sábado, 11 de julho de 2009

“Meu Amado, as montanhas”: João da Cruz e a Criação


Texto publicado anteriormente e agora para nos dar uma mostrinha do que o nosso premiado pode nos ajudar a conhecer de São João da Cruz

Carlos Frederico Barboza de Souza *

fredbarb@uol.com.br

João da Cruz é um santo pouco compreendido por muita gente. Normalmente se associa a sua pessoa com textos difíceis – e o são, embora isto não queira dizer que não possam e não devam ser lidos, ou mesmo adaptados para facilitar sua compreensão. Outros o têm como o doutor do Nada apenas, insistindo na leitura de sua obra exclusivamente a partir de uma visão ascética, esquecendo-se de que ele também é o doutor do Tudo. E aliado a este tipo de leitura de seus escritos, se somam narrativas acerca de sua história de vida que reproduzem uma imagem de um João da Cruz duro, rígido e distante das realidades humanas. E assim, perdem-se de vista dimensões ricas e muito humanas de sua personalidade, que podem ser encontradas no seu relacionamento com sua mãe e irmão, com seus confrades e monjas, com seus orientandos espirituais, com sua dedicação ao trabalho manual, ao serviço às pessoas, aos doentes, etc.

Esta concepção que foge ao que João da Cruz realmente foi, também se aplica acerca de sua compreensão da natureza e da Criação. Quem resume bem isto foi Teillard de Chardin que, em seu diário, escreve: “Alguns [João da Cruz e outros] estimam que o Mundo é um alimento esgotado e concluem que Deus se dá a si mesmo em substituição. [...] Fechemos nossas janelas ao Mundo e a luz divina brilhará em nós”. [1] Como Teillard de Chardin, muitos leram a obra joãocruciana nesta perspectiva, entendendo que sua busca de desapego e união com Deus possuía também uma concepção negativa do cosmo. Porém, em época de grave crise ecológica, a discussão sobre o respeito à natureza tem-se tornado algo de importância fundamental. A obra de João da Cruz poderia nos ajudar neste debate? Ou sua concepção reforçaria uma visão de que a natureza deve apenas servir aos interesses humanos?

Os termos “criação”, “Criador” e “criaturas” aparecem muitas vezes na obra joãocruciana, [2] assim como a palavra “mundo”. [3] Apontam para a importância desta temática em seus escritos, que retratam, por sua vez, a positividade da criação em sua vida e espiritualidade. Em sua concepção, a criação é compreendida como “obra de Deus” e “rastro de sua formosura”.

O primeiro texto a apresentar estas suas idéias são seus “Romances Trinitários e Cristológicos”. Neles, a criação é apresentada como obra divina, fruto de seu amor, e sua função seria a de se tornar um “palácio para a esposa” o qual em “dois aposentos, alto e baixo dividia”. [4] O aposento de baixo é a terra, espaço da multiplicidade, de “diferenças infinitas”; o aposento do alto é a morada dos anjos. Sendo a esposa a humanidade dada pelo Pai ao Filho, neste local Ele com ela se encontraria, permitindo-lhe participar de sua vida e da vida trinitária. [5]

A criação é este palácio para a esposa porque é reflexo de Deus, que deixou nela sua marca e dignidade, pois “as criaturas são, na verdade, como um rastro da passagem de Deus, em que se vislumbram sua magnificência, poder, sabedoria, e outras virtudes divinas”. [6] E são, portanto, junto com o autoconhecimento, um “caminho para Deus”. [7]

Porém, se Deus se mostra na criação, está também oculto em seu mais íntimo ser, ou seja, Ele também, com sua presença íntima, é o responsável por manter na existência todo o criado. E esta realidade aponta para uma dupla disposição do Ser divino: Ele é imanente e também transcendente, pois escapa sempre a qualquer apreensão que lhe esgote o ser. Quanto mais a fundo se conhece a criação, mais se conhece seu Criador e, ao mesmo tempo, mais se percebe que Ele transcende todo criado. Assim, Ele é percebido como presença, mas também como ausência, pois quanto mais profunda é a experiência com as criaturas, mais se tem consciência de que o que a pessoa busca não será satisfeito por meio de nenhuma delas. Daí que esta experiência produz uma “ferida de amor” ou uma “chaga”, lançando o fiel mais fortemente em sua busca por Deus.

Desta forma, a acolhida da criação na vida mística é pedagógica e necessária, pois por meio dela se experimenta com mais força o vazio do próprio ser e do cosmo quando colocados em relação a Deus. Vazio este ambíguo, pois é sinal forte da imanência divina escondida desconcertantemente no mais “profundo centro” da pessoa e de toda criação. Entretanto, este mesmo vazio abre o ser humano para acolher a Deus.

Portanto, há “uma distância infinita entre o ser divino e o ser das criaturas”. [8] Assim, embora em certo sentido elas sirvam para uma aproximação a Deus, noutro deve-se viver o desprendimento diante delas. Por isso, João da Cruz insiste freqüentemente na necessidade de se “sair de todas as coisas” para se lançar em Deus: “Não fala tanto de rechaçá-las ou repudiá-las. O peso recai mais no aspecto positivo de lançamento na direção de Deus que no fato de abandonar as coisas”. [9] A questão maior não está na negatividade das criaturas, mas no apego humano a elas, ou seja, na postura diante delas. Portanto, “não são as coisas deste mundo que ocupam a alma nem a prejudicam, pois lhe são exteriores, mas somente a vontade e o apetite que nela estão presentes e a inclinam para estes mesmos bens”. [10]

Frente a este tipo de vontade, necessita-se de um processo de purificação com vistas à conquista da liberdade, pois “estando apegado pela vontade, nada possui; antes, por todas as coisas é possuído e o seu coração como cativo sofre”. [11] E desta liberdade lhe advém vários frutos. [12] Vai lhe propiciar um “coração livre para Deus” [13] que permitirá um conhecimento mais profundo das criaturas e uma relação mais rica e humanizada com elas, capaz de abrir a novas e inusitadas formas de recepção das manifestações divinas, ao mesmo tempo em que se experimenta a unidade e harmonia com que toda a criação se movimenta em Deus.

Portanto, o desapego e a purificação em relação aos seres criados não são as palavras finais no caminho místico, pois eles serão reencontrados sob um novo prisma após este processo purificativo, tendo manifestas “as belezas próprias de cada um deles, bem como suas virtudes, encantos e graças e a raiz de sua duração e vida”. [14] E habitando este estado de liberdade, pode-se afirmar: “Meu Amado, as montanhas / os vales solitários, nemorosos / as ilhas mais estranhas / os rios rumorosos / e o sussurro dos ares amorosos / a noite sossegada / quase aos levantes do raiar da aurora / a música calada / a solidão sonora / a ceia que recreia e enamora”. [15]

Neste sentido, em relação à criação, pode-se compreender em três grandes etapas a estrutura do caminho espiritual conforme compreendido por João da Cruz: “1º) Revelação da formosura de Deus, manifestada nos seres da criação. 2º) A purificação da criatura para perceber esta formosura e acolher o convite que o Pai faz ao Filho à comunhão com ele. 3º) O reencontro com Deus e com a criação, saída de suas mãos e chamada a voltar a elas”. [16] Nesta última etapa se conhece “as criaturas por Deus e não a Deus pelas criaturas”, [17] revelando, assim, toda a riqueza do cosmo no processo de encontro místico com o Divino. Abrir-se às suas manifestações e evitar toda forma de dualismos que excluem a criação divina da experiência espiritual é um rumo certo para uma experiência rica e humanizante do encontro com Deus.

SIGLAS

CB – Cântico espiritual, segunda redação.

R – Romances Trinitários e Cristológicos.

ChB – Chama viva de amor, segunda redação.

S – Subida do monte Carmelo. A numeração romana antes da letra ‘S’ indica o número do livro que compõe esta obra de três volumes. E a numeração após a letra, indica o capítulo e a subdivisão do mesmo.


* Membro da OCDS em Belo Horizonte, MG.

[1] TEILLARD DE CHARDIN. Apud. Francis Kelly NEMECK. Receptividad, p. 19.

[2] Cf. ASTIGARRAGA et alii. Concordáncias de los escritos de San Juan de la Cruz, p. 452-462.

[3] Cf. Ibid., p. 1233-1236.

[4] R 4.

[5] R 3.

[6] CB 5,3.

[7] Cf. CB 4,1.

[8] II S 8,3.

[9] Francis Kelly NEMECK. Receptividad, p. 41-42.

[10] I S 3,4.

[11] III S 20,3.

[12] Cf. III S 20,2.

[13] III S 20,4.

[14] ChB 4,5.

[15] CB14-15.

[16] Ciro GARCIA. Creación. Eulogio PACHO (ed). Diccionario de San Juan de la Cruz, p. 350.

[17] ChB 4,5.

NOTICIAS DE NOSSO DOUTOR




A tese de doutorado de Frederico Barbosa, nosso querido Fred, que foi também nosso primeiro provincial foi escolhida como melhor tese de Teologia e Ciencias da Religião do Brasil (pela SOTER-É A SOCIEDADE DE TEOLOGIA E CIENCIAS DA RELIGIÃO DO BRASIL) e como premio ela será publicada pelas Paulinas .

PARABÉNS FREDERICO, POR MAIS ESSA VITORIA!
conte com as orações de toda nossa provincia OCDS.

FELIZ ANIVERSARIO FREI AFONSO


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Liturgia - 11 de julho - SÃO BENTO, Abade





Cor litúrgica: Branco

Ofício da memória
Laudes:Liturgia ds horas: 1416-1735-880
Oração das Horas: 1289-1571-932
I Vésperas :Liturgia das Horas: 890
Oração das Horas: 940

Leituras: Gn 49,29-32;50,15-26a - Sl 104(105) – MT 10,24-33
“Quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus.”
A insistência de Jesus para que fossem corajosos se fazia necessária, pois igual sorte caberia aos seus seguidores.

São Bento,
Abade

Bento nasceu em Núrsia, não muito longe de Roma, em 480, seus pais de nobre linhagem, o enviaram para Cidade Eterna, a fim de que se formasse nas ciências liberais, visando uma boa colocação na magistratura. O Império Romano estava esfacelando-se frete à pressão dos invasores bárbaros.O último imperador Rômulo Augístulo entregou o comando da Itália a Odoacro, rei dos hérulos, em 476. O ambiente romano era leviano e frívolo demais para o jovem estudante Bento que, aspirando a idéias superiores, acabou se desgostando. Retirou-se às montanha da Úmbria e, imitando o exemplo de outros eremitas, escolheu uma gruta quase inacessível num penhasco chamado Subiaco, a fim de entregar-se à oração, à meditação e à ascese cristã. Outro eremita, de vez em quando lhe fazia descer num cesto um pouco de pão para completar a pouca alimentação. Não existiam ainda, na Itália, instituições monásticas, ao contrário do Oriente, onde, onde já havia uma tradição a respeito. Os mosteiros fundados por Santo Honorato e Santo Cassiano um século antes na França eram pouco conhecidos na Itália. Bento sentiu-se inspirado em fazer a sua experiência eremítica e monástica. Ficou três anos na solidão daquela gruta; sua experiência aos poucos, contagiou outros jovens desejosos de cultivar os valores espirituais. Entre os primeiros discípulos, contam-se São Mauro e São Plácido. A experiência de São Bento foi amadurecendo com o estudo das Regras monásticas de São Pacômio e de São Basílio, procurando assimilar o que havia de melhor e adaptando-o ao espírito romano. Aos 40 anos de idade, não encontrando mais condições de sossego, por interferências estranhas, Bento deixa subiaco, ruma para o sul de Roma. e constrói o famoso mosteiro de Monte Cassino, considerado o centro propulsor da vida beneditina em todos os tempos. No cume de um monte, este mosteiro devia realizar o ideal de vida consagrada: não em cenóbios em que o monge vive sozinho, exposto a perigos e ilusões de isolamento religioso, mas em vida comunitária sob a direção de um mestre espiritual, o abade (abbas=pai) num mosteiro auto suficiente. A expansão que alcançou esta iniciativa monástica foi impressionante. Duzentos anos mais tarde, a Regra Beneditina vigorava em toda a Europa eliminando praticamente todas as demais formas de vida consagrada. Este sucesso não foi casual, mas inerente ao equilíbrio e sensatez da Regra. Pois o fim da Regra de São Bento era formar cristãos perfeitos, seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo, mediante a prática dos mandamentos e conselhos evangélicos. Essa perfeição, pensava o santo, era mais fácil de ser atingida na vida comunitária do que na solidão. Neste sentido, a Regra de São Bento marca um claro progresso em relação à regra individual, eremítica ou cenobítica. Outro precioso fator era o equilíbrio e a moderação. A Regra devia ser possível a todos e adaptável à capacidade de cada um, de modo que os fortes, possam desejar mais e os fracos não se sintam desencorajados. Nela há uma dosagem equilibrada de entre trabalho manual e tempo de repouso, de oração e estudo. ORA ET LABORA, “oração e trabalho”, era seu lema: oração transformada em trabalho e trabalho em oração, pela fé e obediência. O convívio fraterno completa o equilíbrio psicológico. Os mosteiros beneditinos se tornaram na Idade Média centros de civilização integral, faróis de evangelização e ciência, escolas de agricultura. Deram à Igreja inúmeros homens de grande ciência e santidade. Das fileiras beneditinas saíram 23 papas, cinco mil bispos e os santos canonizados são cerca de três mil. A poucos quilômetros de Monte Cassino, Santa Escolástica, irmã de São Bento, adotou a Regra para as mulheres, dando origem às monjas beneditinas. São Bento faleceu em Monte Cassino em 547 no dia 21 de março, com 67 anos de idade. Sua figura histórica agigantou-se cada vez mais, encontrando rápida ressonância na literatura, na arte e, sobretudo, na vida religiosa consagrada. A Igreja o reconhece como o padroeiro da Europa. Antiga tradição beneditina colocou sua festa no dia 11 de julho com o nome “Patrocínio”.


Medalha e Oração de São Bento



A medalha de São Bento não é um "amuleto da sorte". Trata-se de um sacramental, isto é, um sinal visível de nossa fé. O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, com conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc. Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica. Todo Cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois, é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja ; provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos. O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede, também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento e São José são padroeiros da boa morte. Para se ficar livre das ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres religiosos: Oração, Missa dominical, recepção dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus. Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados.Na frente da medalha (veja foto) são apresentados uma cruz e entre seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti - "Cruz do Santo Pai Bento". Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux - "A cruz sagrada seja minha luz". Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux - "Não seja o dragão meu guia". No alto da cruz está gravada a palavra PAX ("Paz"), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S. À partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana - "Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!" e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas - "É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!."


Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS - IN - OBITU - NRO - PRAESENTIA - MUNIAMUR - "Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte". É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.


“Os apetites entibiam e enfraquecem a alma, tirando-lhe a força de progredir e perseverar na virtude.”
São João da Cruz – 1S 10,1

Cartas de Santa Teresa de Jesus em 11

1576 – C 107 – À Madre Maria de S. José, de Sevilla – A Santa fica em Toledo. D. Lorenzo e sua filha a caminho de Ávila. Assuntos das Descalças de Sevilla e da Reforma.

1571 – C 193 – À Madre Maria de S. José, Priora de Sevilla – Partilha os sofrimentos da comunidade de Sevilla. Admissão de algumas postulantes. Alegria que lhe causam os cocos enviados pela Madre Priora. Torna a falar sobre as aspirantes ao hábito. Recomendações.


Ó Maria, Rainha do Carmelo,
hoje consagro-me a ti, pois a minha vida
é como um pequeno tributo em troca
de tantas graças e benefícios recebidos
de Deus pelas tuas mãos.

E, porque olhas com particular benevolência
para os que levam o teu Escapulário,
peço-te que com a tua fortaleza sustenhas a minha fragilidade,
com a tua sabedoria ilumines as trevas da minha mente
e me aumentes a fé, a esperança e a caridade,
para que cada dia possa, humildemente,
prestar-te a minha homenagem.

Que o santo Escapulário atraia sobre mim
o teu olhar misericordioso,
seja para mim sinal da tua particular protecção
nas lutas de cada dia e me recorde constantemente
o dever de pensar em ti e revestir-me
com as tuas virtudes.

De hoje em diante,
esforçar-me-ei por viver em íntima união contigo,
oferecer tudo a Jesus por teu intermédio e converter
a minha vida em imagem da tua humildade,
paciência, mansidão e espírito de oração.

Ó Mãe amável do Carmo,
sustém-me com o teu amor,
a fim de que um dia me seja permitido
mudar o teu Escapulário pelo eterno vestido nupcial
e habitar contigo e com todos os santos
no reino de Cristo, teu Filho.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Liturgia - 10 de julho - 6a-FEIRA DA 14a. SEMANA DO TEMPO COMUM





Cor litúrgica: Verde

Ofício do dia de semana
Liturgia das Horas: 859
Oração das Horas: 918

Leituras: Gn 46,1-7.28-30 – Sl 36(37) – MT 10,16-23
“Guardai-vos dos homens: eles vos entregarão aos sinédrios e vos flagelarão em suas sinagogas.”
Um discípulo de Jesus tem como tarefa testemunhar o Mestre na pobreza, na simplicidade, na humildade, com toda a coragem e clareza, em todas as circunstâncias.


“Podemos aplicar aqui a passagem dos Provérbios: “Como na água resplandece o rosto dos que nela se miram, assim os corações dos homens são descobertos aos prudentes” (PR 27,19), isto é, aos que possuem a sabedoria dos santos, denominada, pela Sagrada Escritura, prudência.”
São João da Cruz – 2S 26,13

“Numa certa ocasião, estando sozinha, sem ninguém com quem falar, sem poder rezar nem ler, e estando espantada de tantas tribulações e cheia de temores de que o demônio me enganasse, fiquei toda ansiosa e cansada, sem saber o que fazer de mim.”
Santa Teresa de Jesus – V 25,17

Carta de Santa Teresa de Jesus em 10

1575 – C 82 – A Antonio Gaytán, em Alba – Boa disposição do Arcebispo para ajudar as Descalças. Fundação de Caravaca. Recomendações a várias pessoas de Alba.

SANTO DO DIA

Santa Verônica Giuliani,
Virgem


Neste dia, celebramos Santa Verônica Giuliani, cujo nome de batismo era Úrsula Giuliani, que nasceu em Merccatello, perto de Urbino, no ano de 1660. Era a sétima filha do casal Francisco e Benedita Giuliani. Verônica ou Úrsula entrou para as irmãs clarissas aos dezessete anos de idade, na cidade de Castelo. No ano de 1697, lemos em seu diário - na sexta-feira santa, de madrugada, eu estava em oração..."Deus fez penetrar em minha alma a graça ao dar-me os sinais e as dores que o Verbo Divino havia sofrido pela minha redenção. Sentia em meu coração uma dor morta.l" Assim descreve a recepção dos estigmas: "Eu vi sair de suas santas chagas cinco raios resplandecentes, e todos vieram perto de mim... Em quatro estavam os pregos, e no outro estava a lança, como de ouro, toda candente e me passou o coração de fora a fora. Quando vi estes estigmas exteriores - confia Santa Verônica ao seu diário "chorei muito e roguei ao Senhor que se dignasse escondê-los aos olhos de todos meu desejo foi ouvido, vivendo em reclusão total por toda a vida." Após a sua morte, ocorrida na cidade de Castelo no ano de 1727, numa sexta-feira, após 33 dias de doença, sobre seu corpo, que mostrava ainda as feridas da paixão, foi feita a autópsia e os médicos reconheceram que o coração realmente estava transpassado de fora a fora. Mas as finas páginas de seu diário, escritas durante mais de trinta anos e publicadas, formaram 44 volumes, enriqueceu a nossa literatura.


Seu corpo permanece intacto.









quarta-feira, 8 de julho de 2009

Liturgia - 09 de julho - SANTA PAULINA DO CORAÇÃO AGONIZANTE DE JESUS, Virgem






Cor litúrgica: Branco

Ofício da memória
Liturgia das Horas: 1667- 841
Oração das Horas: 1539-906

Leituras: Gn 44,18-21.23b-29;45,1-5
“Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos,
expulsai os demônios.”
Devemos nos entregar a Cristo, no qual nasce e para o qual converge todo o sentido de nossa vida.





Amábile Lúcia Visintainer, hoje Santa Madre Paulina, nasceu aos 16 de dezembro de 1865, em Vigolo Vattaro, Província de Trento, Itália, naquele tempo região Sul-Tirol, sujeita à Áustria. Os pais, como toda a gente do lugar, eram ótimos cristãos, mas pobres. Em setembro de 1875, a família de Napoleone Visintainer emigrou com muitos outros trentinos para o Brasil e no Estado de Santa Catarina, no atual município de Nova Trento, deram início à localidade de Vígolo. Amábile, depois da primeira comunhão, recebida mais ou menos aos 12 anos, começou a participar no apostolado paroquial: Catecismo aos pequenos, visitas aos Doentes e limpeza da Capela de Vigolo. No dia 12 de julho de 1890, junto com a amiga Virgínia Rosa Nicolodi, Amábile acolheu uma doente de câncer em fase terminal, dando início à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, aprovada pelo Bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros, aos 25 de agosto de 1895. Em dezembro de 1895, Amábile e as duas primeiras companheiras (Virgínia e Teresa Anna Maule) fizeram os votos religiosos; e Amábile recebeu o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. A santidade e a vida apostólica de Madre Paulina e de suas Irmãs atraíram muitas vocações, apesar da pobreza e das dificuldades em que viviam. Em 1903, Madre Paulina foi eleita Superiora Geral por toda a vida pelas Irmãs da nascente congregação. Deixou Nova Trento e estabeleceu-se em São Paulo, no Bairro Ipiranga, onde se ocupou de crianças órfãs, filhos dos ex-escravos e dos escravos idosos e abandonados. Em 1909, foi deposta do cargo de Superiora Geral pelo Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, e enviada a trabalhar com os doentes da Santa Casa e os velhinhos do Asilo São Vicente de Paulo, em Bragança Paulista, sem poder nunca mais ocupar algum cargo na sua Congregação. Foram anos marcados pela oração, pelo trabalho e pelo sofrimento: tudo feito e aceito para que a Congregação das Irmãzinhas fosse adiante e “Nosso Senhor fosse conhecido, amado e adorado por todos em todo o mundo”.



“Oh! Quem pudera fazer compreender, amar e praticar tudo o que encerra este conselho dado pelo Salvador sobre a renúncia de si mesmo, para os espirituais aprenderem como devem andar nesse caminho de modo bem diferente do que muitos pensam!”
São João da Cruz – 2S 7,5

“Éramos cinco irmãs, contando comigo, e uma irmã que há dias me acompanhava: é tão grande serva de Deus, e discreta, que pode me ajudar mais do que as do coro. Naquela noite, pouco dormimos; se bem que – como digo – o caminho tivesse sido trabalhoso por causa da chuva.”
Santa Teresa de Jesus – F 29,10




08/07/2009 - CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DA SERVA DE DEUS MARIA IMACULADA DA SANTÍSSIMA TRINDADE



CONHECENDO MELHOR A SERVA DE DEUS

Aqueles que ouvem falar da Madre Maria Imaculada, pela primeira vez, certamente desejam conhecer melhor esta mulher que soube enfrentar, com heroicidade, o cotidiano da vida. Esta Carmelita Descalça – que em seus longos anos de Fundadora, Priora e Mestra, ou simplesmente como uma monja carmelita – nos momentos mais difíceis, não se desesperou e, sim, se abriu à fortaleza do Espírito Santo.
Esta carmelita que, apesar de sua vida oculta pelos muros do claustro, tornou-se conhecida em toda a cidade de Pouso Alegre e em outras regiões, porque dela emanava uma grande força, uma sabedoria de quem soube aprofundar as verdades evangélicas!...
Todos aqueles que conheceram Madre Maria Imaculada são unânimes em afirmar que seu rosto sereno tinha uma expressão de amor, de bondade e paz.
No entanto, sabemos que, por temperamento, era uma pessoa enérgica, exigente e determinada. Com o decorrer dos anos, porém, diante dos difíceis acontecimentos da vida, meditados nas longas horas de oração, diante do sacrário, foi-se transformando... E seu rosto passou a refletir a beleza de uma alma justa, entregue ao Senhor, num total abandono à sua Vontade.
A partir de então, era impressionante a sua calma, a humildade de coração, sua união com Deus, cuja presença deixava transparecer. E isto, não de modo sentimental, mas de maneira objetiva, na vivência da caridade. E, sem caridade, ninguém é santo.
Sobre ela, foi publicada uma biografia, em 2004, intitulada: “Uma vida a serviço de Deus”, escrita por uma de suas filhas carmelitas, cuja edição está esgotada. Mas já se providencia uma nova edição atualizada.

CRONOLOGIA DA VIDA DE MADRE MARIA IMACULADA DA SANTÍSSIMA TRINDADE, OCD
Nasceu aos 08/07/1909, recebendo na pia batismal, a 12 de agosto, o nome de Maria Giselda Villela.
Ingressou no Carmelo de Santa Teresinha, em Campinas (SP), a 29/11/1930, recebendo aí, o santo Hábito de Nossa Senhora do Carmo, aos 12/04/1931. Fez sua Primeira Profissão aos 13/04/1932 e, os Votos Solenes, aos 13/04/1935. Tendo sido escolhida por Deus, veio para Pouso Alegre (MG), em 26/10/1943, como Fundadora do Carmelo da Sagrada Família.
Cumpridora fiel dos conselhos evangélicos e de seus votos religiosos, viveu plenamente sua vida de Carmelita Descalça, deixando-nos um magnífico exemplo de fidelidade a Deus e de amor ao próximo.
Faleceu aos 20/01/1988.
Em vista do contínuo e espontâneo movimento de seus devotos junto ao seu túmulo, impelidos pela fama de santidade, a Ordem do Carmelo solicitou, à Igreja, a abertura de sua Causa de Canonização.
Deste modo, em 30/09/2006, deu-se oficialmente a abertura do Processo de Canonização, pelo nosso Arcebispo, Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho, Opraem.
A Serva de Deus foi exumada, em 12/04/2007 e inumada em 15/04/2007.
Continua crescente o número de pessoas que visitam sua Capela Mortuária, para rezar junto aos seus veneráveis despojos e pedir graças por sua intercessão.



ORAÇÃO
(Com Autorização Eclesiástica)

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e, com todo o afeto do meu coração, dou-vos graças por terdes escolhido a Serva de Deus, Maria Imaculada da Santíssima Trindade (Mãezinha), para ser toda vossa no Carmelo.
Peço-vos que, se for da vossa vontade, ela seja brevemente canonizada.
Peço-vos também, por intercessão da Serva de Deus, conceder-me a seguinte graça (...)
[Rezar 3 Glórias ao Pai e 3 Ave-Marias]

Solicitamos àqueles que alcançarem graças por intercessão da Serva de Deus, Maria Imaculada da Santíssima Trindade, que comuniquem as mesmas ao:

Carmelo da Sagrada Família,
R: Com. José Garcia, 1307 – Cx.P 171
Pouso Alegre - MG.
Cep: 37550-000
Fone: (35) 3421-1103

Encíclica Caritas in veritate em cápsulas



Propostas do Papa para “civilizar” a economia

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 7 julho 2009 (ZENIT.org).- A encíclica Caritas in veritate, “sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade”, publicada por Bento XVI nesta terça-feira, apresenta propostas para “civilizar” a economia, em plena crise financeira.
A carta, dirigida pelo Papa “a todos os homens de boa vontade”, em suas 136 páginas atualiza a doutrina social da Igreja, em particular os ensinamentos das encíclicas Populorum Progressio, publicada por Paulo VI em 1967, e Sollicitudo rei socialis, de João Paulo II, publicada em 1988.
Apresentamos algumas das frases mais destacadas desta terceira encíclica do pontificado do Papa Joseph Ratzinger.
* * *
--Caridade sem verdade: "Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade." (n. 3)

--Caridade sem Deus: "Um cristianismo de caridade sem verdade pode ser facilmente confundido com uma reserva de bons sentimentos, úteis para a convivência social mas marginais. Deste modo, deixaria de haver verdadeira e propriamente lugar para Deus no mundo." (n. 4)

--A Igreja não faz política: "A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende ‘de modo algum imiscuir-se na política dos Estados’; mas tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação." (...) "Para a Igreja, esta missão ao serviço da verdade é irrenunciável". (n. 9)

--O progresso, uma vocação: "O progresso é, na sua origem e na sua essência, uma vocação: ‘Nos desígnios de Deus, cada homem é chamado a desenvolver-se, porque toda a vida é vocação’. É precisamente este fato que legitima a intervenção da Igreja nas problemáticas do desenvolvimento." (n. 16)

--A lição da crise: "A crise obriga-nos a projetar de novo o nosso caminho, a impor-nos regras novas e encontrar novas formas de empenhamento, a apostar em experiências positivas e rejeitar as negativas. Assim, a crise torna-se ocasião de discernimento e elaboração de nova planificação." (n. 21)

--Propriedade intelectual: "Existem formas excessivas de proteção do conhecimento por parte dos países ricos, através duma utilização demasiado rígida do direito de propriedade intelectual, especialmente no campo sanitário." (n. 22)

--Progresso integral: Não é suficiente progredir do ponto de vista econômico e tecnológico; é preciso que o desenvolvimento seja, antes de mais nada, verdadeiro e integral. A saída do atraso econômico — um dado em si mesmo positivo — não resolve a complexa problemática da promoção do homem." (n. 23)

--Precariedade no trabalho: "Quando se torna endêmica a incerteza sobre as condições de trabalho, resultante dos processos de mobilidade e desregulamentação, geram-se formas de instabilidade psicológica, com dificuldade a construir percursos coerentes na própria vida, incluindo o percurso rumo ao matrimônio. Consequência disto é o aparecimento de situações de degradação humana, além de desperdício de força social." (n. 25)

--O homem, primeiro capital: "Queria recordar a todos, sobretudo aos governantes que estão empenhados a dar um perfil renovado aos sistemas econômicos e sociais do mundo, que o primeiro capital a preservar e valorizar é o homem, a pessoa, na sua integridade." (n. 25)

--Luta contra a fome: "Eliminar a fome no mundo tornou-se, na era da globalização, também um objetivo a alcançar para preservar a paz e a subsistência da terra. A fome não depende tanto de uma escassez material, como sobretudo da escassez de recursos sociais, o mais importante dos quais é de natureza institucional." (n. 27)

--Vida e desenvolvimento: &quo t;A abertura à vida está no centro do verdadeiro desenvolvimento. Quando uma sociedade começa a negar e a suprimir a vida, acaba por deixar de encontrar as motivações e energias necessárias para trabalhar ao serviço do verdadeiro bem do homem." (n. 28)

--Desigualdades: "A dignidade da pessoa e as exigências da justiça requerem, sobretudo hoje, que as opções econômicas não façam aumentar, de forma excessiva e moralmente inaceitável, as diferenças de riqueza e que se continue a perseguir como prioritário o objetivo do acesso ao trabalho para todos." (n. 32)
--O mercado: "Sem formas internas de solidariedade e de confiança recíproca, o mercado não pode cumprir plenamente a própria função econômica. E, hoje, foi precisamente esta confiança que veio a faltar; e a perda da confiança é uma perda grave." (n. 35)
"A sociedade não tem que se proteger do mercado, como se o desenvolvimento deste implicasse ipso facto a morte das relações autenticamente humanas. É verdade que o mercado pode ser orientado de modo negativo, não porque isso esteja na sua natureza, mas porque uma certa ideologia pode dirigi-lo em tal sentido." (n. 36)

--Os pobres, uma riqueza: "Os pobres não devem ser considerados um ‘fardo’, mas um recurso, mesmo do ponto de vista estritamente econômico." (n. 35)

--Democracia econômica: "Na época da globalização, a atividade econômica não pode prescindir da gratuidade, que difunde e alimenta a solidariedade e a responsabilidade pela justiça e o bem comum em seus diversos sujeitos e atores. Trata-se, em última análise, de uma forma concreta e profunda de democracia econômica." (n. 38)

--A empresa: "Um dos riscos maiores é, sem dúvida, que a empresa preste contas quase exclusivamente a quem nela investe, acabando assim por reduzir a sua valência social." (n. 40)

--Especulação: "É preciso evitar que o motivo para o emprego dos recursos financeiros seja especulativo, cedendo à tentação de procurar apenas o lucro a breve prazo sem cuidar igualmente da sustentabilidade da empresa a longo prazo, do seu serviço concreto à economia real e duma adequada e oportuna promoção de iniciativas econômicas também nos países necessitados de desenvolvimento." (n. 40)

--Papel do Estado: "A economia integrada de nossos dias não elimina a função dos Estados, antes obriga os governos a uma colaboração recíproca mais intensa. Razões de sabedoria e prudência sugerem que não se proclame depressa demais o fim do Estado." (n. 41)

--Globalização: "A verdade da globalização enquanto processo e o seu critério ético fundamental provêm da unidade da família humana e do seu desenvolvimento no bem. Por isso é preciso empenhar-se sem cessar por favorecer uma orientação cultural personalista e comunitária, aberta à transcendência, do processo de integração mundial." (...) "A globalização a priori não é boa nem má. Será aquilo que as pessoas fizerem dela." (n. 42)

--Crescimento demográfico: "Considerar o aumento da população como a primeira causa do subdesenvolvimento é errado, inclusive do ponto de vista econômico." (n. 44)

--Família: "Torna-se uma necessidade social, e mesmo econômica, continuar a propor às novas gerações a beleza da família e do matrimônio, a correspondência de tais instituições às exigências mais profundas do coração e da dignidade da pessoa." (n. 44)

--Ética e economia: "A economia tem necessidade da ética para o seu correto funcionamento; não de uma ética qualquer, mas de uma ética amiga da pessoa." (n. 45)

--Cooperação internacional: "A cooperação internacional precisa de pessoas que partilhem o processo de desenvolvimento econômico e humano, através da solidariedade feita de presença, acompanhamento, formação e respeito. Sob este ponto de vista, os próprios organismos internacionais deveriam interrogar-se sob a real eficácia dos seus aparatos burocráticos e administrativos, frequentemente muito dispendiosos." (n. 47)

--Meio Ambiente: "A natureza está à nossa disposição, não como ‘um monte de lixo espalhado ao acaso’, mas como um dom do Criador que traçou os seus ordenamentos intrín secos dos quais o homem há de tirar as devidas orientações para a ‘guardar e cultivar’." (n. 48)

--Problemas energéticos: "O açambarcamento dos recursos energéticos não renováveis por parte de alguns Estados, grupos de poder e empresas constitui um grave impedimento para o desenvolvimento dos países pobres." (n. 49)

--Energias alternativas: "Atualmente, é possível melhorar a eficiência energética e fazer avançar a pesquisa de energias alternativas; mas é necessária também uma redistribuição mundial dos recursos energéticos, de modo que os próprios países desprovidos possam ter acesso aos mesmos. O seu destino não pode ser deixado nas mãos do primeiro a chegar nem estar sujeito à lógica do ma is forte." (n. 49)

--Solidariedade e educação: "Uma solidariedade mais ampla a nível internacional exprime-se, antes de mais nada, continuando a promover, mesmo em condições de crise econômica, maior acesso à educação, já que esta é condição essencial para a eficácia da própria cooperação internacional." (n. 61)

--O relativismo empobrece: "Para educar, é preciso saber quem é a pessoa humana, conhecer a sua natureza. A progressiva difusão de uma visão relativista desta coloca sérios problemas à educação, sobretudo à educação moral, prejudicando a sua extensão a nível universal. Cedendo a tal relativismo, ficam todos mais pobres." (n. 61)

--Imigrantes: "É certo que os trabalhadores estrangeiros, não obstante as dificuldades relacionadas com a sua integração, prestam com o seu trabalho uma contribuição significativa para o desenvolvimento econômico do país de acolhimento. (...) Todo o imigrante é uma pessoa humana e, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que hão de ser respeitados por todos em qualquer situação." (n. 62)

--Finanças: "O inteiro sistema financeiro deve ser orientado para dar apoio a um verdadeiro desenvolvimento. Sobretudo, é necessário que não se contrap onha o intuito de fazer o bem ao da efetiva capacidade de produzir bens. Os operadores das finanças devem redescobrir o fundamento ético próprio da sua atividade, para não abusarem de instrumentos sofisticados que possam atraiçoar os aforradores." (n. 65)

--Microcrédito: "Também a experiência do micro-financiamento, que mergulha as próprias raízes na reflexão e nas obras dos humanistas civis (penso nomeadamente no nascimento dos montepios), há de ser revigorada e sistematizada, sobretudo nestes tempos em que os problemas financeiros podem tornar-se dramáticos para muitos sectores mais vulneráveis da população, que devem ser tutelados dos riscos de usura ou do desespero." (n. 65)

--Consumidores e associações: "Um papel mais incisivo dos consumidores, desde que não sejam eles próprios manipulados por associações não verdadeiramente representativas, é desejável como fator de democracia econômica." (n. 66)

--ONU: "Sente-se imenso a urgência de uma reforma quer da Organização das Nações Unidas quer da arquitetura econômica e financeira internacional, para que seja possível uma real concretização do conceito de família de nações." (n. 67)

--Autoridade política mundial: "Para o governo da economia mundial, para sanar as economias atingidas pela crise de modo a prevenir o agravamento da mesma e em consequência maiores desequilíbrios, para realizar um oportuno e integral desarmamento, a segurança alimentar e a paz , para garantir a salvaguarda do ambiente e para regulamentar os fluxos migratórios urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial." (n. 67)

--Os perigos da tecnologia: "A técnica apresenta-se com uma fisionomia ambígua. Nascida da criatividade humana como instrumento da liberdade da pessoa, pode ser entendida como elemento de liberdade absoluta; aquela liberdade que quer prescindir dos limites que as coisas trazem consigo. O processo de globalização poderia substituir as ideologias com a técnica." (n. 70)

--Meios de comunicação: "Dada a importância fundamental que têm na determinação de alterações no modo de ler e conhecer a realidade e a própria pessoa humana, torna-se necessária uma atenta reflexão sobr e a sua influência principalmente na dimensão ético-cultural da globalização e do desenvolvimento solidário dos povos." (n. 73)

--Bioética: "Hoje, um campo primário e crucial da luta cultural entre o absolutismo da técnica e a responsabilidade moral do homem é o da bioética, onde se joga radicalmente a própria possibilidade de um desenvolvimento humano integral. Trata-se de um âmbito delicadíssimo e decisivo, onde irrompe, com dramática intensidade, a questão fundamental de saber se o homem se produziu por si mesmo ou depende de Deus." (n. 74)

--Novas formas de escravidão: "As novas formas de escravidão da droga e o desespero em que caiem tantas pessoas têm uma explicação não só sociológica e psicológica, mas essencialmente espiritual. O vazio em que a alma se sente abandonada, embora no meio de tantas terapias para o corpo e para o psíquico, gera sofrimento. Não há desenvolvimento pleno nem bem comum universal sem o bem espiritual e moral das pessoas, consideradas na sua totalidade de alma e corpo." (n. 76)

--O desafio cristão: "O desenvolvimento tem necessidade de cristãos com os braços levantados para Deus em atitude de oração, cristãos movidos pela consciência de que o amor cheio de verdade – caritas in veritate –, do qual procede o desenvolvimento autêntico, não o produzimos nós, mas é-nos dado." (n. 79)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Liturgia - 08 de julho - 4a-FEIRA DA 14a. SEMANA DO TEMPO COMUM









Cor litúrgica: Verde

Ofício do dia de semana
Liturgia das Horas: 818
Oração das Horas: 891

Leituras: Gn 41,55-57;42,5-7a . 17-24 – Sl 32(33) – MT 10,1-7
“Jesus conferiu-lhes o poder de expulsar
os espírito imundos e de curar.”
Jesus ofereceu instruções pormenorizadas a respeito da missão dos Doze.

“Contentemo-nos com saber os mistérios e os dogmas na singeleza e verdade em que são propostas pela Santa Igreja.”
São João da Cruz – 2S 29,12

“Insisto tanto no aviso de evitar ocasiões de pecado porque o demônio tenta muito mais uma alma destas do que várias outras a quem o Senhor não tenha concedido essas graças. Isso porque as almas que as receberam podem causar-lhe grande prejuízo levando outras consigo e, provavelmente, beneficiando muito a Igreja de Deus. Basta, aliás, ao demônio ver Sua Majestade mostrar por uma alma amor particular para que tudo faça a fim de perdê-la.”
Santa Teresa de Jesus – 4 M 3,10

Carta de Santa Teresa de Jesus em 08


1581 – C 381 – Ao Licenciado D. Dionísio de La Peña, em Toledo – Havendo consultado Padre Alderete, insiste em opor-se à entrada da sobrinha do Cardeal nas descalças. Elogio do Padre Alderete.


SANTOS DO DIA





Aquila e Priscila


Santo Áquila e Santa Priscila moravam em Corinto e eram casados. Paulo encontrou-se com eles e ficou morando e trabalhando com o casal na fabricação de tendas. Eram originários do Ponto, e foram para Corinto quando os hebreus foram expulsos de Roma por Cláudio (41-54). Em Actos dos Apóstolos 18, temos a informação que Aquila e Priscila acompanharam Paulo de Éfeso e ali instruiram na fé em Jesus Cristo. Arriscaram a própria vida para salvar São Paulo, conforme está escrito na Epistola aos Romanos 16,3s.: "Saudai Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, que para salvar minha vida expuseram suas cabeças. Não somente eu lhes devo gratidão, mas também todas as igrejas da gentilidade. Saudai também a Igreja que se reúne em sua casa."




Rainha dos Mártires



segunda-feira, 6 de julho de 2009

Liturgia - 07 de julho - 3a-FEIRA DA 14a. SEMANA DO TEMPO COMUM




Cor litúrgica: Verde

Ofício do dia de semana
Liturgia das Horas: 798
Oração das Horas: 877

Leituras: Gn 32,23-33 – Sl 16(17) – MT 9,32-38
“Ao ver a multidão, teve compaixão dela porque estava cansada e abatida
como ovelhas sem pastor.”
A falta de evangelização é uma condição global que tem conseqüências sociais e psicológicas

“Aquele que age pela razão é como o que come substância; e o que se move pelo gosto da vontade é como o que come fruta mole.”
São João da Cruz – D 44

“Assim, irmãs, praticai a oração mental; quem não puder faça oração vocal, leituras e colóquios com Deus, como depois direi.”
Santa Teresa de Jesus – C 18,4

Cartas de Santa Teresa de Jesus em 07


1579 – C 290 – Ao Padre Jerônimo Gracián, em Alcalá – Dá-lhe conta de sua chegada a Valladolid e de como encontrou em boas condições aquela casa. Não quer que vá Gracián a Roma. Elogio ao Padre Nicolas Doria. Muito espera para o bem da reforma, da união deste Padre com Gracián. A casa para as descalças de Salamanca. A filha do Licenciado Godoy. Visita das senhoras de Valladolid.

1582 – C 434 – À Irmã Leonor de la Misericordia, em Soria. Aconselha-a a tomar sem escrúpulos os alívios que lhe dão as religiosas, enquanto está com saúde delicada. O Cardeal Quiroga promete a licença de Fundar em Madrid quando o Rei chegar.


SANTO DO DIA

São Marcos Kitien Siang
e Companheiros, Mártires




De antiga família cristã convertida em 1650, irmão de um sacerdote, pai de família, culto, hábil médico, administrador da pequena comunidade cristã de Ye-Tcang-Ten, era universalmente estimado e amado pelos seus excelentes dotes e pela sua generosidade. Muito fiel às práticas religiosas, queria que todos o fossem na sua família. Tantas qualidades eram, porém, obscurecidas pelo vício do ópio. Resistiu, caiu, volta a resistir, recaiu muitas vezes, até que o ópio o dominou. Os missionários, no princípio, absolveram-no repetidas vezes, mas, por último, sendo grave o escândalo, proibiram-no de receber a comunhão. mart"Ah -exclamou -, tenho apenas uma esperança de salvação, sem o martírio não conseguirei encontrar a porta do paraíso." Esse comportamento, que se diria paradoxal, durou 30 anos. Na manhã de 7 de Julho de 1900, cerca de 200 boxers entraram na sua aldeia. Marcos e os seus, em número de 13 pessoas, refugiaram-se num cemitério local, mas foram traídos e levados presos para uma cidade vizinha, comparecendo diante do mandarim. Uma grande multidão de amigos e beneficiados imploravam para ele a graça de ser perdoado, mas esta só poderia ser-lhe concedida com a condição de renunciar à fé. Foi incitado pelos amigos para que o fizesse, para defender a vida e os seus. "O nosso cristianismo vai tão longe como a dinastia Ming, disse ele. Preferimos a morte à apostasia. Não podemos renegar a nossa fé". Não só não quis renunciar à fé, mas nem mesmo entregar, como uma simulação de apostasia, as medalhas e os escapulários que ele e seus familiares levavam. Dignamente agradeceu aos presentes, reafirmou a sua fé e a dos presentes, cantando a ladainha de Nossa Senhora. Num dos carros que o transportavam, o neto de 8 anos, Francisco, perguntou: "Para onde nos levam, avô?" O velho apontou para o céu e respondeu: "Voltamos para casa, meu menino." Chegando ao lugar do suplício, Marcos disse aos seus: "Meus filhos, não temais. O paraíso está aberto e próximo." Depois, pediu como favor ser decapitado em último lugar. Queria estar certo de que ninguém faltaria ao encontro no além. Por fim dobrou a sua cabeça diante da espada. Era o dia 7-7-1900. Marcos tinha 61 anos.


Comunidade Beata Elisabete da Trindade - Montes Claros-MG


BELAS NOTÍCIAS DO SERTÃO !!!

“Uma coisa bela será para sempre um motivo de alegria”

Foi com alegria e jubilo que no dia 19 de abril de 2009 a Associação das Comunidades da OCDS na Província de São José do Sudeste do Brasil, por meio do seu Delegado Provincial Frei Geraldo Afonso, deferiu a elevação do Grupo Beata Elisabete da Trindade para Comunidade Elisabete da Trindade. Como o salmista, não morreremos, mas viveremos para anunciar as obras do Senhor. Foi Ele que fez isto: maravilhas aos nossos olhos. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e alegremo-nos Nele. Assim, com o espírito de leigos e leigas que levam a mensagem carmelitana para seu cotidiano, somos suscitados a viver e difundir esta Boa Nova àqueles que necessitam.

Após o deferimento para Comunidade, na data de 10 de junho, o Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Dom José Alberto Moura, chancelado pelo Monsenhor José Osanan de Almeida Maia concedeu autorização para que a comunidade se estabeleça na arquidiocese como nova Fraternidade. Oportuno aqui lembrar que em um dos seus textos, a Beata Elisabete da SS. Trindade dizia: “Vejo assim minha vida de carmelita, sob esta dupla vocação: virgem-mãe. Virgem: desposada na fé por Cristo; Mãe: salvando almas, multiplicando os filhos adotivos do Pai, co-herdeiros de Jesus Cristo. Oh! Como isto dilata minha alma”.

Com todo empenho nossa Comunidade continuará multiplicando a mensagem carmelitana e trinitária da Beata Elisabete, fazendo da vida um cântico de louvor e glória. Como aquela adolescente que aos 15 anos, após a comunhão imprimiu em seu coração a palavra “Carmelo” e se tornou uma data ímpar e inesquecível em sua vida, este momento de “elevação” comunitária ratifique em nós leigos o compromisso de perseverança e de contempla-ação para construção e edificação de um mundo mais espiritual e com o som da harpa do salmista pedindo que mantenhamos o coração com Ele dia e noite sem cessar.

Agradecemos a todos que caminham o mesmo caminho da OCDS, as religiosas da OCD do Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI que comungam este espírito suscitado pela Santa Madre Teresa de Jesus e colocamo-nos sob o escudo e revestimento do manto Sagrado da Santíssima Virgem do Carmo.

Comunidade Beata Elisabete da Trindade, OCDS

domingo, 5 de julho de 2009

Liturgia - 06 de julho - SANTA MARIA GORETTI , Virgem e Mártir



Cor litúrgica: Vermelho

Ofício da memória
Liturgia das Horas: 1413-1601-779
Oração das Horas: 1289-1540-866

Leituras: Gn 28, 10-22ª – Sl 90(91) – Mt 9, 18-2

“Jesus disse: minha filha, a tua fé te salvou.”
Lendo atentamente a narrativa do Evangelho, observaremos que as ações de Jesus não eram planejadas e nem estavam programadas. Costumavam ser, sem dúvida, uma ocorrência diária no trabalho missionário, tanto no de Jesus como no nosso.


Maria Teresa Goretti, ou simplesmente Marieta, como seus familiares a chamavam, nasceu em Corinaldo, Ancona no ano 1890. Sua família obrigada pela necessidade havia emigrado para o inóspito Agro Pontino na localidade Ferrieri di Conca, a dez quilômetros de Netuno, pelos fins do século XIX. Eram camponeses acostumados aos duros trabalhos dos campos, enquanto Maria Goretti cuidava dos quatro irmãozinhos mais novos do que ela. Seu Pai morreu quando ela tinha apenas dez anos e sua mãe Dona Assunta, para ganhar o sustento da família, ficava o dia inteiro no trabalho do campo e Maria Goretti não podia estudar, apenas quando podia, corria ate à longínqua igreja para aprender o catecismo, e desta forma conseguiu fazer primeira comunhão. Numa manhã, quando sua mãe Assunta partiu para o trabalho, deixando Maria Goretti com a irmã menor (que mais tarde entrou para a vida religiosa entre as franciscanas missionárias da Imaculada) o jovem Alexandre Serenelli que já havia sido rejeitado por parte da menina, assassinou-a com vários golpes de punhal Ela morreu, pronunciando perdão para o assassino, no dia 06 de Julho de 1904. Condenado aos trabalhos forçados, Alexandre Serenelli passou 47 anos na prisão. No ano de 1910 ele disse ter tido uma visão da pequena mártir e desde aquele momento sua vida mudou e dizia que Maria Goretti era seu anjo protetor. A jovem que não se deixou contaminar pela doença do pecado, foi solenemente canonizada pelo Papa Pio XII no dia 24 de Junho de 1950, tendo sido assistida por sua mãe Dona Assunta e os Irmãos.


Santa Maria Goretti, valei-nos com vossa misericórdia. Perdoai nosso pecado e recriai em nós um espírito novo. Amém.


“Podemos também entender por estas formosas grinaldas, as que por outro nome se chamam auréolas, de lindas e níveas flores, que são todas as almas virgens, cada uma com a sua auréola de virgindade, as quais, unidas juntamente, serão uma só auréola para coroar o Esposo Cristo.”
São João da Cruz – C 30,7


“Como via os martírios que as santas passavam por Deus, parecia-me que pagavam muito pouco o gozo de Deus, e eu desejava muito morrer assim, não pelo amaor que achava ter por Ele, mas para gozar, tão cedo, dos grandes bens que lia haver no céu; e com meu irmão, discutia o meio que haveria para isso.”
Sant Teresa de Jesus – V 1,4


Cartas de Santa Teresa de Jesus em 06

1582 – C 433 – À Madre Maria de S. José, Priora de Sevilla – Pesar que tem por tantos morrerem de peste em Sevilla. Frei Bartolomé fora de perigo. Aprova a forma de envio das Monjas que foram a Granada. A casa de Burgos fica muito “boa e muito assentada, e tudo pago, e tudo pago.” Teresa, sua sobrinha, “muito santinha e com muitos desejos de ver-se já professa.”

1568 – C 13 – A D. Álvaro de Mendonza – Alegria com que espera a ida de D. Álvaro de Ávila. Reza do saltério. Garcia de Toledo, mestre de noviços. Suplica atender bem a Julián de Ávila.




sábado, 4 de julho de 2009

Liturgia - 05 de julho - 14o. DOMINGO DO TEMPO COMUM






Cor litúrgica: Verde

Ofício dominical comum
II Semana do Saltério
Liturgia das Horas
: 759
Oração das Horas: 853

Leituras: Ez 2,2-5 – Sl 122(123) – 2Cor 12,7-10 – Mc 6,1-6
“Jesus admirou-se da incredulidade do povo.”
Sem a fé não se pode falar em milagre, o milagre é uma resposta e, ao mesmo tempo, um apelo de fé.

“A liberdade de espírito, tão necessária para o serviço de Deus, e com a qual se vencem facilmente as tentações, sofrendo com coragem os trabalhos e aumentando os progressos nas virtudes.”
São João da Cruz- 3S 23,6

Carta de Sant Teresa de Jesus em 05

1577 – C 194 – Ao Licenciado Gaspar de Villanueva, em Malagón – As irmãs Beatriz e Ana de Jesus. A comunicação com as monjas seja pouca. Falta de sinceridade entre o Licenciado e a Presidente.


SANTO DO DIA





Santo Antonio Maria Zacarias, Presbítero
(memória omitida hoje)




Nasceu em Cremona, por volta de 1502. Sua mãe tinha 18 anos quando ficou viúva. Embora rico, vestia-se com modéstia e escolheu a profissão de médico para ficar mais perto da gente humilde e servir o povo. Em 1528, com 26 anos, abandonou a medicina e fez-se sacerdote. Partiu para Milão e com a ajuda de dois amigos, Tiago Morigia e Bartolomeu Ferrari, fundou a congregação dos Clérigos Regulares de São Paulo. Os "Barnabitas", assim chamados porque residiam junto à igreja de São Barnabé, em Milão, obedeciam a uma Regra, professavam os votos religiosos aos quais se recomendava “servir sem recompensa e combater sem a garantia dos suprimentos.” Mas não se consideravam monges nem frades. O seu carisma específico era evangelizar e administrar os sacramentos, promovendo a reforma do clero e dos leigos. Com a ajuda de Luísa Torelli, Condessa de Guastalla, surgiu a congregação feminina das Angélicas, para a reforma dos mosteiros femininos. Santo António Maria Zacarias ajudou na preparação do Concílio de Trento, cuja influência ainda persiste na Igreja de nossos dias. Foi também promotor da devoção à Eucaristia e da adoração ao Santíssimo Sacramento. Morreu em 1539, aos 37 anos, na mesma casa onde tinha nascido, tendo a seu lado sua mãe.




Mãe da Divina Providência

Rogai por nós



sexta-feira, 3 de julho de 2009

Comentário ao Evangelho do dia feito por São João da Cruz : «O esposo está com eles»


Mateus 9,14-17.
Depois, foram ter com Ele os discípulos de João, dizendo: «Porque é que nós
e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?»
Jesus respondeu-lhes: «Porventura podem os convidados para as núpcias estar
tristes, enquanto o esposo está com eles? Porém, hão-de vir dias em que
lhes será tirado o esposo e, então, hão-de jejuar.»
«Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo puxa
parte do tecido e o rasgão torna-se maior.
Nem se deita vinho novo em odres velhos; de contrário, rompem-se os odres,
derrama-se o vinho e estragam-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em
odres novos; e, desta maneira, ambas as coisas se conservam.»


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

São João da Cruz (1542-1591), carmelita, Doutor da Igreja
A Chama Viva do Amor, str. 3, 6 (trad. OC, Cerf 1990, p. 1133 rev.)

«O esposo está com eles»

Uma pessoa que ama outra e que lhe faz bem ama-a e faz-lhe bem segundo as
suas qualidades, segundo as suas propriedades pessoais. É assim que age o
teu Esposo, que em ti reside enquanto omnipotente: ama-te e faz-te bem
segundo a Sua omnipotência.

Infinitamente sábio, Ele ama-te e faz-te bem segundo a extensão da Sua
sabedoria. Infinitamente bom, Ele ama-te e faz-te bem segundo a extensão da
Sua bondade. Infinitamente santo, Ele ama-te e faz-te bem segundo a
extensão da Sua santidade. Infinitamente justo, Ele ama-te e concede-te as
Suas graças segundo a extensão da Sua justiça. Infinitamente
misericordioso, clemente e compassivo, Ele faz-te experimentar a Sua
clemência e a Sua compaixão. Forte, delicado, sublime em Seu ser, Ele
ama-te de maneira forte, delicada e sublime. Infinitamente puro, ama-te
segundo a extensão da Sua pureza. Soberanamente verdadeiro, ama-te segundo
a extensão da Sua verdade.
Infinitamente generoso, ama-te e cumula-te de graças, segundo a extensão da
Sua generosidade, sem qualquer interesse pessoal e visando apenas fazer-te
bem. Soberaneamente humilde, ama-te com humildade soberana e com soberana
estima.

Eleva-te até Si, a ti Se descobre alegremente, com uma face cheia de graça,
nesta via dos conhecimentos que te dá. E tu ouve-Lo dizer-te: «Sou teu e
por ti; alegro-me por ser o que sou, a fim de Me dar a ti e de ser teu para
sempre.» Quem poderá exprimir o que sentes, alma bem-aventurada, vendo-te
amada a este ponto, vendo-te tida por Deus em semelhante estima?

Liturgia - 04 de julho - NOSSA SENHORA NO SÁBADO




Cor litúrgica: Branco

Ofício da memória de Nossa Senhora
Laudes: Liturgia das Horas: 1548-741
Oração das Horas: 1509-815-1262
I Vésperas: Liturgia das Horas: 402-749
Oração das Horas: 700-848
Leituras: Gn 27, 1-5.15-29 – Sl 134(135) – MT 9,14-17
“Controvérsia com os fariseus.”
Para conservar o mundo em constante vida nova é preciso assumir a novidade do Evangelho com todas as suas implicâncias e conseqüências.

“Andando a alma no trato e manuseio desses mistérios e segredos da fé, merecerá que o amor lhe descubra o que está encerrado na fé.”
São João da Cruz – C 1,11

“Quem ama discretamente, não cuida de pedir o que deseja ou lhe falta: basta-lhe mostrar sua necessidade para que o amado faça o que for servido. Assim procedeu a bendita Virgem com o amado Filho nas bodas de Cana: não lhe pediu diretamente o vinho, mas disse apenas: “Não tem vinho.” (Jô 2,3)
São João da Cruz – C 2,8

Cartas de Santa Teresa de Jesus em 04

1576 – C 109
– Às Descalças de Beas – Confiança em Deus para suportar a pobreza do Convento.

1580 – C 334 – À Madre Maria de S. José, Priora de Sevilla – Vida exemplar e santa morte de D. Lorenzo de Cepeda. Tudo passa neste mundo. Amor de D. Lorenzo á Reforma. Pagamentos. Conselhos acerca do procedimento de algumas religiosas. Fundação das Descalças em Portugal. Sobre a compra de umas casas em Salamanca.

SANTO DO DIA




Santa Isabel de Portugal
“A Rainha Santa”



"No Inverno de 1269/1270 nasceu na corte de Aragão uma princesinha, neta do poderoso rei Jaime I, o Conquistador, senhor de Aragão e da Catalunha, de Maiorca, de Montpellier e do condado do Russilhão. A pequena princesa era filha do infante D. Pedro, que iria subir ao trono como Pedro III, o Grande, e de D. Constança, filha de Manfredo da Sicília e neta do Imperador Frederico II da Alemanha. Pelos seus pais a infanta descendia de várias casas reais da Europa. E porque D. Pedro tinha uma tia, que Roma reconhecera como santa - Santa Isabel da Hungria - recebeu a princesa o nome de Isabel: Isabel de Aragão. Muito jovem ainda seria rainha de Portugal. A primeira infância passou-a com o seu avô, o rei D. Jaime, que a escolhera entre todos os outros netos. Era para ele "a melhor dona que sairia da casa de Aragão." Desde pequena a princesa parecia fadada para misteriosos destinos: nascera totalmente envolta por uma película, que sua mãe guardara numa caixa de prata que conservava nas suas arcas. Quando Isabel tinha cerca de 11 anos, reinava já seu pai, foi por ele acordado o casamento com o jovem rei de Portugal. As negociações foram longas. D. Dinis foi escolhido entre vários pretendentes. Custava a D. Pedro separar-se daquela filha. Assim pelo menos ela "sairia de sua casa como rainha". Morreu em Estremoz, com cerca de 66 anos, no dia 4 de Julho de 1336, de uma doença súbita surgida no momento em que se dirigia para a fronteira em missão de pacificação entre o filho, D. Afonso IV, e o neto, Afonso XI de Castela. Contra o parecer de todos, D. Afonso quis cumprir a vontade de sua mãe de ser sepultada no mosteiro de Santa Clara. A longa transladação fez-se sob o sol ardente de Julho e, para espanto de todos, apesar dos grandes calores que se faziam sentir, o ataúde exalava um perfume tão suave que "tão nobre odor nunca ninguém tinha visto", assim se lê na primeira biografia. Este texto, de natureza hagiográfica, procura demonstrar a santidade de D. Isabel de acordo com o paradigma das santas rainhas que se santificaram pelas virtudes da piedade, da caridade e da humildade. O autor anônimo recorda assim inúmeros atos de devoção e piedade cristã (jejuns, abstinências, vigílias e dádivas frequentes a mosteiros e igrejas) e exalta particularmente as virtudes da caridade e da misericórdia. E escreve: … e por qualquer lugar onde fosse não aparecia pobre que dela não recebesse esmola (…) E em cada quaresma fazia grandes esmolas a homens e a mulheres envergonhados; e no dia que se diz Ceia do Senhor lavava a certas mulheres pobres e leprosas os pés, e lhos beijava, e vestia-as e dava-lhes de calçar e contas por amor de Deus. Desta primeira biografia podem também inferir-se uma invulgar cultura - D. Isabel "lia muito bem em latim e em linguagem" -, conhecimentos médicos e também excepcionais capacidades administrativas e habilidade política, que os dois testamentos, as cartas pessoais e outras fontes testemunham. A sua intensa atividade diplomática e a sua intervenção pacificadora nos sucessivos conflitos abertos nas casas reais peninsulares, bem como a sua preocupação com a administração e jurisdição dos seus senhorios, puderam ser melhor conhecidas com a publicação do numeroso conjunto de cartas pessoais. Diversos documentos confirmam, igualmente, uma impressionante obra social. Fundou, entre outros, o Hospital dos Meninos Inocentes de Santarém, o Hospital de Leiria, o Hospício dos Pobres junto dos paços de Santa Clara e o Hospital de Velhas Inválidas em Coimbra. Criou várias albergarias como as de Estremoz, Alenquer e Odivelas. Fundou ainda as Gafarias de Óbidos e de Leiria e o Recolhimento para Regeneração das Desgraçadas de Coimbra. Todos foram recordados nos seus testamentos. As primeiras manifestações da devoção e do culto da Rainha Santa Isabel iniciaram-se logo após a sua morte. A longa jornada do Alentejo até Coimbra, que durou sete dias e sete noites, a que acorreu gente de todo o lado e em que começaram a circular rumores de prodígios e milagres, vai constituir o primeiro momento na formação do culto religioso e também do mito isabelino que dele deriva. Seguir-se-ão as exéquias no convento de Santa Clara em que o entusiasmo do povo foi tal que se receou pela segurança do ataúde. Desses dias datam as primeiras narrativas de curas milagrosas que irão fazer parte dos autos de canonização. Aí se inicia a devoção popular e religiosa da "Rainha Santa". Iniciado em Coimbra como culto privado no convento de Santa Clara, o culto da Rainha Santa vai rapidamente alcançar as proporções de culto público, reconhecido pelo Papa Leão X no reinado de D. Manuel, embora ficando restrito à diocese de Coimbra. Contudo, e apesar da insistente pressão diplomática dos reis de Portugal, só no tempo de Filipe IV de Espanha o papa Urbano VIII procederá, finalmente, à canonização da rainha. A 25 de Maio de 1625, depois de um longo período de preparação dos autos que terminou com a abertura do túmulo e a visita do corpo pelos juízes nomeados por Roma, Isabel de Aragão passou a integrar o cortejo dos santos da liturgia católica e o seu culto alargou-se a toda a Cristandade. Foi grandiosa a cerimônia da canonização, para o que contribuiu largamente a liberalidade do delegado português.




quinta-feira, 2 de julho de 2009

Liturgia - 03 de julho - SÃO TOMÉ, Apóstolo









1ª. SEXTA-FEIRA DO MÊS

Cor litúrgica: Vermelho

Ofício festivo do Comum dos Apóstolos e próprio
Liturgia das Horas
: 1404-1406-626
Oração das Horas: 1285-764--1483

Leituras: Ef 2, 19-22 – Sl 116(117) – Jô 20,24-29

“Estenda tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo,
mas crê.”
Como o Espírito pairava sobre as águas na gênese da criação, assim o Espírito do Ressuscitado renova o mundo.

Festa de São Tomé, Apóstolo. Além de duas outras intervenções, o Evangelho relata a profissão de fé pascal do Apóstolo incrédulo diante de Cristo ressuscitado. Uma tradição muito antiga lhe atribui um campo de apostolado que vai da Pérsia até à Índia, onde os cristãos de Malabar o comemoram neste mesmo dia.

“Para entrar na divina união, devem morrer todos os afetos que vivem na alma, poucos ou muitos, pequenos ou grandes; se a alma deve estar tão desapegada deles como se não existissem para ela, nem ela para eles”
São João da Cruz – IS 11,8

“Que valor pode ter a fé sem obras? E oque valerão estas se não se unirem aos merecimentos de Jesus Cristo, nosso Bem?”
Santa Teresa de Jesus – 2 M 1,11

Carta de Santa Teresa de Jesus

1574 – C 65 – A D. Teotônio de Bragança, em Salamanca – Queixa do tratamento de ilustríssima que lhe dá D. Teotônio. Compra casa em Segóvia. Conselhos sobre a oração e melancolia. Próxima chegada do Padre Visitador.




quarta-feira, 1 de julho de 2009

Liturgia - 02 de julho - 5a-FEIRA DA 13a. SEMANA DO TEMPO COMUM








Cor litúrgica: Verde

Ofício dia de semana
Liturgia das Horas: 701
Oração das Horas: 815


Leituras: Gn 22,1-19 – Sl 114(115) – MT 9,1-8
“Jesus disse: Meu filho, coragem.”
O tema central é o perdão dos pecados. O milagre é o sinal para perceber qual é o poder de Deus.

“Jamais subirá ao cume, por mais virtude que pratique, pois não se exercita com a perfeição que consiste em ter a alma vazia, nua e purificada de todo apetite.”



São João da Cruz – IS 5,6

“ Ó Senhor meu, se Vos conhecêssemos de verdade,nada nos importaria, porque dais muito a quem deveras quer confiar em Vós! Acreditai, amigas, que é grande coisa compreender esta verdade, para verdes que os favores daqui são todos falsos quando desviam o mínimo que seja a alma do reconhecimento em si mesma.”
Santa Teresa de Jesus – C 29,3

Cartas de Santa Teresa de Jesus em 02

1576 – C 106 – À Madre Maria de Sevilla – Amor mútuo entre a Santa e Maria de S. José. Assuntos do Convento de Sevilla, e alegria que lhe causam as cartas que de lá recebe.

1577 – C 192 – à Madre Ana de San Alberto, Priora de Caravaca – Deseja ver-se entre as marrecas de Caravaca. Avisos para a direção das religiosas. Morte do Núncio. O Padre Gracián continua como vivistador. Achaques de algumas religiosas. As saias de pano. D. Catalina de Otálora.



SANTO DO DIA



São Bernardino Realino
Presbítero



Bernardino nasceu em Capri (Itália) em 1530. Profissional do Direito, à sólida competência unia extraordinária formação humanística. De temperamento otimista, alegre, respeitador dos outros e inclinado à beneficência, entrou para o noviciado dos jesuítas em Nápoles aos 34 anos. Trabalhou depois por 10 anos naquela cidade, pregando, catequizando, dedicando-se aos doentes, aos pobres e encarcerados. Com Bernardino Realino (1530-1616) aconteceu um fato talvez único na historia dos santos: ainda em vida foi nomeado padroeiro da cidade de Lecce. Ao espalhar-se a notícia de que o padre Bernardinho estava morrendo, o prefeito da cidade reuniu a câmara e dirigiu-se ao colégio dos jesuítas. Diante do leito do moribundo, leu um documento que tinha preparado: "Grande é nossa dor, pai amado, ao ver que nos deixais, pois nosso mais ardente desejo seria que permanecêsseis sempre conosco. Não querendo, contudo, opor-nos à vontade de Deus, que vos convida para o céu, desejamos pelo menos encomendar-vos a nós mesmos e a toda esta cidade tão amada por vós e que tanto vos tem amado e reverenciado. Assim o fareis, ó pai, pela vossa inesgotável caridade, a qual nos permite esperar que queirais ser nosso protetor e patrono no paraíso, pois já por tal vos elegemos desde agora e para sempre, seguros de que aceitareis por fiéis servos e filhos..."
Com esforço respondeu o padre: "Sim, senhores." De fato, o padre Bernardino tinha dedicado mais de metade da sua longa vida, e a quase totalidade de sua ação apostólica como padre, à cidade de Lecce. Desde a mais alta nobreza até os últimos esfarrapados, encarcerados e escravos turcos, não havia quem não o conhecesse como apóstolo e benfeitor da cidade.Assim, sem grandes feitos exteriores, desenvolveu-se a santidade de Bernardino Realino. Apesar de ter sido chamado tarde à vida religiosa, sua vida apresenta-se como uma grande continuidade sempre em busca da verdade e do bem. Morreu aos 86 anos. Em 1947 foi canonizado por Pio XII




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