quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O SACERDOTE SERÁ SEMPRE PRESENÇA DE CRISTO - Frei Patrício Sciadini, ocd.

Não sou navegador de internet e nem especialista nos meios de comunicação, mas como qualquer mortal, não se pode fugir de se sentar de vez em quando diante do grande ditador do mundo contemporâneo, que é a mídia. Sabemos que somos manipulados e ao mesmo tempo manipulamos com nossas idéias. Nós nos dizemos formadores de opinião, mas não nos perguntamos qual opinião queremos formar. Não entendo porque mesmo a Igreja não muda de linguagem, ela deveria, perdoem-me os comunicadores, gerar uma linguagem própria. Não deveria aceitar de ser chamada “formadora de opinião”, mas sim “FORMADORA PARA A VERDADE”, porque a opinião muda segundo sopra o vento e a verdade permanece sempre, tal qual ela é. Por isso que Cristo, Verdade, não pode mudar, mesmo que haja exércitos de formadores de opiniões que lhe fazem dizer o que ele nunca disse ou gostariam que ele dissesse o que gostam de ouvir.

A Igreja, como transmissora da verdade, não poderá jamais formar uma opinião sobre Cristo, sobre os valores da fé e sobre a verdade contida na palavra de Deus. Ela, a Igreja, tem uma missão muito precisa, recebida não pela boca de homens, mas sim pela boca do mesmo Deus através dos profetas e na plenitude dos tempos, do mesmo Cristo, Filho de Deus feito carne. A Igreja e todos os que se dizem igreja e amam a verdade Cristo, não tem medo da verdade, mesmo quando ela é dolorosa, faz mal e nos obriga a ajoelhar-nos e pedirmos perdão pelos erros dos que são Igreja. A Igreja não pede somente o perdão pelos erros que comete a “hierarquia”, mas ela sempre tem pedido perdão pelos erros que comete a mesma humanidade. Todo erro que o cristão comete, a Igreja não se envergonha de pedir perdão aos que foram ofendidos.

O ano que passou e que foi instituído “ano sacerdotal”, deveria ser o ano da exaltação do sacerdote, do seu ministério, da sua beleza, parece que as forças “dos infernos” se precipitaram ainda com mais vigor sobre a Igreja e seus ministros. Poderia aparentemente parecer um grande fracasso o ano sacerdotal. É uma pura ilusão, uma amarga ilusão dos que pensam assim. Enquanto Jesus morria na cruz havia quem achava que era caso fechado e que aquele pequeno grupo dos discípulos do Nazareno fugiriam medrosos e tudo se acabaria. Mas sabemos que não foi assim, no mesmo momento que Cristo era enterrado no sepulcro inicia a nova etapa da grandeza do Senhor Jesus, vitorioso sobre a morte.

Assim, nada poderá destruir a grandeza do sacerdócio e nem apagar a grandeza misteriosa de milhares de sacerdotes que ao longo da história deram a própria vida e, através de uma vida de fidelidade a Cristo, foram a grandeza de Cristo. A Igreja não pode ter medo de si mesma, ela se envergonha como cada mãe se envergonha dos erros que seus filhos cometem, os corrige, os pune se for necessário, mas ela jamais renegará a sua maternidade. Nunca a Igreja negará a maternidade dos seus filhos, mesmo quando for para ela sofrer.

Tenho certeza que toda esta realidade focalizada só num aspecto dos erros da Igreja, que são os crimes sexuais cometidos no mesmo seio da Igreja, não afastará jovens de se entregar com todo o seu entusiasmo ao sacerdócio e seguir o Cristo, nem da vida consagrada. Quem se entrega a Cristo no sacerdócio e no seguimento de Cristo radical, bem sabe que não doa a sua vida às estruturas, mas sim à pessoa de Jesus. E Jesus, ontem, hoje e sempre, fascina os corações e resplandece em toda sua beleza e luz na noite do pecado. Mais espessa é a noite e mais bela é a luz; mais malcheiroso é o ar em que vivemos e mais agradável é o perfume. Não serão os erros dos homens de “Igreja” que acabarão com a mesma Igreja, porque contra a Igreja de Jesus as potências do mal não poderão vencer. O mal deve ser extirpado, não só do seio da Igreja, mas do coração humano, sem distinção, e deve ser condenado. E os que cometem erros devem sem dúvida pagar pelos próprios erros. A Igreja não é “tutora de ninguém”, ela responde pelos seus erros e não pelos erros dos outros.

Nunca me senti tão feliz por ser sacerdote como nestes tempos. Peço perdão dos meus pecados e dos pecados dos meus irmãos e nunca quero negar que os que erram são meus irmãos e, como tais, amo-os e peço que o Senhor lhes conceda perdão e força de reconstruir a própria vida e a vida dos que feriram. Mas não devemos ser formadores e nem escravos de opiniões, mas sim formadores e defensores da verdade porque, como diz Jesus-Verdade: “somente a verdade vos libertará”, e não as opiniões.

Frei Patrício Sciadini, ocd.

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