sábado, 11 de janeiro de 2014

A VERDADEIRA ORAÇÃO (trecho de carta de Santa Madre Teresa de Jesus ao padre Jerônimo Gracián)




“O fato é que, nestas coisas interiores de espírito, a oração mais aceita e segura é a que deixa melhores efeitos. Não me refiro a inspirar logo muitos desejos, pois estes, embora apreciáveis, nem sempre são como os pinta aos nossos olhos o amor-próprio. Chamo efeitos quando são confirmados por obras, e os desejos da honra de Deus se traduzem em trabalhar por ela muito deveras e empregar a memória e o entendimento em investigar os meios de agradar ao Senhor e mostrar-lhe melhor o grande amor que se lhe tem.

Oh! É esta a verdadeira oração, e não uns gostos que só servem para nosso deleite e nada mais, pois quando se oferecem as ocasiões de que falei, há logo muita frouxidão, temores e susto de que nos faltem com a estima. Outra oração não quisera eu, fora da que me fizesse crescer nas virtudes. Se fosse acompanhada de grandes tentações, securas e tribulações, porém, me deixasse mais humilde, a essa teria eu por boa, pois consideraria mais oração aquilo que mais agradasse a Deus.
Ninguém pense que não está orando aquele que padece: já que se o está oferecendo a Deus, ora incomparavelmente melhor, muitas vezes, do que outro na solidão, a quebrar a cabeça, imaginando ter oração quando consegue espremer algumas lágrimas.”

Trecho da carta de Santa Teresa de Jesus ao P. Jeronimo Gracián, 23 de outubro de 1576.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Participação da OCDS no V Capítulo dos Frades da Província São José

Chegamos ao Centro Teresiano de Espiritualidade, em São Roque no dia 08/01 à noite, onde recebemos uma calorosa acolhida pelos frades que participam do V Capítulo da Província São José.


No dia 09/01 pela manhã participamos da celebração eucarística com laudes presidida por Frei Francinaldo.


A OCDS foi representada por quatro membros: Luciano Dídimo (presidente provincial), Rose Piotto (vice-presidente provincial), Edna de Jesus (conselheira provincial) e Ruth (secretária do conselho)



A manhã do 09/01 foi reservada no Capítulo para a partilha das monjas e dos seculares. As monjas enviaram representantes das três Associações de Carmelos existentes na Província São José e falaram sobre os desafios, as necessidades, os pontos positivos, etc, colocando-se ainda à disposição para servir à família carmelitana onde fosse necessário.

A apresentação dos seculares foi dividida em três partes: Luciano Dídimo falou sobre o documento Assistência Pastoral à OCDS, Rose Piotto fez a apresentação das comunidades da OCDS e dados estatísticos, Edna e Ruth apresentaram seus testemunhos de vivência como carmelita secular no mundo de hoje, e finalizamos com a apresentação de um vídeo com fotos de nossos eventos e congressos com o Hino da OCDS ao fundo.

Foi uma experiência bastante enriquecedora, onde os três ramos da nossa família carmelitana se enriqueceram mutuamente. Agradecemos ao Frei Cléber, nosso Provincial, pela oportunidade aberta a nós neste Capítulo.



Os três ramos da família carmelitana



Frei André, o novo delegado provincial para a OCDS do Norte e Nordeste, com Luciano Dídimo


Com Frei Pierino Orlandini, o novo delegado provincial para a OCDS do Sudeste e Centro-Oeste

Na ocasião também foi nomeado o frade assistente para a Comissão de Jovens, que será o Frei Júnior Gualberto.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

NOMEAÇÃO DOS PRIORES DOS CONVENTOS




Ordem dos Carmelitas Descalços


Posted: 07 Jan 2014 06:01 AM PST


PRIORES DOS CONVENTOS
Convento São José – Piedade de Caratinga-MG: Frei Marlon
Convento Santa Teresinha - São Paulo – SP: Frei Francisco Aurílio
Convento Santa Teresinha - Rio de Janeiro - RJ: Frei Francisco Edglê
Centro Teresiano de Espiritualidade – São Roque-SP: Frei Francisco Sales
Convento Nossa Senhora do Carmo – Caratinga-MG: Frei Jorge Jacinto
Convento Beata Elisabeth da Trindade - Distrito Federal - DF: Frei Marcos Matsubara
Convento Sagrada Família - Marechal Deodoro – AL: Frei Everaldo
Convento São João da Cruz – Belo Horizonte-MG: Frei Edinaldo
Convento Santa Teresa – Belo Horizonte-MG: Frei Geraldo Afonso
Convento São José – Handel - Holanda: Frei João de Deus

O Padre Provincial Frei Cleber anunciou três nomeações:
Secretário da Província: Frei Allyson
Ecônomo Provincial: Frei Emerson
Mestre de Noviços: Frei Marlon


FONTE: http://www.provsjose.blogspot.com.br/2014/01/v-capitulo-provincial-7-de-janeiro_7.html   

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Novo Conselho Provincial da OCD da Província São José do Sudeste do Brasil


Novo Conselho Provincial (da esquerda para a direita): Frei Aurílio, Frei
Leandro, Frei Marlon e Frei Afonso. Na extrema direita, nosso estimado
Provincial Frei Cléber dos Santos. Parabéns ao novo Conselho! 


  Deus seja louvado! Bendito seja seu Santo Nome, agora e por todos os séculos! Amém! 

  Foi escolhido o novo Conselho Provincial da Ordem dos Carmelitas Descalços da Província São José do Sudeste do Brasil. São eles: 

  Frei Cléber dos Santos: Provincial (já havia sido eleito desde novembro de 2013). 
  Frei Aurílio (1º conselheiro)
  Frei Leandro (2º conselheiro)
  Frei Marlon (3º conselheiro)
  Frei Afonso (4º conselheiro)

  Que o Espírito do Senhor, Espírito de Conselho e Fortaleza, Espírito de Sabedoria e de Entendimento, Espírito de Ciência e de Temor, bem como o Amor divino, preencha a todos e os tornem cada vez mais capacitados para a missão que os espera. 
  Sejam Maria Santíssima e São José seus patronos e mestres, que a todos inspirem nos inúmeros desafios, nas provações, nas batalhas, nas conquistas e na construção "do Reino" e de nossa santa Ordem presente nos Estados do Sudeste, Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste do Brasil. 
  Desde já, vossos irmãos e filhos da Ordem Carmelita Descalça Secular vos pedem a benção e vos prometem suas orações e sincera obediência. 
  Como diria nosso amado irmão Frei Patrício: sejam felizes! Amém! 

(Giovani Carvalho Mendes, ocds - Comunidade Rainha do Carmelo, de Fortaleza - Ceará) 

Capítulo da Ordem dos Carmelitas Descalços - Província São José



Ordem dos Carmelitas Descalços


Posted: 06 Jan 2014 12:12 AM PST

No dia 5 de janeiro, Solenidade da Epifania do Senhor, foi iniciada a segunda sessão do V Capítulo Provincial da Província São José, dos frades carmelitas descalços, com a Santa Missa e a oração das Vésperas, às 19 horas, presididas pelo Padre Provincial Frei Afonso.


O Capítulo está acontecendo no Centro Teresiano de Espiritualidade, em São Roque-SP. Estão reunidos trinta frades capitulares.

  
Na homilia, Frei Afonso refletiu sobre "a manifestação de Deus na história, que é universal. A salvação vem para todos. Mas temos que ver quais são os impedimentos que não deixam a graça de Deus se manifestar em nossa vida. E há muitas luzes que nos apontam a Cristo. O próprio Cristo é a estrela maior a nos conduzir; outras estrelas também nos levam a Cristo: Maria Santíssima, os santos, o Papa e qualquer pessoa Deus pode usar como estrela para nos conduzir a Ele. Portanto, estrelas não nos faltam. O que faz a diferença é a disposição e o ânimo para segui-las".


O Carmelo Descalço agradece a todas as pessoas que nestes dias estão unidas em oração, para que os frades estejam abertos e dóceis à ação do Espírito Santo.

06 de Janeiro: Santos Reis Magos, sábios e adoradores do Menino Jesus

Texto bíblico:
Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para prestar-lhe homenagem”.
Ao saber disso, o rei Herodes ficou alarmado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Herodes reuniu todos os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei, e lhes perguntou onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: "Em Belém, na Judéia, porque assim está escrito por meio do profeta: ‘E você, Belém, terra de Judá, não é de modo algum a menor entre as principais cidades de Judá, porque de você sairá um Chefe, que vai apascentar Israel, meu povo’”.   
Então Herodes chamou secretamente os magos, e investigou junto a eles sobre o tempo exato em que a estrela havia aparecido. Depois, mandou-os a Belém, dizendo: “Vão, e procurem obter informações exatas sobre o menino. E me avisem quando o encontrarem, para que também eu vá prestar-lhe homenagem”.
Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e lhe prestaram homenagem. Depois, abriram seus cofres, e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, partiram para a região deles, seguindo por outro caminho. (Mateus 2, 1-12)






Santos sábios do oriente: adoradores do
Verbo humanado. 

Hoje, a Igreja faz a memória dos “Santos Reis Magos”. Antigamente a Solenidade da Epifania do Senhor era celebrada no dia 06 de janeiro, quando foi permutada, com a reforma litúrgica , para o domingo mais próximo do dia 06 de janeiro, exatamente para que os fiéis que só podem ir à Missa aos domingos pudessem celebrá-la com destaque.
As Igrejas Ortodoxas Grega e Russa ainda hoje comemoram o Santo Natal do Senhor no dia 06 de janeiro e não no dia 25 de dezembro como a Igreja Católica Romana. 
Quem eram os “santos reis magos”? Não estranhem os leitores deste artigo as “aspas” que coloco. Desejo com elas destacar a nomenclatura. Chamo a atenção, porém, para um fato curioso: em nenhuma parte do texto sagrado aqueles homens são nomeados “reis”. Além disso, tenhamos muito cuidado com a interpretação da palavra "magos", visto que usualmente é empregada com o sentido de “feiticeiro” ou “bruxo”, o que não tem nada a ver com o caso daqueles homens que vieram de suas terras para encontrar o Divino Infante recém nascido. 
Os “magos”, no linguajar daqueles tempos, eram HOMENS SÁBIOS (na língua inglesa: "wise men", como podem ver em uma das estampas colocadas abaixo do texto ), isto é, estudiosos ou “cientistas” que dedicavam suas vidas a estudar o movimento das estrelas e constelações e com elas prever acontecimentos presentes ou futuros. Alguém poderia chama-los de “astrólogos”. Sim, muito possivelmente eram astrólogos, mas, sem a conotação que hoje se dá a esse tipo de gente, que engana o povo com a superstição de horóscopos e signos, dando conselhos repetitivos, simplórios e por vezes vazios visando ganhar dinheiro. 
Importante que não esqueçamos que eles não tinham o conhecimento científico ou tecnológico que hoje temos: não possuíam telescópios, não existiam os foguetes, satélites ou naves espaciais. Não sabiam que existiam sistemas solares, galáxias, supernovas, quarsares, pulsares ou quaisquer outros fenômenos ou astros do cosmos que os cientistas de hoje conhecem muitíssimo melhor que eles.
Para os “magos” (sábios) dos povos orientais, as estrelas eram “sinais do céu”. Eles não tinham o conhecimento que hoje temos de que são sóis e que cada uma delas possivelmente tem seu sistema solar com planetas e luas. Para eles eram “luzes” que brilham no céu e que traziam “mensagens” da divindade. Assim, perscrutavam os céus atrás do surgimento de novas estrelas, estudando e anotando os movimentos das constelações, observando cometas, chuva de meteoros, eclipses solares e lunares. Tudo para eles era maravilhoso, encantador e “mágico”, no sentido lúdico da palavra.
Os Santos Sábios e a Estrela de Belém. 

Quando viram que surgira uma “nova estrela”, que devia ser muito especial e bonita (seria uma supernova? Um cometa? Um anjo em forma de estrela? Nunca saberemos ...), ficaram admirados, espantados e muito felizes. Era um novo sinal! Os magos que vieram a Jerusalém a chamaram de “a sua estrela”, isto é, a “estrela do Menino Rei”. Como intuíram isso? Acredito que foi o Espírito Santo, que “sopra onde quer” quem o fez. Eles foram inspirados divinamente a acreditar que aquela “estrela” era o sinal de que o Messias esperado nascera.
Isso nos revela um novo aspecto dos “magos”: eram homens que estudavam escrituras consideradas sagradas, tanto da religião deles quanto de outras religiões, inclusive a judaica. Eles sabiam que um novo e grande Rei, vindo do Céu, nasceria no meio do povo judeu. Tinham fé viva nisso. Quando viram a “estrela”, logo intuíram: “É ela! A nova estrela que anuncia que nasceu o Menino Rei”! Interessante que eles sabiam que aquele Menino era divino, visto que quando viram Jesus “ajoelharam-se diante dele”... Em outras traduções, o termo “prestar homenagem” é substituído por “adorar”.
Podemos intuir que esses homens esperavam ansiosamente e em atitude vigilante a vinda do Salvador do mundo e que isso era causada por uma profunda fé que eles tinham nas promessas divinas e nos “sinais” que estavam vendo no céu. 
E O VERBO SE FEZ CARNE...
As Sagradas Escrituras não dizem que eles eram “três”. A tradição apostólica é quem o diz. Talvez baseada no número dos presentes oferecidos: OURO, INCENSO E MIRRA. Três presentes, três reis magos. Talvez tenha sido por isso.
Outra coisa são os seus nomes. A Bíblia não os nomeia. A tradição informa que eram “Baltazar”, “Gaspar” e “Melquior”. Porém, isso é não é bíblico. A venerável serva de Deus madre Maria de Ágreda, religiosa concepcionista, em suas revelações místicas contidas na obra MÍSTICA CIDADE DE DEUS revela que seus nomes eram: MENSOR, SAIR E THEOQUENO e que provinham das terras da Pérsia e da antiga Babilônia. Revela também que, mesmo antes de conhecerem o Cristo, eram homens muito virtuosos e tementes a Deus (criam em um Deus único). Não praticavam ainda a religião verdadeira, porém, buscavam com grande ardor a VERDADE. Pois foi exatamente essa Verdade, Jesus, que encontraram, creram, adoraram e seguiram. 
Segundo ainda suas revelações, quando voltaram para suas terras, foram verdadeiros apóstolos da verdade que encontraram e que, o povo de suas terras, com o advento das missões dos santos Apóstolos, rápida e facilmente aderiram à verdadeira fé graças ao “terreno” que havia sido preparado pela "evangelização" dos santos sábios.
Uma coisa me admira bastante nos santos “reis”: sua imensa fé! Como é que, baseados apenas em uma “simples estrela”, ao contemplarem aquele recém nascido, simples, pequeno, pobre e frágil, acreditaram que Ele era o Senhor e Rei do mundo? Aliás, já iam preparados para isso: para prestar-Lhe homenagem trazendo-Lhe presentes preciosos que somente eram oferecidos a reis ou às divindades. O OURO, é símbolo da realeza; o INCENSO, símbolo de divindade; a MIRRA, símbolo da natureza humana, mortal e passível. É uma fé admirável que só me faz crer que aqueles homens eram homens de profunda oração e meditação das coisas divinas, mesmo não sendo ainda “cristãos” no sentido pleno da palavra (claro que a partir daquele encontro com Cristo tornaram-se crentes nEle, mesmo ainda não pertencendo à Igreja que somente anos depois seria fundada). Os Santos “Reis Magos” são exemplo de profunda ESPERANÇA em Deus, de grande FÉ e de ardente CARIDADE, pois deixaram tudo: suas pátrias, suas famílias, seus lares e seu conforto, para irem ao encontro do Menino Rei e Deus. Não foram oficialmente "canonizados" pela Igreja, porém, desde tempos imemoriais, a Igreja os reconheceu por santos de nossa Igreja Católica, visto verdadeiramente creram, honraram, veneraram e adoraram o Cristo Jesus, o Verbo Encarnado, sendo depois seus discípulos e apóstolos em seus respectivos países. 
À semelhança dos Santos Reis Magos ou Sábios, em espírito de festa e de gratidão, ofereçamos ao Divino Menino também os nossos tesouros: o OURO de nossa fé, a MIRRA da nossa esperança e o INCENSO da nossa caridade. O OURO de nossa existência, dom máximo de Deus dado por Ele mesmo a cada um de nós; O INCENSO de nossa vida terrena, que somente terá sentido se oferecida continuamente a Deus e à sua vontade; finalmente, MIRRA de nossa morte, que um dia, se Deus quiser, nos levará à contemplação eterna de Deus.


Santos Sábios do Oriente, rogai por nós! 













quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Oração do Papa Francisco à Sagrada Família, pelas Famílias



Jesus, Maria e José, em Vós, contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, a Vós, com confiança, nos dirigimos.
Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, escolas autênticas do Evangelho e pequenas Igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais se faça, nas famílias, experiência de violência, egoísmo e divisão: quem ficou ferido ou escandalizado depressa conheça consolação e cura.
Sagrada Família de Nazaré, que o próximo Sínodo dos Bispos possa despertar, em todos, a consciência do carácter sagrado e inviolável da família, a sua beleza no projeto de Deus.
Jesus, Maria e José, escutai, atendei a nossa súplica.


(Papa Francisco) 


A Família reunida em torno da Palavra, com a presença
viva de Cristo em seu meio. 

Palavras-chave para viver em paz e alegria em família: com licença, obrigado, desculpa

Angelus: Papa Francisco reflete sobre a família e o drama dos migrantes e refugiados que são vítimas de rejeição.

Apresentamos as palavras do Papa Francisco pronunciadas antes de rezar o Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro neste domingo, 29 de dezembro.
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Neste primeito domingo depois do Natal, a Liturgia nos convida a celebrar a festa da Sagrada Família de Nazaré. De fato, todo presépio mostra Jesus junto com Nossa Senhora e São José, na gruta de Belém. Deus quis nascer em uma família humana, quis ter uma mãe e um pai, como nós.
E hoje o Evangelho nos apresenta a Sagrada Família no caminho doloroso do exílio, em busca de refúgio no Egito. José, Maria e Jesus experimentam a condição dramática dos refugiados, marcada por medo, incertezas, necessidades (Mt 2, 13-15. 19-23). Infelizmente, nos nossos dias, milhões de famílias podem reconhecer-se nesta triste realidade. Quase todos os dias a televisão e os jornais dão notícias de refugiados que fogem da fome, da guerra, de outros perigos graves, em busca de segurança e de uma vida digna para si e para as próprias famílias.
Em terras distantes, mesmo quando encontram trabalho, nem sempre os refugiados e os imigrantes encontram acolhimento verdadeiro, respeito, apreço pelos valores de que são portadores. As suas legítimas expectativas se confrontam com situações complexas e dificuldades que parecem às vezes insuperáveis. Por isso, enquanto fixamos o olhar na Sagrada Família de Nazaré no momento em que foi forçada a fazer-se refugiada, pensemos no drama de quantos migrantes e refugiados que são vítimas de rejeição e da escravidão, que são vítimas do tráfico de pessoas e do trabalho escravo. Mas pensemos também nos outros “exilados”: eu os chamarei de “exilados escondidos”, aqueles exilados que podem existir dentro das próprias famílias: os idosos, por exemplo, que às vezes são tratados como presenças incômodas. Muitas vezes penso que um sinal para saber como vai uma família é ver como são tratados nessa as crianças e os idosos.
Jesus quis pertencer a uma família que experimentou estas dificuldades para que ninguém se sinta excluído da proximidade amorosa de Deus. A fuga ao Egito por causa das ameaças de Herodes nos mostra que Deus está lá onde o homem está em perigo, lá onde o homem sofre, lá onde é fugitivo, onde experimenta a rejeição e o abandono; mas Deus está também lá onde o homem sonha, espera voltar à pátria na liberdade, projeta e escolhe pela vida e dignidade sua e dos seus familiares.
Este nosso olhar hoje para a Sagrada Família se deixa atrair também pela simplicidade da vida que essa conduz em Nazaré. É um exemplo que faz tanto bem às nossas famílias, ajuda-as a se tornarem sempre mais comunidades de amor e de reconciliação, na qual se experimenta a ternura, a ajuda mútua, o perdão recíproco. Recordemos as três palavras-chave para viver em paz e alegria em família: com licença, obrigado, desculpa. Quando em uma família não se é invasor e se pede “com licença”, quando em uma família não se é egoísta e se aprende a dizer “obrigado” e quando em uma família um percebe que fez algo ruim e sabe pedir “desculpa”, naquela família há paz e alegria. Recordemos estas três palavras. Mas podemos repeti-las todos juntos: com licença, obrigado, desculpa. (Todos: com licença, obrigado, desculpa!). Gostaria também de encorajar as famílias a tomar consciência da importância que têm na Igreja e na sociedade. O anúncio do Evangelho, de fato, passa antes de tudo pelas famílias, para depois alcançar os diversos âmbitos da vida cotidiana.
Invoquemos com fervor Maria Santíssima, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, e São José, seu esposo. Peçamos a eles para iluminar, confortar, guiar cada família do mundo, para que possa cumprir com dignidade e serenidade a missão que Deus lhes confiou.
(Após o Angelus)


ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA
Jesus, Maria e José,
em Vós, contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a Vós, com confiança, nos dirigimos.
Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
escolas autênticas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais se faça, nas famílias, experiência
de violência, egoísmo e divisão:
quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.
Sagrada Família de Nazaré,
que o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar, em todos, a consciência
do carácter sagrado e inviolável da família,
a sua beleza no projecto de Deus.
Jesus, Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica.


Roma, 29 de Dezembro de 2013 (Zenit.org)


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