quarta-feira, 29 de outubro de 2008

TESTEMUNHO - CONGRESSO PROVINCIAL - 25 ANOS


Queridos irmãos e irmãs no Carmelo,

Neste nosso 25º Congresso Provincial, lanço o olhar para o passado e revendo nossa caminhada, meu coração se sente inundado de gratidão a Deus, de alegria pelos desafios vencidos e também de ânimo novo para, na nossa realidade concreta, iniciar mais uma etapa, sempre com a fé nos iluminando para continuarmos crescendo dia a dia com uma vida que irradie o fervor e a alegria vindos de Cristo.

Celebrando a cada ano nossos congressos, reforçamos nossa esperança, na certeza de que, voltando para nossas comunidades, encontraremos o lugar ideal onde sementes de vida nova serão germinadas.

Sentimos em nosso interior o desejo de despertar, de nos deixar modelar, de reacender esta chama que aquece e ilumina, de sermos discípulos e missionários.

Colocando nossos passos sobre as pegadas do Mestre, creio que mesmo no meio das dificuldades naturais, teremos condições de esperar, de anunciar, de testemunhar, de nos tornar vigilantes, construindo e caminhando na fraternidade e partilha.

Meu abraço carinhoso na certeza de que “tudo é Graça”.

Maria Eduarda

OCDS de Barra do Piraí-RJ


terça-feira, 28 de outubro de 2008

Palestra de Frei Afonso Nosso Delegado Provincial no Congresso 25 anos


“A mística dos nossos Santos fundamentada na Sagrada Escritura”


“Todo dano que vem ao mundo é de não conhecer as verdades da Sagrada Escritura... Fiquei com grandíssima fortaleza ... para cumprir com todas as minhas forças a menor parte da Escritura divina”. (V, 40, 1-2).

“Aproveitar-me-ei para tudo da Sagrada Escritura, guiando-nos por Ela não poderemos errar”. (Sub. Prólogo 2).

O tema aqui proposto é de uma vastidão tal que abrange todos os escritos e a vida de nossos santos, pois a Palavra de Deus, contida no livro das Escrituras foi o espaço natural onde eles se formaram, amadureceram e frutificaram. No entanto, com excessão de São João da Cruz, os demais não tiveram como nós, acesso a todos os livros da Bíblia, lembrando a grande dificuldade que tiveram de encontrar textos em língua vernácula.

Outra grande limitação era a comum leitura que se fazia da mesma, considerando-a uma lista de sentenças, mandamentos, proibições, etc... que acabavam por influenciar fortemente a própria espiritualidade, distorcendo a imagem de Deus e das realidades divinas, criando uma situação de quase heresia; por isso, a atitude da Igreja, oficialmente falando, em proibir, coibir o acesso às Escrituras, particularmente às mulheres.

Nossos santos tiveram o privilégio de não deixar-se condicionar por esse ambiente comum; a profunda experiência que tiveram de Deus levaram-nos a acolher a Sagrada Escritura com uma limpidez impressionante: sempre em sintonia com o Magistério da Igreja a lêem, sobretudo numa clave pessoal, iluminando com ela a própria vida e as próprias experiências. Para eles é impossível pensar a Bíblia sem a vida e na vida sem a Bíblia, confirmando existencialmente o salmo 118: “vossa Palavra é uma luz para os meus passos, é uma lâmpada luzente em meu caminho”. Eles respiram, exalam a Palavra de Deus.

Essa experiência bíblica de nossos santos não deve maravilhar-nos e devia ser-nos algo familiar, visto que a nossa Regra é profunda e substancialmente bíblica. Mais de uma centena de vezes ela cita a Sagrada Escritura, de modos explícitos, implícitos e alusivos.

A aplicação da Regra no cotidiano vai levando-os a assimilar, gradativamente, a Palavra de Deus ao ponto de tornarem-se uma palavra viva, uma palavra que se torna carne, “uma encarnação do Verbo”, expressão tão querida de Elizabet da Trindade.

Falando da Palavra de Deus na vida de Santa Teresa, Maximiliano Herráiz, ocd, assim se expressa: “A Bíblia adere a sua vida e a sua mensagem. Penetra uma e outra, saturando-as. Ao escrever sobre “as coisas do espírito”, a Palavra de Deus flui dela com simplicidade e abundância. O mesmo se dá com sua própria vida. Textos, tipologias, evocações, reminiscências bíblicas se juntam sobre sua pena no momento preciso, como a pressão da vida que leva dentro de si, com toda carga de vibrações, ressonâncias e luminosidade que a Palavra de Deus nela produz”.

O mesmo pode-se dizer de nosso pai São João da Cruz. Uma olhada, ainda que superficial, em seus escritos, basta para convencer-nos de sua profunda familiaridade com a Sagrada Escritura; tantas são as citações e os comentários dela. Porém, o mais importante - o que mais nos interessa – é que, como Teresa, sua vida é uma palavra.

“A novidade em São João da Cruz... sua familiaridade com os textos lhe permite “consubstanciar-se” com eles, conectar misteriosamente como a corrente salvífica que extrai da experiência que também precedeu os escritos desses personagens” (bíblicos).

... “Ele vive, respira e se move no mundo da revelação bíblica. Sente os fatos e as palavras da Escritura como expressão espontânea da própria experiência, e a própria experiência como verificação desses fatos e palavras. Nos momentos fortes, identifica-se com as testemunhas pessoais, que experimentam as mesmas alegrias e sofrimentos: Davi, Jó, Jeremias, Paulo; sobretudo com Jesus Cristo, Ato e Palavra por excelência. Sabia a Bíblia de memória e de coração”. (F. Ruiz, ocd)

Seguindo os passos de seus pais Teresa e João da Cruz, santa Teresinha manifesta-se como jovem-santa toda bíblica, iluminada pelo Evangelho, irradiando dele uma luz que fascina a humanidade.

Frei Rômulo Cuartas, ocd, assim se expressa: “Essa história da alma de Teresa Martin é uma versão existencial do Evangelho, de alcance universal... Teresa é uma testemunha excepcional. Ela é Evangelho, quer como testemunha, quer como o anúncio que faz e o caminho que propõe”.

Teresa seduz, abre horizontes, por sua vida transparente. É uma provocação á santidade. Em seus escritos nos deixou uma mistagogia prática e sugestiva.

Tal transparência e sedução manifestam que Teresa não só leu o Evangelho e orou com ele, mas também o viveu. Fez a experiência bíblica. Lendo a Palavra de Deus, meditando-a e contemplando-a o Espírito Santo foi progressivamente moldando a sua vida sobre o ideal do Evangelho.

Lembremo-nos que o mistério de sua vocação ao Carmelo ela descobre meditando o Evangelho de Mc 3,13: “Chamou a si os que ele quis”. O mesmo se dá, já como monja, em relação à sua vocação específica, ser o amor no coração da Igreja ao ler (ruminar) os capítulos 12 e 13 da Primeira Carta aos Coríntios.

O mesmo ocorre com a beata Elizabet da Trindade, toda impregnada da Sagrada Escritura, discípula admirável do apóstolo Paulo (“meu querido São Paulo”) e de João Evangelista, dando vida a cada palavra do apóstolo: “Deus me plenificará de seu Filho, sepultar-me-á nele, far-me-á reviver com ele, de sua própria vida”. “Para mim viver é Cristo” (Fl 1,21) = (UR 31)

O testemunho luminoso, sedutor e atual de nossos santos, nutridos pela Palavra dá-lhes autoridade, para, com o apóstolo Paulo, exclamar: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou a si mesmo por mim”. (Gl 2,20)

Sugestão: Como os carmelitas lêem a Bíblia – Coleção temas de Espiritualidade – nº 30 – Edições Carmelitanas / Loyola.

Frei Geraldo Afonso, ocd.

sábado, 18 de outubro de 2008

Congresso OCDS 2008 - 25 anos

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Estar presente neste Congresso, celebrando suas “bodas de Prata”, significa para mim perceber que “um é o que semeia... outro é quem rega.... mas quem faz crescer é Deus”.

Esta verdade percebida pelo apóstolo Paulo faz brotar a alegria e a confiança Naquele que dirige nossa história e esperar dele a salvação, pois sua fidelidade e sua confiança no ser humano a quem ele olha com amor, faz com que vejamos sua atuação e presença nesta caminhada da OCDS nestes 25 anos.

Por isso elevo a Ele a gratidão pelos que contribuíram na realização de cada Congresso, particularmente aos frades e funcionários do Centro Teresiano de Espiritualidade de S. Roque, sede de todos estes congressos e todos aqueles que incentivaram a sua realização a cada ano e a cada ano se esmeraram na sua preparação.

Por todos e por cada um peço a bênção de Deus e que ele aumente a esperança em sua ação em nosso meio.

Fr. Alzinir Francisco Debastiani ocd
S. Roque, 17 de outubro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

15 DE OUTUBRO: DIA DO PROFESSOR E DE SANTA TERESA DE ÁVILA


O PAI-NOSSO E O POEMA NADA TE TURBE DE SANTA TERESA DE ÁVILA (1515-1582)

* PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS
1 SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME
NADA TE TURBE
NADA TE PERTURBE

2.VENHA A NÓS O VOSSO REINO
NADA TE ESPANTE
NADA TE ESPANTE

3.SEJA FEITA A VOSSA VONTADE
ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
TODO SE PASA
TUDO PASSA

4.O PÃO NOSSO DE CADA DIA
NOS DAI HOJE
DIOS NO SE MUDA
DEUS NÃO MUDA

5.PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS
ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS
A QUEM NOS TEM OFENDIDO
LA PACIENCIA TODO LO ALCANZA
A PACIÊNCIA TUDO ALCANÇA

6.E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO
QUIEN A DIOS TIENE
NADA LE FALTA

QUEM A DEUS TEM
NADA LHE FALTA


7.MAS LIVRAI-NOS DO MAL
SÓLO DIOS BASTA
SÓ DEUS BASTA
Amém.


AS HARMONIAS DO PAI-NOSSO
Horácio Dídimo

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Irmãos de caminhada

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Comunidade Santa Teresinha - Sete Lagoas-MG
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Há muito tempo venho buscando palavras para agradecer aos muitos irmãos que este ano fortaleceram nossa comunidade, dando-nos formações ricas para o nosso crescimento.
Logo no inicio do ano tivemos a presença da Ir. Mª de São Miguel(OCD) que nos abrilhantou com o tema A ORAÇÃO:
- Mostrando que a porta para adentrarmos no caminho de Deus é a oração;
- Que a nossa vida de oração tem que está fundamentada na palavra de Deus (cimento que nos sustenta);
-Oração é está com Aquele que sabemos que nos ama;
-Nosso carisma teresiano é a amizade com Deus e com os irmãos;
-A amizade e a humildade é a pedagogia da oração.
No mês de maio, o nosso amigo e irmão Frei Max nos brindou com sua visita, falando-nos sobre o CELAM, apresentando-nos um resumo do documento final: DA V CONFERÊNCIA GERAL DO EPISCOPADO DA AMÉRICA LATINA E DO CARIBE, convidando-nos a deixar nossas redes e seguir Jesus, porque Ele é “Caminho, a Verdade e a Vida “(Jo 14,6), só Ele tem “palavras de vida eterna” (Jo 6,68), e Ele veio para que todos “tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Como dinâmica para reflexão lançamos barquinhos no mar improvisado na sala de reuniões , enfatizando que não podemos navegar sozinhos, precisamos de Barco(instrumento), Remo(Cristo) e precisamos do Mar(Igreja-Comunidade).E que o mar nem sempre é manso...muitas vezes acontecerão tempestades...muitas vezes não encontraremos peixes...muitas vezes seremos criticados pela pescaria não feita.Mas que jamais deixemos de ser discípulos e missionários de Cristos.Que remando os barcos e lançando as redes mar a dentro, comuniquemos o amor do Pai que está no Céu e a alegria de ser cristãos a todos os batizados.
No dia 15 de junho nossa comunidade se reuniu para o primeiro retiro anual de 2008 que foi orientado pela Ir. Rosa (OCD), retiro esse que teve como tema BARRO NAS MÃOS DO OLEIRO e que foi dividido em 04 momentos:
1º-Levanta-te e desce à casa do oleiro - Jr 18,1-23
2º-O Corpo de Jesus é o novo Templo- Jo 2,13-22
3º-A fragilidade humana- Rm 7,7-25
4º-Olhar contemplativo
Como dinâmica durante o retiro modelamos no barro o que representa a comunidade para nós.
Como barro nas mãos do oleiro, deixemos o divino Oleiro recriar, refazer, remodelar e restaurar a nossa vida e missão. Deus, o divino Construtor, mantém nossa vida e missão “sempre em obras”. Como obra de suas mãos, permaneçamos em sintonia com o Seu projeto
Fomos também brindados no mês de junho com a presença do Frei Luiz Fernando (OCD) nosso assistente que veio conhecer um pouco da nossa comunidade.
No mês de julho fomos contemplados com a visita do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior (reitor do Seminário Cristo Rei, de Cuiabá) que falou sobre o tema SER CRISTÂO. Como partilha deixo um trecho da palestra que nos foi referida pelo Pe. Paulo:
“Você foi feito para Deus, não queira preencher sua vida com as coisas visíveis e sensíveis. Você é Cristão? Se você tem fé, fez a opção de que o invisível é mais real que o visível. O visível passa o invisível não passará. O amor verdadeiro não passará a atração física passará. O amor não é um sentimento, os sentimentos passam, evaporam. Nós descobrimos o que é amor na cruz de Cristo, foi na cruz que Ele revelou o amor verdadeiro. Não fazíamos idéia do que é o amor, até que Ele se revelou na cruz.”
Em agosto nosso amigo Pe. Nilton, respondendo sim mais uma vez ao nosso convite, já que no ano passado nos agraciou com suas palavras falando sobre o Evangelho de Lucas, desta vez veio falar-nos sobre o Evangelho de Mateus, ensinando a todos com simplicidade e dedicação.
Ainda em agosto tivemos a visita de Margarida Dolores Ribeiro (Movimento Eureka de Brasília) que falou-nos sobre: ETAPAS DA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO, história daqueles que deixaram para nós um caminho a seguir, deixaram-nos o livro da vida.
Deus não só nos chama, como envia seus colaboradores e é a esses irmãos de caminhada que fortaleceram nossa comunidade nesses últimos meses que queremos deixar aqui o nosso carinho e gratidão.


Andréia Virgínia (Comunidade Santa Teresinha-SL/MG)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Seis temas centrais do Sínodo da Palavra


Balanço após a primeira semana

Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 13 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Depois das 191 intervenções preparadas e lidas e de 99 intervenções livres, que ressoaram entre os dias 6 e 13 de outubro na sala do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra, seis temas receberam um interesse particular. Não são os únicos, mas são alguns dos mais mencionados.

1. A Palavra não é a Bíblia

O Sínodo começou esclarecendo um mal-entendido comum entre muitos crentes: como explicou em sua relação antes do debate o cardeal Marc Ouellet, P.S.S., arcebispo de Québec, a Palavra não é um simples texto escrito, é o próprio amor de Deus feito homem em Cristo.

Portanto, a Palavra é muito mais que a Bíblia. De fato, o Novo Testamento nasce no seio da Igreja nascente e implica portanto a Tradição e a interpretação do Magistério.

Entre os dias 7 e 8 de outubro, numerosas intervenções dos padres sinodais insistiram neste esclarecimento.

Os próprios padres afirmaram que este Sínodo não busca reescrever a constituição dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, que já explica estas questões doutrinais. Portanto, não é um sínodo doutrinal (ainda que recorde verdades do magistério), mas sobretudo pastoral.

Outras questões, como a inspiração dos autores bíblicos, não foram discutidas, portanto, diretamente; vários padres sinodais pediram um documento da Santa Sé sobre a interpretação das Sagradas Escrituras e inclusive se propôs que tenha caráter de texto papal, em forma de encíclica.

2. Pregar com o exemplo: o problema das homilias

A preocupação pelo nível das homilias em geral se repetiu constantemente na primeira semana do sínodo (cf. Zenit, 7 de outubro de 2008).

Por um lado, o sínodo está oferecendo soluções concretas para este problema, ao qual se chegou a atribuir o abandono da Igreja por parte dos fiéis.

Vários bispos pediram um “diretório homilético”, como já existe um “diretório para a catequese”, com indicações práticas sobre a pregação.

Neste sentido, o cardeal Angelo Scola, patriarca de Veneza, relator do Sínodo de 2005 sobre a Eucaristia, confirmou que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos está preparando um subsídio com material para as homilias temáticas que possa servir de ajuda para os sacerdotes ao preparar a pregação. Não é um manual de pregação.

Numerosos bispos insistiram também na necessidade de que os seminaristas e sacerdotes não somente estudem a Bíblia, mas que aprendam a saboreá-la, meditando-a, como fez nesta segunda-feira o cardeal Agostino Vallini, vigário do Papa para a diocese de Roma.

Pois bem, muitos bispos, particularmente nas intervenções livres, explicaram que a homilia não é só questão de formação retórica ou acadêmica.

Citou-se várias vezes as famosas palavras de Paulo VI, quando dizia que o mundo escuta os professores, mas segue as testemunhas. Se a palavra do pregador não é acompanhada pela vida, perde toda a sua credibilidade, constatou-se.

Neste sentido, recordou-se também a expressão de Bento XVI quando explica que a Palavra não é só “informativa”, mas “performativa”, isto é, deve modelar a vida de uma pessoa.

3. A "lectio divina"

Talvez um dos termos mais repetidos esta semana tenha sido “lectio divina”. A meditação orante da palavra de Deus, particularmente em comunidade (existem diferentes metodologias, como os 7 passos para compartilhar o Evangelho), parece converter-se na proposta que os participantes deste sínodo querem fazer a cada paróquia.

Pode-se dizer, portanto, que a eficácia prática deste sínodo poderá ser medida dentro de 10 anos segundo a extensão desta prática, que foi impulsionada desde o início do seu pontificado por Bento XVI.

4. Antigo Testamento

Vários padres constataram a dificuldade que os católicos têm para ler e meditar sobre o Antigo Testamento. Deste modo, não podem gozar em plenitude da revelação divina. Este fenômeno se agrava em alguns ambientes por outros dois fenômenos.

No caso das Igrejas Orientais, como explicou Dom Kidane Yebio, de Keren (Eritréia), na sagrada liturgia praticamente nunca se lêem passagens do Antigo Testamento.

No caso dos cristãos do Oriente Médio, por causa do conflito entre israelitas e palestinos e de interpretações sionistas da Bíblia, rejeitam a leitura ou meditação do Antigo Testamento.

Este grave fenômeno foi constatado em particular por 2 patriarcas: Sua Beatitude Fouad Twal, patriarca de Jerusalém dos Latinos, e Sua Beatitude Grégoire III Laham, B.S., patriarca de Antioquia dos Greco-Melquitas (Síria). Este último explicou, como exemplo, que em uma celebração litúrgica, um fiel havia trocado a expressão bíblica “Povo de Israel” por “Povo da Palestina”.

5. Exegese

Nos primeiros dias do Sínodo, foram numerosas as exposições de bispos nas que constatavam como uma exegese acadêmica da Bíblia levava às vezes a duvidar da historicidade mesma de Cristo ou de que a Escritura seja um texto revelado.

Este leitura sem fé do texto revelado teria levado católicos a buscarem uma interpretação de fé em grupos protestantes. Ainda que este tema preocupa profundamente o Sínodo, a assembléia também sublinhou a importância da contribuição da exegese para a compreensão da Palavra.

Na relação de abertura, o cardeal Ouellet propôs aos exegetas e biblistas uma visão de fé e de escuta do espírito, superando assim, desde o início, um debate não necessário. Fé e ciência bíblica não estão em conflito – insistiram os bispos.

6. Traduções e distribuição da Bíblia

O tema foi apresentado à assembléia por Dom Louis Pelâtre, vigário apostólico de Istambul (Turquia), quem constatou que em muitas línguas locais ainda não se havia traduzido a Bíblia.

Quando estas populações minoritárias são pobres, tampouco existem recursos para imprimir e distribuir bíblias a preços acessíveis.

Foram numerosas as intervenções de bispos africanos, latino-americanos e asiáticos para pedir que se crie um organismo na Igreja Católica que ajude em todos os sentidos a resolver este grave problema, também do ponto de vista econômico.

Ambiente

Desde que se restabeleceu a prática de convocar o Sínodo dos Bispos, após o Concílio Vaticano II, esta assembléia é talvez a mais serena, sinal de uma nova unidade encontrada na Igreja depois de várias divisões de décadas passadas. Assim o constatava, por exemplo, o cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa, nesta segunda-feira.

A este ambiente de unidade contribuiu o tema escolhido por Bento XVI, “a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, tema que toca o coração de cada um dos presentes.

sábado, 11 de outubro de 2008

10 Anos da Canonização de Santa Teresa Benedita da Cruz


11 de Outubro de 2008
10 Anos da Canonização de Santa Teresa Benedita da Cruz


HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II
NA CERIMÓNIA DE CANONIZAÇÃO
DE EDITH STEIN

11 de Outubro de 1998
1 "Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo
(cf. Gl 6, 14).
As palavras de São Paulo aos Gálatas, que acabámos de escutar, adaptam-se bem à experiência humana e espiritual de Teresa Benedita da Cruz, que hoje é solenemente inscrita no álbum dos santos. Também ela pode repetir com o Apóstolo: Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. "

"A cruz de Cristo!


No seu constante florescimento, a árvore da Cruz dá sempre renovados frutos de salvação. Por isso, os fiéis olham com confiança para a Cruz, haurindo do seu mistério de amor a coragem e o vigor para caminhar com fidelidade nas pegadas de Cristo crucificado e ressuscitado. Assim, a mensagem da Cruz entrou no coração de muitos homens e mulheres, transformando a sua existência.
Um exemplo eloquente desta extraordinária renovação interior é a vicissitude espiritual de Edith Stein. Uma jovem em busca da verdade, graças ao trabalho silencioso da graça divina, tornou-se santa e mártir: é Teresa Benedita da Cruz, que hoje repete do céu a todos nós as palavras que caracterizaram a sua existência: «Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de Jesus Cristo».



2. No dia 1 de Maio de 1987, durante a minha visita pastoral na Alemanha, tive a alegria de proclamar Beata, na cidade de Colónia, esta generosa testemunha da fé. Hoje, a onze anos de distância aqui em Roma, na Praça de São Pedro, é-me dado apresentar solenemente esta eminente filha de Israel e filha fiel da Igreja como Santa perante o mundo inteiro.
Assim como nessa data, também hoje nos inclinamos diante da memória de Edith Stein, proclamando o testemunho invicto que ela deu durante a vida e sobretudo com a morte. Ao lado de Teresa de Ávila e de Teresa de Lisieux, esta outra Teresa vai colocar-se no meio da plêiade de santos e santas que honram a Ordem carmelitana.
Caríssimos Irmãos e Irmãs, que vos congregastes para esta solene celebração, dêmos glória a Deus pela obra que realizou em Edith Stein.
3. Saúdo os numerosos peregrinos vindos a Roma, com um particular pensamento para os membros da família Stein, que quiseram estar connosco nesta feliz circunstância. Uma cordial saudação dirige-se também à representação da Comunidade carmelitana, que se tornou a «segunda família» para Teresa Benedita de Cruz.
Depois, dou as minhas boas-vindas à delegação oficial da República Federal da Alemanha, chefiada pelo Chanceler Federal resignatário, Helmut Kohl, a quem saúdo com deferente cordialidade. Além disso, cumprimento os representantes das regiões de Nordrhein-Westfalen e Rheinland-Pfalz, bem como o Primeiro Presidente da Câmara Municipal de Colónia. Inclusivamente da minha Pátria veio uma delegação oficial, guiada pelo Primeiro-Ministro Jerzy Buzek.
Dirijo-lhe uma cordial saudação. Depois, quero reservar uma especial menção aos peregrinos das dioceses de Vratislávia, Colónia, Monastério, Espira, Cracóvia e Bielsko-Žywiec, presentes com os seus Bispos e sacerdotes. Eles unem-se ao numeroso grupo de fiéis vindos da Alemanha, dos Estados Unidos da América e da minha Pátria, a Polónia.
4. Dilectos Irmãos e Irmãs! Porque era judia, Edith Stein foi deportada juntamente com a irmã Rosa e muitos outros judeus dos Países Baixos para o campo de concentração de Auschwitz, onde com eles encontrou a morte nas câmaras de gás. Hoje recordamo-nos de todos com profundo respeito. Poucos dias antes da sua deportação, a quem lhe oferecia uma possibilidade de salvar a vida, a religiosa respondera: «Não o façais! Por que deveria eu ser excluída? A justiça não consiste acaso no facto de eu não obter vantagem do meu baptismo? Se não posso compartilhar a sorte dos meus irmãos e irmãs, num certo sentido a minha vida é destruída».
Doravante, ao celebrarmos a memória da nova Santa, não poderemos deixar de recordar todos os anos também o Shoah, aquele atroz plano de eliminação de um povo, que custou a vida a milhões de irmãos e irmãs judeus. O Senhor faça brilhar o seu rosto sobre eles, concedendo-lhes a paz (cf. Nm 6, 25s.).
Por amor de Deus e do homem, lanço de novo um premente brado: nunca mais se repita uma semelhante iniciativa criminosa para nenhum grupo étnico, povo e raça, em qualquer recanto da terra! É um brado que dirijo a todos os homens e mulheres de boa vontade; a todos aqueles que crêem no Deus eterno e justo; a todos aqueles que se sentem unidos em Cristo, Verbo de Deus encarnado. Aqui, todos nós devemos ser solidários: é a dignidade humana que está em jogo. Só existe uma única família humana. É isto que a nova Santa afirmou com grande insistência: «O nosso amor pelo próximo - escrevia - é a medida do nosso amor a Deus. Para os cristãos - e não só para eles - ninguém é "estrangeiro". O amor de Cristo não conhece fronteiras».
5. Estimados Irmãos e Irmãs! O amor de Cristo foi o fogo que ardeu a vida de Teresa Benedita da Cruz. Antes ainda de se dar conta, ela foi completamente arrebatada por ele. No início, o seu ideal foi a liberdade. Durante muito tempo, Edith Stein viveu a experiência da busca. A sua mente não se cansou de investigar e o seu coração de esperar. Percorreu o árduo caminho da filosofia com ardor apaixonado e no fim foi premiada: conquistou a verdade; antes, foi por ela conquistada. De facto, descobriu que a verdade tinha um nome: Jesus Cristo, e a partir daquele momento o Verbo encarnado foi tudo para ela. Olhando como Carmelita para este período da sua vida, escreveu a uma Beneditina: «Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus».
Embora sua mãe a tenha educado na religião hebraica, aos 14 anos de idade Edith Stein, «consciente e propositadamente desacostumou-se da oração». Só queria contar consigo mesma, preocupada em afirmar a própria liberdade nas opções de vida. No fim do longo caminho, foi-lhe dado chegar a uma surpreendente conclusão: só quem se une ao amor de Cristo se torna verdadeiramente livre.
A experiência desta mulher, que enfrentou os desafios de um século atormentado como o nosso, é para nós exemplar: o mundo moderno ostenta a porta atraente do permissivismo, ignorando a porta estreita do discernimento e da renúncia. Dirijo-me especialmente a vós, jovens cristãos, em particular aos numerosos ministrantes reunidos em Roma nestes dias: evitai conceber a vossa vida como uma porta aberta a todas as opções! Escutai a voz do vosso coração! Não permaneçais na superfície, mas ide até ao fundo das coisas! E quando chegar o momento, tende a coragem de vos decidirdes! O Senhor espera que coloqueis a vossa liberdade nas suas mãos misericordiosas.
6. Santa Teresa Benedita da Cruz conseguiu compreender que o amor de Cristo e a liberdade do homem se entretecem, porque o amor e a verdade têm uma relação intrínseca. A busca da verdade e a sua tradução no amor não lhe pareciam ser contrastantes entre si; pelo contrário, compreendeu que estas se interpelam reciprocamente. No nosso tempo, a verdade é com frequência interpretada como a opinião da maioria. Além disso, é difundida a convicção de que se deve usar a verdade também contra o amor, ou vice-versa. Todavia, a verdade e o amor têm necessidade uma do outro. A Irmã Teresa Benedita é testemunha disto. «Mártir por amor», ela deu a vida pelos seus amigos e no amor não se fez superar por ninguém. Ao mesmo tempo, procurou com todo o seu ser a verdade, da qual escrevia: «Nenhuma obra espiritual vem ao mundo sem grandes sofrimentos. Ela desafia sempre o homem inteiro». A Irmã Teresa Benedita da Cruz diz a todos nós: Não aceiteis como verdade nada que seja isento de amor. E não aceiteis como amor nada que seja isento de verdade!
7. Enfim, a nova Santa ensina-nos que o amor a Cristo passa através da dor. Quem ama verdadeiramente, não se detém diante da perspectiva do sofrimento: aceita a comunhão na dor com a pessoa amada. Consciente do que comportava a sua origem judaica, Edith Stein pronunciou palavras eloquentes a este respeito: «Debaixo da cruz, compreendi a sorte do povo de Deus... Efectivamente, hoje conheço muito melhor o que significa ser a esposa do Senhor no sinal da Cruz. Mas dado que se trata de um mistério, isto jamais poderá ser compreendido somente com a razão». Pouco a pouco, o mistério da Cruz impregnou toda a sua vida, até a impelir rumo à oferta suprema. Como esposa na Cruz, a Irmã Teresa Benedita não escreveu apenas páginas profundas sobre a «ciência da cruz», mas percorreu até ao fim o caminho da escola da Cruz. Muitos dos nossos contemporâneos quereriam fazer com que a Cruz se calasse. Mas nada é mais eloquente que a Cruz que se quer silenciar! A verdadeira mensagem da dor é uma lição de amor. O amor torna o sofrimento fecundo e este aprofunda aquele. Através da experiência da Cruz, Edith Stein pôde abrir um caminho rumo a um novo encontro com o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. A fé e a cruz revelaram-se-lhe inseparáveis. Amadurecida na escola da Cruz, ela descobriu as raízes às quais estava ligada a árvore da própria vida. Compreendeu que lhe era muito importante «ser filha do povo eleito e pertencer a Cristo não só espiritualmente, mas inclusive mediante um vínculo sanguíneo».
8. «Deus é espírito e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4, 24). Caríssimos Irmãos e Irmãs, com estas palavras o divino Mestre entretém-se com a Samaritana junto do poço de Jacob. Quanto Ele deu à sua ocasional mas atenta interlocutora, encontramo-lo presente também na vida de Edith Stein, na sua «subida ao Monte Carmelo ». A profundidade do mistério divino tornou-se-lhe perceptível no silêncio da contemplação. Ao longo da sua existência, enquanto amadurecia no conhecimento de Deus adorando-O em espírito e verdade, ela experimentava cada vez mais claramente a sua específica vocação de subir à cruz juntamente com Cristo, de abraçá-la com serenidade e confiança, de amá-la seguindo as pegadas do seu dilecto Esposo: hoje, Santa Teresa Benedita da Cruz é-nos indicada como modelo em que nos devemos inspirar e como protectora à qual havemos de recorrer. Dêmos graças a Deus por este dom. A nova Santa seja para nós um exemplo do nosso compromisso no serviço da liberdade e na nossa busca da verdade. O seu testemunho sirva para tornar cada vez mais sólida a ponte da recíproca compreensão entre judeus e cristãos. Santa Teresa Benedita da Cruz, ora por nós! Amém.
"

Fonte:
http://www.vatican.va/holy_father//john_paul_ii/homilies/1998/documents/hf_jp-ii_hom_11101998_stein_po.html


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

XXV CONGRESSO PROVINCIAL OCDS – 2008 - PROVÍNCIA SÃO JOSÉ

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Carmelo, que significa graça e fertilidade, nasceu numa cadeia de colinas, que se elevam entre os confins da Galiléia e Samaria, na Palestina. Ali,frente ao mar entre bosques e planícies,perfumadas pelas flores aromáticas que enfeitam a paisagem, também serviram de inspiração a Salomão para expressar a beleza da esposa do Cântico dos Cânticos “ Tua cabeça sobre ti é tão linda quanto o Carmelo e teus cabelos como a púrpura “(ct7,5).

Eis o Carmelo, lugar da manifestação de Deus, que conserva sua origem Eliana (Santo Elias) e sua dedicação a Maria. São os dois sinais fortes que abrem, continuam e fecharão a história, a tradição e a espiritualidade do Carmelo.

O Carmelo hoje, apresenta à humanidade sua espiritualidade, que aprofunda suas raízes na espiritualidade bíblica,atendendo o apelo da Regra de “ Meditar dia e noite na lei do Senhor e vigiar em oração “, ser palavra encarnada, acolhida na leitura Orante, capaz de transformar toda a nossa vida,num clima de espiritualidade, chamado por S. João da Cruz de: solidão sonora.

Através do Carmelo descobre-se a presença e ação de Deus que vai ao encontro de pessoa humana e a convida a uma comunhão através da noite purificadora e transformadora, a Oração, a mais íntima relação de amor com o Senhor : Eis a porta para entrar em si e conhecer-se “Conhecer-se: para seguramente amar a Deus e aos irmãos (5 M 3,8)". Na escola da espiritualidade carmelitana, Santa Madre Teresa, fiel discípula e amante de Jesus encarnado, muito insiste em conhecer-se para humanizar-se e humanizar-se para santificar-se.

Na busca desse caminho de Santidade que nos conduz à perfeição da vida cristã, fundamentamos nossa experiência: oração, fraternidade, apostolado, baseados no Evangelho e na devoção a N. Senhora do Carmo, numa comunhão cada vez maior com o Cristo e com a Virgem Mãe de Deus e dos homens; não é apenas um modelo a imitar, mas também uma doce presença de Mãe e Irmã na qual se confia.Por isso mesmo exortava S. Teresa de Jesus “ Imitai Maria e considerai qual não deve ter sido a grandeza desta senhora e o bem que nos advém de a termos como Padroeira.” (Castelo interior III,1,3).

Assim, a grande família do Carmelo Teresiano está presente no mundo, sob muitas formas. Seu núcleo é a Ordem dos Carmelitas Descalços, formada pelos frades, as monjas de clausura e os seculares.É uma só Ordem com o mesmo carisma,que se nutre da longa tradição histórica do Carmelo, recolhida na Regra de Santo Alberto, escrita para leigos que se reuniram no Monte Carmelo para viver uma vida dedicada a meditação da Palavra de Deus, sob a proteção da Virgem e na doutrina dos carmelitas doutores da Igreja e de outras santas e santos da Ordem. “Os seculares trazem para a Ordem a riqueza própria de sua secularidade” const. I, 1. As Constituições da Ordem Secular foram elaboradas para consolidar o projeto de Vida de seus membros que são parte da Ordem do Carmelo Teresiano. Eles são chamados a dar testemunho de como a fé cristã seja a única resposta válida para os problemas e as esperanças que a vida põe a cada homem e a cada sociedade.Isto os realizarão como seculares, se a partir de uma contemplação comprometida, conseguirem testemunhar em vida familiar e social de cada dia a unidade de uma vida que no Evangelho encontra força e inspiração para se realizar em plenitude.

Na celebração do XXV Congresso Provincial OCDS, precisamos ver florescer nosso Carmelo, como florescem as plantas depois do inverno, revigorar, reavivar, viver de novo, mobilizar, incentivar novas vocações para dar continuidade ao que recebemos no Monte Carmelo, como filhos e filhas de Teresa de Jesus e João da Cruz, num salto de maturidade e responsabilidade em nossos compromissos da vida cristã e da nossa consagração carmelitana expressa no compromisso batismal, de onde brota o contínuo desejo da nossa vocação a santidade. Sim, queremos celebrar, louvar e agradecer a Deus pelo nosso ‘sim”.

Eudinalva Aparecidade

(Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus, Doutora – Jundiaí-SP)

SANTA TERESA DE ÁVILA

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Foto do quadro de S. Teresa pintado por fr. João da Miséria

Convento das Carmelitas Descalças - Sevilha

Relação 29 - S. Teresa de Jesus


Sobre a explicação do que é união:

1. “Não penses, filha, que é união estar muito junto de Mim, porque também o estão os que Me ofendem, embora não queiram. Nem o são os regalos e prazeres da oração, por mais excelsos que possam ser e malgrado venham de Mim; são meios, muitas vezes, para ganhar as almas, mesmo as que não estejam em graça”.

Quando ouvi isso, eu estava com o espírito sobremodo elevado. O Senhor deu-me a entender que era espírito, como a alma estava então e como se devem entender as palavras do Magnificat: Exultavit spiritus meus. Não o sei dizer; parece-me que me foi dado a entender que o espírito é a parte superior da vontade.

2. Voltando à união, entendi que era esse espírito limpo e elevado acima de todas as coisas da terra, não ficando nenhuma parte sua que deseje apartar-se da vontade de Deus. É de tal maneira a união que o espírito e a vontade ficam em conformidade com a Dele e, num desapego de tudo, empregados em Deus, não havendo lembrança de amor a si mesmo nem a nenhuma coisa criada.

3. Pensei: se isso é união, de uma alma que sempre tem essa determinação podemos dizer que sempre está em oração de união, embora seja verdade que essa oração só pode durar muito pouco. Ocorreu-me então que, enquanto andar com justiça, merecendo e ganhando, a alma receberá a união, mas não se pode dizer que ela viva unida como na contemplação. Parece-me que entendi, embora não por palavras, que é tanto o pó da nossa miséria, das faltas e estorvos em que voltamos a nos enredar que não seria possível estar com a pureza que tem o espírito quando se junta com o de Deus, visto que já se mostra fora da nossa indigna miséria e elevando-se acima dela. E parece-me que, se é união estarem a nossa vontade e o nosso espírito em tal sintonia com o de Deus que só a pode ter quem estiver em estado de graça, ao contrário do que me tinham dito. Assim, parece-me que será bem difícil entender quando é união, a não ser por uma graça particular de Deus, visto não se poder saber quando estamos nela.

4. Escreva-me Vossa Mercê sua opinião e me indique o ponto em que digo disparates, voltando a me enviar este papel.

( Santa Teresa de Jesus, Obras Completas. Loyola: S. Paulo)

Rezar com NOSSA SANTA MADRE TERESA

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Apoio aos cristãos perseguidos na Índia

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Por Inma Álvarez

ROMA, terça-feira, 7 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Os cristãos «devem compartilhar de alguma maneira a vida e o destino destes irmãos perseguidos na Índia, rezando, ajudando, mas também falando»: assim afirmou o sacerdote italiano Bernardo Cervellera, diretor da agência AsiaNews, especializada em informação católica da Ásia e uma das que mais está contribuindo para dar a conhecer no Ocidente a situação dos cristãos na Índia.

Em declarações à Rádio Vaticano, Cervellera afirma que a situação na Índia hoje é «trágica», pois «continuam os assassinatos das pessoas que resistem a converter-se ao hinduísmo».



«Há cerca de 30 mil pessoas refugiadas na selva, sem comida nem medicamentos. E nos campos de refugiados do governo, continuam os ataques dos radicais hindus. Portanto, a situação é verdadeiramente muito trágica», afirma.

Também, em referência a uma informação publicada por Asianews, Cervellera assegura que há «uma ironia malvada em tudo isso, já que os radicais hindus começaram este pogrom contra os cristãos após responsabilizar-lhes do assassinato de um líder seu».

Precisamente nestes dias foi divulgada a reivindicação do assassinato por parte de um grupo maoísta. «Portanto, esta carnificina, este sacrifício, é totalmente injusto», acrescenta.

Por outro lado, Cervellera assegura que a passividade das autoridades locais e nacionais indianas «se deve à proximidade das eleições e, portanto, não querem perder os votos do mundo hindu». Também «existe sobretudo uma indiferença por parte do resto da comunidade internacional, do Ocidente em particular».

«O problema é que, com freqüência, a violência contra os cristãos, a liberdade religiosa e a vida dos cristãos são consideradas como algo muito secundário com relação ao mercado ou à política. Na realidade, como já se está eliminando Deus do Ocidente, não importa muito que estas comunidades religiosas sejam massacradas.»

Para Cervellera, contudo, «é necessário defender a liberdade religiosa, que é a prova de todos os demais direitos humanos. Se não há liberdade religiosa, antes ou depois não haverá liberdade de mercado, nem de comércio, nem fraternidade nem solidariedade no mundo, um mundo no qual hoje, com esta crise internacional, temos tanta necessidade disso».

domingo, 5 de outubro de 2008

O GRANDE BORDADO

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Conta-se que o filho de uma costureira tinha o hábito de sentar no chão enquanto sua mãe trabalhava. Ele sempre perguntava para sua mãe o que ela estava fazendo. Ela sempre respondia que estava bordando. Todo dia o garoto fazia a mesma pergunta e a mãe lhe dava a mesma resposta.

Com o passar do tempo, o garoto passou a observar melhor o trabalho de uma posição abaixo de onde ela se encontrava sentada e repetia a mesma pergunta: "Mãe, o que a senhora está fazendo?" Esta pergunta tinha uma razão. Porque de onde o menino 0lhava, o que a mãe fazia parecia muito estranho e confuso. Eram um amontoado de nós e fios de cores diferentes, compridos, curtos, uns grossos e outros finos.

O GAROTO NÃO ENTENDIA NADA!

Um dia, o garoto fez a mesma pergunta. A mãe deu um sorriso, olhou para baixo e disse: "Filho, sai um pouco para brincar e quando terminar meu trabalho eu chamo você e o coloco sentado em meu colo. Eu vou deixar você ver o trabalho na posição em que eu estou".

Mas o garoto continuava a se perguntar lá de baixo: "Por que a minha mãe usa alguns fios de cores escuras e outros claros? Por que os fios parecem tão desordenados e embaraçados? Porque estão cheios de pontas e nós? Por que eles. ainda não tem ­uma forma definida? Por que demora tanto para fazer isso?

Um dia, o garoto brincava no quintal e sua mãe o chamou: "Filho! Venha aqui e sente em meu colo". O garoto sentou no colo de sua mãe e ficou surpreso ao ver o bordado. Era algo inacreditável! Lá de baixo parecia tão confuso... Mas agora olhando de cima ele via uma paisagem maravilhosa!

Então sua mãe lhe disse: "Filho, de baixo parecia confuso e desordenado porque você não via que na parte de cima havia um belo desenho. Mas, agora, olhando o bordado da minha posição, você sabe o que eu estava fazendo".

Esta ilustração nos ajuda a entender a obra de Deus em nossa vida. Muitas vezes olhamos para o céu e perguntamos: "Deus, o que estás fazendo?" Ele nos responde:

“Filho! Estou bordando a sua vida”. Nós insistimos: “Mas está tudo tão confuso... Deus... Tudo em desordem... Há muitos nós... muitas coisas ruins que não terminam e coisas boas que passam rápido... Os fios do bordado são feios...” Deus nos responde: “Filho! Confie em Mim... Faça a sua parte... e Eu farei a minha parte. Um dia eu colocarei você em meu colo e você verá o plano da sua vida na posição em que Eu estou”.

Muitas vezes não entendemos o que está acontecendo em nossas vidas. As coisas são confusas, não se encaixam e parece que nada dá certo porque estamos olhando de baixo para cima. Estamos vendo o avesso da vida! Mas do outro lado, Deus está bordando...

NÃO DESISTA... NÃO SE DESESPERE... TENHA FÉ SEMPRE.

(Autor desconhecido)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Bento XVI apresenta Santa Teresinha como apoio aos jovens


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CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 1º de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI apresentou Santa Teresa de Lisieux como apoio para os jovens, no dia da festa litúrgica daquela que é conhecida como Santa Teresinha do Menino Jesus, e que faleceu aos 24 anos de idade.

Ao despedir-se dos jovens presentes, assim como dos doentes e recém-casados congregados na Praça de São Pedro, no Vaticano, por ocasião da audiência geral, o Papa recordou a freira de clausura de Lisieux (França), doutora da Igreja e padroeira das missões.

«Que seu testemunho evangélico vos apóie, queridos jovens, no compromisso de fidelidade cotidiana a Cristo», disse o bispo de Roma.

Dirigindo-se aos doentes, alguns deles em cadeiras de rodas, desejou que a jovem francesa os estimule «a seguir a Jesus pelo caminho da provação e do sofrimento».

Por último, ao saudar os recém-casados, alguns vestidos com sua roupa de casamento, confiou-lhes sua esperança de que Santa Teresinha os ajude «a fazer de vossa família o lugar de crescimento no amor a Deus e aos irmãos».

Os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, Louis e Zélie Martin, serão beatificados em Lisieux, no dia 19 de outubro, durante o Domingo Mundial das Missões (DOMUND).

OBRA RECRIADA PELO DIVINO OLEIRO



Graça a pedi:
Deixar-se recriar pelo divino Oleiro.

"O objeto que ele estava fazendo se deformou,
mas ele aproveitou o barro e fez outro objeto,
conforme lhe pareceu melhor" (Jr 18,4).

A experiência de ser contemplado pelo divino Oleiro faz com que nos reconheçamos como a obra mais querida de Suas mãos. Ele investe nesta obra toda a Sua afeição. Precisamos estar dispostos para descer à casa do Oleiro e ouvir o que Ele nos quer comunicar. Como Jeremias, necessitamos entrar para ver o oleiro trabalhando o barro, remodelando, refazendo, reconstruindo... Não era uma experiência nova para Jeremias, pois conhecia inúmeros oleiros que sabiam fazer vasos. Deus serve-se dos elementos do cotidiano, das coisas simples para mostrar nossa verdade e confrontá-Ia com a Sua verdade.
Deus nos quer pessoas refeitas n'Ele, para que nossa vida seja uma resposta ao Seu amor e em sintonia com o Seu Reino. Refaz Sua aliança, aproximando-se de cada um de nós para curar nossas feridas e re-configurar­nos. Não somos criaturas descartáveis e sem valor ou sem significado para Deus. O vaso estragado nunca é sucatado e, sim, remodelado. "Vaso estragado" pode significar: decepções, desilusões, tristezas, perdas, frustrações... Nas mãos do divino Oleiro estas situações podem ser oportunidades de um re-começo.
Jeremias ouve e obedece. Pela sua obediência, o Senhor o faz um vaso novo, o precursor, a porta de entrada, referência para toda a nação. É preciso ser moldado pela mão do divino Oleiro para ter critérios de vida, para sinalizar o projeto do Reino e para ter poder de influência sobre a nação para que ela se deixe modelar.
Para ser oleiro com poder de influência, conforme o projeto do divino Oleiro é necessário cultivar a disposição para ouvir, ir e olhar para onde Ele nos deseja enviar. Jeremias obedece prontamente e vai: "desci até a casa do oleiro e o encontrei fazendo um objeto no torno" (Jr 18,3). Ele olha como o barro desliza livremente pelos dedos do oleiro e como o vaso vai sendo modelado. Ao contemplar a ação do oleiro, ele intui uma mensagem vital: como o oleiro está para o barro, assim Deus está para a pessoa; e como o barro está para o oleiro, assim a pessoa está para Deus. Para que o divino Oleiro possa modelar a Sua obra, é necessário entregar-se incondicionalmente às Suas mãos ágeis e misericordiosas. É preciso ouvir e obedecer à Palavra do Senhor, vivê-Ia e transformá-La em testemunho de vida. Assim, a vida será um vaso novo que aloja o Espírito do Senhor e poderá ser referência para os outros viverem e seguirem o ensinamento do Senhor da Vida. Ele tem poder para remodelar nossas vidas quando não estamos de acordo com a Sua vontade. Ele molda continuamente nossas vidas. Como na época de Jeremias, Deus continua trabalhando em seus vasos: o seu povo.
A pessoa que está nas mãos do divino Oleiro vive em comunhão com as outras pessoas e se compromete com o projeto do Reino. O pecado quebra ou danifica o vaso. Provoca a divisão e fragmenta a comunhão. É a ruptura da amizade e familiaridade com Deus e da fraternidade entre as pessoas. É a negação prática da natureza humana criada para a comunhão. Nesse sentido, o pecado é uma alienação fundamental que se reproduz em alienações particulares, ali onde povos, raças, classes sociais são explorados e oprimidos.
Gutiérrez assim expressa essa realidade: "Pecar é, com efeito, negar se a amar os demais, por conseguinte, ao próprio Senhor. O pecado, ruptura da amizade com Deus e com os outros, é, para a Bíblia, a causa última da miséria, da injustiça, da opressão em que vivem os homens" (Gutiérrez, 1995, p. 27). Por isso dizemos que, pelo pecado, a pessoa rompe com a comunhão e assume um caráter social e histórico de contínua fragmentação, onde todos, de alguma forma, somos cúmplices.
As mãos do divino Oleiro, que vieram para resgatar e remodelar o nosso ser decaído, nos fazem entrar em comunhão com Deus e com toda a humanidade. Viver o dom do Espírito é viver uma eterna páscoa, uma passagem do pecado à graça, da morte à vida, do desumano ao humano, da cisão à integração. Deus deseja que busquemos e vivamos Sua plenitude que vence toda negação do amor e suas conseqüências.
O estado de fragmentação em que podemos nos encontrar depois de um fracasso, de uma desilusão, de uma incompreensão... Grande ou pequena, não é necessariamente seu destino, mas ocasião de deixar-se recriar pelo Oleiro divino. Deus deixa essa certeza impressa nos olhos e na memória do profeta Jeremias, ao conduzi-Ia à casa do oleiro, em cujas mãos havia um vaso que se estragou. Em vez de jogar fora o vaso estragado, o oleiro o refez, moldando outra peça com o mesmo barro. Em seguida, o Senhor perguntou ao profeta: "Por acaso será que não posso fazer com vocês, ó casa de Israel, da mesma forma como agiu este oleiro?" (Jr 18,6).
São os "vasos quebrados" que precisam retomar às mãos do divino Oleiro para serem remodelados. A pessoa que se encontra no fundo do poço, que perdeu o sentido e o encanto pela vida, rompeu a aliança com o divino Oleiro. Desconectou-se da Fonte, perdeu a força e o dinamismo da esperança cristã. Perdeu a capacidade de crer e fragilizou o poder da fé. Perdeu a vibração e o encanto pelo primeiro amor. Tornou-se fria, insensível, incrédula e apática. É nestes momentos e situações existenciais que é necessário intensificar sua confiança e abandono nas mãos do divino Oleiro.
O divino Oleiro restaura a saúde do enfermo (d. Is 38,16), a vista do cego (cf. Lc 18,42), a fala do mudo (cf. Mc 7,35) e o juízo do endemoniado (cf. Mc 5,15). Devolve a posição ereta à mulher encurvada (cf. Lc 13,13). Restaura a mão ressequida (cf. Lc 6,10). Deus restaura a pessoa da queda e do pecado, justificando-a, santificando-a e glorificando­a. Ressuscita-a de entre os mortos. Dá-lhe um novo corpo, revestido de incorruptibilidade e de imortalidade (d. 1Cor 15,53). Torna-a igual a Jesus Cristo (cf. Rm 8,29-30).
Podemos encontrar-nos no fundo do poço devido à nossa auto-suficiência que aos poucos dispensa a presença, a graça, o poder e a ação da sabedoria do divino Oleiro. Podemos julgar-nos poderosos, vivendo na ilusão de que estamos na verdade e que a última palavra é sempre a nossa. Nesta situação, não nos consideramos ramos, mas a própria videira (d. Jo 15,5). Tiramos Deus do centro e nos colocamos no lugar d'Ele. O nosso "eu" torna-se deus. Vivemos a egolatria. Trocamos a plenitude de Deus pela plenitude do nosso eu. Perdemos a relação filial de dependência com o divino Oleiro que, numa fidelidade indestrutível, mantém o olhar enternecido fixo em cada um de nós, obra de Suas mãos.
O divino Oleiro, em Cristo, tira o pecado do mundo, refaz o que a pessoa fez de errado. A história não termina com a notícia de que "o pecado entrou no mundo através de um só homem" (Rm 5,12), mas com a notícia de que Jesus é "o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).

A misericórdia do divino Oleiro suscita o desejo de suplicar "Restaura-nos, Senhor". O que Jesus quer fazer de nós é maior do que Ele quer fazer através de nós. Comprometidos com o projeto do divinO' Oleiro, devemos assumir a "prática da restauração". Esta prática é a arte de nos colocarmos, humildemente, nas mãos do divino Oleiro, para que Ele nos refaça continuamente e possamos manter a forma e a beleza arquitetada por Ele.
Como barro nas mãos do oleiro, deixemos o divino Oleiro recriar, refazer, remodelar e restaurar a nossa vida e missão. Deus, o divino Construtor, mantém nossa vida e missão "sempre em obras". Como obra de Suas mãos, permaneçamos em sintonia com o Seu projeto.
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