segunda-feira, 30 de abril de 2012

A vida fraterna em comunidade




Esta reflexão pretende nos ajudar a favorecer uma comunidade verdadeiramente humana, cristã e carmelitana. Tendo em vista os desafios inerentes à vida de uma comunidade, este texto está baseado no documento a “A vida fraterna em comunidade” bem como no documento “Como devemos ser”? do nosso padre geral, em síntese do Definitório de Ariccia em setembro de 2011.  
O tema deste XIV encontro de Presidentes e encarregados de formação, “Devemos nos considerar alicerces daqueles que hão de vir” já nos faz vislumbrar qual é o caminho que temos que trilhar. Os encarregados da formação e o presidente, tem um papel fundamental: alentar a comunidade para que ela possa estar “construída sobre a rocha”, ou seja, ter um bom alicerce.

Uma comunidade humana
Sabemos que em todas as instituições e organizações sempre existem as pessoas com funções determinadas, ou seja, existem aquelas pessoas que estão diretamente responsáveis. No caso das comunidades da OCDS temos o presidente e o formador e depois o conselho da comunidade. Faz-se necessário que se tenha clareza do papel do presidente que exerce sua autoridade como um serviço prestado aos irmãos. Deve existir sempre um esforço para que não haja problemas com a autoridade e que ela não venha a ser exercida como tirania, mas sempre através do diálogo e assim poder “ir à raiz das coisas”. Para que a vida da comunidade seja realmente fraterna é preciso que todos saibam respeitar e reconhecer o papel do outro. “A pouca clareza nesse setor é fonte de confusão e de conflitos” (VFC 51).
As comunidades da OCDS, seguindo o exemplo de Santa Teresa, devem ser comunidades dinâmicas e dinamizadoras. Isto pode ser vivido através das eleições trienais dos presidentes, dos formadores, dos conselheiros. O esforço dos membros deve ser sempre aquele de eleger novas pessoas para exercer os ofícios nas comunidades, dando sempre oportunidade para os demais.
Faz-se necessário o diálogo com os membros, sobretudo aqueles que estão com alguma pendência jurídica. Pessoas que pediram afastamento temporário e não procuraram mais a comunidade. Pessoas que querem voltar depois de muito tempo de afastamento e não querem retomar os estudos desde o começo. O importante é não ter medo de falar, de entrar contato com estas pessoas, esclarecendo a seriedade da consagração que fizeram bem como da ligação jurídica que tem com a Ordem. 
As reuniões mensais não são apenas ponto de encontro, mas deve existir sempre a motivação para a reunião com um cunho comunitário e carmelitano, para a oração, o estudo, a fraternidade, a recreação. Portanto, é necessário que exista sempre uma estrutura a ser seguida nas reuniões e que elas sejam preparadas com antecedência. 
Sabemos que as comunidades são humanas. Justamente por isso podem existir dificuldades nos relacionamentos, momentos mais áridos, turbulentos, mas isto não justifica que toda a comunidade caminhe desanimada. Apesar de tudo isso, devido a fragilidade humana, todos devem se empenhar através do diálogo, da compreensão, da partilha, evitar as colocações desnecessárias, assumir aquilo que diz, não fomentar ocasiões que possam dificultar a vida das comunidades. Para ser uma comunidade humana cada um deve se empenhar, da melhor maneira possível, para que as reuniões sejam prazerosas, tenha um clima alegre, descontraído, onde possa reinar a paz, a compreensão, o diálogo. Uma formação sólida leva a suportar as dificuldades.
A formação bem orientada ajuda no processo de conhecimento de nós mesmos. Na medida em que vamos nos conhecendo vamos também aprendendo a acolher o outro, a valorizá-lo, amá-lo e respeitá-lo. A formação humana leva a integrar fé e vida, pois quanto mais vamos nos conhecendo, mais vamos percebendo que preciso do outro e também vou reconhecendo que só posso estar com o outro porque é o Senhor que nos une, como num “colégio de Cristo”. Este caminho nos ensina “a olhar no rosto a realidade, o que somos atualmente, não o que fomos ou o que dizemos ou o que teremos o desejo de ser. Qual é a nossa consistência humana e espiritual como pessoas e como comunidade? Em que direção nos movemos? Quais correções queremos e podemos fazer na nossa rota”? (Doc. Ariccia 1)
É necessário perseguir o justo equilíbrio, nem sempre fácil de alcançar, entre o respeito à pessoa e o bem comum, entre as exigências e necessidades de cada um e as da comunidade, entre os carismas pessoais e o projeto apostólico da comunidade. E isso, afastando-se tanto do individualismo desagregante quanto do comunitarismo nivelante. A comunidade religiosa é o lugar onde acontece a cotidiana e paciente passagem do “eu” ao “nós”, do “meu” empenho ao empenho confiado à comunidade, da busca de “minhas coisas” à busca das “coisas de Cristo” (VFC 39).

Uma comunidade cristã
            Uma comunidade verdadeiramente cristã é aquela em que Cristo é o centro. O “eu” nunca deve ser o centro ou aquilo que move a comunidade. Caso contrário a comunidade vai se consumindo aos poucos pois perde seu vigor. Quando o “eu” se torna o centro a comunidade perde o sentido de ser, pois se reúne somente para que o “eu” seja apresentado, para que o “eu” seja visto e não Cristo seja manifestado através da nossa reunião. Por isso que o papel do presidente e do formador é exigente, pois devem ser objetivos, orientando, guiando a comunidade baseando-se no projeto comum (Constituições, Regra, Estatuto, Ratio) e não em projetos subjetivos (Ratio 30 a 35).
Jesus é o centro da comunidade, pois ela se reúne “por Cristo, com Cristo e em Cristo”. Por isso deve manifestar “nosso fervor em viver as exigências do seguimento de Jesus participando em sua missão salvadora e desenvolvendo nossa vocação profética, real e sacerdotal” (R 14).
Todos os projetos da comunidade são sempre em vista de Cristo. Para isso, nossa vida na comunidade deve nos levar a “zelar pela nossa conversão, deve favorecer nosso compromisso cristão bem como a santidade de vida”. Não tenhamos a pretensão de achar que já estamos prontos, formados, mas estamos sempre a caminho. As promessas que são feitas nos levam a configurar com Cristo para viver uma vida mais evangélica e não são meios que garantem nossa pertença a comunidade.

Uma comunidade Carmelitana
O Estatuto da OCDS afirma que “o chamamento à Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares supõe uma vocação particular de compromisso com um estilo de vida carmelitano, com uma comunidade e suas estruturas e com a Igreja. Como toda vocação é fruto de uma escolha amorosa e gratuita da parte de Deus e exige uma resposta e adesão livres por parte da pessoa” (6). Para viver a vocação de carmelita é necessário que tenha clareza na vocação. Saber o que está escolhendo, conhecer o que vai abraçar, pois uma escolha mal feita pode deixar a pessoa frustrada e ainda prejudicar a vida da comunidade.
O processo formativo visa orientar as pessoas a uma identificação ou não com a Ordem. Para pertencer ao Carmelo não basta somente uma identificação afetiva, mas tal identificação deve ser, sobretudo, efetiva. Assim sendo, a pessoa assumirá com compromisso e responsabilidade todos os seus deveres como consagrada ao Senhor pelo vínculo da espiritualidade carmelitana.
Durante a etapa da formação inicial, de modo particular, deve ser levado em consideração os critérios oferecidos para o discernimento vocacional dos candidatos. Deve ser apresentado de forma bem clara os elementos primordiais da vocação dos leigos carmelitas teresianos (Const. 9). “O discernimento comunitário é um procedimento bastante útil, embora não fácil nem automático, porque envolve competência humana, sabedoria espiritual e desapego pessoal. Onde é praticado com fé e seriedade pode oferecer à autoridade as melhores condições para tomar as necessárias decisões, tendo em vista o bem da vida fraterna e da missão” (VFC 50c).
Um elemento fundamental neste processo de conhecimento da vocação e da espiritualidade carmelitana é o estudo (Const. 19). O Estudo proporciona um conhecimento mais aprofundado do carisma, da espiritualidade além de favorecer a vida de oração e o compromisso do seguimento de Jesus pois a comunidade nasceu  “não da vontade da carne e do sangue”, não de simpatias pessoais ou de motivos humanos, mas “de Deus” (Jo 1, 13), de uma vocação divina e de uma divina atração, as comunidades religiosas são um sinal vivo da primazia do Amor de Deus que opera suas maravilhas e do amor a Deus e aos irmãos, como foi manifestado e praticado por Jesus Cristo”(VFC 1).
Faz parte da espiritualidade carmelitana e, não deveria faltar nas comunidades, dias de retiro e desertos, como meios que proporcionam a vida espiritual, para sermos contemplativos na oração e no cumprimento da própria missão.  É importante que os membros tenham um diretor espiritual para serem orientados por ele, pois o diretor nos orienta para o crescimento na vida espiritual, o conhecimento de nós mesmos e a viver os mistérios do amor de Deus.
Para que uma comunidade seja “alicerce para aqueles que virão” é necessário que ela seja humana, cristã e carmelitana. Aqueles que ali se achegarem devem sentir um clima de família, perceber a caridade vivida no relacionamento fraterno, na alegria, na doação e na amizade entre os membros que já pertencem a comunidade. Deve sentir ali, entre os irmãos, o “odor de Cristo”, pois a comunidade está reunida ao redor de Cristo. Evidentemente que a espiritualidade carmelitana não pode faltar, pois o que é essencial do Carmelo não pode ser marginalizado nos encontros, caso contrário, será apenas uma comunidade a mais. Todos estes empenhos, como nos diz o documento “Como devemos ser,” é para construir comunidades teresianas, que sejam lugares de autêntico crescimento humano e espiritual e de irradiação da verdade e beleza nelas experimentadas” (6).

Frei Fabiano Alcides, ocd.

O Planejamento na Vida Formativa das Comunidades


XIV Encontro de Presidentes, Formadores e Conselheiros OCDS


O Planejamento na Vida Formativa das Comunidades
Frei Wilson Gomes do Nascimento 





“Quem de vós, com efeito, querendo construir uma torre, primeiro não se senta para calcular as despesas e ponderar se tem com que terminar? Não aconteça que, tendo colocado o alicerce e não sendo capaz de acabar, todos os que virem comecem a caçoar dele, dizendo: Esse homem começou a construir e não pôde acabar! Ou ainda, qual o rei que partindo para guerrear com outro rei, primeiro não se senta para examinar se, com dez mil homens, poderá confrontar-se com aquele que vem contra ele com vinte mil? Do contrário, enquanto o outro ainda está longe, envia uma embaixada para perguntar as condições de paz.” (Lc 14, 28-32)
O trecho de Lucas nos fala das condições/exigências para ser discípulo de Jesus.
Os verbos Construir e Guerrear indicam objetivos/finalidades que se quer alcançar com sucesso.
Os verbos Sentar, calcular, ponderar e examinar nos falam de planejamento. Um ideal ou objetivo que se leva a sério e que se quer atingir não deveria ser improvisado, deixado ao acaso ou à espontaneidade, para não se perder tempo e energias, além de não se alcançar o que se pretendia. A formação por ser importante, essencial, na vida das Comunidades OCDS não deveria ser improvisada, mas planejada (formação em geral: aquela que acontece nas reuniões, nos retiros, nos períodos de lazer, na liturgia, ou devoções, p. ex. via-sacra).

REALIDADE:
Vivemos numa sociedade de Consumo; marcada pela idolatria do ter, do poder e do prazer. As pessoas são levadas a comprar por impulso, a propaganda e o marketing atingem suas metas e objetivos = vender mais. Incentiva-se o individualismo e o egoísmo, além de outros valores diferentes e contrários ao Evangelho e ao seguimento de Jesus.
Nós também podemos aprender com esta sociedade que se organiza para atingir seus fins, que desde cedo começa a ensinar às crianças uma educação financeira: a poupar, economizar, pesquisar preços, administrar o dinheiro e seus impulsos.
A mídia tem falado e ensinado educação financeira: fazer lista de compras antes de sair de casa, definir aquilo que pessoa realmente precisa, para não se deixar levar pelas promoções e liquidações de momento; fazer planilha de gastos fixos, esporádicos, de lazer e ver onde se gasta o dinheiro; estabelecer metas e se propor um caminho para atingi-las.
“... Quem bate às portas do Carmelo Secular são, com poucas exceções, pessoas carregas de compromissos familiares, profissionais e outros tantos compromissos” (Ratio 5). Não se pode perder tempo ou gastá-lo à toa.

PARA QUÊ?
A Ratio no número 52 (Constituições no. 32) diz que:
“O objetivo central do processo de formação da Ordem Secular é a preparação da pessoa para viver o carisma e a espiritualidade do Carmelo em seu seguimento de Cristo a serviço da missão”.
“O propósito da formação é preparar pessoas concretas, inspiradas pelo Espírito Santo, para que possam viver uma vida espiritual segundo os princípios da espiritualidade dos Carmelitas Descalços.” (Ratio 6)
“A formação na Ordem Secular, tanto inicial como permanente, deve ajudar à maturidade humana e cristã dos membros em sua vida de apostolado segundo o espírito e o carisma do Carmelo e sob o impulso do Espírito Santo” (Ratio 93)
“... Nossas comunidades têm como meta específica e fundamental um processo permanente de entender a identidade do Carmelita no mundo de hoje, e descobrir qual é o serviço específico a ser prestado a Deus, à Igreja, à Ordem e ao mundo.” (Ratio 3)
“Uma boa formação depende de uma boa informação. Ao mesmo tempo deve ficar claro que a formação é algo diferente da mera informação. É dever primordial dos responsáveis pela formação acompanhar os formandos para ajudar-lhes a viver o que aprendem no processo formativo. A informação que se lhes dá através da leitura e dos encontros de formação intelectual deve servir-lhes de ajuda no crescimento espiritual da pessoa.” (Ratio 7)

QUEM?
“O Conselho, formado pelo presidente, três conselheiros é o responsável pela formação...” tem como “... responsabilidade primordial (...) a formação e amadurecimento cristão e carmelitano dos membros da comunidade” (Ratio n. 58, Constituições n. 46)
Daí se deduz que a responsabilidade pela formação da comunidade e seu planejamento pertence ao conselho da mesma comunidade. “... sua responsabilidade fundamenta-se em formar a comunidade inteira” (Ratio 2)
Porém, a responsabilidade pela formação da comunidade não é exclusiva do conselho e deve-se promover a colaboração e coresponsabilidade de todos os membros:
“Será de grande ajuda para o desenvolvimento do programa de formação que a pessoa responsável pela comunidade institua, em nome da mesma, uma equipe que possa apresentar a informação necessária. Poderá ocorrer que algumas pessoas da comunidade sejam capazes de apresentar uns temas e outras outros, e assim conjuntamente, apresentarão um programa mais eficaz. Isto também ajuda a não sobrecarregar a quem se responsabiliza especificamente sobre a formação.” (Ratio 8)
O próprio formando é o primeiro responsável por sua formação:
“É o candidato o que tem a responsabilidade primordial de dar o sim a sua vocação e de aceitar as consequências de sua resposta. Isto não significa que ele deva ser o árbitro de seu próprio destino ou um autodidata; (...)” (Ratio n. 22)
“Com um progresso adequado ao longo das diferentes etapas, o candidato deve conseguir uma ideia mais clara da importância e necessidade de nosso carisma.” (Ratio n. 23)
“Pela promessa feita à comunidade (...), a pessoa se converte em membro da Ordem Secular. Por este compromisso se empenha em adquirir a formação necessária para conhecer as razões, o conteúdo e o propósito do estilo evangélico de vida que se assume. (...)” (Ratio n. 46)
“A formação se faz em nome da Ordem em cada um dos territórios e circunscrições (...). Este documento (Ratio), portanto contribui com os princípios elementares de direção geral que deve acompanhar a formação local.
(...) A segunda parte principal apresenta um modelo desenvolvido de formação. Não se trata de um plano fechado, mas de um esboço que ajudará às circunscrições a desenvolver seu próprio e específico programa como é de sua competência. Qualquer província ou circunscrição que já tenha desenvolvido seu programa de formação específico e o tenha submetido à apreciação do Definitório para sua aprovação, pode substituir este modelo pelo programa aprovado.” (Carta do Pe. Geral, 17/9/2009)

ALGUMAS INDICAÇÕES PARA O PLANEJAMENTO
Plano de ação: Planejamento de todas as ações necessárias para atingir um resultado desejado, objetivo (os).
Principal: saber o que fazer, identificar e relacionar as atividades (Programa formativo, com suas etapas, dimensões e responsáveis)
Um bom planejamento, plano de ação, deve deixar claro tudo que deverá ser feito:
WHAT = O QUÊ? e

WHEN = QUANDO?

Se a execução envolve mais de uma pessoa, deve esclarecer quem será o responsável por cada ação:
WHO = QUEM?

Quando necessário, para evitar possíveis dúvidas, deve ainda esclarecer
WHY = os PORQUÊS? da realização de cada ação.

HOW = COMO? Deverão ser feitas.

WHERE = ONDE? Serão feitas.

CHECK = AVALIAÇÃO, Verificação dos resultados.

“Ouço algumas vezes afirmar-se que, no início das Ordens religiosas, como se tratava dos alicerces o Senhor concedia maiores graças aos nossos santos antepassados. E assim é. Contudo, devemos sempre nos considerar alicerces dos que vierem mais tarde. Porque, se agora os que vivemos não tivéssemos perdido o fervor dos antepassados e se os que viessem depois de nós fizessem outro tanto, a edificação sempre estaria firme. Que proveito tenho com o fato de os santos antepassados terem sido desta ou daquela maneira se eu for tão ruim depois, se estragar, com maus costumes, o edifício? (Fundações 4, 6)

OFICINA: PROPOSTAS CONCRETAS PARA EXERCER O APOSTOLADO CARMELITANO




1.      MISSÃO DO CARMELITA SECULAR

A MISSÃO DO CARMELITA SECULAR[i]
 
Garimpeiro do Verbo,
o leigo carmelita
anuncia o Evangelho
com a sua própria vida

Apóstolo de Cristo,
das sementes, o plantador
jardineiro missionário,
do pomar, o regador

Afinal, quem somos nós?
Somos cartas de amor
enviadas por Deus
para o mundo de dor 
                                                                Luciano Dídimo

 


2.      DIMENSÕES DAS NECESSIDADES E DORES HUMANAS
·         MATERIAIS (saúde, alimentação, abrigo etc)
·         SOCIAIS (educação, lazer, trabalho etc)
·         FAMILIARES (núcleo imediato e mediato)
·         ESPIRITUAIS (evangelização, apoio espiritual e pastorais espirituais)- servir à Igreja
3.      MATERIAIS (saúde, alimentação, abrigo etc)
MT 25,34-40
Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes;nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.

Dimensão do anúncio.
Dimensão menos difícil, é até fácil dar comida, água, roupa, remédio, visitar um doente ou um preso. Cristãos e não cristãos fazem isso. Trata-se apenas da desculpa, PARA FALAR DE AMOR, TEMOS QUE TER UMA DESCULPA.

4.      SOCIAIS (educação, lazer, trabalho etc)
DIMENSÃO DE TESTEMUNHO
EXERCÍCIO DAS VIRTUDES

5.      FAMILIARES (núcleo imediato e mediato)
DIMENSÃO DE TESTEMUNHO E PROVAÇÃO
EXERCÍCIO PROFUNDO DAS VIRTUDES

6.      ESPIRITUAIS (evangelização, apoio espiritual e pastorais espirituais)- “SERVIÇO À IGREJA?”
                             CARTA DE AMOR PARA UM MUNDO DE DOR
Transmitir para a humanidade sofrida


[i] Inspirado no tema e lema do XXIV Congresso Provincial OCDS – 2007: A ESPIRITUALIDADE DO DISCIPULADO DE CRISTO – REFLEXÃO PARA UMA NOVA ATITUDE MISSIONÁRIA DO APOSTOLADO CARMELITANO – “De discípulos a apóstolos de Cristo anunciadores do evangelho da vida”

Obrigada!



Desejamos que este encontro no Carmelo possa nos dar a esperança necessária de que “devemos sempre nos considerar alicerces daqueles que virão", Com diz Nossa Santa Madre. E Nos ajude na “necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo” (C.A. Fé,2) Neste Caminho a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria. Torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar: de fato, abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos”( C.A.Fé, 7)

Agradecemos  as pessoas que ajudaram para que esse evento acontecesse, e que de alguma forma contribuíram com seu trabalho e com sua doação ao Carmelo e não estão presentes neste encontro: Nosso padre provincial Frei Afonso com seu apoio e sua presença sempre constante e atenciosa ás nossa necessidades; Frei Alzinir Debastiani, hoje Delegado Geral ocds com sua atenciosa correção e sugestões para que nossa programação fosse direcionada para a boa formação, na fidelidade da nossa espiritualidade e aproveitamento de todos; Lourdes Pimenta da comunidade Santa Teresinha de Passos, na elaboração das oficinas, Andreia Virginia do Menino Jesus- de Sete Lagoas com a confecção dos baners, e também  a todos os Membros das Comunidades de BH que com caridade fraterna nos ajudaram em todos os momentos do encontro. A cada um da Comissão de formação que doaram de seu tempo para trabalhar e construir momentos de enriquecimentos a  todos nós.

Deus Abençoe nossa Província!

Rose L. Piotto, ocds-Comissão de Formação

A SERVIÇO DO PROJETO DE DEUS – APOSTOLADO



Jovita Cordeiro, OCDS[1]

Gostaria de começar esta reflexão com a definição de apostolado dada pelo decreto Apostolicam Actuositatem de Paulo VI, segundo o qual: “o apostolado é toda atividade com a finalidade de ordenar a Cristo o universo inteiro e tornar todos os homens participantes da redenção salvadora”.
Podemos dizer então que a vocação cristã é naturalmente uma vocação ao apostolado. Cada cristão deve ter como objetivo colaborar com o plano de Deus para que os seres humanos participem da redenção salvadora, orientando todos a Cristo. Entretanto, esta tarefa, a que todos são chamados indistintamente, deve se manifestar em cada vocação particular.
Deus dá a cada pessoa um lugar especial no cumprimento do projeto de Deus. Ele dotou cada homem e cada mulher de características singulares para que fossem capazes de contribuir, a sua maneira, na realização desse plano.
“O Espírito Santo concede também aos fiéis, para exercerem este apostolado, dons particulares[2], «distribuindo-os por cada um conforme lhe apraz» [3], a fim de que «cada um ponha ao serviço dos outros a graça que recebeu» e todos atuem, «como bons administradores da multiforme graça de Deus»”[4].
Assim, a tarefa que nos cabe é portanto intransferível, já que dependerá de nosso modo de ser, de nossas vivências, de nossas virtudes e limitações para ser realizada. Por sermos únicos, nossa contribuição também será única. 
Mas para ordenar a Cristo o universo inteiro, devemos, em primeiro lugar, estar com nossos corações orientados para Deus, de tal modo que nossa vida reflita o espírito e a mensagem do Evangelho, e sejamos capazes de: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo”[5].
Entretanto, Deus sabe que não podemos amar a quem não conhecemos e por isso mesmo tomou a iniciativa de se comunicar amorosamente a nós através de sua Palavra. “E a Palavra de Deus acaba por indicar a Pessoa de Jesus Cristo, Filho eterno do Pai feito homem” [6]
Portanto, não podemos prescindir de nos encontrarmos com a Pessoa de Cristo, Palavra de Deus, presente nas Sagradas Escrituras e configurar nossa vida à vida de Cristo, pois como diz Santa Teresa, “para que o amor seja verdadeiro e duradoura a amizade, deve haver compatibilidade.” [7]
A palavra divina introduz cada um de nós no diálogo com o Senhor. Através dela, Deus fala e nos ensina como podemos falar com Ele. Participar deste diálogo é nos introduzir também em uma vida de oração, tratando “de amizade com quem sabemos que nos ama”.[8]
Sabemos que na cultura ocidental, a palavra “amor” encontra-se profanada pelo mal-uso. Muitas vezes, confundimos amor com sentimentalismo e fruição de um gozo sensível. Assim, só conseguimos amar aquilo que nos agrada. Mas, Jesus nos propõe, carinhosamente, outro modo mais perfeito de amor:
“Filinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com ações e em verdade.”[9] E em outro trecho nos diz, acerca de nossas ações:
“Quem tem meus mandamentos e os observa é que me ama” [10]
O amor a Deus, portanto, nos aponta uma conduta: amar é cumprir os mandamentos.
Temos assim, mais um ponto a nos apoiar no cumprimento do projeto de Deus, tanto no âmbito do trabalho, da família, da política, em nossas comunidades, enfim, em todos os ambientes que frequentamos. Os mandamentos, contidos na Palavra de Deus, tornam-se, portanto, norteadores de nossa conduta ética e moral. Vive-los torna-se um sinal de pertencimento a Cristo. Hoje, mais do que nunca, em que vivemos uma crise de valores, o mundo está sedento deste testemunho.
Mas, viver e agir deste modo não tem como objetivo um fim em nós mesmos, nem concorre para que sejamos os únicos beneficiados, pois “não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo do alqueire, mas no candelabro, para iluminar a todos que estão na casa. Assim, nos diz Jesus, deve ser todo aquele que o segue: brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vendo vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai que está nos céus.” [11](Mt 5, 15-16).
O testemunho cristão irradia naturalmente sua luz e alcança o outro.  O homem espiritual, por sua presença, por suas proposições, por suas atenções, difunde uma alegria serena nos que dele se aproximam. São reveladores de uma nova maneira de viver”[12].
Portanto, nosso relacionamento de amor com Deus não nos conduz a um fechamento na própria relação, mas amplia seu alcance abrindo-se aos demais para que se tornem participantes desse mesmo amor.
Os mandamentos nos direcionam naturalmente a amar os irmãos. Quem ama não irá matar ou desejar para si o que é do outro; honrará seu pai e sua mãe. Portanto, é inconcebível que aquele que se diz cristão se comporte contrariamente a estes princípios.
Neste sentido, Jesus nos adverte: “se alguém disser: ‘amo a Deus’ mas odeia seu irmão, é um mentiroso”. Aquele que ama a Deus, ame também seu irmão”[13].
Se devido a nossa história de vida não sabemos amar a nós mesmo, tampouco saberemos amar os irmãos. Jesus nos diz que precisamos pedir ao Pai que nos dê o Espírito Santo para que Ele nos ensine a amar verdadeiramente.
Além da oração e da Palavra de Deus, os sacramentos e a participação na vida eucarística são fontes da ação transformadora de Deus em nós.
A família e a nossa comunidade, ‑ família carmelitana ‑, são espaços privilegiados para convivência fraterna e a expressão do amor de Deus. “ Se não amamos ao irmão que vemos, como poderemos amar a Deus que não vemos?” [14] Novamente, Jesus reorienta a tendência que temos de viver o amor no âmbito simplesmente subjetivo e nos posiciona em nossa realidade objetiva.
A família nucelar do carmelita secular deveria ter como modelo a Família de Nazaré e tornar-se um lugar de irradiação da vida fundada em Cristo, e assim apresentar ao povo de Deus um modo possível de espiritualidade familiar.[15].
É justamente a espiritualidade que brota da oração, que o pai e a mãe carmelitas passarão a criança, ajudando-lhe a fazer seu encontro pessoal com Deus. Entretanto, quando esta realidade falta, a família corre o risco se tornar um ambiente onde se produzem as mais graves feridas.
Como parte de nossa vocação particular no seio da Igreja, Deus também nos chamou para sermos carmelitas, e assim nos ajudarmos e animarmos mutuamente na vida orientada para Cristo. Como o salmista poderíamos dizer, de uma forma um pouco diferente, “este foi o caminho que Deus fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!”.
Como expressão de nossa vivência comunitária, a Santa Igreja nos exorta, além da vivência do amor:
 “Aqueles leigos que, seguindo a própria vocação, se alistaram em alguma das associações ou institutos aprovados pela Igreja, devem, de igual modo, esforçar-se por assimilar as características da espiritualidade que lhes é própria”.[16]
Penso que é importante enfatizarmos este ponto. Na Ordem Secular, não é incomum vermos pessoas que desejam abraçar ao mesmo tempo vários carismas, várias expressões de espiritualidade, sem conseguir se engajar profundamente em uma em particular. Assim, vivem na superficialidade ou com o coração dividido entre várias expressões igualmente boas. Entretanto, precisamos ser honestos conosco mesmos e com os irmãos e assumirmos o caminho e a espiritualidade que Deus pensou para nós.
Por último, o documento nos diz que “o apostolado, contudo, não consiste apenas no testemunho da vida; o verdadeiro apóstolo busca ocasiões de anunciar Cristo por palavra, quer aos não crentes para os levar à fé, quer aos fiéis, para os instruir, confirmar e animar a uma vida fervorosa; «com efeito, o amor de Cristo estimula-nos» [17]; a viver de acordo com sua palavra e deve nos animar a dizer como o Apóstolo: «ai de mim, se não prego o Evangelho» [18]
Mas devemos estar cientes de que é a credibilidade de nosso anuncio depende de nosso testemunho de vida.
Gostaria de terminar esta reflexão com um pensamento de São João da Cruz: Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do amor fazer o que ama semelhante ao amado. Esperamos então que o amor de Deus por nós e a nossa correspondência realize em nos sua obra redentora e salvífica.[19]


[1] Formadora da comunidade Santa Teresa dos Andes – Belém-Pa
[2] 1Cr12,7
[3] 1Cr 12,11
[4]Cf PAULO XI, Decreto Apostolicam Actuositatem
[5] Mc12,29-31
[6] Cf BENTO XVI, Exort ap. pós-sinodal Verbum Domini
[7] Livro da Vida 8,5
[8] Ibidem
[9] 1Jo3,18
[10] Jo14,21
[11] Mt 5,15-16
[12] Dolto, A fé a luz da Psicanálise, p.40.
[13] 1Jo4,20-21
[14] 1Jo4,20
[15] Boletini, A Espiritualidade do Discipulado de Cristo, 15, 2007
[16] Cf PAULO XI, Decreto Apostolicam Actuositatem
[17] 2Cr5,14
[18] 1Cr9,16
[19] Subida ao Monte Carmelo

domingo, 29 de abril de 2012

FREI ALZINIR DEBASTIANI, NOVO DELEGADO GERAL DO CARMELO SECULAR


A IDENTIDADE, OS VALORES E OS COMPROMISSOS DA OCDS


XIV ENCONTRO DE PRESIDENTES, ENCARREGADOS DE FORMAÇÃO E CONSELHEIROS DA OCDS
TEMA: “Considerai-vos alicerces daqueles que virão.” (F 4,6)
LEMA: “Estais edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas do qual Cristo Jesus é a Pedra Angular”. (Ef 2,20)

A IDENTIDADE, OS VALORES E OS COMPROMISSOS DA OCDS
José Eduardo M. Manfredini Júnior[1]

      I.        A IMPORTÂNCIA E A IMAGEM DO ALICERCE

Ø  Pedra
Ø  Construção
Ø  Sustentação
Ø  Sinal de fortaleza
Ø  Raízes profundas

    II.        A IDENTIDADE

Ø  Quem eu sou? Quem nós somos?
Ø  Identificar
Ø  Identificar-se/encontrar-se
Ø  Mistério de amor!

·         O Carmelo Descalço: lugar de encontro comigo mesmo, com os irmãos e com Deus

ü  Consciência/conhecimento do lugar onde eu vivo ou de onde quero viver
ü  “Forte” sentimento de pertença
ü  Autoconhecimento
ü  Conhecimento da minha realidade enquanto PESSOA e discípulo de Cristo

   III.        OS VALORES

Ø  O que temos?
Ø  O que buscamos?
Ø  O que nos é oferecido?

·         O Carmelo Descalço: tesouro inesgotável da graça de Deus!

ü  O sacramento do batismo: consciência da nossa missão na Igreja – reis, profetas e sacerdotes.
ü  A espiritualidade carmelitana descalça

  IV.        OS COMPROMISSOS

Ø  Qual é a minha missão?
Ø  Quais são os meus “deveres”?
Ø  A quem sirvo e por que sirvo?

·         O Carmelo Descalço: uma proposta de VIDA

ü  Viver a serviço de Jesus Cristo
ü  A oração e a missão – “Marta e Maria” – como meio de união com Deus
ü  Servir a Igreja – corpo místico de Cristo
ü  O compromisso e a prática do DESAPEGO: a promessa de pobreza
ü  O compromisso e a prática da HUMILDADE: a promessa de obediência
ü  O compromisso e a prática da CARIDADE FRATERNA: a promessa de castidade
ü  O compromisso de sermos TESTEMUNHAS do AMOR de DEUS!: a promessa de viver o espírito das bem-aventuranças

   V.        POR QUE ESTAMOS AQUI?

Ø  Fraternidade
Ø  Oração
Ø  Estudo
Ø  Formação
Ø  Crescimento humano
Ø  Consciência do nosso papel na comunidade OCDS – o papel do conselho

  VI.        O ENCONTRO

Ø  Por que você veio?
Ø  “Abrir-se para acolher”
Ø  O que faremos?
Ø  Qual é o NOSSO objetivo?
Ø  LEMBRE-SE:

“Hoje, você é o alicerce sobre o qual o Carmelo Descalço de amanhã está sendo construído. Então, tome consciência da sua importância e cumpra o seu papel: o de manter firme o edifício que Teresa de Jesus e João da Cruz construiu, para que outros, como nós, também possam aqui encontrar o Senhor e viver com ELE!”




[1] É membro da Comunidade Santa Face, OCDS – Tremembé/SP
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