terça-feira, 12 de setembro de 2017

O CARMELO ABRAÇANDO SUA ESSÊNCIA; CAMINHANDO PARA FRENTE




 Oração, sopro de vida
(Fr. Alzinir Francisco Debastiani ocd)


 Essência do Evangelho: Reino de Deus presente já presente em Jesus

“Cristo é o centro da vida e da experiência cristãs (Cl 1,15-29); Ef 2,20). Ele, Filho de Deus, encarna-se para revelar-nos o desígnio do Pai e para comunicar-nos uma vida nova (Jo 1,1-18), a verdade de Deus e a nossa, Deus que se comunica conosco, nós que somos filhos, chamados à união com Ele.” (Cap. Geral OCD 2003, Voltar ao essencial,  18) .

Essência da Igreja: Vivência e anúncio do Evangelho do Reino: dom de felicidade e de libertação para todos, especialmente os últimos da sociedade.

Essência de um  carisma da uma família Religiosa na Igreja: atualização de um aspecto do Evangelho do Reino para uma época;

“A consagração é, em última análise, uma expressão de fé num Deus pessoal, único e absoluto, a quem devemos obediência amorosa; a comunhão é um meio apoiado na caridade que nos leva a formar uma família reunida em nome do Senhor. A missão é  anúncio e testemunho do Evangelho com suas conseqüências e exigências sociais, é vocação de todo cristão. O consagrado quer, por sua vez, sublinhá-lo com um compromisso de esperança ativa ao dedicar-se completamente ao serviço dos demais” (Voltar ao essencial 32).

“O número 15 das nossas Constituições apresenta sinteticamente o essencial de nosso carisma e espiritualidade. Refletir sobre ele nos ajudará a retomar o que é realmente básico em nossa vocação e missão.

“Considerando as origens de nossa vocação e carisma teresiano, cabe enumerar aqui os elementos primordiais de nossa profissão:

a) Abraçamos a vida religiosa "em obséquio de Jesus Cristo” apoiando‑nos no comum destino, na imitação e no patrocínio da Santíssima Virgem, cuja forma de viver constitui para nós um modelo de configuração com Cristo.

b) Nossa vocação consiste numa graça que no impele, numa comunhão fraterna de vida, a uma "misteriosa união com Deus" pelo caminho da contemplação e da atividade apostólica que se fundem indissoluvelmente no serviço da lgreja.

c) Somos chamados à oração que, alimentada pela escuta da palavra de Deus e a liturgia, nos conduz ao trato de amizade com Deus, não só quando rezamos, mas também na vida. Comprometemo‑nos nesta vida de oração, que se nutre da fé, da esperança e, sobretudo, da caridade divina, a fim de podermos, purificados os corações, nos aprofundar em nossa vocação cristã em nos dispor a uma efusão mais copiosa dos dons do Espírito Santo. Assim participamos do carisma teresiano e continuamos a inspiração primitiva do Carmelo, envoltos pela presença e pelo mistério  do Deus vivo.

d) Pertence a mesma razão de ser do nosso carisma animar de zelo apostólico a oração e toda a vida consagrada, trabalhar de diversas maneiras a serviço da Igreja e dos homens, para que verdadeiramente “a ação apostólica proceda da íntima união com o Cristo”; mais ainda, aspirar também à sublime forma de apostolado que flui da plenitude do "estado de união com Deus”.

e) Pretendemos realizar ambos os serviços, o contemplativo e o apostólico, formando uma comunidade fraterna. Desse modo, fiéis à idéia primitiva de Santa Teresa de fundar uma pequena família à imagem e semelhança do pequeno “colégio de Cristo”, graças à nossa comunhão de vida baseada na caridade, tornamo‑nos testemunhas da unidade da Igreja.

Finalmente esforçamo-nos por edificar a nossa vida sobre o fundamento da abnegação evangélica, conforme a Regra e ensinamentos dos nossos santos Padres.

 Santa Teresa delineou também o estilo concreto de viver essas realidades do carisma e da espiritualidade. Ela “quis marcar sua Obra com uma forma e estilo peculiares de vida: fomentando as virtudes sociais e demais valores humanos, cultivando a alegria e a suavidade da vida fraterna num cordial ambiente de família, inculcando a dignidade da pessoa humana e a nobreza de alma, elogiando e promovendo a formação dos religiosos jovens, o estudo e o culto das letras", ordenando a mortificação e os exercícios ascéticos da comunidade para uma mais profunda vida teologal e acomodando estas práticas ao ministério apostólico, alentando a comunhão entre as diversas casas e a amizade evangélica entre as pessoas" (Constituições OCD, 10).”
(Voltar ao essencial, 58-59).

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O CARISMA DO CARMELO TERESIANO

(Solicitado para apresentar brevemente o Carisma do Carmelo teresiano, o  P. Geral,       P. Luis Aróstegui Gamboa, escreveu a seguinte síntese sobre o argumento. Publicamo-la com a esperança de que possa  interessar).
Na história do que se chama o Carmelo (do monte com este mesmo nome na Palestina) existe um decorrer ao longo do tempo e de personagens, que também podemos dizer, pertencem ao exterior. E existe um caminho teológico para o profundo e o evangélico, que está representado por Teresa de Jesus e São João da Cruz e outros personagens do Carmelo, como Teresa de Lisieux ou Edith Stein (e Jerônimo Gracián  ou outros, entre os não canonizados). A realidade espiritual vivida por estas pessoas na Igreja mostra que não há somente  um suceder-se ano depois de ano, de século pós século, de um carisma que, estabelecido de uma vez para sempre, se repete a si mesmo uniformemente, mas que eles fizeram um caminho rumo ao centro originário do cristianismo, “al más profundo centro”, “entremos más adentro en la espesura”, convertendo-se, sem  pretender, em critérios carismáticos, em fontes de inspiração.
Este Carmelo guarda sempre no coração  a recordação da solidão e do silêncio, mas sobretudo guarda a contemplação, aquele olhar amoroso e profundo para a realidade humana à luz de Deus ( em que consiste a profundidade). Mas este Carmelo é também itinerante, e vive em meio das pessoas, em vilas e cidades. O deserto converteu-se sobretudo em espiritual, a consciência partilhada do deserto teológico do mundo, a dor desta consciência convertida em oração.
Este deserto espiritual chama-se também “noche” na experiência do Carmelo que  caminhou rumo ao centro originário, daquele que propriamente interessa e era o buscado.
E aquelas solidões históricas da natureza foram descobertas  como transparência da beleza divina, como rastro e reminiscência, “mil gracias derramando pasó por estos sotos con presura” “De aquellos santos padres nuestros” venimos, que en tan gran soledad buscaban “este tesoro, esta preciosa margarita”, evocava Teresa de Jesus, enquanto que na  realidade seus carmelos os fundava no estilo de fraternidade e recreação, na simplicidade, o bom sentido, a alegria e a naturalidade; e aos irmãos, os queria esmeradamente formados e empregados fervorosamente no serviço das necessidades da Igreja. Certamente, tendo no  coração o deserto ou a “noche amable más que el alborada”, buscando a “preciosa margarita” da contemplação (que finalmente, para Teresa de Jesus, acha sua verdade no amor a Deus e ao  próximo, amor traduzido em obras).
O Carmelo de Teresa de Jesus (e de outras testemunhas autênticas posteriores) tem como  raiz de sua maneira espiritual de ser, para dizê-lo brevemente, no tu a tu vivo  confiante com Jesus. E é um Carmelo que existe  para a Igreja e para a humanidade.
Todos os anseios, esperanças e sofrimentos desta humanidade os abraça (contemplação) como seus, de forma ativa e comprometida, sem reservas.
Este Carmelo pode renascer sempre a partir de hoje, com toda verdade, porque não depende tanto do passado, mas do “más profundo centro” do humano e do evangélico.
Luís Aróstegui Gamboa, ocd, Prepósito Geral

[www.ocd.pcn.net      Publicado en “Comunicationes” Nº 44, 1 de Junho de 2005 ]

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