segunda-feira, 7 de março de 2011

Internacional Liberdade, a nova realidade egípcia

Tensões estão arrefecendo aos poucos desde a queda do presidente Hosni Mubarak no último dia 11.
Geriane Oliveira - 23/2/2011 - 22h36
Luciney Martins/Divulgação

Há um ano, o frei Patrício Sciadini, de 65 anos, fazia as malas na capital paulista para viajar ao Cairo com a missão de ajudar os pobres da capital egípcia. Italiano de origem e naturalizado brasileiro, o frade diz que as tensões estão arrefecendo aos poucos desde a queda do presidente Hosni Mubarak no último dia 11.

Diário do Comércio - Qual é a atual situação no Egito?
Frei Patrício Sciadini - Pelo o que se vê nas ruas, na televisão e nos jornais, a situação está aos poucos voltando ao normal, apesar de haver ainda muito medo entre a população porque nela foi incutida a psicose do medo. Ao mesmo tempo, a gente percebe um povo bastante esperançoso.

Diário - Como começou a manifestação?
Frei -Os egípcios se inspiraram na "Revolução de Jasmim", da Tunísia, para exprimir sua grande insatisfação. O grande estopim foi a fome, um grande problema deste país onde 30% da população não tem trabalho, e aqueles que têm recebem um salário mínimo miserável, em torno de 300 liras ao mês (US$ 51) .

Diário - Como foram os choques entre os manifestantes e as forças de segurança de Mubarak?
Frei - Foram violentos, mas não brutais como estão acontecendo agora na Líbia. Os dados oficiais falam em 350 mortos, mas sabemos que foram mais. Vivemos os dias mais tensos aqui na véspera da renúncia de Mubarak. As famílias não podiam sair de casa, principalmente das seis da tarde até as oito da manhã, período do toque de recolher. O comércio fechou, assim como os bancos, escolas, universidades e os pontos de atendimento emergencial à população. Hoje, o comércio está abrindo parte do dia; às vezes ainda fecha.

Diário - Qual é a mensagem da revolução egípcia para o mundo?
Frei - Vejo que a pomba branca da paz já está voando no céu do Egito e rondando o mundo árabe. Acredito que seja um tempo novo em que a liberdade e a esperança da democracia estão começando a despontar no Oriente Médio.


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