A
Igreja ensina no Catecismo que “os que morrem na graça e na amizade de Deus,
mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem
depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para
entrar na alegria do céu”.
“A
Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é
absolutamente distinta do castigo dos condenados”, assinala no numeral 1031 do
Catecismo.
Pe. Carlos Rossel, doutor em Sagrada Teologia pela Universidade de
Navarra, deu 5 chaves que os católicos devem levar em consideração para
compreender o dogma do Purgatório.
1. Não é um invento, está fundamentado na Bíblia
No Antigo
Testamento é mencionada a oração pelos defuntos, mas é a Igreja que,
baseando-se em toda a Escritura, definiu o dogma do Purgatório. Foi ensinado
pela primeira vez no II Concílio de Lyon na Profissão de fé de Miguel
Paleólogo.
Uma primeira
ideia bíblica é que nada impuro pode ver Deus. Por exemplo, em Mateus 5,8 diz:
‘os limpos de coração verão a Deus’;
e no Apocalipse 21,27 diz que nada impuro
entrará na Jerusalém do Céu.
A Bíblia também
nos fala da oração pelos defuntos. No II Livro de Macabeus 12,38 e versículos
seguintes nos indica que Judas Macabeu ofereceu sacrifícios de expiação pelos
seus soldados defuntos.
Para falar do
Purgatório também é utilizado Mateus 12,31-32, quando Jesus diz que quem peca
contra o Espírito Santo não será perdoado neste mundo nem no outro. Muitos
teólogos afirmam que quando o Senhor afirma que no outro mundo poderiam ser
perdoados alguns pecados, estaria falando do Purgatório.
Há também um
texto importante citado pelo Papa Emérito Bento XVI que está na 1ª Carta de São
Paulo aos Coríntios 3,10-15. São Paulo diz que todos os que constroem suas
vidas sobre um fundamento que é Cristo vão se salvar, mas alguns passarão através do fogo.
E quem são eles?
Os que constroem a sua vida com madeira, palha ou feno, ou seja, aqueles que
viveram com Cristo e não tiveram uma vida tão santa como esperavam.

2. Pode-se ajudar as almas do Purgatório
A Igreja nos
fala da comunhão dos santos. Ou seja, existe uma comunhão entre os santos que
estão no Céu e veem Deus, as almas do Purgatório que estão em um período de
purificação para entrar no Céu e os batizados que peregrinam neste mundo.
O que podemos
fazer pelas almas do Purgatório? Rezar por elas; uma das obras da misericórdia
é rezar pelos defuntos.
O melhor que
podemos fazer por elas é oferecer o santo sacrifício da Missa, porque o que
estamos fazendo é inserir este defunto no mistério pascal de Cristo, a fim de
que entre no céu devidamente purificado.
3. As indulgências são efetivas
As indulgências
são um presente que a Santa Mãe Igreja oferece, para ir ao céu imediatamente. A
Igreja diz também que podem ser aplicadas aos defuntos; é um costume bonito,
muito católico, que todos os dias ganhemos uma indulgência plenária.
Indulgência
plenária significa que ao realizar essa obra que a Igreja nos pede, com
distintas condições e na graça de Deus, nós podemos acessar esse tesouro que
Cristo abriu com a sua Morte e Ressurreição (o Céu).
4. Não é comum que uma alma do Purgatório tenha
contato com um ser vivo
Onde estão as
almas? As almas estão no Céu, no Purgatório ou no Inferno.
Deus que é o
Senhor e o Todo-poderoso pode permitir que uma alma do Purgatório entre em
contato com um ser vivo.
De fato, se nos
fixarmos em algumas experiências de místicos, por exemplo São Pio de Pietrelcina ou Santa
Faustina Kowalska, conta-nos que em algum momento tiveram relação com alguma
alma do Purgatório. Entretanto, isto não é algo ordinário, mas extraordinário,
e é preciso ter cautela.
5. As almas do Purgatório intercederão por nós no
Céu
O dogma diz que
existe o Purgatório e é um estado transitório. É a antessala do Céu. Mas, a
Igreja não falou nada se as almas do Purgatório podem interceder por nós.
Aqui, há duas
posturas teológicas. Alguns teólogos dizem que as almas do Purgatório podem
interceder por nós porque são membros da Igreja e fazem parte do Corpo Místico
de Cristo. Outros teólogos dizem que não.
O que nós
fazemos por elas, logo nos vão devolver quando chegarem ao Céu. Ou seja, que
quando entrarem no Céu, elas intercederão por nós.
Por outro lado,
é preciso evitar todo tipo de práticas que são anticristãs e são próprias do
paganismo. Entre elas, a evocação de espíritos, que é um pecado grave.
(Fonte: ACI Digital)
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Santa Madre Teresa de Jesus era muito devota
das Almas. Oferecia sempre os méritos de suas
preces pelo alívio e libertação das mesmas.
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Notas:
1. Uma má interpretação da fé e confiança na Misericórdia divina podem nos levar à descrer do inferno ou do purgatório, achando que "Deus jamais seria capaz de condenar alguém" (sic). Sim. Deus é Amor e Misericórdia, no entanto, também é Justiça. Em seu Amor infinito, Deus criou o Purgatório para aquelas almas ainda não puras ou não santas o suficiente para irem direto ao Céu após a morte. Porém, como tais almas também não estão totalmente apartadas e inimigas dEle, e, apesar de suas fraquezas, ainda O amam, era necessário que exista um "lugar" ou um "tempo" para que possam se purificar. Portanto, o purgatório é um lugar da MISERICÓRDIA divina, não um lugar de um Deus "carrasco" ou punitivo.
2. Nossa mãe, Santa Teresa, era muito devota das Almas do Purgatório. Em seu Livro da Vida cita 17 vezes a palavra "purgatório" e foi favorecida algumas vezes com aparições das mesmas. Transcrevo abaixo um dos relatos:
"Só direi isto
que me aconteceu numa noite de Finados. Estando eu num oratório, e tendo rezado
um noturno e dizendo umas orações - que estão no fim do nosso Breviário e são
muito devotas -, se me pôs um demônio sobre o livro para que eu não acabasse a
oração. Eu benzi-me e ele desapareceu. Tornando eu a começar, voltou; creio que
foram três vezes as que a comecei, e, enquanto lhe não deitei água benta, não
pude acabar. E, no mesmo instante, vi que saíram algumas almas do Purgatório,
às quais devia faltar pouco, e pensei que era isto o que o demônio pretendia
estorvar. Poucas vezes o tenho visto tomando forma corporal e muitas sem forma
nenhuma, como na visão em que, sem forma, se vê claramente que está ali, como
tenho dito".
(Vida 31, 10)