terça-feira, 30 de agosto de 2011

CURSO À DISTÂNCIA DE INTRODUÇÃO À MÍSTICA (PUC MINAS)


Conheça o Curso a distância de Atualização da PUC MINAS: Introdução à Mística
organizado pelo Professor Carlos Frederico Barboza de Souza, carmelita secular da Comunidade Santa Teresa de Jesus (OCDS de Belo Horizonte-MG).

CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE ESPIRITUALIDADE

“TERESA DE JESUS: DISCÍPULA MISSIONÁRIA NA AMÉRICA LATINA”
SANTO DOMINGO, DE 14 A 19 DE NOVEMBRO DE 2011

Queridos irmãos e irmãs:
Família do Carmelo Teresiano da América Latina

A paz e a alegría do Senhor Jesus Cristo em cujo obséquio vivemos estejam com vocês!

Na última assembléia da CICLA (Conferência Interprovincial Carmelitana Teresiana para a América Latina) encarregaram ao comissariado São José do Caribe a organização do próximo congreso latino-americano de espiritualidade. Nós aceitamos alegremente esta grande responsabilidade e a consideramos uma grande felicidade.

Em comunhão com o caminho que percorre a Ordem para o V centenario de nascimento da Santa Madre, o tema do congresso será: “Teresa de Jesus, Discípula Missionária na América Latina. Como filhos e filhas de Santa Teresa queremos redescobrir sua mensagem e orientações para sermos hoje discípulos missionários na América Latina.

Por este meio convocamos a todos os membros da familia Carmelitana teresiana da América Latina: frades, monjas, seculares e institutos afiliados, a participar deste grande encontro da familia. Esperamos contar com uma representação de todas as nossas circunscrições, a qual recomendamos ser enviada através do Superior Maior de cada região. Desejaríamos contar com a confirmação de presença até 1º de outubro, a fim de podernos organizar com tempo a logística do encontro.

A sede do congresso será na cidade de Santo Domingo, na Casa de Evangelização Beato João Paulo II. Para qualquer informação extra podem comunicar-se com o encarregado do encontro, Fr. José Ariadys Pascual, e-mail: ariadysct@hotmail.com  e/ou Fr Francisco Javier Mena (Comissário Regional), e-mail: javierocd@gmail.com.





CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE ESPIRITUALIDADE
“TERESA DE JESUS, DISCÍPULA MISSIONÁRIA NA AMÉRICA LATINA”
DE 14 A 19 DE NOVEMBRO DE 2011
SANTO DOMINGO, REP. DOMINICANA

LOCAL: ESCOLA DE EVANGELIZAÇÃO BEATO JOÃO PAULO II –
AV. JACOBO MAJLUTA. SANTO DOMINGO NORTE, R.D
CUSTO: US. $200 (HOSPEDAGEM-ALIMENTAÇÃO-TRANSPORTE)


PROGRAMA

A) CONTEXTO HISTÓRICO ECLESIAL

1. CONTEXTO SOCIAL- ECLESIAL NOS TEMPOS DE SANTA TERESA
FR. ENRIQUE CASTRO, OCD

2. CONTEXTO SOCIAL –ECLESIAL HOJE NA AMÉRICA LATINA
P. MANOLO MASA, SJ

B) ASPECTOS DOUTRINÁRIOS

3. SER DISCIPULO MISSIONÁRIO HOJE NA AMÉRICA LATINA À LUZ DE APARECIDA
MONS. VICTOR MASALLES.

4. TERESA DE JESUS, DISCIPULA MISSIONÁRIA DE CRISTO
5. RELEITURA DO CARISMA TERESIANO
FR. SALVADOR ROSS, OCD

6. SER DISCIPULO MISSIONÁRIOO HOJE NA AMÉRICA LATINA À LUZ DA EXPERIÊNCIA E ESCRITOS DE TERESA DE JESUS
FR. TOMAS OSTOS, OCD

7. DIMENSÃO COMUNITÁRIA DO DISCIPULADO E A MISSÃO EM TERESA DE JESUS
FR. MILTON MOULTON, OCD

8. TERESA DE JESUS, DISCÍPULA MISSIONÁRIA DA PALAVRA DE DEUS
MONS. SILVIO BAEZ,OCD

C) ASPECTOS PASTORAIS

9. MULHER, IGREJA E MISSÃO NA AMÉRICA LATINA À LUZ DE TERESA DE JESUS
SRTA. MARIANA CASTILLA

10. LUZES E SOMBRAS EM NOSSOO COMPROMISSO COMO CARMELITAS DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS HOJE NA AMÉRICA LATINA
FR. CAMILO MACCISE, OCD

11. COMO TRANSMITIR HOJE A MENSAGEM TERESIANA NA AMÉRICA LATINA
FR. JOGE ZUREK, OCD

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ir. Maria da Paz dos Anjos, ocd - 60 anos de vida religiosa

SEMEANDO AMOR


São João Batista e o Carmelo - Breve Histórico da Ordem do Carmo


Quanto à origem da ordem carmelitana, remonta tempos muito antigos. O culto especial e a devoção à Santa Mãe de Deus, remonta a origem da congregação carmelitana aos tempos do profeta Elias. Na Ordem Carmelitana, é guardada a tradição, na qual o profeta Elias, ao ver aquela nuvenzinha que se levantava no mar, teria nela reconhecido a figura da futura Mãe do Salvador.

Segundo uma tradição, aprovada pela liturgia da Igreja (dia de Pentecostes), um grupo de homens devotos aos profetas Eliseu e Elias, foram preparados por São João Batista para o advento do Salvador, ocasião em que abraçaram o cristianismo e construíram junto ao Monte Carmelo, um santuário à SS. Virgem, no mesmo lugar onde Elias vira aparecer aquela nuvenzinha, anunciadora da fecundidade da Mãe de Deus.

Historicamente documentado, temos que no século XII, o calabrês Bertoldo estabeleceu-se no Monte Carmelo com mais alguns companheiros, não sabendo-se se lá encontraram-se com a Congregação dos Servos de Maria ou se fundaram uma com este nome. Em 1209, Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém escreveu as regras da Ordem, e por isto é considerado o primeiro legislador da Ordem Carmelita. Alguns anos depois, São Simão Stok, um eremita que vivia em solidão, e que tinha por morada um tronco oco de madeira, dirigiu-se ao Monte Carmelo, onde encontrou-se com os Servos de Maria e decidiu agregar-se à Congregação. Foi ele quem levou a regra escrita por Santo Alberto ao conhecimento do Papa Honório III, que aprovou e reconheceu a Ordem Carmelita. Fundou a Irmandade do Escapulário a pedido de Nossa Senhora do Carmo.

A instituição oficial das Irmãs Carmelitas e da ordem Terceira do Carmo deve-se ao Beato João Soreth. Apesar de já estarem presentes, em meados do século XV, deu forma canônica e empreendeu todos os esforços junto à Santa Sé para obter do Papa o reconhecimento e aprovação dos Institutos legais.

No século XVI, durante o pontificado de Gregório XIII, Santa Tereza Dávila reformou a Ordem Carmelita, tendo pessoalmente escrito a regra para o segmento feminino. Pediu auxílio de São João da Cruz que, ficou incumbido de escrever as regras do segmento masculino. Desde então, existem dois segmentos: Os da Antiga Observância, e os Descalços (ou Reformados) espalhados pelo mundo inteiro, semeando o Amor de Jesus.


domingo, 28 de agosto de 2011

50 ANOS DE VIDA RELIGIOSA DE FREI PIERINO ORLANDINI

DEUS É O GRANDE E MELHOR AMIGO E UM AMIGO É ASSIM:
SEMPRE PRESENTE !
FELIZ ANIVERSARIO!
COM O NOSSO CARINHO E ORAÇÕES E TAMBÉM COM NOSSA AMIZADE.

CARMELITAS DESCALÇOS SECULARES




a tradução da música de fundo é:

um amigo é assim!

... quando você precisar ELE estará aqui
Um amigo é assim

Ele não perguntará nem como e nem por quê
Te escutará e lutará por você
E depois tranquilamente ele sorrirá
Um amigo é assim

E lembre-se que enquanto você viver
Se um amigo estiver junto, você não se perderá
Os caminhos errados são percursos de quem
Não tem na vida, um amigo assim

Não precisa dizer nenhuma palavra
Com um simples olhar você entenderá
Que depois de um ''não'' ele lhe dirá um ''sim'
Um amigo é assim

E lembre-se que enquanto você quiser
Sempre ao seu lado o encontrará
Perto de você, jamais aborrecido, porquê
Um amigo é a coisa mais bela que há

É como um grande amor, só que um pouco disfarçado
Mas que sentimos que existe
Escondido no fundo de um coração que se entrega
E não se pergunta por quê

Mas lembre-se que enquanto você viver
Se um amigo estiver junto, nunca o traia
Só assim você descobrirá que
Um amigo é a coisa mais bela que há

E lembre que enquanto você viver
Um amigo é a coisa mais verdadeira que há
É o companheiro da maior viagem que você faz
Um amigo é algo que não morre jamais.
(MUSICA LAURA PAUSINI)

Eleição - Comunidade Santa Face - Tremembé/SP







No dia 27 de agosto a Comunidade Santa Face de Tremembé se reuniu para realizar a eleição do novo Conselho. Pela primeira vez o resultado saiu com três casais no Conselho! Para Presidente o eleito foi o Antonio Carlos Tonini, para Conselheiros Angela Maria Tonini, Glauco Paiva Cunha, Alfredo Matheus dos Santos, para formador José Eduardo M. Manfredini Junior, para Secretária Maria Noedi de L. Matheus Santos e Tesoureira Charlene Aparecida Vieira Cunha.
Ao antigo Conselho nossos agradecimentos pela dedicação e trabalho e ao novo muita força e as bençãos de Deus e que tenham presente o exemplo de serviço de nossa Mãe Maria Santíssima.


Charlene

sábado, 27 de agosto de 2011

Mes Vocacional- TESTEMUNHO VOCACIONAL

VOCAÇÃO AO CARMELO SECULAR



Márcia Maria Teresa de Jesus OCDS
Comunidade ALEGRIA DA SAGRADA FACE
Itapetininga SP


O nome da minha comunidade é “Alegria da Sagrada Face”, o que nos parece estranho, pois como encontrar na face sofrida de JESUS a alegria?...

Santa Teresa d’Ávila diz que amar verdadeiramente a DEUS “é dar o nosso amor em troca do seu!” (C.16,10), portanto quando encontrei a espiritualidade carmelitana encontrei também muitos motivos para ser feliz, mesmo que em meio aos sofrimentos e angústias da vida cotidiana.

Ser membro da Ordem Carmelita Descalço Secular é um encontro com o Divino, é descobrir a cada dia novos caminhos para chegar ao cume: Jesus Cristo!!

Quando nos sentimos amados só nos resta semear amor e onde há amor encontramos a felicidade, e é por me sentir amada pela família carmelitana que sou imensamente feliz.

Tal pertença me impulsiona a testemunhar que ser CARMELITA SECULAR é ser feliz e fazer outros felizes: eis a missão!!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

TRANSVERBERAÇÃO DO CORAÇÃO DE SANTA TERESA DE JESUS, NOSSA MÃE


"Oh! Ditosa chaga feita por quem não sabe senão curar! Oh! Venturosa e felicíssima chaga, que foste feita unicamente para causar deleite, e cujo sofrimento tem a qualidade de ser regalo e delícia da alma chagada! Imensa és, oh! deleitosa chaga, porque imenso é aquele que te fez: grande é teu deleite, pois é fogo infinito do amor que te regala segundo sua capacidade e grandeza! Oh! chaga regalada, e tanto mais subidamente, quanto mais íntimo centro da substância da alma tocou o cautério que te fez, abrasando tudo quanto pode abrasar, para regalar tanto quanto era possível regalar! Este cautério e esta chaga, podemos compreender como sendo o mais alto grau de amor que pode ser atingido no estado de união transformante. Outros modos há de cauterizar Deus a alma, porém, não chegam a este ponto, nem são semelhantes ao que agora descrevemos; porque aqui se trata de um puro toque da divindade na alma, sem forma nem figura alguma intelectual ou imaginária."
(San Juan de la Cruz, A Chama Viva do Amor)

Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir


22° DOMINGO DO TEMPO COMUM –A

Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir


Leituras: Js 20, 7-9; Rm 12, 1-2; Mt 16, 21-27

O profeta Jeremias é o grande protagonista da primeira leitura e o guia que nos introduz no evangelho deste domingo. A tradição cristã vislumbrou, na sua vicissitude histórica e interior, uma profecia, e quase uma antecipação da sorte de Jesus, na sua missão de messias e servo sofredor, chamado pelo Pai a ser instrumento de salvação, não somente para o povo de Israel, mas para todos os povos e nações.

Pressuposto desta inteligência espiritual do mistério de Cristo é a convicção de fé que o único desígnio de salvação de Deus foi manifestado gradualmente no AT e realizado plenamente em Jesus, na sua missão, morte e ressurreição. Jesus faz a unidade dos dois testamentos.

A Liturgia da Palavra de hoje pressupõe esta visão de fé. Faz-nos viver de perto um dos momentos mais dramáticos da vicissitude do profeta e daquela de Jesus. Descobrimos entre os dois protagonistas afinidades assustadoras e diferenças profundas, na maneira com a qual eles reagem diante do sofrimento e do perigo extremo, determinados pela escolha de dar resposta fiel e perseverante à própria vocação e missão. Nas experiências do profeta e de Jesus vislumbramos, refletido como num espelho, algo da nossa experiência pessoal, enquanto pessoas chamadas pelo Pai a seguir Jesus no caminho do reino.

Ao lembrar o drama humano e espiritual de Jeremias e de Jesus, poderíamos ficar admirados e até comovidos, como leitores sensíveis de nobres histórias do passado, capazes de tocar nossos sentimentos e de nos edificar. A mãe Igreja, porém, através da liturgia, nos ajuda a descobrirmos que desta mesma história, humana e divina ao mesmo tempo, somos não somente leitores atentos, mas co-protagonistas.

Jesus o afirma claramente, quando admoesta a Pedro que a sorte de todo discípulo, se ele quer tornar-se autêntico, não pode ser diferente da sua própria, nem daquela do profeta. O caminho de Deus é único e sempre o mesmo. Deus continua conosco sua surpreendente história: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). E Paulo, na carta aos Romanos, destaca: “Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar” (Rm 12,2).

Ao nos afinarmos com a pedagogia de Deus, realizamos a maneira verdadeira de dar culto a Deus no Espírito, como profetizou Jesus à mulher de Samaria (Jo 4, 20-24), e como convém aos que nasceram à vida nova do Espírito pela fé e pelo batismo, segundo o ensinamento do apóstolo (Rm 12, 1-2).

A primeira leitura (Jr 20,7-9) abre, por assim dizer, uma pequena janela sobre a aventura interior do profeta. Pequena certo, mas o suficiente para nos deixar penetrar um pouco nos abismos da alma deste homem, sensível e delicado, chamado por Deus a tornar-se seu porta-voz para anunciar, com determinação e insistência, ao povo e às autoridades religiosas e políticas, as exigências da aliança e a necessidade de uma conversão radical ao Senhor.

Uma palavra “para arrancar e para destruir, para exterminar e para demolir, para construir e para plantar” (Jr 1,10). Esta é a palavra entregue pelo Senhor ao profeta, embora ele tente fazer valer sua inexperiência, por ser jovem e desprovido de eloquência (cf Jr 1, 6). Uma missão desafiadora, que pode basear-se só na promessa de Deus: “Não digas que és jovem... Não temas, diante deles, pois eu estou contigo para te salvar” (Jr 1, 7- 8). Uma palavra destinada inexoravelmente a incomodar os poderes constituídos e mesmo as falsas seguranças religiosas do povo, fundamentadas nas práticas exteriores sem compromisso de vida (cf Jr 7, 1-15).

A violenta reação dos poderes e o abandono, até por parte dos amigos e familiares (cf Jr 12,6), suscita no profeta a sensação que o próprio Deus o tenha abandonado à sua sorte. Daqui repetidas crises interiores sobre a própria vocação de profeta ao serviço do Senhor.

Eu, como cordeiro manso levado ao matadouro, não sabia dos planos homicidas que tramavam contra mim... Mas tu, Senhor dos exércitos, julgas retamente, sondas as entranhas e o coração; a ti confiei minha causa, que eu consiga vingar-me deles” (Jr 11,19-20).

A relação com Deus conhece alternações entre doces intimidades e tons de combate corpo a corpo. Cantos de vitória e queixas por ter sido enganado e seduzido pelo Senhor como por um amante enganador. “Seduziste-me Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder” (Jr 20,7).

Lacerações da alma, dúvidas sofridas mesmo sobre a confiabilidade de Deus, tentação de abandonar o campo, devido às contrariedades suscitadas pelo anúncio fiel da palavra perturbadora do Senhor. Mas é impossível se subtrair ao fogo do Senhor! “A palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. Disse comigo: ‘Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele’. Senti então dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo; desfaleci, sem forças para suportar” (Jr 20, 8-9).

Mesmo no meio de tamanhas tempestades, o profeta renova sua entrega ilimitada ao Senhor e chega a cantar a vitória que vem de Deus: “Mas o Senhor está comigo como poderoso soldado, meus perseguidores tropeçarão e não me vencerão; sentirão a vergonha do seu fracasso, um rubor eterno e inesquecível” (Jr 20,11).

Revigorado pela fidelidade confirmada de Deus ao seu plano de salvação e pela confiança renovada na vitória final do seu amor misericordioso sobre o mal, Jeremias abre ao final a perspectiva da aliança, “nova e eterna” que o próprio Deus vai estabelecer no futuro com seu povo. Ela será inscrita diretamente no coração das pessoas pelo Espírito, e será implementa por ele mesmo (cf Jr 31, 31-34). No seu trajeto pessoal, trágico e sublime, o profeta experimenta primeiro o alvejar deste novo dia.

A carta aos Hebreus interpreta a totalidade da existência de Jesus, desde a misteriosa comunhão do Verbo com o Pai no seio da Trindade até a cruz, como uma oferta sacerdotal ininterrupta, apresentada pelo mesmo Jesus ao Pai, em comunhão de amor com toda humanidade pecadora, para resgatá-la através da nova aliança estabelecida no seu sangue (Hebr 10, 5-14).

O apóstolo João destaca que o processo de interiorização da aliança nova e definitiva em Cristo, morto e ressuscitado, é cumprido pelo Espírito Santo no coração de todo discípulo de Jesus (cf I Jo 2.27).

Os evangelhos destacam que Jesus renovou continuamente seu compromisso com sua missão em plena adesão à vontade do Pai, passando através repetidas provações, acompanhadas por noites de intensa oração, até o último combate no horto das oliveiras: “Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice: contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 2639). Suas últimas palavras na cruz serão palavras de perdão aos que o estão crucificando e de entrega incondicional ao Pai.

Também o canto confiante do profeta e a dilatação das suas perspectivas sobre o futuro, serão a meta final de um caminho longo e atormentado, fruto de repetidas conversões ao Senhor, renovado dom de graça, assim como dom de graça foi sua primeira escolha e consagração como profeta por parte do Senhor, quando ele se encontrava ainda guardado no ventre de sua mãe (cf Jr 1, 5).

Este percurso interior, tão aderente ao desígnio misterioso de Deus e tão dramático, é-nos oferecido e partilhado, com excepcional intensidade literária e espiritual, nas chamadas “confissões” de Jeremias que se encontram no seu livro: cc.11; 15; 17; 18; 20. Que cada um tenha a graça e a coragem de se confrontar, com humildade e confiança, com o caminho do profeta!

Estes textos representam não só etapas e aspectos fundamentais da autobiografia interior do profeta, mas vão além. Constituem testemunhos excepcionais de um caminho interior que supera os limites da história individual de Jeremias. Afirmam-se como modelos de todo caminho espiritual.

A história da espiritualidade cristã nos oferece inúmeros exemplos de homens e mulheres, profundamente apaixonados por Deus, que tem atravessado o mesmo deserto e experimentado as mesmas provações. Através deste trajeto eles são conduzidos pelo Senhor à mesma intimidade com ele, intimidade esta possibilitada pelo esvaziamento de toda resistência humana. Estas pessoas tem realizado em si mesmas a passagem do tríduo pascal de Jesus, através da paixão e da morte, assumidas como entrega confiante em Deus, até a ressurreição, à vida nova do Ressuscitado.

O evangelho de hoje mostra como Jesus viveu por primeiro este caminho, assumindo-o em plena consciência e liberdade. Ele o indica também aos discípulos. Somente a transformação do coração deles, cumprida pelo Espírito depois da páscoa, conseguirá conduzi-los à plena sintonia com o mestre. O texto testemunha a incapacidade dos discípulos, interpretada por Pedro, de se conformar a ela.

Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia”. A “necessidade” da qual Jesus fala, não é a violência dos homens que ele não conseguiria fugir, mas o misterioso desígnio do Pai, que ele pretende assumir plenamente, porque nele se manifesta em plenitude o amor do Pai e o amor de Jesus.

Paradoxo do amor divino que se imola para criar vida! Mistério da fragilidade do homem, que Deus não rejeita, mas resgata!

O mesmo Pedro, declarado pouco antes por Jesus “iluminado pelo Pai,” e “bem-aventurado”, por ter proclamado com confissão de fé autêntica em Jesus “filho do Deus vivo” ( cf Mt 16, 16-18), é afastado por Jesus, porque atua como “Satanás”, aquele que atrapalha seu caminho. Escolhido por Jesus a ser “pedra de fundação” da sua Igreja, Pedro agora se revela, ao invés, como “pedra de tropeço”, pois “não pensa as coisas de Deus mas as coisas dos homens” .

Ele se manifesta ainda totalmente estranho ao caminho de Deus e de Jesus: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” (Mt 16,22-24).

A resposta de Jesus aponta seu próprio caminho, como caminho a ser partilhado por todo discípulo: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la” (Mt 16,24-25). Paulo reafirma a exigência desta reviravolta na maneira de julgar e de atuar por parte do cristão, como condição de viver em maneira coerente com a nova condição de renascidos no Espírito (Rm 12,1-2).

Viver segundo os novos critérios inspirados pelo Espírito de Jesus, é a maneira de dar o verdadeiro culto a Deus, pois “a glória de Deus é o homem que vive a vida de Deus” (Santo Ireneu).

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Nascimento do Carmelo Teresiano


Com alegria celebramos hoje dia 24 de agosto, o nascimento do Carmelo Teresiano. Nesta data em 1562 , Santa Teresa fundava o Carmelo de São José em Ávila , iniciando assim uma grande história de fundações , trabalhos ,lutas com muita força e coragem , deixando-nos a nós seus filhos este exemplo maravilhoso!!!

Agradeçamos a Deus por esta graça e por fazermos parte desta Ordem Carmelitana !!!


Peçamos a intercessão de Santa Teresa de Jesus para, nos dias de hoje, continuarmos levando esta carisma em todos os lugares.


Meu abraço neste dia festivo para todos vocês, irmãos e irmãs carmelitas.


Maria Eduarda

terça-feira, 23 de agosto de 2011

TESTEMUNHO VOCACIONAL


Frei Marcos Matsubara, ocd


ESBOÇO BONITO E INACABADO

Sinto-me constrangido em dar meu testemunho vocacional. Toda vez acontece isso... É como se pedissem que eu mostre um desenho que ainda não foi concluído. Embora as linhas mestras traçadas inicialmente sejam capazes de prenunciar o bom (ou mau) êxito da obra, nada melhor que a arte final para revelar todo o esplendor do trabalho artístico. Mas a grande verdade é que sinto minha vocação como algo inacabado: um esboço bonito, mas ainda sim um esboço e não um desenho completo. Como falar de algo que ainda está em processo de conclusão? Não seria temerário falar de algo nessas condições?

Todas as vocações me parecem um grandioso mistério. E, no meu caso, esse mistério parece multiplicar-se.

Nunca entendi por que, afinal de contas, Deus resolveu buscar-me em casa. Se já era suficientemente complicado explicar minha conversão à fé católica para meus familiares (budistas), imagine a batalha interna que aconteceu dentro de mim que se acenderam as primeiras luzes do sonho de ser religioso. Foi muito difícil contar para minha mãe que eu estava decidido a ingressar no seminário. Vi tanta decepção no olhar cansado dela. Sei que eu era sua esperança, sei que frustrei seus últimos sonhos e que minha família precisava muito de mim. Minha ausência fez a diferença em casa. Tantas vezes pedi perdão em minhas orações por não ter podido realizar aquilo que esperava de mim.

Mas senti uma força irresistível me empurrando para a Vida Religiosa. Fiquei absolutamente fascinado com a possibilidade de viver o ideal da Vida Fraterna. Viver em comunidade nem sempre é fácil. Houve momentos em que o peso dos conflitos e das tensões pareceu-me cruel e insuportável. Acho que foi Deus que, vendo a minha extrema fraqueza, teve pena e me fortaleceu quando deparei com as cruzes. Mas eu seria ingrato se decidisse que tudo foi difícil. Pelo contrário, sinto-me “escandalosamente” privilegiado por Deus: pelos amigos que ele me deu, pelos dons que recebi, pelos inúmeros acontecimentos que revelam a sua graça... e porque foi aqui no Carmelo que me descobrir como gente, como filho amado (apesar dos meus limites) e aqui pude provar um pouco do sabor do céu, a partir da experiência de amizade, solidariedade, amor, trabalho, cansaço, alegria, tudo o que é sinal da misericórdia divina.


No sábado, dia 13 de agosto de 2011, com imensa alegria a Comunidade Santa Teresinha - Sete Lagoas/ MG reuniu-se para juntos retirarmos, esvaziarmos de nós mesmos e buscarmos na oração o caminho para a perfeição.

Encontramos-nos no Carmelo e nos dirigimos a um lugar afastado e propicio para nosso retiro espiritual, onde a natureza “grita” num profundo e harmonioso silencio, que nos leva a se achegar ao colo do pai.

Num primeiro momento, fomos auxiliados pelo Diácono Everton, que em breve irá receber o Sacerdócio, levando-nos a refletir na palavra de Deus através da Lectio Divina, com momentos de reflexão, oração e partilha.

Após o almoço, com muita alegria recebemos nosso Delegado Provincial da OCDS, Frei Fabiano, que aguardávamos com ansiedade. Frei Fabiano nos agraciou com a passagem do Livro dos Cânticos de São João da Cruz:

Canção 1

“Onde é que te escondeste,

Amado, e me deixaste com gemido?

Como o cervo fugiste,

Havendo-me ferido;

Saí, por ti clamando, e eras já ido.”

Explicou cada verso que nos levou a refletir sobre a busca constante de Deus em nossas vidas e sua grandiosidade, revelando-nos a ansiedade por encontrá-Lo. Após o momento de reflexão nos encontramos com o amado na Santa Missa celebrada por Frei Fabiano e aprofundamos a graça de deixarmos que um Deus tão grande venha em nós fazer a sua morada.

Para finalizar nosso dia, refletimos mais um pouco em nosso Pai São João da Cruz:

Canção IV:

“Ó bosques e espessuras,

Plantados pela mão do meu Amado!

Ó prado de verduras,

De flores esmaltado

Dizei-me se por vós ele há passado!”

Neste momento refletimos em como DEUS revela-se na Natureza e nas pequenas coisas, mas nem sempre temos tempo para deixa-lo falar, pois não paramos para escuta-lo.

Para nós Comunidade OCDS, ficou a necessidade de fugirmos mais das coisas do dia-a-dia e procurarmos estar a sós com Aquele que sabemos que nos ama. Buscar momentos de comum unidade, para que fortalecidos na oração, possamos enfrentar os obstáculos da vida, seguindo a DEUS mais de perto pelo Carisma Teresiano e auxiliados por Nossa Mãe e irmã no Carmelo, Maria Santíssima.

Sérgio Lopes Queiroz

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

MONTE CARMELO JULHO-AGOSTO clique para aumentar









REUNIÃO DA COMISSÃO DE FORMAÇÃO


Nos dias 20 e 21 de agosto, reuniram-se na casa de Filosofia Santa Teresa em BH, a Comissão de formação da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares, da Província do Sudeste , para elaboração do XIV ENCONTRO DE PRESIDENTES, FORMADORES E CONSELHEIROS, que acontecerá nos dias 28 -04 a 01-05 de 2012, na casa “Recanto São José”-BH-MG

Tivemos a presença dos dois delegados: Frei Fabiano e Frei Wilson, que nos orientaram e nos apoiaram na concretização deste planejamento e também com celebraçãoes eucarísticas que nos fizeram refletir o nosso papel de Servir e de ser Pedras Vivas edificados sobre o fundamento que é Cristo, sendo alicerce para os que virão futuramente continuar a obrar na ocds e na igreja.

Fomos recebidos pelas duas casas dos frades em BH, Convento Santa Teresa e Convento São João da Cruz, que nos hospedaram com o carinho fraterno de sempre e com o testemunho de caridade Teresiana. Agradecemos e Louvamos a Deus orando para que Deus continue os abençoando.

O encontro terá momentos de palestras e oficinas com momentos formativos , e desde já pedimos ás Comunidades que preparem seus planejamentos anuais de forma que possam levar para o encontro onde teremos momentos em que trabalharemos com este material.

PEDIMOS ORAÇÕES DE TODA A PROVINCIA PARA ESTE ENCONTRO DE ABRIL EM 2012.


Pela Comissão de formação

Rose Piotto

domingo, 21 de agosto de 2011

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

"...Ecoa a resposta de Maria ao Amor de DEUS: quer nas palavras de Isabel a exaltar a grande fé com que aderiu sem hesitação ao Querer Divino, quer também nas palavras da Virgem, que prorrompe no cântico de louvor ao Altíssimo pelas grandes coisas Nela realizadas.
Maria não tem olhar sobre Si, a não ser para realçar sua pequenez. Eleva-se imediatamente a DEUS para engrandecer-lhe a Bondade e a Misericórdia, a Obra e o Poder em favor dos pequenos, dos humildes, dos pobres. Entre estes se inclui a Si mesma, com extrema simplicidade. Sua resposta ao Imenso Amor de DEUS, que a escolheu entre todas as mulheres para Mãe do Divino Filho, é a mesma que deu ao Anjo: 'Eis aqui a escrava do Senhor'. Para Maria, ser escrava significa estar totalmente aberta, disponível para DEUS fazer Dela o que quiser. E DEUS, após associá-la a Paixão do Filho, a exaltará um dia! Realizará Nela as palavras de seu Cântico: 'Derruba os poderosos do seu trono e eleva os humildes.'
Eis a humilde escrava do Senhor recebida 'na Glória em corpo e alma... para que mais plenamente se conformasse com o Filho, Senhor dos senhores.'
Em Nossa Senhora da Assunção, toda a cristandade tem poderosa Advogada e magnífico Modelo. Dela aprende cada um a reconhecer humildemente a própria pequenez, a oferecer-se a DEUS com plena disponibilidade aos seus Divinos quereres, a crer com firmíssima fé em seu Amor Misericordioso e Onipotente."
(Gabriel Sta Mª Madalena-OCD)

"Todas as gerações vos chamarão Bem -Aventurada porque grandes coisas fez em vós o Onipotente"
(Lc 1, 48-49)

sábado, 20 de agosto de 2011

Livro Caminho de Perfeição em MP3


As irmãs carmelitas descalças, do Carmelo de S. José, em Fátima,  gravaram em MP3 o livro, Caminho de Perfeição, de Santa Teresa de Jesus.Segue o link do site:


VISITA DO DELEGADO !!!


ACONTECEU NO DIA 10/08/2011 A VISITA, À NOSSA COMUNIDADE BEATA ELISABETE DA TRINDADE EM MONTES CLAROS/MG, DO NOSSO DELEGADO PROVINCIAL, FREI FABIANO. FOI UMA APRESENTAÇÃO E UMA FORMAÇÃO EXTRAORDINÁRIA, APONTANDO CAMINHOS PARA UM FUTURO PROMISSOR DA NOSSA ORDEM COMO COLABORADORES ESPECIAIS E NECESSÁRIOS PARA NOSSA IGREJA. OBRIGADO FREI FABIANO, VOLTE SEMPRE QUE POSSÍVEL.



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Meditação é fundamental para crescimento espiritual


Intervenção do Papa na audiência geral de hoje

CASTEL GANDOLFO, quarta-feira, 17 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, a catequese que o Papa Bento XVI dirigiu aos fiéis reunidos no pátio interior do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo para a audiência geral desta manhã.

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Queridos irmãos e irmãs:

Estamos ainda na luz da festa da Assunção, que – como comentei – é uma festa da esperança. Maria chegou ao Paraíso e este é o nosso destino: nós podemos alcançar o Paraíso. A pergunta é: como? Maria já chegou; Ela – diz o Evangelho – é aquela que “acreditou que o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido” (Lc 1,45). Portanto, Maria acreditou, confiou-se a Deus, entrou com sua vontade na do Senhor e, assim, estava no caminho direto, na via rumo ao Paraíso. Crer, confiar-se ao Senhor, entrar em sua vontade: esta é a direção essencial.

Hoje eu não gostaria de falar sobre este caminho de fé, mas somente sobre um pequeno aspecto da vida de oração, que é a vida de contato com Deus, isto é, sobre a meditação. O que é a meditação? Meditar quer dizer “fazer memória” do que Deus fez e não esquecer dos seus muitos benefícios (cf. Sal 103, 2b). Frequentemente, vemos somente as coisas negativas; devemos ter em nossa memória também as coisas positivas, os dons que Deus nos fez, estar atentos aos sinais positivos que vêm de Deus e recordá-los. Portanto, falamos de um tipo de oração que, na tradição cristã, é conhecida como “oração mental”. Nós conhecemos normalmente as orações com as palavras; naturalmente, também a mente e o coração devem estar presentes neste tipo de oração, mas, neste caso, falamos de uma meditação que não está feita de palavras, mas que é uma forma de contato da nossa mente com o coração de Deus. E Maria, nisso, é um modelo muito real.

O evangelista Lucas repete, várias vezes, que Maria “guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração” (2,19; cf. 2,51b). Quem guarda não esquece. Ela está atenta a tudo o que o Senhor lhe disse e fez, e medita, ou seja, tem contato com diversas coisas, aprofundando nelas dentro do coração.

Aquela que, portanto, “acreditou” no anúncio do Anjo, que se tornou instrumento para que a Palavra eterna do Altíssimo pudesse se encarnar, acolheu também em seu coração o admirável prodígio desse nascimento humano-divino, meditou sobre ele, se deteve diante de tudo o que Deus estava realizando nela para acolher a vontade divina em sua vida e corresponder a ela. O mistério da Encarnação do Filho de Deus e da maternidade de Maria é tão grande, que exige um processo de interiorização; não é somente algo físico que Deus realiza nela, mas algo que exige uma interiorização por parte de Maria, que busca aprofundar no conhecimento, interpretar o sentido, compreender suas implicações e consequências. Assim, dia a dia, no silêncio da vida cotidiana, Maria continuou guardando em seu coração os maravilhosos acontecimentos posteriores de que foi testemunha, até a prova extrema da cruz: seus deveres cotidianos, sua missão de mãe, mas soube manter em si um espaço interior para refletir sobre a palavra e a vontade de Deus, sobre o que acontecia nela mesma, sobre os mistérios da vida do seu Filho.

Em nossa época, estamos sendo absorvidos por muitas atividades e compromissos, preocupações, problemas; muitas vezes se tende a preencher todos os espaços do dia, sem ter um momento para parar, meditando e nutrindo a vida espiritual, o contato com Deus. Maria nos ensina quão necessário é encontrar em nossas jornadas, com todas as atividades, momentos para recolher-nos em silêncio e meditar sobre o que o Senhor quer nos ensinar, sobre como Ele está presente e age no mundo e na nossa vida: ser capazes de parar um momento e meditar. Santo Agostinho compara a meditação sobre os mistérios de Deus à assimilação dos alimentos e usa um verbo que aparece em toda a tradição cristã: “rumiar”. Que os mistérios de Deus, que ressoam continuamente em nós até se tornarem familiares, guiem a nossa vida, nos alimentem, como acontece com o alimento necessário para sustentar-nos. E São Boaventura, referindo-se às palavras da Sagrada Escritura, diz que “devem ser rumiadas para que possamos fixá-las com ardente aplicação no ânimo” (Coll. In Hex, ed. Quaracchi 1934, p. 218). Meditar, portanto, quer dizer criar em nós uma situação de recolhimento, de silêncio interior, para refletir, assimilar os mistérios da nossa fé e o que Deus opera em nós. Podemos fazer esta meditação de várias formas, tomando, por exemplo, uma breve passagem da Sagrada Escritura, sobretudo dos Evangelhos, dos Atos dos Apóstolos, das cartas dos Apóstolos, ou talvez uma página de algum autor espiritual que nos aproxima e torna mais presentes as realidades de Deus no nosso hoje; talvez também buscando o conselho do confessor ou do diretor espiritual, ler e refletir sobre o que se leu, parando para pensar nisso, procurando compreender, entender o que diz a nós, no dia de hoje; abrir nossa alma ao que o Senhor quer nos dizer ou mostrar. Também o santo terço é uma oração de meditação: repetindo a Ave Maria, somos convidados a refletir sobre o mistério que proclamamos. Podemos nos deter também em qualquer experiência espiritual intensa, nas palavras que ficam impressas na participação da Eucaristia dominical. Portanto, como podem ver, há muitas maneiras de meditar e de ter contato com Deus, de aproximar-nos dele e, dessa forma, estar no caminho rumo ao Paraíso.

Queridos amigos, a constância em dedicar tempo a Deus é um elemento fundamental para o crescimento espiritual; é o próprio Senhor quem nos dará o prazer pelos seus mistérios, pelas suas palavras, pela sua presença e ação, por sentir quão belo é que Deus fale conosco; Ele nos fará compreender de maneira mais profunda o que quer de nós – afinal, este é o objetivo da meditação: colocar-nos cada vez mais nas mãos de Deus, com confiança e amor, na certeza de que somente fazendo a sua vontade seremos, finalmente, felizes.

[No final da audiência, Bento XVI saudou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]

Amados peregrinos de língua portuguesa, sejam bem-vindos! Saúdo com grande afeto e alegria todos os que vieram com o desejo de encontrar o Sucessor de Pedro. Desça a minha bênção sobre vocês, suas famílias e comunidades. Obrigado!

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