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente), públicos por lei, já que, na internet, o governo só colocou peças publicitárias.
----------O projeto de transposição é ilegal e vem sendo conduzido de forma arbitrária e autoritária: os estudos de impacto são incompletos, o processo de licenciamento ambiental foi viciado, áreas indígenas são afetadas e o Congresso Nacional não foi consultado como prevê a Constituição. Há 14 ações que comprovam ilegalidades e irregularidades ainda não julgadas pelo Supremo Tribunal Federal. Mas o governo colocou o Exército para as obras iniciais, abusando do papel das Forças Armadas, militarizando a região. A decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, de Brasília, em 10/12 deste ano, obrigando a suspensão das obras, é mais uma evidência disso.
----------O mais revoltante, porque chega a ser cruel, é que o governo insiste em chantagear a opinião pública, em especial a dos Estados pretensos beneficiários, com promessas de água farta e fácil, escondendo quem são os verdadeiros destinatários, os detalhes do funcionamento, os custos e os mecanismos de cobrança pelos quais os pequenos usos subsidiariam os grandes, como já acontece com a energia elétrica. Os destinos da transposição os EIAs/Rima esclarecem: 70% para irrigação, 26% para uso industrial, 4% para população difusa.
----------Temos um projeto muito maior. Queremos água para 44 milhões de pessoas no semi-árido. Para nove Estados, não apenas quatro. Para 1.356 municípios, não apenas 397. Tudo pela metade do preço previsto no PAC para a transposição. O Atlas Nordeste da ANA (Agência Nacional de Águas) e as iniciativas da ASA (Articulação do Semi-Árido) são muito mais abrangentes, têm prioridade no abastecimento humano e utilizam as águas abundantes e suficientes do semi-árido. Fui chamado de fundamentalista e inimigo da democracia porque provoquei que o povo se levantasse e, disso, os "democratas" que me acusam têm medo. Por que não se assume a verdade sobre o projeto e se discute qual a melhor obra, qual o caminho do verdadeiro desenvolvimento do semi-árido? É nisso que consiste a nossa luta e a verdadeira democracia.

DOM FREI LUIZ FLÁVIO CAPPIO, 61, é bispo diocesano da cidade de Barra (BA) e autor do livro "Rio São Francisco, uma Caminhada entre Vida e Morte".

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O CANTOR DO AMOR E DA ESPERANÇA



VÉSPERAS


CARACTERÍSTICAS DE
SÃO JOÃO DA CRUZ




Dedicado e esforçado.
Lutava, superava obstáculos.
Simples e simpático. Seu sorriso cativava.
Amante da oração, silêncio e solidão.
Não se contentava nem com o pouco e nem com a mediocridade. Doutor do tudo ou nada.
Não gostava de polêmica. Presença questionadora para os amantes do poder. Considerado rebelde.
Amor e verdade, marcas de suas atitudes. "Onde não há amor, coloca amor e receberá amor".
Seu estilo de vida: sofrer, silenciar e agir.
Sua presença: sinal de Deus.
Suas palavras educavam para Deus, aliviavam, consolavam e orientavam.
Seu testemunho convencia.
Dócil, humilde e acolhedor.
Dialogava com sabedoria e repreendia com amor.
Nômade, destemido. O sofrimento não era motivo para afastá-lo de seu ideal."Quem não ama a cruz de Cristo é inimigo de sua glória".
Visão pacificadora de Deus.
Forte consciência da presença cósmica de Deus.

"Ó bosques e espessuras,
Plantados pela mão de meu amado!
Ó prado de verduras,
De flores esmaltado,
Dizei-me se por vós ele há passado
!"

"Hoje, cada um permaneça sozinho no silêncio da montanha e passe este dia em oração, num diálogo com Deus".

Discreto. De nada se queixava e nem deixava transparecer sofrimento.
Somente à amigos mais íntimos confiava o que o fazia sofrer.
Ciumento de sua liberdade. "Deus me deu o dom da liberdade para pensar um pouco mais em minha alma".
Nutria um grande e forte amor pela ordem. (Ler Subida do Monte Carmelo)
A palavra de Deus era seu guia, certeza e segurança na caminhada. Conhecia de cor e lia de joelhos o Cântico dos Cânticos.

Como escritor:
Sua atividade é breve, apenas oito anos, de 1578/1586.
É no cárcere, em Toledo, que começa a escrever, em meio ao sofrimento, desprezo, marginalização, dor, angústia...
Não se preocupou em terminar suas obras.
Para entendermos São João da Cruz é necessário fazer várias leituras de seus escritos, pois seu estilo não é de fácil compreensão, exigindo paciência e perseverança.
Suas obras relatam as feridas, angústias, dores do homem, mas também a cura para todos os males, apontando-nos o caminho da esperança, do amor, da união com Deus, 'do abraço embriagante de Deus'(Obras Completas).

Compleição física:
Franzino, traços delicados, calvo, pequena estatura . Presença questionadora para os amantes do poder. Considerado rebelde
.
Estudos feitos por
Loudes Souza Pimenta
Comunidade Santa Teresinha de Passos

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

É SÓ O AMOR QUE CONTA

Jovens e Iniciantes na OCDS - Um pouco de nossa história...


Tudo começou durante a realização do XIX Congresso da OCDS, em São Roque, cujo tema era: “Edith Stein, Uma Espiritualidade de Fronteira“, onde se deu início a um novo apostolado dentro da OCDS, com o objetivo de na força do Espírito Santo, gerar almas novas à Cristo.
A nova Comissão, assistida pela Província do Sudeste do Brasil (Província São José), com o intuito e o comprometimento de levar uma nova e profunda experiência de Deus, transmitindo ao mundo jovem o profundo silêncio carmelita, buscando conhecer a espiritualidade dos nossos Santos, organiza com muito afinco o I Encontro de Jovens em Piumhi - MG, em Setembro de 2.004, com o Tema: “Como Pássaros, Sentinelas da Manhã”.
Foi um Encontro maravilhoso que ficou na lembrança de todos que lá puderam estar. Era assim o inicio de um trabalho, de uma caminhada em busca da Juventude Carmelitana...
“Sede como pássaros que ao pousarem um instante sobre ramos muito leves sente-nos ceder, mas cantam. Eles sabem que possuem ASAS!”


Sabendo-se que não se pode parar no Caminho, foi dada continuidade a este trabalho e juntos com a Comissão de Presidentes e Mestres, em Itaici-SP, em 2.005, realizava-se o II Encontro de Jovens com o Tema: “Descalça-te”, O chamado...
Por isto a atrairei, conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração...
Era necessário o despojamento, tirar as sandálias e continuar o caminho, mesmo com as quedas e os espinhos, mas é preciso sempre seguir em frente.
Em 2.006, realiza-se em Caratinga- MG, o III Encontro de Jovens, como o Tema: “Busca-te em Mim”! Foi um Encontro dinâmico, alegre e maravilhoso. De uma vivencia maravilhosa da graça de Deus em nossas vidas. Foi um verdadeiro Buscar e Encontrar, no Nosso Deus de Amor.
Nessa caminhada de profundo aprendizado, vimos que não poderíamos nos reter apenas nos Jovens, e por graça de Deus, nos abrimoas aos Jovens e também as Iniciantes, que começando a conhecer e a beber desta espiritualidade, podem conhecer o Carmelo, que em nossos Encontros, lhe são apresentados de forma dinâmica e profunda. Nesta dimensão, na Casa de Retiro São José, em Belo Horizonte - Minas Gerais, em 2.007, acontece o IV Encontro de Jovens e Iniciantes da OCDS, juntamente com o Encontro de Presidentes e Mestres, buscando assim, um maior entrosamento e levando-nos a termos a oportunidade de nos conhecermos.

Este Encontro teve como Tema: “Não quero ser Santa pela metade”, com a Vivência da Santidade nas pequenas coisas...
Hoje, nos preparamos para o V Encontro de Jovens e Iniciantes da OCDS. Parece que foi ontem, o tempo passa...
O próximo Encontro será em Belo Horizonte – MG, juntamente com o Encontro de Presidentes e Mestres, cujo Tema será: “Estar a sós com Aquele que sabemos que nos ama” e vamos trabalhar muito a Oração: Trato de amizade com Deus. Este Encontro será na Casa de Retiro da Santíssima Trindade.
Estamos caminhando e sabemos que esta caminhada não é fácil e para Caminhar, precisamos do alicerce, que são as Nossas Comunidades.
Este ano temos um diferencial, um dia a mais de Encontro. Acreditamos que isso seja um pouco mais difícil para os jovens. Por isso pedimos que fossem nossos aliados nessa luta, ajudando os Jovens e Iniciantes que desejam beber da água da fonte de Elias a estarem neste Encontro conosco.
Todas as informações serão postadas no Blog da OCDS: http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/
Informações pelo e-mail: sldequeiroz@yahoo.com.br
Ou até mesmo pela Comunidade: Jovens e Iniciantes na OCDS, que criamos, no Orkut, para assim tentarmos continuar mantendo contato.
Que não seja em vão o trabalho iniciado no Congresso e que nas Nossas Comunidades tenha um lugar para essa juventude que anda sedenta por Deus e que muitas das vezes, não sabe onde buscar, pois pecamos na omissão de não evangelizar...

Sérgio do Sagrado Coração de Jesus e de Maria, pela Comissão de Jovens e Iniciantes da OCDS.

domingo, 9 de dezembro de 2007

COMISSÃO DE JOVENS E INICIANTES DA OCDS


No desejo de levar ao mundo jovem nosso carisma carmelitano, a Comissão de Jovens e Iniciantes da OCDS se reuniu nos dias 01 e 02 de dezembro na Casa de Teologia em Belo Horizonte.

Desde o primeiro momento fomos agraciados com os mimos amorosos do Pai. Recepcionados pelo nosso mui querido Frei Afonso que lá estava já de partida, mas nos presenteou com o convite de participarmos juntos com os freis da Santa Missa.

Fortalecidos pela Palavra e pela Eucaristia iniciamos os nossos trabalhos.

Sendo a oração a base do nosso carisma o Sergio convidou-nos para juntos rezarmos o santo Terço.

Após uma breve estória da comissão, nos reunimos com os membros da comissão de formação onde o nosso conselheiro Paulinho leu para nós carta da nossa Presidente Provincial Ana Scarabelli. Entre tantas palavras fortes frisou-nos o objetivo de sempre voltarmos ao Essencial, retornando as nossas fontes e nosso carisma. Que nossa seja exemplificada por nossa vida. E que sem a atuação na vida da igreja não há cristãos verdadeiros, é no meio do povo de Deus que vivemos a fé, pois somos esse povo.

Passamos então um momento com a comissão de formação para ali combinarmos alguns pontos comuns em relação aos cronogramas dos Encontros de Jovens e Iniciantes e Encontro de Presidente, Formadores e Conselheiros da OCDS que acontecerão nos dias 18 a 21 de abril de 2008 na Casa da Santíssima Trindade em Belo Horizonte/MG.

Deixamos aqui um convite aos presidentes, formadores e conselheiros das comunidades não deixem de levar os jovens e iniciantes “amantes do nosso carisma” ao V Encontro de Jovens e Iniciantes que terá como tema: “Está a sós com Aquele que sabemos que nos ama” e como lema: Oração: Um trato de amizade com Deus. Estamos nos preparando com grande alegria para este momento e gostaríamos muito de termos vocês como nossos aliados. Sejamos comprometidos com a santidade carmelita no mundo, vivenciando as palavras do texto do Papa João Paulo II “Precisamos de Santos sem véu ou batina. Precisamos de Santos de calças jeans e tênis...”

O nosso agradecimento todo especial ao Frei Wilson e a todos os freis da casa de teologia pela acolhida; a Mª Helena pela docilidade de sempre e as comunidades Santa Teresinha, Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz que nos brindaram com uma bela confraternização, num verdadeiro espírito natalino. A comissão de formação pela parceria. A todos o nosso Deus lhe pague.

Andréia Virgínia da Silva

(Pela Comissão de Jovens e Iniciantes da OCDS)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Começando a conhecer São João da Cruz


1542 – Fontiveros, Povoado entre Medina e Salamanca - Nasce João, filho de Gonçalo de Yepes e Catarina Alvarez. Caçula. Seus irmãos: Francisco e Luís.

Foi Francisco, irmão de João, quem fez um relato do primeiro período de sua vida. Suas origens, o difícil começo, vida em família até os 21 anos.
Daí, mesmo sendo um relato simples, podemos traçar seu perfil psicológico e espiritual.


-Dificuldades - fracassa nos trabalhos manuais: pintor, entalhador, alfaiate - quer ajudar nas finanças, mas não consegue.


_ Três qualidades - religiosidade, o amor e serviço aos doentes e dedicação aos estudos.
_ Piedoso - coroinha, futuro contemplativo.
_ Serviço aos doentes terminais – tuberculose, malária, sífilis, peste... - Hospital de Las Bubas, em Medina Del Campo.
_ Dedicação aos estudos - aproveitava o tempo para estudar - costumava estudar à noite no depósito de lenha (na época do hospital).

Dos 17 aos 21 anos - colégio dos Jesuítas.
O hospital o queria como capelão e os jesuítas o queriam pelos seus dotes intelectuais e de piedade. Aos 21 anos - 1563 - fim do Concílio de Trento, escolhe o Carmelo (Medina).

(Concílio de Trento – Concílio da contra reforma – mais longo – cidade de Trento – Itália – 1545 – 1563). Tópicos de discussão: Protestantismo/combater. Reforma da Igreja Católica, confirma a presença de Cristo na Eucaristia, superioridade do Papa, seminários, reorganização da Inquisição, salvação, obrigações dos bispos.

Por que João da Cruz escolhe o Carmelo? Espírito contemplativo e piedade mariana.

1563 – Recebe o hábito religioso dos carmelitas.

1564 - professa com o nome de Frei João de São Matias.

1564 - Salamanca - Somente nove léguas de Salamanca, mas muito distante daquele ambiente de aulas. Foi cursar Filosofia e Teologia. Universidade no momento auge.
Mora no convento de Santo André - João sofre muito. Não está contente. Ambiente do convento mais acadêmico que contemplativo. Só se fala em cátedras, promoções, remunerações... João sofre, trabalha, silencia.
A crise não é vocacional, mas onde vivê-la?
Decide entrar para a Cartuxa.

1567 - Encontra padre Rubeo, geral da ordem, em fevereiro e Madre Teresa em outubro. Tentam tirá-lo da crise Padre Rubeo não o convence.
Teresa 52 anos e João 25anos e recém sacerdote. Teresa o convence a iniciar a reforma masculina, e a fundar, com sua ajuda, o convento de Duruelo. João da Cruz, agora é o seu nome.
Comunidade formada por padre Antônio de Jesus, Frei José de Cristo e João da Cruz.
Pacto - não contar a ninguém da experiência de Duruelo. Nem na hora de sua morte permitiu tal coisa.

1567 – Ordenação sacerdotal

1568 – encontra-se em Valladollid com Teresa para acertar a fundação das monjas.

Espírito da reforma - mais oração, austeridade de vida, vida fraterna e recreação, atividade pastoral moderada.


1568 a 1572 – Formador dos descalços. Forma e é formado, ensina e aprende, ajuda e é ajudado. Assim pensava e agia João da Cruz. Sua atividade preferida era ser mestre, formador. Dizia ser um “amadurecimento compartilhado” (Frederico Ruiz – Místico e Mestre SJC). Gostava mais de falar, orientar, do que de escrever: “Ainda que falasse dias e noites sobre N. Senhor, não se cansava nem se cansaria, desde que os que o ouvissem não se cansassem” (Pr 378)

1572 a 1577- Formador das monjas, confessor do Mosteiro da Encarnação a pedido de Madre Teresa. Está agora com 30 anos. Estreita os laços de amizade com a priora Madre Teresa. "Tão diferentes e tão complementares".

1575/1576 – Considerado incômodo, rebelde. Prisioneiro em Medina, libertado em seguida.

1577/1578 - Prisão - Após 14 anos de sua entrada para o Carmelo é seqüestrado e encarcerado na prisão do convento de Toledo, em um cubículo, sem ar e sem luz. Estava na metade de sua vida religiosa - morre 14 anos após o cárcere.
É amarrado, arrastado, olhos vendados. Não por terroristas criminosos, mas por freis carmelitas calçados, seus irmãos. Sofre fome, sede, frio. Passava a pão e água. Ajoelhado recebia açoites nas costas e às vezes até mais do que mandava o castigo, dependia do carcereiro ou do mestre. Dizia que recebeu mais açoites que São Paulo. Falava com respeito e bondade daqueles que o havia maltratado. Prisãozinha, assim se referia ao cárcere.
Motivo da prisão - queria viver uma vida mais austera.

A legislação previa este tipo de castigo.
João da Cruz foi considerado um homem rebelde, quando na verdade era um homem pacífico.
"Estas coisas não são feitas pelos homens, mas por Deus, que sabe o que melhor nos convém e as determina para o nosso bem. Não pense outra coisa, mas que Deus tudo ordena e onde não há amor, coloque amor e obterá amor".
João não deixou que o cárcere o destruísse física, psíquica ou moralmente, mas que o transformasse em uma nova criatura humana e espiritual. Entregou-se passivamente nas mãos de Deus. "Encontrou-se no ventre da baleia".
Mudança de carcereiro - mais flexível. Concede-lhe papel e lápis.
Aí então escreve o poema do Cântico Espiritual, a Fonte e os Romances.
Como entender? Encontrava-se nas piores condições físicas e psíquicas... e mesmo assim conseguia fazer poemas...

Fuga - 1578 – “De que valerá minha morte? Vou fugir”. Com pedaços de sua manta ou lençol sai por uma janela. Arrisca o salto. Cai no muro que separa o convento do rio Tejo. Procura as monjas descalças as quais o encaminham a um benfeitor até que se restabeleça.

1578 - 1588 – Jaén, região da Andaluzia, entre Úbeda e Beas, convento, solitário - O Calvário –

Andaluzia é uma região que atrai turistas até hoje. Natureza privilegiada. Cidades principais: Barcelona, Valença, Sevilla, Saragoza. No ano de 711 aC foi invadida pelos árabes que a dominaram por oito séculos.

Aí, João vive um misto de liberdade, saudade dos amigos e estranhamento, pois começa a conviver com pessoas que não conhecia e com costumes diferentes. Vive uma vida de oração, trabalho na horta - "É lindo manusear estas criaturas mudas, melhor que ser manipulado pelas vivas". Escreve Noite Escura, é superior do convento, confessor e orientador das carmelitas de Beas. Para elas escreve Avisos e Recomendações, e Comentário de poesias. Seus bilhetes, apesar de frases curtas possuem conteúdo rico e como ele mesmo dizia: “Leia-o muitas vezes”. Fica aí nove meses numa "solidão sonora".

Funda Baeza em 1579. Local de grande apostolado. Superior do Colégio de teologia, diretor da comunidade, formador dos estudantes, confessor e diretor espiritual das monjas, além de visitar os doentes do hospital.
Seu confessionário era ponto de referência. Suas homilias eram anotadas por muitos que as usavam em suas meditações, pois despertavam para a perfeição.
Escreve Cautelas e Avisos.

1580 – Morre Catalina Alvarez, sua mãe, em Medina. Mais uma grade perda e dor.

1581 – Participa do capítulo da separação – Província Independente de Carmelitas Descalços.
Novembro – Último encontro com Teresa de Jesus.

Granada - 1582 - 1588 – Prior - Convento dos Mártires - paisagem maravilhosa - jardins, planícies, cumes da Serra Nevada.
O trabalho é grande - construção de um aqueduto, claustro em arcos, viagens, leitura da Bíblia, orações, contemplação solitária, assistência espiritual e material às irmãs de Granada, cujo convento ajudou na fundação. Comunica-se muito com Madre Ana de Jesus a quem dedica os comentários do Cântico, e com D. Ana de Peñalosa, a quem dedica os escritos de Chama.
Além disso, conclui suas quatro grandes obras: Subida do Monte Carmelo, Noite Escura, Cântico Espiritual e Chama Viva de Amor.

1588 – 1591 – Segóvia – Saudades de sua Castela natal.

Maior maturidade psicológica e espiritual.
Fase negativa – Não viaja, não escreve (mesmo tendo obras inacabadas), não visita freis nem monjas)
Vida ativa e contemplativa, jejuns, convívio e solidão, mística e trabalho manual.
_ Primeiro definidor do Governo Geral. Vigário da Ordem, na ausência de Padre Dória.
_ Superior da casa.
_ Responsável pelas obras de ampliação do convento e reconstrução da igreja.
_ trabalho na obra, pedreira e horta.
Direção espiritual das monjas e leigos da comunidade.
_ Contemplação – longas horas – diante do Santíssimo ou na natureza.
Foi para Segóvia que seus restos mortais voltaram dois anos após sua morte.

Etapa final – 1591 – de junho a dezembro -

_ Junho - Capítulo Geral em Madri.
Defensor das monjas e de padre Gracián – contra padre Nicolas Dória.
Reeleição do Conselho – Todos são reeleitos menos João da Cruz.
Padre Diego Evangelista assume seu lugar – homem rancoroso que faz campanha contra João, caluniando-o.
Vai para o deserto de Pañuela – Jaén – “A imensidão do deserto ajuda muito à alma e ao corpo, mesmo que a alma esteja pobre”.
Aí sua vida é orar, trabalhar no campo, nova redação da Chama Viva.
_ Nomeado provincial para o México.
_ Febre.
Vai para Úbeda, conforme seu desejo, para se tratar. Motivo do desejo: ali ninguém o conhecia, e o prior era amigo de Diego Evangelista, o rancoroso, que certamente o trataria como o próprio.
A doença se agrava: febre alta, ferida na perna direita, nas costa. Ossos amputados da perna sem anestesia.
Foi maltratado pelo prior, que reclamava das despesas, proibia visitas etc.
Dizia sempre: “Mais paciência, mais amor e mais dor”.
Queima todas as cartas dos amigos temendo expô-los.
Dois dias antes de sua morte pede perdão ao prior pelas despesas e incômodos, e ainda pede-lhe o hábito para ser enterrado.
O prior se converte.
Pede que leiam o Cântico dos Cânticos, o qual lia de joelhos.

De 13 para 14 de dezembro de 1591, ao ouvir o sino para as matinas exclama: “Vou cantar matinas no céu”. Morre.

(Em estudo)

Lourdes Pimenta, ocds
Comunidade Santa Teresinha de Passos
07/12/2007

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

VEM, SENHOR JESUS!


Vem nascer em nós, Senhor Jesus!
Nossa terra tão seca, rachada,
sedenta, cansada,
mas chamada a ser fértil,
rejeita esta veste tecida de monotonia
e tingida de esterilidade,
feita de esperas superficiais,
fecunda de ilusões...

Nossa terra espera por Ti, Jesus,
criador de desejos,
portador de mistérios,
realizador dos divinos desígnios
e dos humanos projetos.

Nossa terra clama por Ti, Jesus,
encarnação de paz,
de plena ternura,
de plenitude humana,
de liberdade divina e de libertação da história.

Vem, Senhor Jesus!
Vem nascer em nós,
náufragos na solidão orgulhosa
e renitentes no egoísmo que mata.
Vem trazer-nos alegria
e o amor que a todos contagia.
Vem infundir em nós,
no árduo caminho da dor,
a sabedoria da cruz
e, ainda, mais amor.
Vem gerar em nós,
vagueantes sem norte,
cansados viandantes
em busca de metas distantes e estéreis ideais,
vem gerar opções certas: sem vacilação,
e verdadeiras: sem ilusão.

Vem, Jesus,
e irradia em nós tua luz
e rompe com todas as dúvidas
que pairam no ar e no coração.
Vem nascer em nós, Jesus!
Nossa gruta te espera!
Nossa gruta, nosso coração
nossa vida, nossa terra,
nossa história.
Nossa gruta por vezes quente – obrigado, Senhor! –
por vezes fria – perdoa-nos, Senhor! –
às vezes estreita –liberta-nos, Senhor! –
às vezes luminosa, às vezes escura,
nossa gruta, nossa pobre “Belém” te espera.
Vem nascer em nós a cada instante, a cada hora.
Sem Ti, Jesus, é noite funda
e contigo em nossa vida,
è dia sem fim.
“Amém! Vem, Senhor Jesus!”

Frei Pierino Orlandini

domingo, 2 de dezembro de 2007

NOTICIAS DA COMUNIDADE DE PASSOS



"Nós carregamos o céu dentro de nós,
porque aquele que sacia os bem-aventurados,
na luz da visão beatífica,
entrega-se a nós na fé e no mistério."
Beata Elizabete da Trindade


Noticias de Passos

A Comunidade de Passos teve eleições para Presidente, no dia 27/11/2007, com a presença de nosso delagado Provincial Frei Pierino Orlandini. Sempre sereno e disponível para as nossas necessidades. Também neste dia 27/11, comemormos 22 anos de vida fundação.
Nossa gratidão e carinho á nossa presidente anterior Aparecida Ribeiro, por tudo que fez pela comunidade, e pela Ordem Secular de Passos. Que Deus sempre a cubra de bençãos e a acompanhe sempre nossa padreoira Santa Teresinha do Menino Jesus.
Sandra Regina Ferreira, presidente eleita , participa de nossa Comunidade desde a sua fundação , tendo já um trabalho silencioso e amoroso de muitos anos.
Nossa Comunidade acolhe a nova presidente Sandra e deposita junto com ela aos pés de Nossa Senhora do Carmo a Confiança e o trabalho para que possamos concientes de que carregamos o céu dentro de nós sejamos semeadores da espiritualidade Carmelitana e testemunhas do amor dde Cristo, Como o foram Santa Teresa e S.João da Cruz.

A Comunidade Santa Teresinha também deseja a todos os Carmelitas Seculares, que tenham um santo Natal e o ano novo de 2008 cheio de graças.


Rosemeire Lemos Piotto,ocds
Conselheira da Comunidade S. T. de Passos
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