segunda-feira, 29 de dezembro de 2014


Formação para o grupo Beata Elisabete da Trindade, Coronel Fabriciano, MG

 

Foi realizado formação carmelitana nos dois últimos finais de semana, 07 e 14/12 com os seguintes temas:

 

A virgem Maria na vida e na reforma Teresiana ministrada pela nossa irmã Cissa da comunidade Sta Teresinha de Caratinga, MG. Tivemos uma tarde muito rica de conteúdo e dinâmica.

 




Humildade, ministrada pela Ana Scarabelli, iniciamos nossa reunião com as vésperas e em seguida momento de oração e meditação diante do Santíssimo e após a formação com as famosas apresentações de nossa querida Ana. Também para encerrar, nosso conselheiro Paulinho com sua visita explanando sobre a nova direção da OCDS e a agenda de 2015. Agradecemos aos irmãos da comunidade Sta Teresinha que com tanto carinho se dispôs a estar conosco nesse mês de dezembro.







quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Mensagem de Natal do delegado Provincial para Ocds das regiões Norte e Nordeste

Marechal Deodoro/AL, 25 de dezembro                                   2014


Ó pastores que velais,
A guardar vosso rebanho,
Eis que vos nasce um Cordeiro,
Filho de Deus soberano.

(Santa Madre Teresa de Jesus, Poesia XI – Ao Nascimento de Jesus)

                                      
   Prezados irmãos e irmãs da OCDS,

O Natal do Senhor é a Festa da fidelidade de Deus às suas promessas. Sejamos nós também fiéis a Ele. Jesus Cristo vem no Natal para fazer dos corações humanos presépios, transformar-nos, mudar a realidade da morte em vida, construir um novo mundo fundamentado em novas relações de amor, ternura, justiça, paz e fraternidade.
         Que este Natal e todo o 2015, Ano do V Centenário de Nascimento de Santa Teresa de Jesus, sejam cobertos das melhores graças e bênçãos do Menino-Deus! FELIZ NATAL! São os votos de quem muito os estima, em Cristo Jesus, Senhor da Vida!
         Fraternalmente,

Frei André Severo de Araújo, OCD
Delegado provincial para a OCDS nas regiões Norte/Nordeste

Assistente para a Comissão Jovem OCDS

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

DISCURSO DE NATAL DO PAPA FRANCISCO.


O Papa Francisco, em audiência com membros da Cúria Romana (Cardeais, Bispos e altos funcionários) fez um dos mais duros discursos feitos por um Papa na História da Igreja, ao apontar e criticar várias "doenças" existenciais e comportamentais que acometem a Cúria. 
O seu jeito peculiar de ser, alternando momentos de palavras fortes e exortadoras com palavras amáveis e consoladoras, o Santo Padre "abriu o peito da Igreja" para expor vícios e pecados que, segundo ele, precisam ser extirpados para que a Igreja, a começar pelo próprio Vaticano, seja sinal verdadeiro da presença de Cristo no mundo. 




Cidade do Vaticano (Rádio Vaticana) – “A Cúria é chamada a melhorar-se sempre e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar plenamente a sua missão”: Foi o que disse na manhã desta segunda-feira (22), o Papa Francisco no discurso à Cúria Romana por ocasião dos tradicionais votos de Feliz Natal. “Também ela, como todo corpo, está exposta às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade”.
O Papa quis então mencionar algumas dessas prováveis doenças: são doenças habituais na nossa vida de Cúria, disse, acrescentando: “são doenças e tentações que enfraquecem o nosso serviço ao Senhor. Ajudar-nos-á o catálogo das doenças – seguindo o caminho dos Padres do deserto, que faziam esses catálogos – do qual falamos hoje, a nos preparar para o Sacramento da Reconciliação, que será um bonito passo de todos nós para nos prepararmos para o Natal”.
Depois de agradecer a Deus pelo ano que está terminando, pelos eventos vividos e por todo o bem que Ele quis generosamente realizar através do serviço da Santa Sé, o Papa Francisco pediu perdão a Deus pelas faltas cometidas “em pensamentos, palavras, obras e omissões”. O Pontífice fez então um elenco das doenças iniciando pela doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável”, descuidando dos necessários e habituais controles.
Uma Cúria que não faz “autocrítica”, que não se atualiza – disse o Papa – que não procura se melhorar é um corpo doente. Uma visita aos cemitérios nos poderia ajudar a ver os nomes de tantas pessoas, que talvez pensassem serem imortais, imunes e indispensáveis e, na verdade, estão lá, sepultadas! É a doença do rico insensato do Evangelho que pensava viver eternamente, e também daqueles que se transformam em "padrões" e se sentem "superiores a todos" e não ao serviço de todos. Disso deriva a patologia do poder, do “complexo dos eleitos”.
Em seguida o Papa falou de outra doença, a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva laboriosidade: ou seja daqueles que se afundam no trabalho, descuidando, inevitavelmente, “a parte melhor”: sentar-se aos pés de Cristo. O tempo de repouso, para quem terminou a sua missão, – aconselhou o Papa – é necessário, devido e deve ser vivido seriamente.
Há também a doença da “petrificação” mental e espiritual: ou seja daqueles que possuem um coração de pedra e uma “pescoço duro”; daqueles que, ao longo da estrada perdem a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e se escondem nos papéis tornando-se “maquinas de documentos” e não “homens de Deus”. É a doença daqueles que perdem “os sentimentos de Jesus”, porque os seus corações, com o passar do tempo, se endurecem se tornam incapazes de amar de modo incondicional o Pai e o próximo.
Tem também a doença do excessivo planejamento e do funcionalismo. Quando o apóstolo planeja tudo minunciosamente e acredita que está fazendo um perfeito planejamento das coisas, de fato progridem, tornando-se assim um contabilista ou contador. Preparar bem é necessário, mas sem cair na tentação de querer fechar e pilotar a liberdade do Espírito Santo que é sempre maior e mais generosa de qualquer planejamento humano. Cai-se nesta doença porque “é sempre mais fácil e cômodo apoiar-se nas próprias posições estáticas e imutáveis”.
Outra doença – destacou o Papa Francisco – é a doença da má coordenação: quando os membros perdem a comunhão entre eles e o corpo perde a sua harmoniosa funcionalidade e temperança, tornando-se uma orquestra que produz rumor (barulho, desarmonia) porque os seus membros não colaboram e não vivem o espírito de comunhão e de grupo. Quando os pés dizem ao braço “não tenho necessidade de você”, ou a mão à cabeça “eu comando”, causando assim problemas e escândalo.
Há também a doença do Alzheimer espiritual: ou seja, esquecer a “história da Salvação”, da história pessoal com o Senhor, do “primeiro amor”. Trata-se de um declínio progressivo das faculdades espirituais que em certo intervalo de tempo causa graves deficiências à pessoa tornando-a incapaz de realizar atividades autônomas, vivendo em um estado de absoluta dependência de seus horizontes frequentemente imaginários.






A doença da rivalidade e da vanglória: quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra tornam-se o principal objetivo de vida, esquecendo-se das palavras de São Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada um também para o que é dos outros. É a doença que nos leva a sermos homens e mulheres falsos e viver um falso "misticismo” e um falso “quietismo”.
A doença da esquizofrenia existencial: é a doença de quem vive uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que láureas ou títulos acadêmicos não podem preencher. Uma doença, que atinge frequentemente aqueles que, abandonando o serviço pastoral, limitam-se aos afazeres  burocráticos, perdendo assim o contato com a realidade, com as pessoas reais. Criam assim um mundo paralelo, onde colocam de lado tudo o que ensinam de modo severo aos outros e iniciam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão é urgente e indispensável para esta doença muito grave.
A doença das fofocas, das conversas fiadas e mexericos: desta doença já falei muitas vezes, mas nunca o suficiente: é uma doença grave que começa simplesmente, talvez por causa de uma conversa fiada e toma conta da pessoa tornando-a "semeadora de discórdia" (como Satanás), e em muitos casos "assassino a sangue frio" da fama dos próprios colegas e coirmãos. É a doença de pessoas covardes que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. São Paulo nos adverte: "Fazei todas as coisas sem murmurações, para serem irrepreensíveis e puros”. Irmãos, vamos tomar cuidado do terrorismo das fofocas!
A doença de divinizar os chefes: é a doença dos que estão cortejando os superiores, na esperança de obter a sua benevolência. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honram as pessoas e não Deus (cfr Mt 23: 8-12.). São pessoas que vivem o serviço pensando apenas no que elas desejam obter e não o que elas devem dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas somente pelo próprio fatal egoísmo. Esta doença também pode afetar os superiores quando cortejam alguns de seus funcionários para obter a sua submissão, lealdade e dependência psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.
A doença da indiferença para com os outros: quando cada um pensa só em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais experiente não coloca o seu conhecimento ao serviço dos colegas menos experientes. Quando se toma conhecimento de algo e você mantém só para si, em vez de compartilhá-lo com outras pessoas de forma positiva. Quando, por ciúmes ou dolo, sente alegria em ver o outro cair em vez de levantá-lo e incentivá-lo.
A doença de rosto de funeral: ou seja, das pessoas rudes e carrancudas, que consideram que para ser sérias é necessário pintar o rosto de melancolia, de severidade e tratar os outros - especialmente aquelas consideradas inferiores - com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e insegurança sobre si mesmo. O apóstolo deve se esforçar para ser uma pessoa educada, serena, entusiasmada e alegre, que transmite alegria onde quer que esteja. Um coração cheio de Deus é um coração feliz que irradia alegria e contagia todos os que estão ao seu redor. Portanto, não vamos perder esse espírito alegre, cheio de humor, e até mesmo auto-irônico, que nos torna pessoas amáveis, mesmo em situações difíceis.
A doença do acumular: quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial em seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas apenas para se sentir seguro. Na verdade, nada de material poderemos levar conosco, porque "a mortalha não tem bolsos" e todos os nossos tesouros terrenos - mesmo se são presentes - nunca vão preencher esse vazio. Para essas pessoas, o Senhor repete: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um infeliz, e miserável, e pobre, e cego, e nu; sê pois zeloso, e arrepende-te”. O acúmulo somente pesa e atrasa o caminho inexorável!
A doença dos círculos fechados: onde pertencer a um pequeno grupo torna-se mais forte do que pertencer ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre com boas intenções, mas com o passar do tempo escraviza os membros tornando-se "um câncer" que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal - escândalos - especialmente aos nossos irmãos menores. A auto-destruição ou "fogo amigo" de soldados companheiros é o perigo mais insidioso. É o mal que atinge a partir de dentro e, como disse Cristo: “Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado”.
E a última: a doença do lucro mundano, dos exibicionismos: quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder, e o seu poder em uma mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poderes. É a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e para este fim são capazes de caluniar, de difamar e desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e revistas. Naturalmente, para se exibir e se demonstrar mais capaz do que os outros. Também esta doença faz muito mal ao Corpo, porque leva as pessoas a justificarem o uso de todos os meios para alcançar tal objetivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência!
Irmãos, - concluiu o Papa - tais doenças e tais tentações são, naturalmente, um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial, etc.. e podem afetar seja o indivíduo seja a comunidade.
É preciso esclarecer que somente o Espírito Santo - a Alma do Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno Constantinopolitano: "Creio ... no Espírito Santo, Senhor que dá a vida" – pode curar todas as doenças. É o Espírito Santo que sustenta todos os esforços sinceros de purificação e toda boa vontade de conversão. É Ele que nos fazer entender que cada membro participa da santificação do corpo e do seu enfraquecimento. Ele é o promotor da harmonia.
A cura é também o resultado da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de curar-se, sobretudo com paciência e perseverança. (SP)

Frei Marcos Juchem Júnior encontra-se com o Papa Francisco


O religioso destaca o carisma e a sabedoria do 
Sumo Pontífice da Igreja Católica.




                 O entrevistado               
            Sou Frei Marcos Juchem Júnior, nascido em Montenegro, no Vale do Caí, na localidade de Santa Teresinha, hoje município de Bom Princípio. Sou o sexto filho, de um total de treze, do casal Marcos Juchem e Adela Silvia Selbach Juchem, ambos vivos, o pai com 94 anos e a mãe com 91, residentes em Santa Teresinha, Bom Princípio. A ordem à qual pertenço é dos Carmelitas Descalços. Entrei na Ordem Carmelita em 1965, quando tinha 12 anos. E tenho hoje o encargo de Definidor Geral para toda América Latina e o Caribe e ainda para alguns serviços em países na Europa, num total de 40.
  
                     O trabalho pastoral 
        O Definidor Geral reside em Roma, onde somos nove membros, que temos a responsabilidade de animar toda a ordem, presente em 120 países. Esse encargo é exercido por seis anos. A cada seis anos, se reúnem todos os superiores carmelitas, do mundo inteiro, numa assembleia, chamada de capítulo-geral, que serve para a eleição da nova equipe diretiva. Fui eleito para minha atual tarefa no último capítulo-geral, ocorrido em Fátima, Portugal. 
       Em Roma, onde residimos, nos reunimos a cada três meses, para avaliar e programar como animar nossos religiosos no mundo. Na maior parte do tempo, viajamos, visitando os conventos que estão sob nossa responsabilidade. Na América Latina, temos 300 conventos, de frades e irmãs carmelitas. Ao visitar a esses conventos, presentes em todas as geografias, desde a Patagônia ao México, ora se está na costa do Pacífico, ora no Atlântico, ao nível do mar ou a mais de quatro mil metros de altura, como nas cidades da Cordilheira dos Andes.


                    Encontro com o Papa
                 Aqui em Roma, além do nosso empenho na cúria-geral da ordem, participamos de eventos diversos no Vaticano, de celebrações, temos contato de modo geral com o Papa, como também contato em particular. Assim, estive, no dia 11 dezembro, quinta-feira, participando da missa em reservado com o papa Francisco, às 07 horas da manhã. Nesta época do ano, inverno em Roma, é ainda escuro nesse horário, ao me dirigir à Casa Santa Marta, casa para hospedagem dentro do Vaticano, onde o Papa Francisco decidiu ter sua residência, não indo aos assim chamados palácios apostólicos. 
                  Na Casa Santa Marta, está a pequena capela, que é a sede da Paróquia do Vaticano, onde o Papa, todas as manhãs, celebra a Santa Missa. Assim, justo às 07 da manhã, o Papa entra, revestido de simples sacerdote, para celebrar. Estivemos presentes uns poucos padres e um pequeno grupo de leigos. Após a Missa, o Santo Padre nos recebe em particular, com interesse, curiosidade e paciência, como se nada tivesse que fazer depois durante todo o dia. Ele pergunta e se interessa, tendo uma memória espetacular e um humor e alegria contagiantes.

  
            Impressões sobre o Papa Francisco
            Um fato que ainda estamos vivendo e que a história revelará é que o primeiro papa latino-americano é um homem sábio. De fato, é a palavra que encontrei para defini-lo, um homem sábio. Todos sabemos que um sábio é alguém que tem um conhecimento não superficial, e sim um conhecimento profundo. Conhecimento esse que não é uma coisa de inteligência somente, mas sim conhecimento que se transforma em vida, em testemunho, em diálogo, em comunicação, conhecimento que contagia. Dessa maneira, o Papa Francisco é um sábio, na dimensão espiritual, cristã e humana. A ele, podemos aplicar a afirmação bíblica: "Cresceu em sabedoria e graça". 
            Aqui em Roma, aumentou em muito o número de turistas, em muitos lugares é até difícil caminhar. Eu afirmo que toda essa gente não vem para Roma somente para ver um ancião vestido de branco, que reza e tem alguma aparição em público. O povo vem a Roma buscar algo mais, esse algo é transmitido pelo Papa Francisco, pelos meios de comunicação. Qual a causa dessa comunicação tão forte e envolvente do papa Francisco? Ele é apontado pelo mundo como um grande comunicador, talvez o maior de hoje. Creio que são várias as causas (veja na sequência).

  
           Qualidades do Sumo Pontífice 
          1. Um homem de profunda capacidade de simpatia e empatía, quer dizer, sabe ver além do exterior, valoriza e compreende a pessoa, a ama, sobretudo quando a vê carregada de sofrimentos e dificuldades.

          2. A simplicidade da sua comunicação. Não utiliza palavras e raciocínios complicados. Como dizia antes, é um homem sábio, que o faz simples, sem complicações. Ele é tão simples e direto na sua comunicação que somente um sábio consegue ser tão simples e convincente.

         3. Se comunica sobretudo pelo testemunho, pelos gestos. Não é exageradamente acadêmico. Se diz que somos pecadores, ele diz que é o primeiro pecador. Se diz que procuremos a Cristo e a Deus para as nossas vidas, ele é o primeiro a procurá-los. Se diz que amemos e ajudemos aos pobres e necessitados, ele é o primeiro a fazê-lo. Se nos diz que confessemos os nossos pecados, o faz a cada 15 dias. Se pede que rezemos, ele é primeiro a rezar. Se pede que sejamos servidores, ele é o primeiro a servir, a ter "cheiro de rebanho, de ovelha". Se pede para sermos empreendedores, é o primeiro a empreender.

      4. É um homem transparente e pede transparência para a Igreja. Aqui o vemos sem estardalhaços e gritos, realizando com determinação uma reforma em toda a Igreja, dentro do próprio Vaticano. Reforma e mudança na conduta dos cristãos todos, a nível pessoal, administrativo e econômico. Diz que somos pecadores, é da nossa condição, mas que não sejamos corruptos e mafiosos.

       5. Se comunica com um jeito de ser, ao vivo, diante de dezenas de milhares de pessoas, com seus gestos, o aceno com a mão, o polegar erguido, ok, positivo, obrigado! Afaga as crianças, anciãos, enfermos e que dizer daquele abraço a um homem que tem toda a cabeça e rosto deformados por uma enfermidade? O papa o abraça e o achega para si e depois esse homem diz: “A partir daí, minha vida mudou".

         6. Porque o papa fala uma linguagem atual, de temas atuais, de valores dos quais todos temos necessidade, entre os quais se destacam: 
A) o respeito pela dignidade da pessoa humana, que não pode ser usada, explorada, empobrecida, escravizada, descartada; 
B) a família, todos estamos acompanhando o sínodo sobre a família; 
C) a insistência pela paz, o colocar fim aos conflitos armados e à fabricação de armas, sobretudo as de destruição atômica; 
D) os perseguidos pelas guerras, cristãos perseguidos e martirizados, migrantes em busca de melhores condições de vida;
E) a compreensão, o diálogo, a misericórdia, isso é, que compreendamos os erros, as imperfeições e pecados, alheios e nossos. Que todos somos necessitados disso e que Deus, em primeiro lugar, é diálogo, graça, misericórdia, perdão. Como ele diz: "Deus nunca se cansa de perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão". O papa não é um pastor que anda com um bastão numa mão e, na outra, com o Direito Canônico, dando golpes nas ovelhas, muito menos nos necessitados, abandonados, sofridos, pessoas com suas famílias desfeitas.

       7. Transmite uma mensagem alegre. Em sua encíclica "A Alegria do Evangelho”, apresenta uma visão positiva de Deus, de Cristo e da sua Igreja e pede que a Igreja não seja uma aduana pesada, controladora da graça e do sagrado, que imponha fardos pesados. Alegria que não significa dar gargalhadas, e sim é uma paz profunda, em meio, inclusive, aos problemas e dificuldades da vida.


            Mensagem do Papa ao Vale do Caí

           Qual a mensagem direta do Papa Francisco aos habitantes do Vale do Caí? As pessoas o conhecem um pouco pelos meios de comunicação, mas o querem mais próximo. Transmitindo ao papa como é a nossa região do Vale do Caí, de como vivem, se ocupam e trabalham os seus moradores, o Papa deixa uma mensagem.

        Que muito se alegra de como vocês vivem, do trabalho feito com tanto empenho e dignidade, o cultivo da terra, na produção de alimentos, sobretudo frutas, as mais variadas, cítricos, amoras, morangos, hortigranjeiros. Os aviários e suínos, os tambos de leite. A indústria de transformação, as cerâmicas, as serrarias, os móveis, os utensílios de limpeza, servindo toda a região  na construção civil, os serviços de saúde e educação, comércio, etc....

        E o Papa valoriza muito e agradece, pois acolhem também aos migrantes que vem de longe, da África, do Haiti, gente pobre, que enfrenta grandes sacrifícios, a questão da língua e, sobretudo, as viagens cansativas e feitas na expectativa e insegurança: “Vou chegar, vou conseguir sobreviver?”, deixando para trás seus amigos, parte da família e amigos.

     O Papa também diz à população do Vale do Caí que, assim como trabalham com tanto empenho pelas necessidades diárias, não trabalhem só para conseguir dinheiro e comprar coisas materiais,  a televisão, um computador, um celular, material para construir uma casa, comprar um carro,  ter um dinheiro para ir ao baile, deixando-se escravizar pelo consumismo, a diversão descontrolada deixando-se explorar... Que vocês também trabalhem e busquem os valores que dão um sentido importante para a vida de vocês.

         Ele insiste e pede que vocês também olhem com carinho para a realidade da família na qual nasceram, sabendo das grandes dificuldades que enfrentaram os imigrantes, constituindo famílias, que, na verdade, são escolas para a vida. Constatamos as dificuldades das famílias, não só dificuldades de moradia, comida e trabalho, mas o desafio de constituir a família, o continuarem unidos. Aqui é importante se dar conta que não vamos pensar e julgar as famílias desfeitas, dos pais que se separaram, de tantos jovens que têm dificuldade em assumir um matrimônio estável.  E sim vamos olhar para todas as famílias, a minha família. Ninguém de nós é perfeito, nem a Igreja é perfeita, ouvimos e sabemos das notícias ruins e defeitos graves que ela tem em seus membros. Assim, as famílias são constituídas por pessoas, que erram, têm inseguranças, mas que desejam mesmo se equilibrar, fortalecer, para que seus filhos tenham o melhor, onde até é bastante fácil dar presentes e brinquedos, porém é importante, pois cada um de nós quer e sabe que  necessita ter para si uma família alicerçada sobre o amor, e educada nos valores perenes.

          O pai e mãe são presença, educação e segurança junto aos filhos, o que requer, muitas vezes, um grande esforço, no entanto, que vale a pena. Como é grande, incomparável, o casal poder gerar novas vidas, vidas essas que precisam de seu lugar específico, que não se improvisa, lugar esse  que podemos chamar de sagrado, pois a vida humana é sagrada,  sempre, destinada a um fim de realização no bem, na dignidade, na fraternidade.

       O Papa, sabendo que uma das pontes sobre o rio Caí, na RS 122, em Bela Vista, está em reforma, diz que é assim na nossa vida. Precisamos de duas pontes, uma por onde transitam nossas riquezas materiais. A outra ponte por onde transitam nossos valores e riquezas humanas e espirituais. Às vezes, precisamos reformar uma ou outra ponte. Uma ponte só é muito pouco, não dá conta de transportar o que somos, toda a nossa imensa riqueza interior. Tendo só uma ponte, há o perigo de nos acidentarmos, como o que tem acontecido nessas pontes, tirando vidas e atrapalhando em muito, com prejuízos materiais e vidas perdidas, algo incalculável e inconsolável.


        Mensagem final do Frei Marcos

      Assim, estimados leitores, o encontro com o Papa Francisco é importante, emocionante e, sobretudo, de grande valor. Continuemos nos encontrando com ele, escutando seus ensinamentos e imitando seus gestos.
      Finalizo desejando a todos um Natal abençoado e que o Menino Jesus encontre em cada coração um cantinho simples, mas cheio de bem-querer, pois assim vocês terão um ano de 2015 pleno de realizações.



Santo Padre Francisco e o Definidor Geral
para a América Latina e Caribe, Frei
Marcos Juchem Júnior, ocd. 




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