domingo, 28 de fevereiro de 2010

II SEGUNDA FEIRA DA QUARESMA



I
I Segunda Feira do Saltério (in Laudes)

Cântico Eclo 36, 1-7. 13-16: Súplica pela cidade santa, Jerusalém.

Ben Sirac escreve seu livro pelo ano 180 a C, antes que se desencadeie a tormenta da revolta dos macabeus, com a intenção de demonstrar aos judeus da Palestina e da Diáspora, assim como aos pagãos de boa vontade, que a autêntica sabedoria reside em Israel. Ben Sirac crê e espera a vingança de seu Deus para o seu povo. Este pensamento põe em seus lábios uma oração pedindo a Deus que a vingança se cumpra quanto antes. As façanhas passadas de Yahweh podem repetir-se agora, de sorte que todos os povos compreendam que o Senhor é o Deus Verdadeiro, o único Deus, como o compreendeu Israel na noite do Israel por seus pecados.
A dureza marcante desta súplica (vv 1-12) sobressai em meio ao caráter geralmente sereno do Livro de Ben Sirac. É possível que esta prece tenha sido acrescentada ao livro, o que explica as diferenças de vocabulário e de mentalidades em relação ao resto do livro.
A esperança da reunião das tribos (v 13), particularmente viva no tempo do Exílio, perpetuou-se no judaísmo bem depois da volta dos exilados: os judeus sempre consideraram a dispersão no exterior como situação provisória e lamentável, à qual a vinda do Messias deve colocar um fim.

2ª-feira da II semana da Quaresma - 01/03/10

2ª-feira da II semana da Quaresma/Cor Roxo

Ofício do dia de semana do TQuar.
Missa pr. Pf quaresmal
Leituras: Dn, 4b-10 - Sl 78(79) - Lc 6, 36-38

Liturgia das Horas: Laudes Pg.1104 –Hora Média Pg.1109 - Vésperas Pg.1112

Oração das Horas: Laudes Pg.865 – Hora Média Pg.870 – Vésperas Pg.873

"Sede misericordiosos..."


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"...Como também Vosso Pai é misericordioso."


EVANGELHO (São Lucas 6, 36-38)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”.
Palavra da Salvação
Glória a Vós Senhor!

MEDITANDO O EVANGELHO DO DIA
"Nosso relacionamento humano deve ser fraterno e misericordioso, nunca de julgamento e de condenação. Sabemos que só Deus pode julgar. Desde que Jesus nos ensinou a chamar a Deus de Pai misericordioso, tornou-se possível um mundo novo, sem guerra e sem ódio: "Sede misericordiosos, como também o Vosso Pai é misericordioso ". Andar no caminho da Misericórdia deve ser nossa penitência quaresmal, procurando nos conter em nossos juízos pessoais."
(Edição do DEUS CONOSCO dia a dia Nº 99)

"Irmão, recomendo-te isto: que a compaixão cresça sempre na tua balança, até que sintas em ti a compaixão que Deus experimenta pelo mundo. Que este estado se torne o espelho no qual vemos em nós próprios a verdadeira «Imagem e Semelhança» da natureza e do ser de Deus. É por essas coisas e por outras semelhantes que recebemos a Luz, e que uma clara resolução nos leva a imitar Deus."
(Santo Isaac Sírio, Monge)

"Mostremo-nos antes cheios de compaixão uns para com os outros, e pela nossa humildade curemo-nos uns aos outros... porque somos membros uns dos outros. Amando-nos uns aos outros, seremos amados por Deus; sejamos pacientes uns com os outros e Deus mostrar-se-á paciente com os nossos pecados. Não paguemos o mal com o mal e não receberemos o que merecemos pelos nossos pecados. Porque obteremos o perdão de nossos pecados perdoando aos nossos irmãos, e a Misericórdia de Deus está escondida na Misericórdia para com o próximo... Vede, o Senhor deu-nos o meio de nos salvarmos e dá-nos o poder celeste de nos tornarmos filhos de Deus."
(São Máximo, Confessor/Monge e Teólogo)

"A medida de nossa misericórdia para com o próximo será a medida da Divina Misericórdia para conosco... Para derramar no homem sua Misericórdia, não exige Deus que seja ele impecável, e sim que seja misericordioso para com os irmãos. Só então tem o homem direito de confiar totalmente na Misericórdia de Deus, e esta não lhe faltará."
(Frei Gabriel de Santa Maria Madalena-OCD)

"A civilização da Harmonia Existencial, prelúdio da Paz universal, está constituída nas bases bíblicas, cuja irradiação reforça a possibilidade de um mundo melhor, confortado e sustentado por um 'Amor' sem limites: 'Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros (Jo 13, 34)... Assim, o 'discípulo' também é convidado a seguir o Exemplo e Modelo Divino: 'Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso' (Lc 6, 36)."
(Frei Sandro Grimani-OCD)


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"O meu ser, como eu o vejo e como nele me vejo, é um ser nulo; eu sozinha não sou, e não sou nada por mim mesma; a cada momento estou diante do nada e devo receber o ser de novo, momento por momento... Contudo, é justamente esse não ser o "ser", e eu toco por isso, a cada momento, a Plenitude do Ser."

(Edith Stein)

Santo do Dia - 01/03/10

São Suitberto


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O contato com o testemunho de homens como São Suitberto nos arrastam para Deus, já que a santidade possui esta força. Suitberto foi um dos muitos monges formados nas severas disciplinas dos mosteiros irlandeses.
Aconteceu certa vez, uma missão para evangelizar os povos pagãos da baixa Alemanha, mas esta primeira missão não alcançou o objetivo previsto, por isso houve uma segunda, na qual envolveu doze missionários e, dentre eles, Suitberto.
Este santo pregou, com ardor, o Evangelho nesta região e seu apostolado foi realizado de maneira heróica e abençoada. Com o passar da história, notou-se que São Suitberto recebeu a ordenação episcopal e ficou responsável pelo cuidado e salvação das almas do povo da Frísia.
Desenvolveu um lindo trabalho e até mesmo as dificuldades fizeram-no crescer, como o caso da necessidade que o fez abrir-se ao carisma de formador de evangelizadores, já que fundou um mosteiro, onde precisou formar discípulos do Cristo. O grande missionário dos povos germânicos consumiu-se pelos trabalhos de vinte anos como bispo e tomou posse da herança eterna no ano de 713, com sua morte.

São Suitberto, rogai por nós!


Notícias da OCDS de Jundiaí-SP

(Clique na imagem para ampliar)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

2º. DOMINGO DA QUARESMA - 28/02/10

Ofício Dominical Quaresmal - II Semana do Saltério/Cor Roxo

Leituras: Gn 15,5-12.17-18 – Sl 26(27) – Fl 3,17-4,1 – Lc 9, 28b-36


Liturgia das Horas: 36-133-1087

Oração das Horas: 272-309853


“Este é o Meu Filho, o Eleito."


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"Escutai-O!”

Não se pode seguir a Cristo se Sua Palavra não crescer dentro de nós.


EVANGELHO (São Lucas 9, 28b-36)

Naquele tempo, 28bJesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. 29Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. 30Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. 31Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. 33E, quando estes dois homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo. 34Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem. 35Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!” 36Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.

MEDITANDO O EVANGELHO DO DIA

"Hoje DEUS mostra, aos discípulos e a nós, a importância da Oração e quem realmente JESUS é. ELE é o Seu Filho Amado, que assumindo a nossa humanidade, passará pela Paixão e morte de cruz para depois ser Glorificado. ELE é o Filho Escolhido e é através DELE que o PAI Celeste se dirige a nós e nos fala: 'Escutai-O'. Por isso, em obediência ao PAI, fiquemos sempre atentos a tudo o que JESUS nos diz, que por sua vez, hoje nos fala por meio de nossos irmãos. A Transfiguração de JESUS vem nos animar em nossa caminhada e aumentar a nossa fé na Ressurreição e na concretização do Projeto de DEUS em nosso meio. Que em nossas vidas possamos sempre manter um diálogo de AMOR com DEUS, e assim contemplar a Luz de CRISTO, a fim de nos transformar e nos ajudar uns aos outros."
(Magda-OCDS)

"No Tabor, diante de Jesus transfigurado, empenha-se Deus, ainda uma vez, em favor dos homens, aos quais apresenta o Amado Filho... Diz São Lucas que se deu a Transfiguração no monte, enquanto Jesus rezava... Deixa Jesus que, por um momento, brilhe a Divindade através das aparências humanas e, aos olhos extáticos dos discípulos, mostra-se como é: 'Esplendor da Glória do Pai, Imagem de Sua Substância'. Contemplar a Face de Deus foi o anseio dos Justos do Antigo Testamento e dos Santos do Novo... Mas quando concede Deus tal privilégio, é apenas um momento fugaz, destinado, como a visão do Tabor, a robustecer a fé e a infundir coragem para levar a cruz... Junto ao Senhor transfigurado aparecem Moisés e Elias... Visão de Glória, portanto, que se intercala com conversas sobre a Paixão: dois aspectos opostos, mas não contraditórios, do único Mistério Pascal de Cristo: Morte e Ressurreição, Cruz e Glória."
(Frei Gabriel de Santa Maria Madalena)

"Senhor, procuro a Vossa Face... a Vossa Face, Senhor, desejo ardentemente. Ensinai-me, portanto, Senhor Meu Deus, ao meu coração, onde e como procurar-Vos, onde e como encontrar-Vos... Ensinai-me, Senhor, a procurar-Vos e mostrai-Vos a mim que Vos procuro; porque não posso procurar-Vos, se não me ensinais; nem posso encontrar-Vos, se não Vos manifestais. Óh Senhor, que eu Vos procure desejando, que Vos deseje procurando, que Vos encontre amando, que Vos ame encontrando."
(Santo Anselmo)

"Na verdade, somente o Amor Divino tem a capacidade de estabelecer relações vitais e harmoniosas com todos, uma vez que Ele nasce do encontro e do diálogo da 'Justiça' com a 'Verdade'... O discípulo, iluminado e transformado pela 'Graça' Divina, também deve tornar-se portador e operador da harmonia existencial, aplicando a lição aprendida na prática da 'Caridade e do Perdão'... que apresenta-se, assim como uma emanação de um Dom Divino, e como Ministério Profético confiado ao homem justificado e renovado pela 'Graça' e atraído suavemente para as luzes da 'Transcendência'."
(Frei Sandro Grimani-OCD)


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“Com a delicadeza, cresce a capacidade compreensiva, e, com a simplicidade e a fineza, crescem a força difusa e comunicativa.”

(Ediht Stein)


Assista o vídeo com a reflexão do II Domingo da Quaresma


SANTO DO DIA - 28/02/10

Santos Romão e Lupicino

(Memórias, hoje omitidas)

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São Lupicino

São Romão entrou para a vida religiosa com 35 anos, na França, onde nasceram os dois santos de hoje. Ele foi discernindo sua vocação, que o deixava inquieto, apesar de já estar na vida religiosa. Ao tomar as constituições de Cassiano e também o testemunho dos Padres do deserto, deixou o convento e foi peregrinar, procurando o lugar onde Deus o queria vivendo.
Indo para o Leste, encontrou uma natureza distante de todos e percebeu que Deus o queria ali.

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(São Romão)

Vivia os trabalhos manuais, a oração e a leitura, até o seu irmão Lupicino, então viúvo, se unir a ele. Fundaram então um novo Mosteiro, que se baseava nas regras de São Pacômio, São Basílio e Cassiano.
Romão tinha um temperamento e caminhada espiritual onde com facilidade era dado à misericórdia, à compreensão e tolerância. Lupicino era justiça e intolerância. Nas diferenças, os irmãos se completavam, e ajudavam aos irmãos da comunidade, que a santidade se dá nessa conjugação: amor, justiça, misericórdia, verdade, inspiração, transpiração, severidade, compreensão. Eles eram iguais na busca da santidade.
O Bispo Santo Hilário ordenou Romão, que faleceu em 463. E em 480 vai para a glória São Lupicino.

Santos Romão e Lupicino, rogai por nós!


II DOMINGO DA QUARESMA.


II Domingo do Saltério (in Laudes).

Cântico Dn 3,52-57: Louvor das criaturas ao Senhor.

O Cântico dos três jovens na fornalha vem a ser, em virtude da época em que foi escrito, uma confissão martirial. Os mártires da época selêucida têm nos três jovens seu modelo de identidade. O presente Cântico de nosso ofício dominical está composto seguindo o estilo das bênçãos contidas na oração judia: “Sede bendito...”. Para sua execução referiu-se a diversos lugares bíblicos. Desta execução resulta uma oração em forma de ladainha, cujo emprego na liturgia cristã está documentado desde o século III a.C. Com este cântico aclamamos e exaltamos o Criador, autor da Nova Criação iniciada no “dia do Senhor”, o domingo.
Este Cântico dos três jovens destina-se a sustentar a fé e a esperança dos judeus perseguidos. Submetidos às provas de abandono das prescrições da Lei e tentações de idolatria saíram vencedores delas e os antigos perseguidores tiveram de reconhecer o poder do verdadeiro Deus.

Como redescobrir a vocação Entrevista com Stefano Fontana, diretor do Observatório “Van Thuan” Por Antonio Gaspari ROMA,


Por Antonio Gaspari

ROMA, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org). – Para muitos jovens de hoje, a vocação é algo que diz respeito apenas aos que pretendem se tornar sacerdotes.

A aspiração por realizar no trabalho e na vida os próprios ideais e expectativas é contraposta pelo materialismo cru, pela sensação de que a única relação possível com a realidade é da velocidade supersônica com que se consomem relações, amizades, produtos, diversões.

Por outro lado, está cada vez mais distante a ideia de que, ao se decidir o futuro de cada um, opera um desígnio do Criador. Para explicar o sentido da vocação e da espera, Stefano Fontana, diretor do Observatório “Van Thuan” sobre a Doutrina Social da Igreja http://www.vanthuanobservatory.org/), publicou recentemente um ensaio intitulado “Palavra e comunidade política”.

No prefácio de seu livro, Fontana, que é também consultor do Conselho Pontifício Justiça e Paz, escreve que “a crise da vocação é muito preocupante”, porque inibe “a convivência: o acolhimento, a gratidão, a gratuidade”.

Falando sobre seu ensaio, Fontana explicou que “o objetivo deste livro é assinalar o caminho para uma inversão de tendências, porque o homem surdo para sua vocação não sabe mais para onde ir”.

A fim de compreender o sentido profundo da vocação de cada um e o porquê do mundo moderno parecer desejar afastar-se de Deus, ZENIT entrevistou Stefano Fontana.

- O que é a vocação?

Fontana: A vocação é um chamado, uma palavra que vem ao nosso encontro, pedindo por uma adesão. Ao comunicar-se, a vocação nos convida a construir nossa identidade. Na reposta ao sentido que a interpela nós nos construímos em nosso próprio sentido. Quando encontramos um sentido que não produzimos, estamos diante de um chamado, um apelo, uma vocação. A vocação é a manifestação do incondicionado.

- Em seu livro recentemente publicado, o senhor sustenta que a falta de vocação impede o desenvolvimento humano, limita a convivência social e política, penaliza toda a família e empenho solidário no trabalho e nas relações com os demais. Por quê?

Fontana: O fenômeno mais preocupante de nossos dias é o da crescente dificuldade de identificar nas coisas e em nossas vidas uma palavra dirigida a nós, um apelo.

O matrimônio e a família são vistos sempre como opções ou convenções, não como uma realidade contida numa proposta de sentido importante para nossa humanidade, uma beleza que nos atrai e apaixona. Em nossa própria natureza íntima é possível encontrar um discurso sobre como devemos ser, a indicação de um caminho a ser percorrido.

Ser homem e ser ainda um tal homem representam uma vocação diante do subjetivismo e de uma cultura que pretende englobar em si mesma a própria natureza? Muitos hoje não veem na identidade sexual uma vocação, mas uma escolha.

Toda nossa dimensão física recebe grande atenção na sociedade do bem-estar, mas como algo que deve ser moldado, planejado, desconstruído e reconstruído, exibido, mas não como uma vocação a ser valorizada. O pudor nasce da percepção de que o corpo é palavra, mas nossos corpos já não têm quase mais nada a dizer; a primeira e a última palavra a seu respeito presumimos encontrar nos cremes e nos comprimidos, nas academias e no bisturi, no silicone e nos chips.

Também o ambiente natural diante de nós – a natureza no sentido naturalista do termo – é visto prevalentemente como um conjunto de objetos funcionais. Já não é mais a “criação”, um discurso do Logos criador, palavra em atuação, uma mensagem a ser comunicada.

- Vivemos em uma sociedade onde a auto-exaltação do ego é cada vez mais exagerada. Parece que, para alcançar a felicidade, é necessário haver um poder total sobre a realidade e sobre as coisas, é necessário dispor das pessoas e de seus corpos, é necessário aderir a um pleno e total hedonismo. Seriam estes os motivos que levaram ao ofuscamento da vocação e ao desespero daqueles que não encontram mais um sentido para as próprias vidas?

Fontana: A crise na vocação é algo muito preocupante, também em termos sociais e políticos, uma vez que inibe três atitudes fundamentais para a convivência: o acolhimento, a gratidão e a gratuidade.

Em primeiro lugar, está o acolhimento. A crise demográfica que atinge hoje muitos países e os debilita moralmente e economicamente é devida a esta dificuldade cada vez mais disseminada em acolher. As leis sobre o “suicídio assistido” denunciam uma falta de acolhimento da própria vida.

O multiculturalismo e sua falência mostram que a tolerância indiferente não é verdadeiro acolhimento. Acolher o outro torna-se impossível se não formos capazes de acolher a nós mesmos e de viver, também nós, a experiência de sermos acolhidos.

Em segundo lugar está a gratidão. Se outras pessoas e experiências não nos tocam, jamais nos descobriremos em débito e não poderemos viver a gratidão. Nossa família, nossa cultura, nossa condição de homem ou mulher... tudo pode ser objeto de gratidão, se formos capazes de encontrar uma herança de palavras, um sentido desvelado que de algum modo nos orienta.

Há, por outro lado, a negação de tudo isso, a prontidão em nutrir vergonha e ódio por ter sofrido uma série de imposições e violências, quando não a prontidão em repudiar ou mesmo apostatar de si mesmo e do próprio passado. Mesmo nossa própria identidade pode não ser vivida com gratidão. O ocidente parece estar hoje particularmente acometido desta síndrome da vergonha de si mesmo e da ingratidão.

Se não nos sentimos gratos para com aqueles que nos transmitiram determinados valores, não nos sentiremos na obrigação de transmiti-los às próximas gerações. A falta de gratidão rompe com a continuidade entre as gerações e é responsável pela atual “emergência educacional”.

Em terceiro está a gratuidade. A vocação nos é dada com um dom. Perder o sentido da vocação significa perder o senso de doação. Se meu passado, minha natureza e os outros nada me dizem, isto implica que quem estabelece seu significado sou eu, ou nós, se considerarmos as estruturas sociais e culturais.

Gratuito, portanto, é simplesmente tudo aquilo que é recebido como graça. A vocação comporta tudo isso, uma vez que não é uma palavra pronunciada por nós, mas uma palavra pronunciada através de nós. Portanto, uma palavra doada.

- Qual é a proposta do livro? De que modo a fé cristã e a Doutrina Social da Igreja podem resolver estes problemas enfrentados hoje pela humanidade?

Fontana: A palavra “vocação” ocorre ao menos vinte vezes na Caritas in Veritate de Bento XVI – se não contarmos os sinônimos. Se as coisas, as pessoas e acontecimentos nada nos dizem; se pensamos ser fruto de determinismos, então de fato nenhum acontecimento novo pode ocorrer, e permanecemos vítimas de nós mesmos.

Sem vocação o homem não sabe para onde ir, pois ser impelido detrás ao invés de ser atraído pelo que está à frente não o satisfaz. A fé cristã tem essa proposta de ser uma “amiga do homem”, de corresponder aos seus anseios. O mesmo pode ser dito a respeito da Doutrina Social da Igreja, que corresponde aos anseios do mundo, assim como a fé corresponde aos anseios da razão e a caridade aos anseios da justiça. É por esse motivo que a fé cristã não é algo acrescentado ao homem, mas algo que remete à sua própria constituição. A fé cristã é uma vocação, presente desde o início na forma de um anseio.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

NOTA DE FALECIMENTO

Em 24 de fevereiro de 2010 09:16, Fernando Alcici escreveu:


Comunico, com muito pesar, o falecimento do Padre Marcello Azevedo SJ, meu tio, ocorrido hoje, às 7 hs. Haverá missa de corpo presente na Casa da Saude dos Jesuitas, no Planalto, em Belo Horizonte, às 15 e trinta, seguido do sepultamento. Desde já agradeço as orações.
Marcello Azevedo, meu tio, jesuita, faleceu aos 82 anos, após conviver anos com mal de Alzheimer, sendo os ultimos seis anos na Casa da Saude dos Jesuitas, em Belo Horizonte, sendo consumido aos poucos pela doença.
Nascido a 18 de abril de 1927, em Belo Horizonte, foi estudar com os Jesuitas, em 1941, no Colegio Santo Inacio, no Rio de Janeiro, fazendo seus Primeiros Votos, em Nova Friburgo, a 2 de fevereiro de 1944. Fez Filosofia, inicialmente em Nova Friburgo,complementando os estudos em Roma, para onde se dirigiu em 1952. Em 1954, foi estudar Teologia em Frankfurt, na Alemanha, aonde se ordenou em 31 de julho de 1957., fazendo seus votos perpetuos em Roma, a 2 de fevereiro de 1961. Eleito Provincial para o Brasil em 1963, retornou a Belo Horizonte e em 1968, fo eleito Presidente da Conferencia dos Religiosos do Brasil, exercendo tres mandatos, até 1977, tendo conseguido reerguer a institituição, tanto financeiramente, como dando novo rosto a vida religiosa no Brasil. Após deixar a CRB, se dirigiu aos Estados Unidos estudando por tres anos, Antropologia Cultural. Falava oito idiomas, tendo deixando varias obras publicadas, traduzidas em dezenas de linguas. Foi diretor do IBRADES por varios anos, primeiramente no Rio de Janeiro e depois, em Brasilia, quando manifestou o mal de Alzheimer, que o obrigou a deixar as funções e vir morar em Belo Horizonte.
Esteve conosco no Congresso da Ordem Secular , em São Roque, em 1999, proferindo uma palestra. Faleceu a 24 de fevereiro de 2010, na Casa da Saude dos Jesuitas, em Belo Horizonte, sendo sepultado no dia seguinte, após missa de corpo presente, em que estiveram presentes alem dos familiares, amigos, religiosos e religiosas, frei Deneval, representado a OCD, Maria Helena, Liz, Vera, Ana Maria e Angela da OCDS, ir. Teodolinda, das Carmelitas de Santa Teresa e frei Felisberto, Provincial dos Carmelitas da Antiga Observancia.
Fernando alcicci, ocds


Fernando, conte com as orações de seus irmãos da OCDS.

SÁBADO DA 1ª. SEMANA DA QUARESMA - 27/02/10

Ofício do dia da Semana do Tempo Quaresmal/Cor Roxo

Leituras: Dt 26,16-19 – Sl 118(119) – MT 5,43-48


Laudes: Liturgia das Horas: 37-124-1072

Oração das Horas: 273-305-842

I Vésperas: Lit. das Horas: 33-127-1078

Oração das Horas: 271-307-853


“Sede, portanto, Perfeitos..."


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"...como o vosso Pai Celeste é Perfeito.”

Fazer a vontade de Deus é algo concreto, definido e deve expressar a nossa escolha, a nossa fidelidade.


EVANGELHO (São Mateus 5, 43-48)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.

MEDITANDO O EVANGELHO DO DIA
"Hoje JESUS nos pede que amemos a todos sem distinções, assim como ELE amou e ama a todos os homens. Parece que JESUS nos pede algo muito difícil, amar os que nos perseguem e que nos fazem mal... Realmente é difícil... por isso JESUS também nos diz, que amando a todos os nossos irmãos, a Graça e a Força do Espírito Santo nos acompanhará... e só com essa Graça de DEUS é que realmente poderemos amar de Verdade a cada pessoa, realizando no meio de nós a Vontade Divina. Peçamos sempre com humildade, que DEUS nos envie seu Espírito Santo para nos ensinar a amar o próximo, como ELE nos ama e sempre nos amou."
(Magda-OCDS)

"A fé prescreve o Amor aos inimigos. Através do sentimento universal da Caridade, destrói os movimentos de violência que há no espírito do homem... até fazer-nos amar aquele que não tem razão. Amar os que vos amam pertence aos pagãos, e toda a gente gosta de quem gosta de si. Cristo chama-nos, pois, a viver como filhos de Deus e a imitar Aquele que, pelo advento do seu Cristo, concede, seja aos bons, seja aos culpados, o sol e a chuva nos Sacramentos do Batismo e do Espírito. Assim, forma-nos para a vida Perfeita através deste laço de uma Bondade para com todos, chamando-nos a imitar o Pai do Céu, que é Perfeito."
(Santo Hilário de Poitiers)

"Ora Jesus diz-nos: "Sede perfeitos como o vosso Pai do céu é perfeito" (Mt 5,48). Por estas palavras nos mostra que, filhos de Deus e regenerados por um celeste nascimento, nós atingimos o cume da perfeição quando a paciência de Deus habita em nós e a semelhança divina, perdida pelo pecado de Adão, se manifesta e brilha nos nossos atos. Que glória sermos semelhantes a Deus, que grande felicidade ter esta virtude digna dos louvores divinos!"
(São Cipriano)

"Óh Espírito, do Pai e do Verbo procedente, penetrais na alma de tão suave modo que não Sois entendido; e Vossa Grandeza Imensa, tida em pouco! Entretanto, infundis na alma o Poder do Pai, a Sabedoria do Filho! E assim poderosa e sábia é capaz a alma de levar-Vos em si... qual digno hóspede... conseguindo, sim, pordes nela Vossas Complacências sem Vos afastardes dela."
(Santa Maria Madalena de Pazzi-OCD)


"No Batismo, o cristão recebe, juntamente com a Graça e as Virtudes infusas, os Dons do Espírito Santo. Enquanto são as Virtudes infusas, princípios sobrenaturais que tornam a pessoa capaz de agir de modo virtuoso e meritório em ordem à Vida Eterna, os Dons são princípios sobrenaturais que a tornam capaz de receber os auxílios do Espírito Santo, de captar suas inspirações, seus impulsos, e capaz de os pôs em prática... assim pode a pessoa, por meio dos Dons, ser movida e guiada pelo Espírito Santo. Fica, deste modo, mais fácil e seguro o caminhar da Santidade."
(Frei Gabriel de Santa Maria madalena-OCD)

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“Não é a atividade humana que pode salvar-nos, mas os Sofrimentos de Cristo. Ter parte Neles, eis a minha aspiração.”

(Edith Stein)


I SABADO DA QUARESMA


I Sábado do Saltério (in Laudes)


Cântico Ex, 15, 1-4b. 8-13. 17-18: Hino de vitória após a passagem do Mar Vermelho.


Êxodo 15 é um Cântico antigo – possivelmente do século XIII a C – talvez utilizado no culto israelita para a celebração da Páscoa. A data da composição deste Cântico é incerta embora contenha um núcleo antigo, no v. 21. Não é possível determinar o lugar e o modo deste acontecimento. Todavia, aos olhos das testemunhas apareceu como uma intervenção espetacular do “Yahweh guerreiro”, através da afirmação lírica do v 3, com a qual o poeta expressa sua admiração: Deus não está distante, não está ausente das lutas humanas pela justiça e pela liberdade (cf. Salmo 12,6). É um hino ao Deus guerreiro que, com sua ação libertadora veio mostrar sua supremacia sobre os deuses (v 11) e se revelou como o único Salvador de Israel (v 2). Na ocasião da destruição do exército do Faraó, este “Canto de Vitória” (o primeiro e o mais célebre dos ‘Cânticos’ que a Liturgia Cristã toma do AT) trata em toda sua amplidão do tema da salvação miraculosa que o poder e a solicitude de Yahweh asseguraram ao seu Povo. A presença deste Cântico, na Liturgia, põe em relevo a memória do acontecimento e coloca o povo a orar, suplicando para ser salvo do assédio dos inimigos. A tradição considerou este milagre como uma figura de salvação, e mais especialmente do Batismo (1Cor 10,1)

SANTO DO DIA - 27/02/10


São Gabriel das Dores


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Nascido a 1838 em Assis, na Itália, dentro de uma família nobre e religiosa, recebeu o nome de batismo Francisco, em homenagem a São Francisco.
Na juventude andou desviado por muitos caminhos, e era dado a leitura de romances, festas e danças. Por outro lado, o jovem se sentiu chamado a consagrar-se totalmente a Deus, no sacerdócio ministerial. Mas vivia 'um pé lá, outro cá'. Ou seja, nas noitadas e na oração e penitência.
Aos 18 anos, desiludido, desanimado e arrependido, entrou numa procissão onde tinha a imagem de Nossa Senhora. Em meio a tantos toques de Deus, ouviu uma voz serena, a voz da virgem Maria, que dizia que aquele mundo não era para ele, e que Deus o queria na religião.
Obediente a Santíssima Virgem, na fé, entrou para a Congregação dos Padres Passionistas. Ali, na radicalidade ao Evangelho, mudou o nome para Gabriel, e de acordo também com a sua devoção a Nossa Senhora, chamou-se então: Gabriel da Dores.
Antes de entrar para a Congregação, já tinha a saúde fraca, e com apenas 23 anos partiu para a glória, deixando o rastro da radicalidade em Deus.
Em meios as dores, São Gabriel viveu o santo Evangelho.

São Gabriel das Dores, rogai por nós!


falecimento

Em 24 de fevereiro de 2010 09:16, Fernando Alcici escreveu:


Comunico, com muito pesar, o falecimento do Padre Marcello Azevedo SJ, meu tio, ocorrido hoje, às 7 hs. Haverá missa de corpo presente na Casa da Saude dos Jesuitas, no Planalto, em Belo Horizonte, às 15 e trinta, seguido do sepultamento. Desde já agradeço as orações.
Fernando


Fernando, conte com as orações de seus irmãos da OCDS.

No dia 2 de Fevereiro, oficialmente o postulantado








No dia 2 de Fevereiro, festa da Apresentação do Senhor, iniciamos oficialmente o postulantado na comunidade Beata Elisabete da Trindade. Os nossos jovens postulantes já se encontram na casa desde o fim de Janeiro, acostumando-se com as instalações e aos poucos foram organizando sua vida em preparação para a vivência na nova casa. São cinco postulantes: Washington (Natal – RN), Davi (Rio Pomba – MG),
Emanuel e Helder (ambos de Três Pontas – MG) e José Augusto(Itapetininga – SP).
A casa contou com a presença de fr. Francisco Sales e fr.Edglê, ambos da casa de Travessão de Campos, além do padre provincial, fr. Alzinir.
Os postulantes e os frades, após o almoço e descanso,jogaram uma partida de futebol no gramado do convento, em clima de descontração. No fim da tarde, portanto, houve a celebração eucarística para dar início à etapa a qual estes jovens continuarão a aprender e discernir sua vocação carmelitana e assim continuar a
responder com fidelidade ao chamado que o Senhor lhes faz e nos faz quotidianamente.

Frei Hudson

I QUARTA FEIRA DA QUARESMA



I Quarta Feira do Saltério (In Laudes)

Cântico Jt 16, 1-2.13-15: Deus, Criador do mundo e protetor do Seu povo.

A época dos macabeus necessita modelos de fidelidade para resistir à luta político-religiosa contra a opressão dos selêucidas. Neste ambiente se escreve o livro de Judith. A grande lição deste livro é que Deus salva o povo de toda adversidade. O inimigo pode orgulhar-se de sua força destruidora, porém Deus exalta os humildes, protege os desfavorecidos, salva os desesperados. É um Deus forte e potente, criador do céu e da terra, Deus de nossos pais, vencedor das batalhas. Seu nome é “o Senhor, Adonai”! Este poema é composto como Salmo-hino e utiliza, nos vv 13-16, locuções freqüentes em outros Salmos. Judith louva a Deus por toda a sua ação salvívica.
Judith, cujo nome significa “a judia”, representa a causa de Deus, identificada com a sua nação, que parece votada ao extermínio. Todavia, Deus promove sua vitória através das mãos frágeis de uma mulher; e o Povo Santo sobe à Jerusalém.

I TERÇA FEIRA DA QUARESMA.

I Terça Feira do Saltério (in Laudes)


Cântico Tb 13, 2-8: Deus castiga e salva.


A composição da “novela exemplar” ou “romance popular” que é o livro de Tobias tem lugar no século III a C. “As idéias religiosas do livro, o seu recurso aos profetas tardios situam-no, sem sombra de dúvida, depois do Exílio. A observação das numerosas analogias com o Sirácida, escrito cerca de 190 a.C, da fé e do ideal de piedade que já prenunciam os fariseus pode dar visos de probabilidade a uma data situada por volta de 200 a.C” (Teb, p 1584). O judaismo da Diáspora ocidental pode ser o berço do livro. São também abundantes, no mesmo, os ensinamentos sapienciais. A esperança escatológica, por sua parte, tem seu lugar no final do livro. Nesta última parte, à qual pertence o capítulo 13, ressoa o “Livro da Consolação” de Isaias: os judeus dispersos volvem seus olhos para Jerusalém, sua metrópole espiritual, chamada a ser a capital do mundo inteiro. Este Cântico tem a função de ressaltar os grandes feitos que a Providência acaba de realizar (cf. Ex 15,1-18; Jz 5,2-31; Jt 16,1-17); é composto de duas partes. A primeira é Cântico de ação de graças, que utiliza motivos de hinos e de salmos do Reino (vv. 2-8); a segunda é saudação à Jerusalém, num estilo profético: traduz a perspectiva universalista sobre o porvir de uma Jerusalém ideal (vv. 9-17).



I SEGUNDA FEIRA DA QUARESMA

I Segunda Feira do Saltério (in Laudes)





Cântico 1 Cr 29,10-13: Honra e Glória, só a Deus.

O livro das Crônicas, talvez escrito nos primeiros dias do cisma samaritano, tem a dupla finalidade de instruir e edificar seus leitores. Para estes, elabora uma história da Teocracia. O centro permanente de interesse dessa longa história é o Templo de Jerusalém e seu culto, desde os preparativos para a construção, traçados no governo de David até à restauração, realizada no governo de seu filho Salomão. Para o cronista, o passado só interessa enquanto propõe fundamentos para a vida presente dos judeus: a Lei e as instituições, - centradas no culto e no sacerdócio hierarquizado de Jerusalém-, a esperança que gira em torno do Messias Davídico, etc.
David, com efeito, e com ele a monarquia, é o eleito de Deus para instaurar Seu Reino, cuja capital será Jerusalém, mais propriamente, o Templo de Jerusalém. Podemos pensar que o trabalho do Cronista não respeita a objetividade dos fatos, porém nos deixou um passado aberto Àquele que realmente instaura o Reino e o fundamento sólido de uma Teocracia imperecível.
Neste Cântico, uma belíssima oração de ação de graças e de louvor, David atribui a Deus a origem dos dons que acabam de ser feitos para o seu Templo. Estes lhe são entregues por uma oferta pura cuja sinceridade é agradável a Deus. É realmente uma prece de “Ofertório” (Cf. 1Cr 29,17). David é apresentado, pelo cronista, como o exemplo da fé e da piedade, que são próprias do judaísmo pós exílico.

I DOMINGO DA QUARESMA

Concluídas as Introduções Gerais aos 1º Salmos (in Laudes), no Saltério, passaremos a considerar, nas quatro semanas seguintes, as Introduções Gerais aos Cânticos, (in Laudes)I

Domingo do Saltério (in Laudes)


Cântico Dn 3, 57-88.56: Louvor das criaturas ao Senhor.


Hoje, normalmente se admite que a composição literária de Daniel tenha sido realizada nos tempos da afirmação dos selêucidas. Uma época duplamente difícil para os judeus: à helenização cultural se acrescenta uma perseguição sangrenta. O autor do livro orienta seu povo com a eloqüência de quatro personagens do exílio, cuja conduta exemplar foi transmitida através da tradição. Como os quatro heróis do passado, os crentes do presente podem manter-se também fiéis à Lei, apesar das pressões externas. A ajuda de Deus não lhes faltará: toda a criação Lhe pertence e se dobra às Suas ordens. Os três jovens Misael, Ananias e Azarias cantam o louvor de Deus, na criação. Agora todas as criaturas louvam ao Senhor, que salvou os três jovens: “Que Vos bendigam todas as Vossas criaturas do céu e da terra; que Vossa Igreja Vos exalte com hinos pela Ressurreição de Vosso Filho que hoje celebramos; e dignai-Vos aceitar nosso cântico de bênçãos, para que possamos, um dia, exaltar-Vos na Assembléia dos Santos”.

SÁBADO DEPOIS DAS CINZAS/I QUINTA FEIRA DA QUARESMA

Por descuido de minha parte, foram excluidas as postagens abaixo citadas. Contando com a compreensão de todos e pedindo desculpas, passo a postá-las novamente.

Tamanho da fonteSábado da IV Semana do Saltério. (in Laudes).


Salmo 91: Louvor ao Deus Criador.

Podemos perceber que o autor deste Salmo conhece perfeitamente a literatura sapiencial e o conjunto das Escrituras. Com fórmulas retiradas destas literaturas, compõe um hino de ação de graças que propõe também, muitos ensinamentos, dentro do seu conteúdo. É provável que este Salmo tenha sua origem nas filas dos cantores do Templo (Cf, 1 Cr 23,5.30), que todas as manhãs e todas as tardes deveriam comparecer para cantar graças e louvores ao Senhor, como também em várias ocasiões prescritas pelo rei David. Sua composição é apta para ser executada sempre na assembléia litúrgica. Nascido da experiência religiosa, este salmo canta a sorte dos justos com símbolos de triunfo (a força de um touro e um óleo puro). Por estarem plantados na casa de Deus, os justos são a testemunha fiel da providência Divina, que não comete enganos. Os malfeitores e os ímpios, pelo contrário, têm uma existência efêmera, mesmo que prosperem ou sua vida pareça florescente, como a erva verdejante. Feliz aquele que permanece sob a proteção divina, pois Deus é fiel às Suas promessas, livrando-o das perseguições e dos perigos, deixando-o descansar tranqüilo.






I QUINTA FEIRA DA QUARESMA



I Quinta Feira do Saltério (In Laudes)

Cântico Jr 31, 10-14: A felicidade do povo libertado.

Jeremias recebeu o encargo de “extirpar e destruir”, de “reconstruir e plantar”(Jr 1,10). A primeira parte de sua missão foi quase toda realizada ao longo de seu ministério. Quando o povo está sofrendo o justo castigo é necessário iniciar a obra de reconstrução e plantação. Os capítulos 30-33 formam um pequeno livro - O LIVRO DA CONSOLAÇÃO - que poderia intitular-se: “a salvação que vem”. Foi escrito entre a reforma e a morte de Josias (609 a.C). Os poemas nele enunciados mostram a esperança dos exilados: Yawheh ama ainda Israel do Norte. Ele fará voltar os exilados às suas terras, na unidade reencontrada em torno de Sião. Nestes poemas se encontram oráculos de distintas procedências históricas, porém com uma constante temática. Este não é o fim: voltará a haver vida, vida alegre e livre neste lugar, como num jardim bem irrigado. Será uma época de felicidade inaudita; os dispersos de Israel e Judá (Is 11,12-13; Jr 10-31) voltarão para a Terra Santa, que será prodigiosamente próspera e o Povo de Deus tomará vingança de seus inimigos. A este ambiente de salvação pertence o Cântico destas nossas “Laudes”.
Jeremias foi enviado especialmente a Judá e a Jerusalém. Contudo, no conjunto de suas profecias, a mensagem dirigida às nações não se limita ao grupo de oráculos endereçados a elas, exclusivamente (25, 15-38; 46-51), mas aparece também em outras partes do livro (cf. p. ex. 12; 27; 44,30), ainda mais que Judá é também uma nação (5,9-20; 7,28; 9,8...) e um reino.

Evangelho do domingo: a voz da brisa

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo

OVIEDO, sexta-feira, 25 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lc 9, 28b-36), 2º da Quaresma.

* * *

Não é somente a voz do tentador que chega até nós. Há também outras vozes que o próprio Deus nos sussurra na hora da brisa. Esta é a belíssima cena do Evangelho deste domingo.

Em um entardecer qualquer, Jesus leva Pedro, João e Tiago ao Monte Tabor para orar. Talvez fosse a oração da tarde, como era costume entre os judeus. E então ocorre o inesperado. A tripla atitude diante do que aconteceu é tremendamente humana e nela podemos facilmente nos reconhecer: o cansaço, o delírio e o temor.

Também nós, como aqueles três discípulos, experimentamos um sopor cansativo diante da desproporção entre a grandeza de Deus e nosso permanecer como alheios (“estavam com muito sono”). Inclusive, ébrios da nossa desproporção, chegamos a delirar, e dizemos coisas que têm pouco a ver com a verdade de Deus e nossa própria verdade (“não sabia o que estava dizendo”). E quando, apesar de tudo, vemos que sua presença nos envolve a abraça, dando-nos o que não esperamos nem merecemos, então sentimos confusão, medo (“ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem”).

O Tabor, onde os três discípulos veriam a glória do Messias, é contraponto do Getsêmani, onde os mesmos se angustiarão diante da dor agônica do Redentor. Como âmbito exterior: a nuvem e a voz de Deus. Como mensagem: ouvir o Filho amado. Como testemunhas: Elias e Moisés, preparação da plena teofania de Deus na humanidade de Jesus Cristo.

Ouvir a palavra do Filho amado, derradeiro porta-voz das falas do Pai, foi também a mensagem no Batismo de Jesus: escutai o que Ele diz. Um imperativo salvador que brilha com luz própria na atitude de Maria: faça-se em mim segundo a tua palavra. Ela guardará a palavra em seu coração, ainda que não a entenda; e convidará os serventes de Caná a fazerem o que Jesus disser; e, por isso, Ele a chamará de bem-aventurada: por ouvir a Palavra de Deus cada dia e vivê-la. Inclusive ao pé da cruz, onde pendia a morte, Maria continuou fiel, pressentindo a pulsação ressuscitada da vida.

O delírio de Pedro, devedor do seu temor e do seu cansaço, proporá fazer do Tabor um oásis no qual descansar seus sonhos, entrar em sensatez e livrar-se dos seus medos. Mas Jesus convidará a descer ao vale do cotidiano, onde no cada dia somos reconciliados com o extraordinário e implacável realismo. A fidelidade de Deus continuará nos envolvendo, com nuvens ou sol, dirigindo-nos sua Palavra, que continuará ressoando na Igreja, no coração e na vida.

I SEXTA FEIRA DA QUARESMA



I Sexta Feira do Saltério (in Laudes).

Cântico Is 45,15-25: Todos os povos se converterão ao Senhor.

O Profeta da “Consolação” nos legou, com o presente Cântico, uma das passagens mais sublimes do Antigo Testamento. Aqui se fundem a Divindade absolutamente única de Yahweh com a unidade do gênero humano, debaixo da soberania de Deus. O monoteísmo é afirmado doutrinalmente e a vaidade dos falsos deuses é demonstrada por sua impotência. A sabedoria e a providência insondáveis de Deus são postas em relevo. O universalismo religioso exprime-se claramente, pela primeira vez. Essas verdades são anunciadas num tom inflamado e com um ritmo breve, que manifestam a urgência da salvação. A volta comunitária rumo ao Senhor recria nossa humanidade e a liberta. Um horizonte universalista e a forma de entrar a tomar parte no novo Povo são únicos, até este momento: ambos os conceitos são decisivos para a estrutura da Igreja. O triunfo de Israel e o triunfo do Crucificado se devem a um mesmo Deus: o Deus de Israel, o Salvador. Deus criou o homem para que este saiba que Ele é um Deus Justo e Salvador.
O v. 15 isolado encerra uma lição teológica: Yahweh já não age diretamente na História como outrora; se oculta atrás de seus instrumentos (Ciro). Todavia, continua sendo, para o Seu Povo, o Salvador cuja onipotência se torna patente mediante Sua obra criadora (vv. 18-19).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

6ª-FEIRA DA 1ª. SEMANA DA QUARESMA - 26/02/10

Ofício do Dia de Semana do Tempo Quaresmal/Cor - Roxo

Leituras : Ez 18, 21-28 – Sl 129(130) – MT 5,20-26


Liturgia das Horas: 37-116-1057

Oração das Horas: 273-302-829


“Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus...”



"...não entrareis no Reino dos Céus .”

Plantamos, regamos, tiramos o mato, mas quem dá vigor à semente é Deus.


EVANGELHO (São Mateus 5,20-26)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20“Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. 21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘Patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno. 23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.

MEDITANDO O EVANGELHO DO DIA
"Hoje JESUS continua nos convidando à conversão do coração, aquela que brota do fundo de nossa alma. ELE Insiste que sem essa conversão não será possível entrar no Reino de Seu Pai Celeste. Para isso precisamos estar humildemente abertos à Misericórdia Divina, que nos transformará aos poucos naquilo que DEUS espera de nós... DEUS espera que sejamos também misericordiosos com nossos irmãos, que os ajudemos em suas necessidades e que principalmente possamos indicar o Caminho do Reino a todos eles por meio da prática do AMOR e do PERDÃO, para que a JUSTIÇA ETERNA se realize no meio de nós. Ao dispormos para servir e ajudar ao próximo, peçamos que JESUS venha fazer parte dessa nossa jornada e nos ajude a amar e ajudar a cada pessoa necessitada que cruzar o nosso caminhar."
(Magda-OCDS)

"A Nova Justiça pregada pelo Senhor impõe não se contentar com evitar o pecado e a infração à lei, mas visar muito mais alto, porque deve imitar a Perfeição do Pai Celeste... Eis a grande norma da 'Justiça superior a dos escribas e fariseus'... Norma não reservada a uma categoria de pessoas, não facultativa e, sim, obrigatória para todos os cristãos porque a todos a propôs Jesus que Dela fez a condição para serem reconhecidos como filhos do Pai Celeste e para entrarem no Reino dos Céus."
(Frei Gabriel de Santa Maria Madalena-OCD)

"Quaresma... É agora o tempo da confissão. Confessa as tuas faltas... Confessa-as neste “tempo favorável”... recebe o Tesouro Celeste... e põe-te disponível para rezar. Mostra na ascese o fervor; purifica teu coração para receber Graças. Porque a remissão dos pecados é dada igualmente a todos, mas a participação no Espírito Santo é concedida na medida da fé de cada um... Se tens uma queixa contra alguém, perdoa-lhe... porque com que cara dirás ao Senhor: “Afasta de mim os meus numerosos pecados”, se tu mesmo não perdoaste ao teu companheiro as suas faltas para contigo?"
(São Cirilo de Jerusalém)

"Concedei-me, Senhor, praticar toda a Justiça: eis o caminho que conduz à alegria. Com efeito; o júbilo é o prêmio: e a Justiça é o mérito e a causa. Quando Vós, óh Cristo nossa vida, aparecerdes e aparecermos nós também Convosco na Glória, é exatamente da Justiça que brotará nosso júbilo, pois Vós mesmo fostes constituído, por Deus Pai, Justiça para nós."
(São Bernardo)

"Quem julga conforme a Justiça e não pela a aparência, enxerga em tudo a Presença amorosa de Deus, e agradecido pelo dom da Fé, torna-se testemunha da Verdade."
(Frei Sandro Grimani-OCD)

http://blog.cancaonova.com/evangelizadores/files/2009/07/nao-e-pesado1.jpg

“Só podemos nos esforçar para viver, sempre com maior fidelidade e pureza, a vida que escolhemos para oferecê-la, como sacrifício, por todos aqueles aos quais estamos unidos.”

(Edith Stein)

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