sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O mistério da vocação

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DE HOJE
Marcos 3,13-19.
Jesus subiu depois a um monte, chamou os que Ele queria e foram ter com
Ele.
Estabeleceu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar,
com o poder de expulsar demónios.
Estabeleceu estes doze: Simão, ao qual pôs o nome de Pedro;
Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais deu o nome de
Boanerges, isto é, filhos do trovão;
André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu,
Simão, o Cananeu,
e Judas Iscariotes, que o entregou.

...............................


Não vou fazer outra coisa senão começar a cantar o que eternamente devo
repetir – «As misericórdias do Senhor»!!! (Sl 88,1) [...] Abrindo [...] o
santo Evangelho, os meus olhos caíram sobre estas palavras: «Tendo Jesus
subido a um monte, chamou a Si aqueles que lhe aprouve; e vieram para Ele».



Eis todo o mistério da minha vocação, da minha vida inteira e, sobretudo, o
mistério dos privilégios de Jesus para com a minha alma... Não chama
aqueles que são dignos, mas aqueles que Lhe apraz ou, como diz São Paulo:
«Deus tem piedade de quem Ele quer e faz misericórdia a quem Ele quer fazer
misericórdia. Não é portanto do que quer nem do que corre, mas de Deus que
faz misericórdia» (Rom 9, 15-16).


Durante muito tempo me perguntei porque é que Deus tinha preferências,
porque é que nem todas as almas recebiam igual medida de graças;
admirava-me ao vê-Lo prodigalizar favores extraordinários aos Santos que o
tinham ofendido, como São Paulo, Santo Agostinho e que Ele forçava, por
assim dizer, a receber as Suas graças; ou então, ao ler a vida dos santos
que Nosso Senhor Se comprazia em acarinhar, deste o berço à sepultura, sem
permitir no seu caminho qualquer obstáculo que os impedisse de se elevarem
para Ele. [...] Jesus dignou-se instruir-me acerca deste mistério. Colocou
diante de mim o livro da natureza e compreendi que todas as flores que Ele
criou são belas. [...] Quis criar os grandes santos que podem ser
comparados aos lírios e às rosas; mas criou também outras, mais pequenas e
estas devem contentar-se com ser margaridas ou violetas, destinadas a
deleitar os olhares de Deus quando as curva aos Seus pés. A perfeição
consiste em fazer a Sua vontade, em ser o que Ele quer que sejamos...


Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), Carmelita, Doutora da Igreja
MS A, 2 r°-v° (Manuscritos autobiográficos

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