OS TRAÇOS DA VIRGEM MARIA
NA VIDA DE SANTA TERESA DOS ANDES
Celebramos neste dia cento e
vinte anos do nascimento de Santa Teresa de Jesus dos Andes. Nascida em
Santiago do Chile a 13 de Julho de 1900. No Batismo recebeu o nome de Joana
Henriqueta Josefina dos Sagrados Corações Fernández Solar. Em sua família era
conhecida, e é-o ainda hoje, pelo nome de Juanita. Viveu uma infância normal no
seio da família: os pais, Miguel Fernández e Lucia Solar; três irmãos e duas
irmãs; o avô materno, tios, tias e primos. Teve uma breve trajetória de vida, mas de profundas experiências com Deus, em Quem encontrou sua "Alegria infinita". Acometida de Tifo, veio a falecer em 12 de abril de 1920. É a primeira Santa chilena, a
primeira Santa carmelita descalça de além fronteiras da Europa e a quarta Santa
Teresa do Carmelo, depois das Santas Teresas de Ávila, de Florença e de
Lisieux. A santidade da sua vida
resplandeceu nos atos ordinários de cada dia em qualquer ambiente onde viveu: a
família, o colégio, as amigas, os vizinhos com quem passava parte das suas
férias e a quem, com zelo apostólico, catequizou e ajudou. Teresa dos Andes
apresenta-nos o testemunho vivo do Evangelho, seja pela vida unida a Jesus,
seja na sua vida unida à Virgem Maria.
Os traços da Virgem Maria se fizeram
presentes na vida e nos escritos de Teresa. Com a Ssma. Virgem, Juanita aprende
as inúmeras virtudes, entre elas, a virtude da humildade e do cuidado com o
próximo: "Fale-me, por favor, da humildade, pois necessito muito dela. Porque,
quando penso o que sou diante de Deus e a respeito das demais criaturas,
considero-me um nada criminoso”. (Carta
36). Aprende as muitas virtudes que forjarão o seu caráter, e que irão
desenvolver no seu breve palmilhar, à santidade: “A vontade de Deus é que
sejamos virtuosas, que tenhamos caráter suficiente para ser verdadeiras filhas
de Maria, tanto na escola como em
casa. Ser humildes... Quando nos repreenderem, não desculpar
e decidir que adiante trataremos de nos corrigir. Procuremos viver nessa oração
contínua em que a Virgem vivia. Deus a cada instante se dá com amor infinito...
pensando como o faria a Virgem. Devemos procurar ser cuidadosos. Jamais falar
mal do próximo. Defendê-lo o quanto possamos, desviar as conversas a outro
assunto sem que o notem, se não pudermos defendê-lo. Manifestar sempre o que
somos, quer dizer, sem andar dissimulando o que pensamos - só o que a prudência
ache necessário. Abandona-te nela com simplicidade filial e repete sempre esta
máxima de Santa Teresa, nas circunstâncias mais difíceis: "Deus o sabe e
Ele me ama". Pede à Ssma. Virgem que seja teu guia. Que seja a estrela, o
farol que brilha no meio das trevas de tua vida. Que te mostre o porto onde hás
de desembarcar para chegar à Jerusalém celeste”. (Carta 40)
Repete muitas vezes sobre as suas experiências com a Santíssima Virgem Maria, nascidas na tenra infância, e a tem como sua conselheira: “Desde os sete anos, mais ou menos, nasceu em minha alma uma devoção muito grande a minha Mãe, a Santíssima Virgem, contava-lhe tudo, e ela me falava. Sentia sua voz dentro de mim, clara e distintamente. Ela me aconselhava e me dizia o que fazer para agradar Nosso Senhor. Acreditava que isto era o mais natural, e jamais ocorreu-me dizer o que a Santíssima Virgem me dizia. (Carta 87)
Em sua espiritualidade
eucarística, Juanita sempre esteve unida à Virgem: “Busca Jesus na
Eucaristia, e viverás com Ele como vivia a Ssma Virgem em Nazaré”. (Carta 133); "Então, me dirigi a
uma capelinha da Virgem onde estava o Santíssimo e ali ficava a seus pés tão
feliz, tão esquecida de tudo o que me parecia estar já no Carmelo". (Carta 36)
Seus conselhos e seus desejos sempre corresponderam a uma verdadeira filha de Maria, “Nosso pensamento há de ser o que corresponde a uma filha de Maria. Jamais nos deixemos vencer pelo respeito humano, e recorramos sempre à Ssma. Virgem se nos virmos vencidas por ele”. Trazia em seu lema, o lema da Virgem, e repetia: “Seu lema me entusiasma. ‘Sofrer e amar’. Não foi isso o que fez constantemente a Ssma. Virgem, o modelo mais perfeito de nosso sexo? Não viveu ela sempre em contínua oração, no silêncio, no esquecimento do que é da terra? Como salvar as almas? Por meio da súplica, da oração e do sacrifício”. (Carta 40)
A voz da Virgem Maria lhe soava como ciência de vida, que traduzia a Ciência divina, seja nas decisões, como nas tentações: “Distinguia com clareza a voz de minha Mãe Santíssima e de meu bom Jesus. Uma vez tive dúvida, perguntei à Santíssima Virgem, porém, ouvi outra voz muito diferente da que ouvia, que me ficou gravada. Esta voz não me aconselhou bem e me deixou muito perturbada. Então invoquei com toda a minha alma a Santíssima Virgem, e Ela me respondeu que o demônio me tinha respondido e que, no futuro, sempre perguntasse se era ela que me falava. Porém, nunca mais aconteceu”. (Carta 87)
Seu ideal de vida, de oração e de intercessão, estava sempre centrado na espiritualidade mariana: “Que fortuna, Reverendo Padre, dar a vida pelo objeto amado! Pede para esta indigna filha favor tão grande. E eu pedirei que o senhor possa ser um dia mártir e apóstolo do Coração de Maria”. (Carta 90); "Pedi muito a Nosso Senhor por duas almas nas missões, e as duas se converteram. Porém, falta uma terceira. Com a Santíssima Virgem ninguém sai vencida... Dei os dois Escapulários do Carmelo. Bendito seja Deus!" (Carta 62)
Comprometimento e pureza norteiam as súplicas de Teresa à Virgem, crendo poder ser ouvida, para agradar ao Senhor, e com Ele alcançar a união: “Prometi à Santíssima Virgem guardar a partir desta data o lírio da minha pureza, e o mais perfeitamente possível, pois reconheço quanto agrada Nosso Senhor esta virtude e quanto é necessária para chegar à total união com Deus”. (Carta 64); "Não perco a esperança de que a Santíssima Virgem me ouça... A Virgem sempre atende quando se lhe pede". (Carta 38)
Será aos pés de sua conselheira que Teresa fará sua escolha vocacional: “Mais ainda agora lhe pergunto e me diz que Ele me manifestou sua vontade. Da outra vez que tive essas dúvidas, escrevi uns papeizinhos com vários nomes de conventos, e os pus aos pés da Santíssima Virgem, e três vezes tirei o papel que continha o nome do Carmelo. No entanto, sinto em meu coração atração pelo Carmelo. Sinto amor à solidão, ao silêncio, ao afastamento de tudo do mundo e, sobretudo, à oração. Diga-me, lhe suplico, o que fazer. O senhor, Rvdo. Padre, que conhece mais que ninguém minha pobre alma, me dê luz e encomende-me na Santa Missa. Ofereça-me, junto com a hóstia imaculada, a Deus para que Ele disponha desta serva sua como lhe agrada. Peça muito à Ssma. Virgem. Ela, que é minha Mãe, não me abandonará porque sempre me protegeu”. (Carta 45)
Descobriu a oração para a união com Deus desde muito cedo, e através da Santíssima Virgem, vai viver buscando a vontade de Deus, nas suas escolhas e na sua vocação. O pleno desejo de solidão e de recolhimento, o amor à pobreza e à vida penitente, vão nortear a vida desta jovem carmelita, inclusive, durante o seu discernimento vocacional. Descreverá ao Pe. José Blanch, a respeito do seu intuito em escolher o Camelo como vocação: “Agora direi por que acredito ser a vontade de Deus que eu seja carmelita e não do Sagrado Coração: 1. Porque a vida de oração e de união com Deus é o que amo por saber que é a mais perfeita, já que é uma vida de céu, de certo modo, pois a carmelita não se preocupa com mais nada, a não ser unir-se a Deus, contemplá-lo sempre e cantar seus louvores. Essa sede de oração cresce em mim agora, e meu recolhimento é quase contínuo; pois tudo o que faço, faço com meu Jesus e ofereço a Ele por amor. Quando não posso orar por algum motivo, sofro por não estar com meu Deus. 2. A solidão do Carmo ajuda no recolhimento. Esse afastamento das criaturas faz que só se pense em Deus e se adquira, portanto, maior união com Ele, no que consiste a perfeição. Creio que a solidão não me cansará, pois sempre a busco, muitas vezes me parece fastioso o convívio com as criaturas; pois, estando só, estou com Deus. 3. A pobreza da carmelita é muito grande. Não pode possuir nada: isso faz que toda a capacidade de possuir seja suprida somente por Deus. Pobre, assemelha-se mais ainda a seu Esposo Divino, que não teve onde descansar a cabeça. A carmelita só deve possuir a Deus. 4. A penitência a que se submete e a austeridade de sua vida é um meio para ter o corpo submetido à alma, para parecer mais com o Divino Crucificado, que foi uma vítima por nossos pecados. Ela faz penitência”. (Carta 58, 6)
Sendo assim, a Ordem da Virgem Maria do Monte Carmelo se tornará o ápice dos desejos de Juanita ao comprovar que a Mãe de Deus, a quem amou desde pequena a tinha atraído para pertencer-lhe. Este seu desejo veio a realizar-se a sete de maio de 1919, quando entrou no pequeno mosteiro do Espírito Santo na povoação de Los Andes, a cerca de 90 quilômetros de Santiago. Vestiu o hábito de carmelita no dia 14 de outubro desse mesmo ano, iniciando assim o noviciado com o nome de Teresa de Jesus. A sua vida no convento, de 07 de maio de 1919 até à morte, foi o último degrau da sua ascensão ao cume da santidade. Nada mais que onze meses bastaram para consumar uma vida totalmente cristificada.
Santa
Teresa de Jesus dos Andes, rogai por nós!
Estela da Paz, OCDS.
Comissão de História.
Comissão de Espiritualidade.

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