segunda-feira, 30 de agosto de 2010

XXVII CONGRESSO PROVINCIAL OCDS - São Roque-SP


Espanha: 12 mártires carmelitas a caminho dos altares (II)

Por Carmen Elena Villa

ROMA, domingo, 29 de agosto de 2010 (ZENIT.org) -

O Papa Bento XVI assinou o decreto que comprova o martírio do Pe. José María Mateos, junto com os sacerdotes Elías María Durán, José María Mateos, José María González, e os irmãos Jaime María Carretero e Ramón María Pérez Sousa, Antonio María Martín e Pedro Velasco.
Todos foram assassinados entre julho e setembro de 1936. Os religiosos foram presos nos conventos de Montoro e de Hinojosa del Duque.
Publicamos a segunda parte desta reportagem. A primeira parte foi publicada no domingo passado e nela se narra a invasão do convento de Montoro e o assassinato de José María Mateos e Elías Durán.

Hinojosa del Duque
Outros 50 religiosos carmelitas moravam no convento da pequena cidade de Hinojosa del Duque, situada na província de Córdoba, em Andaluzia. Esta se caracterizava por ser muito pacífica.
No entanto, no dia 27 de julho de 1936, vários milicianos irromperam a calma, entrando no convento. Alguns religiosos, por precaução, haviam sido enviados às casas das suas famílias, alguns dias antes.
"Lá, o ambiente era de destruir tudo o que cheirasse a religião, tanto as imagens sagradas como os edifícios sagrados ou templos; os milicianos eram assassinos e incendiários, profanavam tudo o que encontravam pela frente; por exemplo, colocavam os confessionários nas portas do templo, para que servissem de guaritas", diz uma testemunha citada na Positio.
Muitos deles perceberam que o martírio se aproximava, razão pela qual quiseram dispor-se interiormente, fazendo penitência e comendo somente pão e água.
"Só sei que pareciam todos valentes e decididos para receber ou sofrer o martírio. Isso eu sei também por sua família", disse Sor Damiana Goñi Senosaín, uma das testemunhas.

Moyano Linares, íntegro até o final
Este sacerdote, que foi também o provincial da comunidade entre 1926 e 1932, nasceu em 1891 e entrou na comunidade em 1907. Recebeu o sacramento da ordem em 1914, na basílica de São João de Latrão, em Roma.
"Era culturalmente de maior nível. Havia entendido e estava convencido de que deveriam sofrer o martírio", disse o Pe. Grosso.
O Pe. Moyano permaneceu 38 dias preso por seus perseguidores antes de ser assassinado. Foi amontoado junto a outras 70 pessoas e humilhado da pior maneira: jogaram fezes nele e o deixaram em uma cela com uma prostituta. Ele permaneceu fiel ao voto de celibato.
"Tiravam-no de lá para realizar operações de limpeza pública, como varredor, ou trabalhos pesados, carregar sacos, regar as árvores do parque. Espancavam-no até fazê-lo sangrar", conta uma testemunha.
"Ele pediu para ser o último em morrer, para poder absolver os pecados de todos os seus companheiros de cativeiro", conta,
"Sua conduta na prisão foi exemplar. E eu o ouvi dizer ao meu irmão que costumava exigir deles um perdão positivo dos seus inimigos", assegurou Juan Jurado Ruiz, outra testemunha.

Pe. José María González Delgado
O amor a Nossa Senhora e ao Santíssimo Sacramento era o que mais caracterizava José María González Delgado, nascido em 1908. Aos 21 anos, ingressou na Ordem e fez sua profissão solene em 1935.
"A era dos mártires ainda não terminou. Talvez Deus tenha nos destinado a seguir os passos daqueles heróis", escreveu uma vez ao seu diretor espiritual.
E foi ele o primeiro em morrer após a invasão ao convento de Hinojosa del Duque. Os milicianos jogaram uma bomba. "Ele fugiu e foi buscar sua família. Uma prima não o acolheu, outra sim", conta o Pe. Grosso. "Depois, descobriram uma medalha no pescoço dele e assim o prenderam", conta seu postulador.
Uma das testemunhas relatou como o levaram até a morte, junto a outros presos: "Serviram como escudos humanos. No meio da confusão, foram matando todos a tiros, no pátio da prefeitura".

Eliseo Camargo Montes
Este religioso nasceu em 1887 e entrou no convento aos 28 anos, depois de ter mantido sua família com seu trabalho, devido à morte prematura dos seus pais.
Era o cozinheiro da comunidade. No dia da invasão, pulou o muro do convento e foi hospedou em uma casa de família. No entanto, os milicianos o capturaram supostamente para que servisse de guia na busca de armas. Obrigaram-no a pisotear o sangue dos seus irmãos.
Foi assassinado junto com o Irmão José María. "Ambos demonstraram valor diante dos sofrimentos, sem queixar-se; foram presos e depois assassinados unicamente por serem religiosos. Fundo esta crença no conhecimento que tive de ambos", disse Alfonso María Cobos López, uma das testemunhas.

Nessa invasão, foi martirizado também José María González Cardeñosa, nascido em 1902. Sua mãe morreu quando ele tinha 2 anos e por isso ficou sob os cuidados da sua avó. Aos 23 anos, fez sua profissão solene, apesar de que seu pai se opunha à sua vocação. Seus irmãos lembravam dele como alguém humilde, caridoso com o próximo e obediente com seus superiores.
No dia da invasão ao convento, ele quis ficar junto com Antonio María Marín e Pedro Velasco Narbona.
Também morreu Antonio María Povea, que entrou na comunidade aos 36 anos. Era o porteiro do convento e nele se destacava a paciência, a simplicidade e a humildade. Foi ele quem abriu a porta aos milicianos e, nesse momento, foi tomado como refém. "Só sei que deve ter morrido por ser religioso, pois não havia outro motivo ou razão", disse a testemunha José Lotillo Rubio.
Por último, está o postulante Pedro Velasco Carbona, nascido em 1892 e membro da Ordem desde 1933. Junto com Antônio, decidiu permanecer no convento, apesar de que isso colocava sua vida em risco. Era o sapateiro e cumpria muito bem suas tarefas como postulante.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

RETIRO ESPIRITUAL COM FREI MAX FELIZARDO OCD
COMUNIDADE SANTA EDITH STEIN - DIVINÓPOLIS - MG

O retiro aconteceu nos dias 22 e 23/08/2010 no Carmelo Imaulada Conceição em Divinópolis.
Foram dois dias de relacionamento íntimo entre os membros da comunidade e de cada um com Aquele que sabemos que nos ama, encontrando-O na solidão. Solidão acompanhada, porque " o isolamento é fulga e a solidão é encontro"(Frei Max).

Enfim, foram momentos ricos, de crescimento e partilha.

Que Deus seja louvado!

Nosso agradecimento ao Frei Max pela generosidade. Amigo de coração!

"Amar a Deus é ser amigo de Deus; amar ao próximo e levar a caridade à concretude e a intimidade de amizade". (C4-7)







quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Promessa Definitiva e aniversário de 15 anos da Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus, da OCDS de Caratinga-MG


Na solenidade da Assunção de Nossa Senhora, sob grande emoção dos presentes, proferiu sua Promessa Definitiva nossa Irmã Cleuza Maria da Imaculada Conceição, na Matriz Nossa Senhora do Carmo, às 18:00hs.

O momento especial vivido por Cleuza contagiou todos os presentes, principalmente Frei Fabiano Alcides, que recebeu o sim definitivo de Cleuza ao Carmelo Teresiano Secular.

Inspirado pelo Espírito de Deus, Frei Fabiano nos lembrou da frase de Santa Teresinha na qual ela diz que “no coração da Igreja serei o amor”. Convidou aos presentes para beber da fonte Carmelitana como Carmelitas Seculares, já que o Carmelo tem um modo especial de servir a Deus : “Se você acha que o Carmelo tem um jeito diferente de viver a espiritualidade, venha viver esta experiência mais profundamente, sendo um Carmelita Secular”.

Logo após a celebração tivemos uma pequena recepção para partilhar aí também tantas alegrias: O sim de nossa neo professa e os 15 anos da OCDS em Caratinga.

Que Deus confirme a vocação de Cleuza todos os dias. Bendito seja para sempre, sempre. Amém.

BEATA MARIA DE JESUS CRUCIFICADO - 25/08/2010


Virgem

Nasceu em 5 de Janeiro de 1846 em Abellin, Galileia, Palestine como Maria Baouardy

Filha de Giries Baouardy e Mariam Shahine, uma família católica grega pobre. Doze dos seus treze irmãos morreram na infância e o nascimento de Maria teria sido uma graças às preces a Nossa Senhora. Seus pais morreram quando Maria tinha dois anos e ela foi criada por um tio paterno que mudou para Alexandria, Egito quando ela tinha oito anos. Muito comum na época, ela foi prometida em casamento com 13 anos, mas ela recusou e manifestou desejo de seguir a vida religiosa.Como punição pela sua desobediência seu tio passou a trata-la como servente domestica, fazendo o possível para mostrar que ela teria o pior e menor trabalho.Um servente muçulmano que trabalhava com ela começou a trata-la como amigo, mas tentando convence-la a deixar o cristianismo. No dia 8 de setembro de 1858, convencido que ela não abandonaria a sua fé, ele cortou a sua garganta e jogou o corpo em um beco. Milagrosamente Maria não morreu e uma aparição da Virgem Maria tratou de seus ferimentos e ela deixou a casa de seu tio para sempre. Ela viveu como doméstica trabalhando para uma família cristã.

Em 1860 ela entrou para o Convento das Irmãs de São José. Vários eventos supernaturais ocorreram com ela e a Irmãs não deixavam ela entrar para o onvento.Ela foi levada para o Convento Carmelita em Paul por uma irmã em 1867 e começou como simples noviça. Mais tarde ela entrou para a irmandade tomando o nome de Maria de Jesus Crucificado, e recebeu seu voto final em 21 de novembro de 1871.

Ela continuou a experimentar eventos supernaturais.Ela lutou durante 40 dias contra a possessão do demônio, recebeu os estigmas de Cristo (stigmata), foi vista várias vezes levitando e tinha ainda o dom da profecia e conhecimento das consciências (o que permitia a ela dar o exato Conselho Espiritual à aqueles que a consultavam), e ela ainda permitia que o seu anjo da guarda falasse através dela.

Ela ajudou a fundar o Mosteiro carmelita em Mangalore, India.

Retornou a França em 1872 e construiu um Mosteiro Carmelita em Belém em 1875. Deixando de lado os dons supernaturais, ela era conhecida pela sua notável devoção ao Espírito Santo e certa vez enviou algumas palavras ao Papa Pio IX na quais diz que o Espírito Santo não estava sendo devidamente enfatizado nos Seminários.

Faleceu em 26 de agosto de 1878 em Belém, de gangrena provocada por um ferimento ao ajudar na construção do monastério.

Beatificada em 13 de novembro de 1983 pelo Papa João Paulo II.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Aniversário de 13 anos da Comunidade Santa Teresa de Jesus - RJ

Nossos irmãos Humberto, Érica, Maria e Andrea

Anete de Santa Teresinha do Menino Jesus


Os familiares de nossa irmã Érica receberam o escapulário

Após a Santa Missa, um momento de festa e descontração...

Todos reunidos...
As Irmãs Carmelitas Servas dos Pobres.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Começa a comemoração dos 500 anos de Santa Teresa de Ávila



Congresso internacional sobre a santa poderá ser acompanhado pela internet

Por Miriam Díez i Bosch

ÁVILA, segunda-feira, 23 de agosto de 2010 (ZENIT.org) -

Teresa de Jesus (1515-1582) será recordada de forma intensa a partir deste mês de agosto até 2015, quando se completarão os 500 anos de seu nascimento. O primeiro ato internacional para preparar o centenário é um congresso sobre o "Livro da Vida", que será transmitido ao vivo pela internet.

Desta forma, centenas de religiosas carmelitas poderão acompanhar o congresso em seus conventos do mundo inteiro. A iniciativa está aberta a todas as pessoas interessadas.

O congresso começa hoje, 23 de agosto, em Ávila, com uma exposição na qual será possível observar por algumas horas o manuscrito original que a santa mística concluiu em 1562, conservado no Escorial.

Para aprofundarmos nos preparativos deste congresso que será possível acompanhar pela internet, ZENIT entrevistou o diretor da Universidade da Mística e da Fundação CITES (Centro Internacional Teresiano y Sanjuanista), o carmelita descalço Javier Sancho Fermín.

ZENIT: O "Livro da Vida" de Santa Teresa é um livro que "converte". Será falado do impacto deste livro no itinerário espiritual de Edith Stein, por exemplo, e em outros convertidos?

Javier Sancho: Certamente é uma questão que aparecerá, porque faz parte da história viva desta obra teresiana. Em concreto, uma das atividades do congresso será precisamente um concerto de oração que acontecerá na noite do dia 28 de agosto e que terá o nome: "Do Livro da Vida ao Livro da Verdade. O impacto de Teresa em Edith Stein". Nesta oração-concerto, será apresentado oficialmente um CD sobre cantos inspirados em pensamentos de Edith Stein, que foram compostos por Carmela Marínez. O CD sairá possivelmente antes do Natal e está sendo patrocinado pela Fundação CITES.
Ainda que não se fale de outros "convertidos" diretamente, falarão, sim, da incidência que pode ter hoje o "Livro da Vida" nos diferentes âmbitos da vida: na política, na família, nos jovens, na vida consagrada... O que se pretende, definitivamente, é descobrir essa vivacidade e atualidade que Teresa continua tendo.

ZENIT: Quinhentos anos depois do nascimento de Santa Teresa... Como você explicaria sua importância para alguém que nunca ouviu falar dela?

Javier Sancho: Por muitos motivos, mas explicitamente destacaria dois: porque Teresa é uma mulher que se preocupou profundamente pela dignidade da pessoa humana, e em sua experiência com Deus é capaz de dar luz ao mistério mais profundo e desconhecido da interioridade da pessoa humana.
Também porque, em um mundo com crescente sede de espiritualidade, ela é professora experiente e autêntica: não é uma mulher de teorias, mas de vida provada. E porque, como ninguém, ela nos ajuda a descobrir o Deus amigo e senti-lo perto de nós.

ZENIT: O Congresso permitirá que muitas religiosas possam se conectar e acompanhar o congresso dos seus conventos em todos os lugares do mundo. Como esta decisão foi acolhida na ordem carmelita?
Javier Sancho: Certamente, é algo novo, mas algo em que se continua insistindo há muito tempo, especialmente nos mosteiros de religiosas carmelitas. Será uma experiência nova e uma porta aberta para iniciativas futuras. A tecnologia hoje permite isso, ainda que os custos sejam elevados. Mas confiamos que haja demanda suficiente para cobrir os gastos e poder ampliar o serviço nas próximas edições dos congressos. Neste momento, pretendemos fazer a transmissão em quatro idiomas: espanhol, francês, inglês e italiano (http://www.teresadeavila.net/).

ZENIT: Um pastor metodista oferecerá uma visão do "Livro da Vida" do ponto de vista ecumênico, e também falará do mesmo num contexto inter-religioso. Santa Teresa como modelo para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso?

Javier Sancho: Parece esquisito e estranho, e mais ainda porque Teresa sempre foi colocada à frente da Contrarreforma. Contudo, Teresa está tendo uma ampla ressonância no mundo das igrejas protestantes: a sede de espiritualidade e a busca de professores afeta isso. Lembro que um pastor metodista dos Estados Unidos nos confessava que, em seu seminário, o livro de formação espiritual de seus seminaristas era precisamente o "Caminho de Perfeição" de Teresa... É claro que, entre os homens e mulheres de "experiência" autêntica de Deus, há uma especial sintonia e compreensão, acima das ideias e conceitos.

Mais informações em http://www.mistica.es/.

Espanha: 12 mártires carmelitas a caminho dos altares (I)

Por Carmen Elena Villa
ROMA, domingo, 22 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - "Senhores, em breve estaremos diante do tribunal de Deus: preparemo-nos!": estas foram as palavras do Pe. José María Mateos aos seus irmãos de comunidade, antes de morrer assassinado durante a perseguição religiosa na Espanha, na década de 30.
O Papa Bento XVI assinou o decreto no qual se comprova o martírio deste religioso, junto a outros 10 carmelitas. Todos foram assassinados entre julho e setembro de 1936.
São os padres Elías María Durán, José María Mateos, José María González, e os irmãos Jaime María Carretero e Ramón María Pérez Sousa, Antonio María Martín e Pedro Velasco.
A perseguição contra a Igreja havia começado há vários anos, depois da proclamação da Espanha no regime republicano, em 1931. No entanto, o ódio contra a Igreja se desencadeou de maneira mais forte a partir de 18 de julho de 1936, com o começo da guerra civil. Houve numerosos incêndios a conventos, destruições de imagens sagradas, calúnias sobre religiosos e perseguições.
Em Andaluzia, a perseguição foi breve, mas muito sangrenta. Lá se encontravam os carmelitas, que moravam nos conventos de Motoro e Duque de Hinojosa. Seu trabalho era essencialmente pastoral e não tinham nada a ver com assuntos políticos. Não obstante, os republicanos os consideravam um obstáculo para os planos futuros.
Apesar dos poucos dados biográficos que se têm desses religiosos, a Congregação para as Causas dos Santos comprovou seu martírio porque a saída mais fácil para evitar que morressem ou que fossem presos era a de renunciar à vida religiosa; no entanto, eles permaneceram fiéis à sua vocação, mostraram o amor e o perdão aos seus verdugos e até o final demonstraram seu amor a Cristo.
Por isso, a causa para a sua canonização foi inscrita em 1958 na diocese de Córdoba, onde os habitantes ainda falam e lembram desse grupo de mártires. Alguns comentam favores recebidos por sua intercessão. Também há algumas ruas com seus nomes.
"Eram duas comunidades diferentes e foram martirizadas em momentos diversos", disse a ZENIT o postulador desta causa, Pe. Giovanni Grosso.
No convento de Montoro
A comunidade carmelita de Montoro vivia alheia a toda ação política. Seus religiosos se dedicavam ao ensino do carisma carmelita. Os milicianos entraram neste convento no dia 19 de julho de 1936, com o fim de assassinar "tudo que cheirasse a cera".
Assim, prenderam os religiosos. Entre eles, estavam os sacerdotes José María Mateos e Eliseo Durán, que se dedicaram a confessar outros prisioneiros, a dar-lhes esperança no Senhor e a dirigir momentos de oração. "A sacristia do convento foi transformada em uma prisão", disse o Pe. Giovanni.
No dia 22 de julho, assaltaram a prisão. Alguns se prepararam para o martírio com disposição penitencial, comendo somente pão, "pois, como sabiam que iam morrer, queriam estar mais bem preparados para o martírio, observando cabalmente a abstinência do dia", disse uma testemunha, que foi citada na Positio apresentada à Congregação para a Causa dos Santos.
José María Mateos
Este sacerdote nasceu em 1902. Aos 17 anos, entrou na comunidade e foi ordenado sacerdote em 1925. Dentro dos carmelitas, serviu como prefeito de teólogos, leitor de teologia, examinador sinodal e professor de teologia.
Suas boas pregações, sua sensibilidade pelas necessidades dos pobres e seu zelo pelo trabalho, ainda nas pequenas coisas, eram suas características mais destacadas.
Dois anos antes de sua morte, foi nomeado vice-prior do convento e depois prior. Celebrou sua última Missa no dia em que os milicianos entraram no convento. Os que estiveram presos com ele contam que pediu aos verdugos que assassinassem eles ao invés dos pais de família que estavam lá presentes.
"Comportou-se bem lá na prisão, incentivando todos; ele nos dirigia na oração do santo terço. Eu o via sentado em sua poltrona e alguns se aproximavam dele, talvez para ser ouvidos por ele em confissão", disse Apolinar Peralbo, um dos seus colegas de cativeiro.
Outra das testemunhas afirma que, antes de ser assassinado, colocaram nele uma coroa de espinhos, dizendo-lhe: "Como o seu divino Mestre".
"Morreu no dia 22 de julho, por volta das 16h. Tínhamos terminado de almoçar e rezar o terço quando aquela tropa chegou e começou a matá-los, primeiro com machados, depois com tiros e depois a facadas", disse uma testemunha da sua morte.
"Eu tinha subido com outros no andar de cima, ouvi a voz, mas não entendi o que dizia. Depois, pelo rumor da rua, eu soube que lhes dissera que matassem eles e não os demais, que eram pais de família", recordou.
Os outros mártires
Dentro desse grupo se encontrava também o Pe. Eliseo Durán, que nasceu em 1906, entrou na comunidade em 1924 e foi ordenado em 1932.
Junto com o Pe. José María, ofereceu sua vida pelos pais de família. Ele se encarregava da formação dos meninos, era alegre, jovial e simples. "Tinha fama de religioso bom e muito querido por todos, por sua humildade e simplicidade", disse uma das testemunhas na Positio.
Também estava nesse grupo o irmão Jaime María Carretero, nascido em 1911. Entrou em 1929 e morreu no ano em que havia feito sua profissão solene, 1936. Seus irmãos o viam como "modelo de obediência" e alguns o chamavam de "pequeno santo".
Também foi assassinado lá Ramón Pérez Sousa, quem havia entrado na comunidade somente 3 anos antes de sua morte, aos 33 anos. Apesar de ter terminado seu noviciado pouco antes, tinha uma forte convicção de sua vocação. Dele sobressaíam "sua obediência e sua austeridade".
[A segunda parte desta reportagem será publicada no próximo domingo, 29 de agosto]

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Espanha: 1º Congresso Teresiano Internacional

Sobre o “Livro da Vida” de Santa Teresa

Por Nieves San Martín

ÁVILA, terça-feira, 17 de agosto de 2010 (ZENIT.org) -

De 23 a 31 de agosto, será realizado em Ávila (Espanha) o 1º Congresso Teresiano Internacional, centrado no "Livro da Vida" de Santa Teresa, que faz parte do conjunto de atividades programadas para comemorar o 5º Centenário do nascimento da carmelita que é doutora da Igreja.

"O testemunho de vida e a doutrina de Teresa de Jesus, na profundidade do Século de Ouro, continuam interpelando também o século da internet: a experiência de Deus, o dom de saber explicá-la e comunicá-la, fazem de Teresa a primeira mulher proclamada doutora da Igreja, uma grande comunicadora", opina Cristina Dobner, carmelita descalça, que dará uma conferência no congresso sobre o "Livro da Vida", informa SIR.
O encontro, que será realizado no Centro Internacional Teresiano Sanjuanista (CITES), Universidade da Mística dos Carmelitas Descalços, contempla a participação de especialistas internacionais, aos que se confia "uma série de facetas que, lentamente, irão compondo o rosto de Teresa, dinâmico, transpassado por uma só intenção: conduzir a Deus".

O Carmelo Teresiano contempla o 5º Centenário do seu nascimento (1515) como "um encontro magnético que atrai, obriga a refletir e, sobretudo, a entrar na amizade com o Senhor que mora no Castelo Interior de cada um". Este "fermento evangélico - acrescenta Dobner - pretende contagiar e animar, em muitos níveis e em diversas modalidades".

O ato de abertura será presidido pelo Pe. Saverio Cannistrà, prepósito general dos Carmelitas Descalços, que ilustrará o camino rumo ao Centenário, e por Dom Ricardo Blázquez, arcebispo de Valladolid e vice-presidente da Conferência Episcopal Espanhola, que dará a conferência inaugural sobre o "Livro da Vida: um exemplo de teologia narrativa".

Desde a terça-feira, 24 de agosto, aniversário da fundação do primeiro mosteiro teresiano, em São José de Ávila, expoentes como José Ignacio González Faus, Secundino Castro, Teófanes Egido, Luis Aróstegui, Cristiana Dobner, Dom Jean Sleiman e o grande teresianista Tomas Álvarez, entre outros, serão protagonistas, até o sábado, 28 de agosto, das 30 conferências que comporão o congresso.
Segundo deram a conhecer fontes da própria Universidade da Mística, o congresso contará com uma exposição de caráter didático sobre a obra teresiana na qual se destacará a presença do manuscrito original do "Livro da Vida".

O manuscrito deixará o museu de El Escorial, aonde foi levado por desejo explícito do rei Felipe II, e será exibido na grande sala do CITES, "como se a própria Teresa, em sua herança escriturística acolhesse os congressistas".

"Quantas pessoas voltaram para Deus ou inclusive se converteram lendo-o? De Tomás de Jesus, que o teve em sua mão ainda com a tinta fresca da pena de Teresa - conclui Dobner - até Edith Stein, na famosa noite de Bergzabern do verão de 1921, em que encontrou Cristo e acolheu o dom do chamado carmelita."

Programa

I CONGRESO INTERNACIONAL TERESIANO: EL LIBRO DE LA VIDA
“En camino hacia el Vº centenario de su nacimiento 1515-2015)

FIRST INTERNATIONAL TERESIAN CONGRESS; THE BOOK OF THE LIFE
Preparation for the 5th Centenary of her Birth (1515-2015)

Fechas: 23-31 Agosto 2010 - Dates: 23-31 August 2010

Lugar: Universidad de la Mística – Avila - Venue: The University of Mysticism – Avila, Spain

23 agosto, lunes | August, Monday

17’00 h. Inauguración exposición LIBRO DE LA VIDA.
Opening Exhibition: The Original Manuscript of
The Book of the Life.
19’00 h. Acto inaugural: Bienvenida. Inauguration of the Congres:Welcome. P. JAVIER SANCHO. DIRECTOR DEL CITeS | Director of CITeS.
— En camino hacia el centenario | Preparing for the Centenary | P. EMILIO MARTÍNEZ. VICARIO GENERAL OCD | General Vicar OCD.
— Lectio Inaugural. El Libro de la Vida: Un ejemplo
de teología narrativa | Inaugural Lecture: The Book of the Life: An Example of Narrative Theology | EXCMO. SR. D. RICARDO BLÁZQUEZ. ARZOBISPO DE VALLADOLID | Archbishop of Valladolid.

24 agosto, mar tes | August, Tuesday

09’45 h. El autógrafo, su estructura, composición y avatares | The Autograph Copy of The Book of the Life: Its Structure, Composition and Vicissitudes | P. TOMÁS ÁLVAREZ.
10’45 h. Descanso | Break.
11’00 h. Transfondo histórico, eclesial y social del Libro de la Vida | The Book of the Life: The Historical, Ecclesial and Social Background | DR. JOSEPH PEREZ.
12’00 h. Descanso | Break.
12’30 h. Trasfondo biográfico de Vida. La sociedad abulense | The Social Background to The Book of the Life: The Society of Avila. | DR. SERAFÍN DE TAPIA.
17’00 h. El ambiente religioso de la Encarnación | The Religious Environment of the Monastery of the Incarnation | DR. NICOLÁS GONZÁLEZ.
18’00 h. Descanso | Break.
18’30 h. Significado eclesial y social de la fundación de San José | Ecclesial and Social Significance of the Foundation of the Monastery of St. Joseph’s | DR. TEÓFANES EGIDO.

25 agosto, miércoles | August, Wednesday

09’45 h. La biografía del lenguaje místico: el Libro de la Vida | A Study in Mystical Language: The Book of the Life | DR. J.A. MARCOS.
10’45 h. Descanso | Break.
11’00 h. «Literariedad» en el Libro de la Vida: relación entre la vida espiritual y la vida del lenguaje | The Literary Style of The Book of the Life: A Relationship between the Spiritual Life and the Life of the Language | DR. FRANÇOIS GRAMUSSET.
12’00 h. Descanso | Break.
12’30 h. Objetivos e Intencionalidades del Libro de la Vida | The Book of the Life: Objectives and Designs | DR. F. JAVIER SANCHO.
17’00 h. El trasfondo patrístico de la autobio grafía teresiana | The Book of the Life: The Patristic Background | DR. MANUEL DIEGO.
18’00 h. Descanso | Break.
18’30 h. La dimensión femenina y hebraica de Vida | The Book of the Life: The Feminist and Jewish Dimensions | HNA. CRISTIANA DOBNER, OCD.

26 agosto, jueves | August, Thursday

09’45 h. Vida, un libro que convierte | The Book of the Life: A Book that Converts | DRA. DORA CASTENETTO.
10’00 h. Descanso | Break.
11’00 h. Un aparecer de lo divino en la subjetividad: La experiencia mística de Teresa | A Manifestation of the Divine in the Recipient: The Mystical Experience of Teresa | DR. LUIS ARÓSTEGUI.
12’00 h. Descanso | Break.
12’30 h. Intimidad y búsqueda de sí mismo en el Libro de la Vida | Intimacy and the Search for Self-Knowledge in the Book of the Life | DR. J. SÁNCHEZ CARO.
16’30 h. Visita guiada a La Encarnación | A guided visit of the monastery of The Incarnation.
18’30 h. Espacio para comunicaciones | A time for sharing.

27 agosto, viernes | August, Friday

09’45 h. La experiencia en el Libro de la Vida. Una lectura en clave filosófico-teológica | The experience in the Book of the Life: A Philosophical-theological Reading | DR. GABRIEL AMENGUAL.
10’45 h. Descanso | Break.
11’00 h. La importancia y relevancia del conocimiento de sí en el proceso espiritual de Teresa, a la luz del Libro de la Vida | The Book of the Life: The Importance and Relevance of Self-Knowledge for Teresa | DRA. ELISABETH MUENZEBROCK.
12’00 h. Descanso | Break.
12’30 h. La evolución del amor en el libro de la Vida de Teresa de Jesús | The Book of the Life: The Deve lopment of Love | DR. MARIO TERZULLI.
17’00 h. Un Dios que se revela progresivamente. Lectura bíblica | A Biblical Reading of The Book of the Life: A God who Reveals Himself Gradually | DR. SECUNDINO CASTRO.
18’00 h. Descanso | Break.
18’30 h. Encontrar a Dios en la carne de Cristo: «Corporización » en la vida espiritual de Teresa | Encountering God in the Word made Flesh: The Place of the ‘Body’ in the Spirituality of Teresa. | Mª. J. MARIÑO.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Comunidade Santa Teresa de Jesus - Campinho - RJ - convida


Hino dos Leigos

No Curso de Canto Pastoral da Arquidiocese do Rio de Janeiro, que aconteceu na última semana de Julho, a Irmã Miria Kolling apresentou o "Hino do Leigo".

HINO DO LEIGO

Uma fé, um só batismo, Esperança e Salvação. De nós faze, povo eleito, seguidores de Jesus! Nele, o Pai nos chama a ser seus filhos: Deus Trindade - vida em comunhão! Com Cristo caminhamos nas estradas rumo ao céu, construindo o Reino Novo de Justiça, paz verdadeira, fraterno amor!

R= Somos sal da terra e luz do mundo, pela graça do batismo, abismo de amor! Somos o fermento que a massa santifica e como povo, tem novo sabor! Discípulos do Reino, de Cristo missionários, Santa Igreja do Senhor!

"Para que o mundo creia" na divina vocação, é a Palavra, a Eucaristia, nosso cotidiano pão! Fiel Serva do Senhor, Maria, Mãe que à Igreja aponta a direção: discípulos à escuta do Espírito de Deus, Missionários, proclamamos sua graça e as maravilhas do seu amor!

É suprema alegria Jesus Cristo conhecer! Mas segui-Lo é dom e graça, e anunciá-Lo é missão! Somos neste mundo a presença da Igreja, povo do Senhor! Cristãos que evangelizam pela vida e pela ação! Reis, profetas, sacerdotes, a serviço da vida plena pra todo irmão!

Partitura: http://www.irmamiria.com.br/home/Hino_do_Leigo.pdf
Áudio: http://www.irmamiria.com.br/home/Hino_do_Leigo_Ir_Miria.wav

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Descoberta uma escultura de Santa Teresa de tamanho natural, na localidaded de Enciso

Obra do grande mestre espanhol do século XVII  Gregorio Fernández

La Rioja - ESPANHA (06-08-2010) .- A descoberta desta valiosa peça foi feita há menos de vinte dias  pelo doutor em história da arte e pesquisador José Manuel Martinez Ramirez, que no curso de alguns estudos na área deparou-se com essa peça que estava  embaixo do coro da paróquia de San Pedro de Enciso .

Homenagem a Frei Odair

No dia 14 de agosto, Frei Odair, assistente das Comunidades do Rio de Janeiro, completou 53 anos de vida. No domingo, reuniram-se na Basílica de Santa Teresinha - Rio de Janeiro - as Comunidades Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresa de Jesus, juntamente com o GOT da Basílica, dirigido pelo Frei Odair.




Parabéns, à você, Querido Frei Odair! Felicidades hoje e sempre, com as bençãos do Imaculado Coração de Maria! São os desejos sinceros de seus irmãos do Carmelo!

Edith Stein: santa e filósofa para século 21

Entrevista ao filósofo Rodrigo Guerra

Por Jaime Septién

QUERÉTARO, segunda-feira, 16 de agosto de 2010 (ZENIT.org - El Observador) - No dia 19 de agosto de 1942, Edith Stein - Santa Benedita da Cruz - morreu na câmara de gás do campo de concentração de Auschwitz. Em 11 de outubro de 1998, foi canonizada por João Paulo II no Vaticano.

ZENIT-El Observador entrevistaram Rodrigo Guerra López, doutor em Filosofia pela Academia Internacional de Liechtenstein, membro da Academia Pontifícia para a Vida, diretor do CISAV (www.cisav.org), e especialista em fenomenologia e personalismo, sobre a atualidade do testemunho e do pensamento desta importante filósofa, mística, carmelita e mártir.

ZENIT: Que importância tem uma figura como a de Edith Stein no momento atual?

Rodrigo Guerra: Edith Stein é relevante para a nossa época principalmente porque é uma santa. Com sua vida e sua morte, ela mostrou que é possível viver com radicalidade a adesão a Jesus Cristo e o amor aos seus irmãos em meio a um mundo que parece cair no absurdo, na irracionalidade e na violência.

ZENIT: Edith Stein é santa, mas também foi uma grande intelectual...

Rodrigo Guerra: O itinerário de Edith Stein rumo à santidade não se encontra à margem do seu perfil intelectual. Ao contrário, toda a sua imensa contribuição filosófica é parte de sua vida e de uma maneira misteriosa também é parte de sua preparação para o martírio. Mártir significa testemunha. Edith Stein buscou ser testemunha da verdade ao amar apaixonadamente o trabalho intelectual que exerceu em parte acompanhada por seu professor Edmund Husserl e por outros brilhantes filósofos, como Adolf Reinach, Roman Ingarden e Hedwig Conrad-Martius.

Da mesma forma, ela procurou ser testemunha da verdade no momento de aderir afetiva e efetivamente a Jesus Cristo crucificado, ao ser chamada ao Carmelo e, finalmente, ao morrer em Auschwitz nas mãos dos nazistas. Todo este caminho parece indicar que a vocação mais profunda do filósofo cristão não termina ao escrever livros e fazer carreira acadêmica, mas principalmente educando o coração em uma disponibilidade particular para seguir a verdade até a cruz.

ZENIT: O pensamento de Edith Stein é pertinente para os que vivem na primeira década do século 21?

Rodrigo Guerra: Suas contribuições na metafísica, na antropologia da mulher, na teoria da pessoa humana, na teoria do Estado e nas relações filosofia-cristianismo são sumamente lúcidas e adiantadas para a sua época. Sou da opinião de que seu pensamento será valorizado com maior amplitude e profundidade no século 21, após a queda do racionalismo ilustrado e das rupturas pós-modernas.

Em Edith Stein, é possível encontrar importantes intuições que colaboram para superar tanto o racionalismo como a desconfiança da razão. Penso, por exemplo, na forma como utiliza o método fenomenológico: sempre fiel ao dado da experiência e sempre aberta a reconhecer que o que aparece revela o ser. Edith Stein, com sua fenomenologia realista, contribui de maneira sumamente relevante para realizar o que Bento XVI chama de "ampliar os horizontes da razão".

ZENIT: As opiniões de Edith Stein sobre a mulher também foram adiantadas com relação à sua época. No entanto, talvez hoje se necessitasse ir além delas para construir um "novo feminismo". O que você acha disso?

Rodrigo Guerra: De fato, o pensamento cristão deve ser concebido como um caminho que é preciso continuar em cada geração. Edith Stein conseguiu desenvolver com grande valentia intelectual uma teoria sobre a pessoa feminina fortemente associada ao modo como ela compreendia a natureza da alma humana e o princípio de individuação. Na atualidade, temos de aprofundar justamente em aspectos como este para mostrar que a diferenciação sexual não é um mero acidente do corpo, mas sim que tem sua raiz mais profunda naquilo que constitui a pessoa humana como pessoa.

O magistério de João Paulo II recolheu justamente estas intuições que é necessário prosseguir através de um trabalho interdisciplinar. Da mesma forma, Stein apreciou a originalidade da feminilidade sem desconhecer os condicionamentos culturais nos quais a sexualidade se encontra submersa em cada época.

Por isso, na antropologia do feminino desenvolvida por Stein se encontra a semente de uma teoria personalista sobre a sexualidade e sobre que o hoje se costuma denominar "gênero". Em momentos como o atual, em que se afirma que a consistência da pessoa é principalmente uma construção cultural, é necessário voltar a autores como Stein para encontrar uma adequada articulação entre natureza e cultura que não negue nenhum desses aspectos, mas que os reconheça em sua unidade e diferença.

ZENIT: Figuras como a de Edith Stein - Santa Benedita da Cruz - são importantes, mas não se encontram facilmente como referências religiosas e culturais na sociedade atual. A que se deve esta situação? É possível corrigi-la?

Rodrigo Guerra: Por um lado, o irracionalismo pós-moderno gerou que certos ambientes acadêmicos, muitos ambientes políticos e inúmeros meios de comunicação banalizassem ao máximo o tema da verdade.

O esforço por voltar às coisas em si e encontrar nelas a verdade - como queria Edith Stein - é sumamente árduo na atualidade. Por isso, é preciso criar novos espaços que deixem que os jovens possam viver uma experiência educativa alegre, que permita a assimilação racional e criativa do pensamento de Edith Stein e de outros autores que fazem parte do legado antigo e contemporâneo do pensamento cristão.

Um dos meus professores - John Crosby - costumava dizer que a communio é o método educativo para fazer uma filosofia que ame a verdade em qualquer lugar onde esta se encontrar. Amar a verdade e manter-se fiel a ela é mais fácil quando isso é feito em comunidade. Por outro lado, é preciso reconhecer que nos falta, como cristãos, uma nova paixão pessoal e comunitária pela verdade.

A insistência de Bento XVI com relação a uma nova racionalidade, mais aberta e comprometida, parece-me que se encontra justamente nesta direção. Acho que por isso é preciso trabalhar para criar comunidades científicas que, nutridas pela experiência cristã, permitam ser ajuda para a nossa frágil razão e para a nossa enfraquecida vontade.

ZENIT: Edith Stein viveu uma amizade desse tipo com Husserl, com Ingarden e com alguns dos seus amigos: é possível hoje encontrar pessoas e comunidades assim?

Rodrigo Guerra: Durante longos anos, filósofos como Angela Ales Bello, Anna Maria Pezzella, Alasdair MacIntyre, Josef Seifert, Walter Redmond, Urbano Ferrer, Juan Caballero Bono, Francisco Javier Sancho, Eduardo González di Pierro, Diego Rosales e outros promoveram o estudo do pensamento de Edith Stein com grande sacrifício e remando contra a maré.

Seu testemunho e exemplo motivaram a criação de círculos de estudo, instituições, congressos e, no fundo, um verdadeiro movimento que reconhece que Edith Stein é um marco intelectual e espiritual para o mundo de hoje. Na Academia Internacional de Filosofia de Liechtenstein e do Chile, na Universidade Lateranense, no Instituto Edith Stein de Granada e no CISAV do México também encontramos este movimento vivo de diversas formas.

ZENIT: Edith Stein fez uma filosofia cristã e deu testemunho cristão de amor à verdade até o sacrifício de sua própria vida. Que lição ela nos dá para o momento atual?

Rodrigo Guerra: Acho que Stein, entre outras coisas, nos ensina que a vida cristã não está separada da vida intelectual e que a atividade intelectual realiza melhor sua vocação quando se deixa provocar pelo acontecimento cristão. Assim como Balthasar dizia que é preciso voltar a fazer "teologia de joelhos", parece-me que os filósofos cristãos também deveriam recuperar a consciência da necessidade de unir a vida espiritual ao trabalho filosófico.

Stein também mostra que a adesão à verdade e a Cristo, quando levada a sério, não pode estar associada à cômoda vida burguesa, mas deve se projetar em compromisso real pelas pessoas, em especial pelas mais vulneráveis e perseguidas. Um personalismo que não passe por um compromisso militante e solidário a favor da dignidade humana e da justiça desaba por falta de congruência.

ZENIT: É possível que o pensamento cristão volte a ter um lugar na cultura contemporânea? Tanto na Europa como na América Latina, as sociedades parecem cada vez mais configurar-se como se Deus não existisse...

Rodrigo Guerra: Quando Husserl morreu, Edith Stein escreveu uma breve reflexão a uma de suas amigas: "Não tenho preocupação alguma pelo meu querido professor (Edmund Husserl). Estive sempre muito longe de pensar que a misericórdia de Deus se reduzisse às fronteiras da Igreja visível. Deus é a verdade. Quem busca a verdade, busca Deus, seja ou não consciente disso".

Este breve texto reflete uma atitude de honesta simpatia por tudo o que é humano, por todas as buscas sinceras da verdade, ainda quando estejam repletas de fragilidade. Da mesma forma, mostra uma confiança grande na graça, que age de maneira misteriosa, mas real em todos.

O pensamento cristão, em particular a filosofia cristã, ressurgirá como uma proposta culturalmente relevante para a Europa e para a América Latina não tanto à base de planos estratégicos, mas quando formemos novas gerações de jovens capazes de reconhecer no seio da modernidade e de sua crise a voz das exigências fundamentais que brotam do coração humano. Estas exigências sempre estão marcadas pela fome de verdade, bondade e beleza.

No final, estas exigências são desejo de que um Deus vivo e encarnado se torne presente e reconstrua a vida, dando sentido a tudo. Todo ser humano busca Cristo, ainda que não o saiba. Toda busca honesta da verdade contribui para que uma nova cultura emirja, uma cultura na qual o cristianismo possa viver com liberdade e, a partir dessa experiência, ofereça o incentivo necessário para pensar a verdade com novos olhos.


Dóris Andrade(Com. Sta. Teresinha-SL/MG)
"Que a tua vida seja sempre uma soma de vitórias. Parabéns!"
Família OCDS

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

BEATA MARIA SACRÁRIO DE SÃO LUIS GONZAGA - 16/08/2010


Virgem e Mártir OCD

Maria Sacrário de São Luís Gonzaga nasceu em Lillo, Província de Toledo, Espanha, no dia 8 de janeiro de 1881. Fez o curso de Farmácia, sendo uma das primeiras mulheres que alcancaram o título na Espanha. Em 1915, entrou no mosteiro das Carmelitas Descalças de Santa Ana e São José de Madri, demonstrando ser uma mulher de “caráter forte e enérgico, capaz de levar até ao fim os mais altos ideais de santidade”, como foi testemunhado pela sua Mestra de noviças. No início de julho de 1936, Madre Maria Sacrário foi de novo eleita Priora da comunidade, e após alguns dias o Carmelo foi assaltado por uma multidão violenta que saqueou e destruiu muitas coisas. No dia 14 de agosto desse mesmo ano, os soldados levaram a Madre prisioneira. No dia 15 de agosto ela foi fuzilada, concretizando-se assim o seu desejo de morrer mártir por Cristo, imolando-se pelo bem da Igreja.

domingo, 15 de agosto de 2010

Comentário ao Evangelho do dia feito por São João da Cruz

Segunda-feira, dia 16 de Agosto de 2010
Segunda-feira da 20ª semana do Tempo Comum

Comentário ao Evangelho do dia feito por São João da Cruz (1542-1591), carmelita, Doutor da Igreja Conselhos e máximas, 169-175 (trad. OC, Cerf 1990, p. 288)

«Vem e segue-Me»

Quanto mais te separares das coisas terrenas mais te aproximarás das coisas do céu e mais riquezas em Deus encontrarás. Aquele que souber morrer para tudo encontrará vida em tudo.
Separa-te do mal, faz o bem, procura a paz (Sl 33, 15). Aquele que se queixa ou que murmura não é perfeito e nem sequer é bom cristão. Aquele que se esconde no seu próprio vazio e sabe abandonar-se a Deus é humilde. Aquele que sabe suportar o próximo e suportar-se a si mesmo é doce. Se queres ser perfeito, vende a tua vontade e dá-a aos pobres de espírito. Em seguida vira-te para Cristo para obteres d'Ele a doçura e a humildade e segue-O até ao calvário e ao sepulcro.

Em Maria, as raízes da vitória sobre a morte estão na fé

Bento XVI presidiu na manhã deste domingo à Missa da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, na paróquia de Santo Tomás de Villanova, em Castel Gandolfo.
O Papa afirmou em sua homilia que hoje a Igreja celebra uma das mais importantes festas do ano litúrgico dedicadas a Maria Santíssima.

"No final de sua vida, Maria foi levada em corpo e alma ao céu, ou seja, à gloria da vida eterna, na plena e perfeita comunhão com Deus", disse.

Bento XVI lembrou que este ano a Igreja celebra o 60° aniversário da definição solene do Dogma da Assunção de Nossa Senhora em Corpo e Alma ao Céu (Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 1° de novembro de 1950).

A Mãe de Deus foi inserida no Mistério de Cristo e participa da Ressurreição de seu Filho. "Nós cremos que Maria, como Cristo seu Filho, venceu a morte e triunfa na glória celeste na totalidade de seu ser, em alma e corpo", disse o Papa.

Em Maria, as raízes da vitória sobre a morte “estão na fé da Virgem de Nazaré, uma fé que é obediência à Palavra de Deus e abandono total à iniciativa e à ação divina”.


O Santo Padre lembrou que nós somos chamados a olhar o que o Senhor, em seu amor, quis também para nós, para o nosso destino final: "viver através da fé na comunhão perfeita de amor com Ele e assim viver realmente para sempre".

O Papa concluiu sua homilia pedindo ao Senhor que nos ajude a compreender o quanto a nossa vida é preciosa aos olhos de Deus.

Que Ele "reforce a nossa fé na vida eterna, nos torne homens de esperança, que trabalham para construir um mundo aberto a Deus, homens repletos de alegria, que sabem ver a beleza do mundo futuro no meio das dificuldades da vida cotidiana".

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA

15 de Agosto _____ Assunção de Nossa Senhora


Assunção de Nossa Senhora
Hoje, solenemente, celebramos o fato ocorrido na vida de Maria de Nazaré, proclamado como dogma de fé, ou seja, uma verdade doutrinal, pois tem tudo a ver com o mistério da nossa salvação. Assim definiu pelo Papa Pio XII em 1950 através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus:"A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial."

Antes, esta celebração, tanto para a Igreja do Oriente como para o Ocidente, chamava-se "Dormição", porque foi sonho de amor. Até que se chegou ao de "Assunção de Nossa Senhora ao Céu", isto significa que o Senhor reconheceu e recompensou com antecipada glorificação todos os méritos da Mãe, principalmente alcançados em meio às aceitações e oferecimentos das dores.

Maria contava com 50 anos quando Jesus subiu ao Céu. Tinha sofrido muito: as dúvidas do seu esposo, o abandono e pobreza de Belém, o desterro do Egito, a perda prematura do Filho, a separação no princípio do ministério público de Jesus, o ódio e perseguição das autoridades, a Paixão, o Calvário, a morte do Filho e, embora tanto sofrimento, São Bernardo e São Francisco de Sales é quem nos aponta o amor pelo Filho que havia partido como motivo de sua morte.

É probabilíssima, e hoje bastante comum, a crença de a Santíssima Virgem ter morrido antes que se realizasse a dispersão dos Apóstolos e a perseguição de Herodes Agripa, no ano 42 ou 44. Teria então uns 60 anos de idade. A tradição antiga, tanto escrita como arqueológica, localiza a sua morte no Monte Sião, na mesma casa em que seu Filho celebrara os mistérios da Eucaristia e, em seguida, tinha descido o Espírito Santo sobre os Apóstolos.

Esta a fé universal na Igreja desde tempos remotíssimos. A Virgem Maria ressuscitou, como Jesus, pois sua alma imortal uniu-se ao corpo antes da corrupção tocar naquela carne virginal, que nunca tinha experimentado o pecado. Ressuscitou, mas não ficou na terra e sim imediatamente foi levantada ou tomada pelos anjos e colocada no palácio real da glória. Não subiu ao Céu, como fez Jesus, com a sua própria virtude e poder, mas foi erguida por graça e privilégio, que Deus lhe concedeu como a Virgem antes do parto, no parto e depois do parto, como a Mãe de Deus.

Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!
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