sábado, 30 de maio de 2015

Entrevista com Frei Savério Cannistrà, Prepósito Geral da Ordem dos Carmelitas Descalços.





No último dia 07 de maio o Capítulo Geral o reelegeu como Prepósito Geral. O que sentiu na hora?

São Paulo diz que os desejos da carne estão em luta com os desejos do espírito. Vivi um pouco essa luta dentro de mim. Não escondo o desejo que tive de fugir do cansaço, o medo de não ter forças suficientes para outros seis anos de serviço, a tentação de retomar minha vida em minhas mãos. Mas prevaleceu antes de tudo uma lógica elementar: se há seis anos disse sim porque vi na escolha dos irmãos a expressão da vontade de Deus, não posso comportar-me de outro modo agora. De modo que acabei aceitando com muita paz esse novo chamado.

Após seis anos no governo da Ordem, imagino que encara esse desafio de maneira diferente daquela de seis anos atrás. Em que a experiência vivida pode ajudar?

Efetivamente, hoje vejo de outro modo o trabalho que me aguarda. Trata-se de continuar um trabalho já empreendido, conhecendo melhor as dificuldades que se apresentarão, como também as motivações que nos animam a prossegui-lo.


É evidente que não se pode fazer uma avaliação global da Ordem sem levar em conta as características de cada circunscrição, mas, se me permite, quero pedir-lhe que fale da Ordem em termos gerais. Como ela está?

A Ordem está viva e possui uma riqueza e uma fecundidade da qual talvez não somos totalmente conscientes. Poderia responder à pergunta com as palavras de Jesus no evangelho de João: a Ordem dá fruto, mas exatamente por isso precisa ser podada e cultivada para que dê mais fruto.



A crise vocacional é um desafio na velha Europa. Como o Carmelo Descalço encara esse problema?

Naturalmente, há reações diferentes diante da crise. Em minha opinião, a reação mais sadia seria trabalhar no que depende de nós, como dizia Santa Teresa: fazer o pouco que depende de nós, que na verdade não é pouca coisa, já que se trata de viver em profundidade, nas circunstâncias do mundo de hoje, nossa vocação de comunidades orantes e fraternas. Estou certo que, à medida que somos capazes de fazer esse trabalho em nós, também seremos capazes de enfrentar e superar a crise que a vida religiosa atravessa no mundo ocidental.


Sem dúvida, a mensagem dos santos carmelitas é uma ajuda nesse sentido.

Sim, nossa “atualidade”, quer dizer, nossa relevância diante do mundo depende, na realidade, precisamente do específico de nosso carisma. A releitura dos escritos de Santa Teresa nos fez descobrir – acredito – que muitos de nossos problemas encontram resposta na experiência de uma mulher que viveu há cinco séculos. Não são respostas prontas, são originais, que nos obrigam a mergulhar dentro de nós e no modo de viver como indivíduos e como comunidades.


Ao contrário, a Ordem está crescendo em outros lugares...

Sim, a Ordem registra um crescimento vertiginoso, especialmente na África e em algumas regiões da Ásia. E em outras regiões nota-se, de todos os modos, um bom clima e uma certa estabilidade.



Um desafio é, sem dúvida, entrar em conexão com os jovens. Como fazer isso numa sociedade em que eles devem atender a tantos apelos?

Penso que a primeira coisa a ser feita é escutar com atenção os jovens, escutá-los em profundidade, superando as primeiras impressões superficiais que seu modo de falar ou comunicar suscitam em nós, mais avançados em idade. Vejo com clareza que quando um religioso ou uma religiosa tem essa capacidade de “empatia”, os jovens percebem e respondem com maior interesse e abertura.

Presença de monjas carmelitas descalças no Capítulo Geral,


Mudemos de tema. A relação com as carmelitas descalças esteve no centro de várias jornadas de trabalho do Capítulo Geral. O senhor dedicou vários documentos a esse assunto no último sexênio. Que passos serão dados no próximo sexênio?

A presença de nossas irmãs carmelitas no Capítulo durante dois dias foi não só um ato de cortesia, mas um autêntico encontro que deu lugar a um verdadeiro diálogo, no qual saíram à luz convergências e divergências. Ao final, as irmãs nos convidaram a continuar esse intercâmbio, sobretudo diante de um trabalho conjunto para a formação permanente, que é – em minha opinião – um dos desafios mais importantes para a vida contemplativa.



Do mesmo modo que as carmelitas descalças, também os leigos foram escutados no Capítulo. Outro desafio para este sexênio...

Dedicamos um dia do Capítulo à OCDS, com a presença de alguns membros procedentes de diversas nações. A realidade do laicato carmelita é muito variada. Ser membros da Ordem Secular tem implicações bastante diferentes segundo as regiões e as culturas. Acredito, porém, que em todas se apresenta o desafio de assumir com seriedade as responsabilidades próprias como leigos membros da família do Carmelo. É preciso que os leigos encontrem seu modo próprio e específico de viver as diferentes dimensões do carisma carmelitano, que é obviamente diferente do modo com que uma comunidade de frades ou de monjas o vive.


Dia da OCDS no Capítulo Geral da Ordem.

Falávamos anteriormente sobre como chegar aos jovens leigos. Pergunto-lhe agora sobre os formandos. De modo concreto, sobre a importância da etapa formativa.

Temos que insistir muito na formação humana e cristã se não quisermos que a formação carmelitana seja uma espécie de verniz externo. É preciso, de certo modo, encontrar o estilo  carmelitano-teresiano de formar humanamente e cristãmente a pessoa. Estou convencido de que o patrimônio carismático do Carmelo teresiano tem elementos suficientes para conceber esse processo de maturação em nível de conhecimento pessoal, de relação com Jesus – o Senhor – e para assumir os compromissos próprios da vida religiosa.


Não me esqueço da formação contínua. Também há um caminho a percorrer nesse sentido.

Temos que distinguir entre formação permanente e atualização. Com frequência confundimos as duas coisas. A formação permanente é o que eu prefiro chamar de “cuidado” de nós mesmos, cuidar da própria vocação, da própria alma, do próprio ser. Seu contrário é a acídia, que etimologicamente significa descuidar de si mesmo. Nesse sentido, a formação permanente é um compromisso pessoal que se realiza dia a dia, nas ocasiões que nossa experiência de vida ordinária proporciona (oração, comunidade, trabalho). Outra coisa é a atualização, que implica um compromisso de estudo, de leitura, de informação. No sexênio passado começamos iniciativas desse tipo, organizando cursos de formação bíblico-espiritual em Stella Maris (Haifa) e cursos de formação para formadores, animadores de comunidade e diretores espirituais na Índia. O Capítulo pediu que essas iniciativas continuem também durante este sexênio.


Centramo-nos agora no Capítulo Geral. Seu documento conclusivo – “É tempo de caminhar”– nos convida a uma releitura das Constituições. Em resumo, qual é o objetivo principal dessa releitura?

Decidimos empreender a releitura de nossas Constituições para dar continuidade ao caminho feito no sexênio passado com a leitura das obras de Santa Teresa. Não queremos virar a página. Antes, queremos continuar fazendo-nos a pergunta sobre “qué tales hemos de ser”, como filhos de Santa Teresa. Daí que a releitura das Constituições tem como objetivo comparar nossa experiência de vida atual com o modelo que nos foi proposto nas Constituições. Por um lado, isso significa examinar nossa vida à luz das Constituições; por outro, trata-se de revisar as Constituições à luz da experiência vivida pelos religiosos e as comunidades nos últimos trinta, quarenta anos. Houve muitas mudanças. Parece-nos ter chegado o momento de tentar responder a muitas perguntas que tais mudanças nos apresentam.


Durante o Capítulo também se falou muito das missões OCD. O espírito missionário de Santa Teresa continua vivo. Nos próximos seis anos, como será canalizada a ajuda às missões a partir da Casa Geral?

Temos que trabalhar em vários níveis. Antes de tudo, esclarecer melhor o que entendemos por missão para sentir-nos todos implicados nesse compromisso missionário e de evangelização, que faz parte de nosso “ser carmelitas teresianos”. O Papa Francisco está exortando com força toda a Igreja a sair de si mesma, evitando o risco de fechar-se e da autorreferencialidade.
Depois, há um problema muito concreto, que diz respeito ao apoio econômico às novas missões. Estou muito contente que o Capítulo tenha feito uma opção de “comunhão de bens”, optando pela criação de um fundo de ajuda às missões, que será administrado pela Casa Generalícia. Espero que assim possamos responder, mesmo que seja em parte, aos muitos pedidos de ajuda que recebemos.


Outro aspecto importante é o da comunicação. Em sua intervenção sobre o estado da Ordem, o senhor utilizou muitas vezes a palavra “comunicar”. O que nos falta nessa matéria e como podemos caminhar juntos para melhorar?

A comunicação é uma dimensão essencial da vida humana, e ainda mais que a vida comunitária. Às vezes, fazemos uma ideia um pouco espiritualista da comunidade. Falamos de comunhão e, com isso, nos eximimos do compromisso de encarnar o dom da comunhão em uma experiência concreta de comunicação. A comunicação é, antes de tudo, a que se vive com os irmãos que nos rodeiam. Hoje corremos o perigo de comunicar muito à distância, virtualmente, e pouco com quem está perto. Comunicar implica muitas coisas: capacidade de escutar, capacidade de expressar-se, confiança no outro, comprometer-se na relação. São todos valores que devemos colocar no centro se realmente queremos ser irmãos que se conhecem e são amigos, como queria Santa Teresa.


Encerramos esta entrevista, pedindo-lhe uma mensagem para toda a família do Carmelo Teresiano.


Não encontro melhor mensagem que a que escolhemos como título do documento capitular: “é tempo de caminhar”. Não podemos ficar quietos, não podemos deixar-nos bloquear pelos medos nem pelas falsas seguranças. Temos que fazer um caminho através da Igreja e do mundo de hoje, pondo nossa confiança e nossa esperança, não em nós mesmos, mas no Senhor que prometeu caminhar conosco. É tempo de caminhar, mas sabendo que “juntos andemos, Senhor”.


Que Dios te bendiga, Padre Savério Cannistrà!
Cuente con nuestras oraciones.



quinta-feira, 28 de maio de 2015

Liturgia da Memória da Beata Elias de São Clemente, Virgem (em 29 de maio).








29 de maio
BEATA ELIAS DE SÃO CLEMENTE, VIRGEM
 Memória facultativa

A Beata Elias de São Clemente nasceu em Bari (Italia) dia 17 de janeiro de 1901. Seus pais eram profundamente cristãos e ela foi batizada com o nome Teodora, dom de Deus. Tal nome verificou-se de fato no breve curso de sua vida terrena. Dia 8 de abril de 1920 (festa de S. Alberto então), entrou no Carmelo de S. José de Bari. Sua vestição religiosa deu-se dia 24 de novembro do mesmo ano, festa de S. João da Cruz naquele tempo. A 8 de dezembro de 1924 escreveu com seu sangue um ato de oferta total e definitiva ao Senhor, com voto de fazer sempre “o mais perfeito”. Morreu no dia do Natal de 1927. Bento XVI assinou o Decreto de beatificação dia 19 de dezembro de 2005 e ela foi proclamada Beata na Catedral de Bari dia 18 de março de 2006.

Do Comum das Virgens, com a salmodia do dia do saltério
ORAÇÃO
Ó Deus, a quem agradou a oblação de si a vós oferecida pela virgem, Beata Elias de São Clemente, por sua intercessão concede-nos, sustentados pelo Pão Eucarístico, cumprir fielmente vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho que é Deus e vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
Amem.

Ofício das leituras

Segunda leitura
Dos escritos da B. Elias de São Clemente, Virgem. (ED. OCD 2001: pp. 282-295-322).
O desejo de perder-se em Deus e o zelo apostólico
Oh doce ocultamento, como amo passar os meus dias sob tua sombra e consumir assim minha existência, por amor do meu doce Senhor... às vezes, pensando nas eternas recompensas, infinitamente maiores que os leves sacrifícios desta vida, a minha alma fica maravilhada e tomada de uma ardente ânsia, eleva-se a Deus exclamando: “Oh meu bom Jesus, a qualquer preço quero atingir a meta, o porto da salvação. Não negue-me nada, concede-me de sofrer. Este seja o martírio interior do meu pobre coração, oculto a qualquer olhar humano; uma cruz despojada eu te peço. Estendida sobre ela, quero passar meus dias aqui”.
Quando se sofre unido a Jesus, o padecer é alegria; sofrer amando eu anelo, fora disto não quero mais nada.
Meu Dileto, quem poderá jamais separar-me de Ti? Quem será capaz de romper estas fortes correntes que amarram meu coração ao Teu? Será o abandono das criaturas? É próprio isto que une a alma ao seu Criador... talvez as tribulações, as penas, as cruzes? É nestes espinhos que o canto da alma que te ama é mais livre e leve. Talvez a morte? Mas esta não será outro que o princípio da verdadeira felicidade para a alma.... nada, nada poderá separar, nem mesmo por breves instantes esta alma de Ti. Ela foi criada por Ti e é fora do seu centro se não vive abandonada em Ti.
A minha vida é amor: este néctar suave me circunda, este amor misericordioso me penetra, me purifica, me renova e sinto que me consome. O grito deste meu coração é: “Amor do meu Deus, a Ti somente busca a minha alma. Alma minha, sofre e cala; ama e espera; imola-te e oculta a tua imolação sob um sorriso e, sempre avante... quero passar a minha vida num profundo silêncio para escutar no íntimo da alma a delicada voz do meu Doce Jesus.
Almas buscarei para lançá-las no mar do Amor misericordioso: almas de pecadores, mas sobretudo almas de sacerdotes e religiosos. Com esta meta a minha existência se apagará lentamente, consumindo-se como o óleo da lâmpada que vela junto ao Tabernáculo”. Sinto a vastidão da minha alma, a sua infinita grandeza, que não basta a vastidão deste mundo para preenchê-la: ela foi criada para perder-se em Ti, meu Deus, porque só tu és grande, infinito e por isso só Tu podes torná-la plenamente feliz.

Responsório
R.  A rocha do meu coração é Deus, é Deus a minha herança para sempre: * fora Dele, nada desejo da terra.
V./ Uma Virgem preocupa-se das cosias do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito:
R./ fora Dele, nada desejo da terra.

Ant. ao Benedictus: Como é suave, Senhor o teu amor! Perdida em Ti, vivo beata eternamente.

Ant. ao Magnificat:  O teu amor, oh Deus, como o fogo me consumiu na fornalha ardente do teu Coração. 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Santa Teresa: monja de clausura pelos caminhos da Espanha

O que entendemos quando falamos de monjas de clausura? Frei Patrício explica este caminho corajoso
Por Frei Patrício Sciadini

Cairo, 25 de Maio de 2015 (ZENIT.org)

O V Centenário do nascimento de Santa Teresa d Ávila, fundadora das carmelitas descalças e dos carmelitas descalços, coloca em discussão tanto nossa maneira de pensar como de viver. Hoje gostaria de evidenciar um aspecto   do momento atual, onde a Igreja, mãe e mestra,  se encontra  com uma certa dificuldade e que Teresa pode oferecer uma luz e um caminho novo e corajoso: a clausura.  O que nós entendemos quando falamos de monjas de clausura ou de Carmelitas Descalças,  fundadas por Santa Teresa d’Ávila, naquela manhã  quente e esplendida do 14 de agosto de 1562? A fundação de São José foi preparada no silêncio, às escondidas. O povo de Ávila acordou com as badaladas do sino  do pequenino mosteiro e ficou assustado, preocupado por ter que manter economicamente um outro  mosteiro e outras monjas.  Tentou-se todo o possível para fechar o mosteiro, mas não teve jeito. O bispo Dom Álvaro estava de acordo e especialmente Teresa era uma “cabeça dura”, que não desanimava diante de coisas deste tipo.  

Quando nós falamos hoje de clausura entendemos monjas contemplativas que decidem separarem-se do mundo, para viver uma maior intimidade com Deus, e que querem abraçar, com a oração, todas as necessidades da Igreja e serem uma presença   viva, atuante, dentro da comunidade, não pelas formas de apostolado, nem pelas obras, mas sim pela oração e uma  intensa vida espiritual. Se fala de clausura papal. Não podem sair a não ser por determinados motivos e normas. E se obrigam a uma vida de sacrifício, de distância do mundo  e etc dos etceteras. Tudo bem. Nada contra isto. Mas  como Teresa soube “administrar tudo isto”,  como ela e suas monjas  souberam viver a clausura naquele tempo? E como deveria ser vivida hoje?

Não é caso de perder-nos em estéreis discussões sobre isto, tanto mais  que eu não sou monja de clausura, mas sim  ver como Teresa   amou intensamente  a clausura como “recanto  de solidão” para estar na escuta de Deus e viver,  como dizia  o seu filho e mestre espiritual João da Cruz, “a solidão sonora e música silenciosa”. Mas ao mesmo tempo o seu zelo  pela missionariedade a levou muitíssima vezes a “sair da clausura” para levar  a presença de Cristo e do Carmelo no coração das cidades. Isto podemos comprová-lo   olhando “o entusiasmo e uma certa ânsia de fundar mosteiros  a toque de caixa”, em 20 anos,  isto é de 1562  ao 1582.  Teresa  fundou    quase 20 mosteiros de monjas e 13 de frades... Um ritmo impressionante,  uma atividade que poderíamos  chamar “frenética”, e projetou  um Carmelo em Madri,  mesmo que nunca conseguiu realizar.

Às vezes Teresa tinha que sair da clausura para consolar princesas  depressivas  ou jovens princesas  como a de Alba de Tormes, que estava prestes a  dar a luz, que queria  a presença da madre Teresa. Ela chegará mais tarde para morrer em Alba de Tormes. Foi convidada a sair da clausura  pelos Superiores sem motivos sérios,  e hoje diríamos  inúteis, mas Teresa é obediente  e se coloca em caminho, com dificuldades  e vai. Sabe como se relacionar com bispos e convencê-los a aceitar e apoiar  as fundações, como a de Burgos  e de Sevilha.

A clausura de Teresa foi muitas vezes as ruas e as viagens, ou o seu “Carmelo itinerante”, em carruagem,  onde  nunca faltava  o famoso sino, para chamar  e marcar os horários das orações, do silêncio, da recreação. E convidava aos cocheiros  a  fazer silêncio e, se obedeciam, dava para eles uma boa porção  de comida. Viveu a clausura com uma certa “elasticidade e liberdade interior”  e se sentiu bem. Mais tarde, depois de sua morte,  vieram superiores,  como o Padre Doria, que  amará mais a  lei que a pessoa humana. A clausura para Teresa não é mais importante que a missão, e nem  a pessoa humana. Ela era uma mulher  livre e a sua liberdade a viveu a com uma atenção às leis, à obediência à Igreja, mas também às necessidades  do seu tempo.

O que diria Teresa de Ávila da clausura de hoje? Vamos deixar para um próximo artigo, que o meu espaço terminou. Mas creio que é necessário ter uma visão de clausura, de contemplação, que seja ao mesmo tempo um estilo de vida,  com normas jurídicas, mas com uma visão do que diz Jesus: “não é o homem que é feito para os sábado, mas o sábado para o homem”. Nasce sem dúvida uma nova reflexão  sobre este tema tão importante ao se colocar em discussão,  a clausura. Mas será que  se rompe a clausura só saindo do mosteiro? Creio que hoje os meios de comunicação, se não bem usados, são um meio não para  conservar o silêncio e solidão, para uma maior intimidade com Deus, mas para fazer entrar o mundo e a “mundanização” nos conventos de clausura e nos corações dos contemplativos e dos consagrados.

Teresa  de Ávila  teria bem usado  os meios de comunicação de hoje,  seja a internet, WatsApp, twiter,  como a seu tempo soube bem usar a comunicação mediante livros, cartas e encontros, e como “andarilha de Deus”, pelos caminhos da Espanha  e comunicou o evangelho  e a oração com todos os meios e forças  e capacidade, que Deus  lhe deu. Teresa é a cantora da liberdade sadia, forte, divina e humana. Soube voar e bem, de um lado ao outro, para anunciar o seu amor a Jesus e à Igreja, na escuta de Deus e da Igreja. Podemos estar em “clausura” e ter o coração  como um aeroporto  ou rodoviária,  de vai e vem. E podemos ir pelo mundo  com o coração cheio de Deus e viver  um “clausura de amor”, onde o mundo não pode perturbar-nos. “Onde está o teu tesouro aí está o teu coração”.

terça-feira, 26 de maio de 2015

25/05/2015 - SANTA MARIA MADALENA DE PAZZI


Santa Maria Madalena de Pazzi nasceu em 1566, em Florença, na Itália. Recebeu o nome de Catarina no batismo e cresceu bela e muito inteligente em sua cidade natal, Florença. Tinha origem nobre, com acesso tanto à luxúria quanto às bibliotecas e benfeitorias da corte da família De Médici, que governava o ducado de Toscana. Sua sensibilidade foi atraída pelo aprendizado material e espiritual, abrindo mão dos prazeres terrenos, do luxo e das vaidades que a nobreza proporcionava. Assim, ao contrário do desejo dos pais, fez a primeira comunhão aos dez anos, coisa nada normal para a época. Aos dezoito entregou-se à vida religiosa das carmelitas, onde assumiu o nome de Maria Madalena. A partir daí, passou a viver experiências místicas impressionantes, onde eram comuns os êxtases provocados por penitência, oração e contemplação, originando extraordinárias visões proféticas. Para que suas revelações divinas não se perdessem, seu superior ordenou que três irmãs anotassem fielmente as palavras que explodiam de sua boca durante os êxtases. Um volumoso livro foi escrito com essas premonições e mensagens, e ela de próprio punho escreveu muitas cartas dirigidas a papas e príncipes contendo ensinamentos e orientações. A vida mística acabou lhe acarretando doenças e desolações interiores que consumiram sua saúde. Seu zelo pelas almas não tinha limites. Gritava pelos corredores do Mosteiro de Florença: “Almas, Senhor, dá-me almas”! Seu grande anelo está plasmado nesta frase: “Jesus meu: dá-me uma voz potente que a ouça o mundo inteiro. Nosso amor próprio é o que nos ofusca o vosso conhecimento... amor próprio que é contrário ao Vosso, Senhor... Amor, faz com que as criaturas não amem outra coisa senão a Ti”! Morreu em 25 de maio de 1607 com apenas quarenta e um anos. Foi canonizada, pelo Papa Clemente IX, no mesmo ano, coisa nada natural até na sua época..



Santa Maria Madalena de Pazzi, rogai por nós.


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FÓRUM STJ 500 em Aparecida - Aviso sobre as inscrições.




A equipe responsável pela organização do Fórum STJ 500, coordenada pelo conselheiro Daniel Roza, solicita que os irmãos e irmãs que já fizeram as reservas nos hotéis de Aparecida, façam LOGO, isto é, o mais BREVE possível sua INSCRIÇÃO no evento. Apenas no Hotel Rainha do Brasil, cerca de 350 pessoas já reservaram a hospedagem, mas, até o momento, somente 180 pessoas se inscreveram no Fórum. 
Os irmãos que tiverem dificuldade em acessar a internet sejam ajudados por aqueles que tem facilidade... O momento é de mobilização de todos! 
Compromissos financeiros precisam ser honrados. Um evento como esse demanda CUSTOS muito altos e somente o dinheiro das inscrições é que pagará esses custos. Divulguem este aviso nas Comunidades e Grupos da Província. Presidentes e coordenadores: mãos à obra! 
Obrigado pela atenção.
Att: Giovani Carvalho Mendes, ocds (Com. Rainha do Carmelo, de Fortaleza - Ceará)



Mensagem do Papa Francisco sobre a riqueza e o seu uso correto: "Se o Senhor dá a riqueza a uma pessoa, é para usá-la para o bem de todos, não para si, não para que se feche em seu coração, tornando-se corrupta e triste".



Na manhã desta segunda-feira, O Papa Francisco falou sobre os bens e a riqueza: É preciso fazer de modo que se você possui riquezas, essas sirvam ao “bem comum”. Uma abundância de bens vivida egoisticamente tira a “esperança” e é a origem “de todos os tipos de corrupção”, grande ou pequena.


O camelo e o buraco da agulha, ou seja, como o “entusiasmo” por Cristo possa se transformar em poucos instantes em “tristeza e fechamento em si mesmo”. A cena que o Papa Francisco comenta na homilia é uma das mais famosas do Evangelho. O jovem rico encontra Jesus, pede para segui-lo, lhe assegura viver plenamente os mandamentos, mas, depois, muda completamente de humor e atitude quando o Mestre lhe fala do último passo a ser dado, a “única coisa” que falta: vender os bens dar-lhes aos pobres e depois segui-lo. De repente, “a alegria e a esperança” no jovem rico desaparecem, porque ele, àquela sua riqueza, não quer renunciar:

“O apego às riquezas é o início de todos os tipos de corrupção, em todos os lugares: corrupção pessoal, corrupção nos negócios, também a pequena corrupção comercial, daqueles que tiram 50 gramas do peso correto, a corrupção política, a corrupção na educação… Por que ? Porque aqueles que vivem apegados ao próprio poder, às próprias riquezas, acreditam viver no paraíso. Estão fechados, não têm horizonte, não têm esperança. No fim deverão deixar tudo”.

“Há um mistério na posse das riquezas”, observa Francisco. “As riquezas têm a capacidade de seduzir, de nos levar a uma sedução e nos fazer acreditar que estamos em um paraíso terrestre”. Em vez disso, afirma o Papa, este paraíso terrestre é um lugar sem “horizonte”, semelhante ao bairro que Francisco recorda ter visto na década de setenta, habitado por pessoas ricas que haviam fechado os confins para se defenderem dos ladrões:

“Viver sem horizonte é uma vida estéril, viver sem esperança é uma vida triste. O apego às riquezas nos dá tristeza e nos torna estéreis. Digo ‘apego’, não digo ‘administrar bem as riquezas’, pois as riquezas são para o bem comum, para todos. Se o Senhor dá a riqueza a uma pessoa é para que ela possa usá-la para o bem de todos, não para si mesmo, não para que se feche em seu coração tornando-se corrupta e triste.”

Jesus e o jovem rico

“As riquezas sem generosidade”, ressalta o Papa Francisco, “nos fazem crer que somos poderosos, como Deus. No final, elas nos tiram o melhor, ou seja, a esperança”. Jesus indica no Evangelho qual é a maneira justa para viver uma abundância de bens:


“A primeira Bem-aventurança: Bem-aventurados os pobres em espírito, ou seja, despojar-se do apego e fazer com que as riquezas que o Senhor lhe deu sejam para o bem comum. É a única maneira. Abrir a mão, abrir o coração e abrir o horizonte. Se você tem a mão fechada, tem o coração fechado como aquele homem que fazia banquetes e usava roupas luxuosas, você não tem horizontes, não vê os outros que precisam e vai terminar como aquele homem: distante de Deus.”

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Escola de Formação divulga os módulos para julho de 2015

A Escola de Formação Edith Stein divulga os módulos que serão ministrados em julho de 2015 em São Roque e Fortaleza:



Não deixem sua comunidade sem um representante na Escola de Formação em julho.


Esperamos pelo formador de sua comunidade ou outro membro interessado em formação.

Estamos com uma promoção muito especial! Quem levar mais alguém ganha um desconto de R$100,00 por cada pessoa que levar!

domingo, 24 de maio de 2015

Santa Maria de Jesus Crucificado, o “pequeno nada” de Jesus e a docilidade ao Espírito Santo


Mariam Baouardy nasceu em Abellin, (Cheffa – Amar, Galileia), entre Nazareth e Haifa, dia 5 de janeiro de  1846, em uma família pobre, muito piedosa de rito Greco-católico. Com o irmão Paulo permanece órfã com três anos de idade e é criada pelo tio paterno. Este transferiu-se para Alexandria (Egito) alguns anos depois; aqui Myriam fez sua primeira comunhão, mas não recebeu nenhuma instrução escolar. Aos 13 anos de idade, pelo desejo de pertencer somente a Deus, recusou o matrimonio que lhe fora arranjado pelo tio. Por causa disso sofreu maus tratos. Confiando seus sofrimentos a um servo do tio, que era muçulmano, este queria que ela abandonasse o cristianismo e se fizesse muçulmana. Como ela recusou, num ímpeto de cólera, a golpeou com a espada no pescoço; depois, pensando que estivesse morta, a abandonou o corpo num local fora da cidade. Quando desperta em uma gruta, está sendo cuidada por uma “senhora vestida de azul” por 4 semanas, até que estivesse curada e depois a conduziu a uma igreja. Mais tarde Myriam reconhecerá nela a Virgem Maria, de quem era devotíssima.
Myriam trabalhou depois como doméstica em Alexandria, Jerusalém, Beirute e Marselha. O que ganhava com seu trabalho doava a  maior parte aos pobres.
Em Marselha, entrou nas Irmãs de S. José da Aparição, mas teve que sair por motivos de saúde. Em junho de 1867 entrou no Carmelo de Pau, na França. Como noviça foi enviada com outras irmãs para fundar o Carmelo de Bangalore, Índia, onde dia 21 de novembro de 1871 emitiu os primeiros votos. No ano seguinte foi mandada novamente a Pau, por causa de suas graças extraordinárias, então tidas sob suspeita.

(Carmelo de Belém – museu –
fórmula autografa da profissão de Myriam)


De Pau, partiu novamente com outras monjas para a fundação do primeiro mosteiro, o de Belém, na Palestina em agosto de 1875, graças a ajuda de Berthe d’Artignoux. O projeto do Carmelo foi inspiração de Myriam, que também acompanhava os trabalhos de construção. Falece aqui dia 26 agosto 1878, por causa de uma gangrena contraída em consequencia de uma queda. Neste tempo já havia posto também as bases para a fundação do Carmelo de Nazaré, o qual será inaugurado somente em 1910.

(Carmelo de Belém com banner comemorativo das
 canonizações)

Sua breve vida foi povoada de muitos fenômenos místicos, tais como êxtases, levitação, estigmas, profecias, bi locação, possessões, etc.
Mas tudo isso não a tiravam de sua humildade e gastava-se nos trabalhos humildes do convento e no serviço aos trabalhadores da construção do Carmelo de Belém, que já a reconheciam como santa. Definia-se a si mesma como o “pequeno nada” diante do Absoluto de Deus.

Instruída pelo Espírito Santo, compreende as palavras:

“Se quiser buscar-me, conhecer-me, seguir-me, invoca a luz, o Espírito Santo que iluminou os meus discípulos e ilumina todos os povos que o invocam. Eu te digo em verdade: quem invocará o Espírito Santo, buscar-me-á e encontrar-me-á; a sua consciência será delicada como a flor do campo”.

Na homilia de sua canonização dia 17 de maio de 2015, Papa Francisco resumiu muito bem a mensagem de Myriam:

“Deste amor eterno entre o Pai e o Filho, que se infunde em nós por intermédio do Espírito Santo (cf. Rm 5, 5), adquirem vigor a nossa missão e a nossa comunhão fraternal; é dele que brota sempre de novo a alegria de seguir o Senhor pelo caminho da sua pobreza, da sua castidade e da sua obediência; é aquele mesmo amor que nos chama a cultivar a oração contemplativa. Foi quanto experimentou de maneira eminente a irmã Maria Baouardy que, humilde e iletrada, soube dar conselhos e explicações teológicas com extrema clarividência, fruto do diálogo incessante que mantinha com o Espírito Santo. A docilidade ao Espírito Santo fez dela também um instrumento de encontro e de comunhão com o mundo muçulmano”.


(Basílica S. Pedro – Roma - painel da nova Santa no dia da Canonização)

No Pentecostes, festa do Espírito Santo, de quem afirma S. Myriam de Jesus Crucificado “não lhe recusa nunca nada”, rezemos pelo dom da paz e da unidade entre os povos e de sermos discípulos-missionários de Jesus:

“Oh! Espírito Santo, fonte de paz e de luz,
Tenho fome: vem nutrir-me.
Tenho sede, vem saciar-me;
Estou cega: vem iluminar-me;
Sou pobre: vem enriquecer-me;
Sou ignorante: vem instruir-me.
Vem, minha consolação;
Vem, minha alegria;
Vem, minha paz; minha força, minha luz!
Espírito Santo,
Vem, eu me abandono em Ti”.


(Ícone de S. Myriam no Carmelo de Belém)

(Relicário de Myriam com osso do braço
 na capela do Carmelo de Belém)


(Interior da Capela do Carmelo de Belém
 com imagem de Myriam)


sexta-feira, 22 de maio de 2015

SANTA MARIA DE JESUS CRUCIFICADO, Carmelita Descalça. Um "grande luzeiro" da Ordem para o mundo!


Mariam Baouardy nasceu a 05 de Janeiro de 1846, em Ibillin, numa pequena aldeia da Galileia, entre Nazaré e Haifa, numa família de rito greco-católico (Melquita).

Seus pais perdem um após outro os doze filhos, sendo todos eles ainda muito pequenos.

Em sua profunda dor e confiança em Deus, decidiram então fazer uma peregrinação a Belém para rezar na Gruta da Natividade e pedir a graça de uma filha. É assim que Mariam veio ao mundo, no ano seguinte nasce seu irmão Boulos.

Mas, Mariam não tinha ainda 3 anos quando seu pai morre confiando-a à fiel custódia de São José. Alguns dias mais tarde morre sua mãe. É assim que Boulos é adotado por uma tia e Mariam por um tio de boa condição social.

De seus anos de infância na Galileia, guarda na memória, o maravilhar-se diante da beleza da Criação, da luz, das paisagens de onde tudo lhe fala de Deus e do sentimento, muito forte, de que “tudo passa”.

Uma experiência de criança é decisiva para sua vida futura: brinca com dois pequenos passarinhos e quer dar-lhe um banho… mas eles não resistem e morrem entre suas mãos.

Triste, ouve então interiormente estas palavras: “Vês? É assim que tudo passa, mas se queres dar-me teu coração, Eu ficarei para sempre contigo”.

Aos 08 anos faz sua primeira comunhão. Pouco depois seu tio parte para Alexandria com toda a família.

No Egito: Alexandria e o martírio

Mariam tem 12 anos quando sabe que seu tio quer casá-la. Decidida a dar-se totalmente a Deus, ela recusa a proposta. Tratam de persuadi-la e ameaçam-na. Nem as humilhações, nem os maus tratos puderam fazer mudar sua decisão.

Após três meses, ela visita um velho criado da casa de seu tio, para enviar uma carta a seu irmão que vive na Galileia para que venha ajudá-la.

Ouvindo a narração de seus sofrimentos, o criado que era muçulmano, exorta-a a converter-se ao Islã. Mariam recusa.

Encolerizado, o homem pega numa espada e corta-lhe a garganta, abandonando-a logo de seguida numa rua escura. Era dia 8 de Setembro.

Mas sua hora não havia chegado...  Ela acorda numa gruta, ao lado de uma jovem que parecia ser uma religiosa. Durante quatro semanas, ela cuida, alimenta e instrui Mariam.

Depois de estar curada, aquela que mais tarde ela revelará ser a Virgem Maria, leva-a a uma igreja.

Desde esse dia, Mariam irá de cidade em cidade (Alexandria, Jerusalém, Beirute, Marselha…), como doméstica, elegendo preferencialmente as famílias pobres, ajudando-as, mas deixando-as quando elas a honram demasiado.

Mas, ela irá ser também de maneira particular, testemunho desse “universo invisível”. Esse universo que nós cremos sem vê-lo e que ela experimentou duma maneira muito forte.


Em Marselha: as Irmãs de São José

Em 1865 Mariam encontra-se em Marselha. Entra em contacto com as Irmãs de São José da Aparição. Tem 19 anos, mas só parece ter 12 ou 13.

Fala mal o francês e possui uma saúde frágil, de todos modos é admitida ao noviciado e sua alegria é enorme por poder entregar-se assim a Deus.

Sempre disposta aos trabalhos mais pesados, ela passa a maior parte de seu tempo lavando ou na cozinha. Mas, dois dias por semanas revive a Paixão de Jesus, recebe os estigmas (que na sua simplicidade crê ser uma enfermidade) e começam a manifestar-se toda a classe degraças extraordinárias.

Algumas irmãs ficam desconcertadas com o que se passa com ela, e ao final de 02 anos de noviciado, não é admitida na Congregação.

É assim que um conjunto de circunstâncias a levam até ao Carmelo de Pau…

A Recepção de Mariam no Carmelo de Pau:

É recebida em Junho de 1867. Ali, no meio de todas as provas que terá de atravessar, encontrará sempre o amor e a compreensão. Ingressa de novo no noviciado, donde recebe o nome de Irmã Maria de Jesus Crucificado.

Insiste em ser admitida como ‘irmã conversa’, pois gosta mais do serviço aos outros, tendo por outro lado dificuldades de leitura, nomeadamente na recitação do Oficio Divino. Sua simplicidade e sua generosidade conquistam os corações de todos.

Suas palavras proferidas depois de um êxtase são o fruto de sua vida:

“Onde está a caridade ali também está Deus. Se pensais em fazer o bem a vosso irmão, Deus pensará em vós. Se cavais um poço para vosso irmão, caíreis nele; o poço será para vós. Mas, se fazeis um céu para vosso irmão, esse céu será para vós…”.

Dom da profecia, ataques do demônio ou êxtases… entre todas as graças divinas das quais está colmada, ela sabe, de maneira muito profunda, ser ‘nada’ diante de Deus, e quando fala dela mesma se chama “o pequeno nada”, é realmente a expressão profunda de seu ser.

É o que a faz penetrar a insondável profundidade da misericórdia divina onde ela encontra a sua alegria, suas delicias e a sua vida…

A humildade é feliz de ser nada, ela não se apega a nada, ela não se cansa nunca de nada. Está contente, é feliz, donde quer que esteja é feliz, está satisfeita com tudo… Felizes os pequenos!”.

Ali está a fonte de seu abandono entre graças mais estranhas e os acontecimentos humanos mais desconcertantes.


A fundação do Carmelo de Mangalore na Índia

Após 3 anos, em 1870, parte com um pequeno grupo de irmãs para fundar o primeiro mosteiro de carmelitas na Índia, em Mangalore. A viagem de barco foi uma aventura e três religiosas morrem antes de chegarem.

De todos modos, são enviados reforços, e em finais de 1870 pode-se iniciar a vida claustral. Suas experiências extraordinárias continuam sem impedir-lhe a realização dos trabalhos mais pesados e de dar atenção aos problemas inerentes a uma nova fundação.

Durante seus êxtases, as irmãs às vezes podiam ver seu rosto resplandecente na cozinha ou noutro local.

Participa em espírito nos acontecimentos da igreja, por exemplo, nas perseguições na China e também parece ser possuída exteriormente pelo demônio, fazendo-lhe viver terríveis tormentos e combates. Esta possessão demoníaca de forma alguma é fruto de “culpa” ou pecado seu, mas, foi um meio encontrado e permitido pelo Senhor de purificar e santificar ainda mais sua santa serva através desse tipo singular de sofrimento.

Foi o começo de muitas incompreensões na sua comunidade, onde duvidaram da autenticidade do que ela vivia. Não obstante, pôde emitir seus votos no final do noviciado a 21 de Novembro de 1871; mas as tensões criadas em seu redor acabaram por provocar o seu regresso ao Carmelo de Pau em 1872.

O regresso ao Carmelo de Pau

Naquele lugar leva de novo a sua vida simples de ‘irmã conversa’ no meio do carinho de suas irmãs, e sua alma dilata-se. Durante alguns êxtases, ela que é quase analfabeta, profere repentinamente em exultação de gratidão até Deus, poesias duma grande beleza, cheias de encanto e candor oriental, onde a criação inteira canta ao seu Criador.

Pelo ímpeto de sua alma até Deus, ela elevar-se-á até ao cima de um árvore sobre uma rama que não suportaria nem sequer uma pequenina ave. “Todo o mundo dorme. E Deus, tão repleto de bondade, tão grande, tão digno de louvores, é esquecido! Ninguém pensa Nele!

Vede, toda a natureza O louva, o céu, as estrelas, as árvores, as ervas, tudo O louva; o homem, que conhece os seus benefícios, que deveria louvá-Lo, dorme!… Vamos, vamos despertar o universo!”

São numerosos os que procuram Mariam para consolo, conselhos, para que reze pelas suas intenções, partem iluminados e fortificados com este encontro.

A fundação do Carmelo de Belém

Pouco depois de seu regresso de Mangalore, ela começa a falar da fundação de um Carmelo em Belém. Os obstáculos são numerosos, mas dissipam-se progressivamente, incluso de maneira inesperada. Por fim a autorização é dada por Roma e a 20 de Agosto de 1875 um pequeno grupo de carmelitas embarca para esta aventura.

O Senhor mesmo guia Mariam na escolha do local e na forma de construção de novo Carmelo. Como ela é a única que fala árabe, encarrega-se particularmente de seguir os trabalhos, “imersa na areia e na cal”. A comunidade instalar-se-á no dia 21 de Novembro de 1876, enquanto que certos trabalhos continuam.

Prepara também a fundação de um Carmelo em Nazaré, viajando até lá para comprar o terreno, em Agosto de 1878.

Durante essa viagem é lhe revelado por Deus o lugar de Emaús. Ela pede a ajuda de Berthe Dartigaux (uma benfeitora de grande riqueza) para comprá-lo para o Carmelo.

De volta a Belém, retoma a vigilância dos trabalhos debaixo de um calor sufocante. Quando leva algo para beber aos trabalhadores, Mariam cai de uma escada e fratura um braço. Infelizmente, é uma fratura exposta, que causa-lhe uma terrível infecção.

A gangrena vai avançar muito rapidamente e morre poucos dias depois, a 26 de agosto de 1878, aos 32 anos.


Mariam Baouardy é mais um dos grandes luzeiros de nossa Ordem. Nós, carmelitas, aproveitando este ano de sua canonização, procuremos ler e aprofundar sua maravilhosa e santa vida. Existe para venda um livro muito bom que narra com mais detalhes a vida da santa: “Mariam, a carismática”, que pode ser adquirido em lojas católicas. 
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