domingo, 6 de maio de 2012

ENTREVISTA COM FREI ALZINIR - DELEGADO GERAL PARA A OCDS


Caros Irmãos/ãs da OCDS do Brasil

Que o Senhor, Videira verdadeira nos mantenha unidos a Si e entre si...

O Luciano, responsável pelo Blog da Ocds do sudeste, pediu-me que escrevesse algo para vocês; faço-o agora com estas poucas palavras que tentam traduzir algo de minha experiência.

1.     Fale um pouco sobre o senhor, para que possamos conhecê-lo melhor.

Sou Natural da cidade de Campos Novos-SC; nasci em 1962, e sou o 10º filho de Salvador Debastiani (+) e Sustene Z. Debastiani.
Entrei no Carmelo em 1983, no Postulantado em Caratinga, MG; ano seguinte fiz o noviciado em S. Roque e a seguir a filosofia em Belo Horizonte-MG; a teologia em Roma. Fui ordenado sacerdote em 1991.
Fui pároco em Caratinga, depois superior e formador e Belo Horizonte. Em 1999 fui designado ao Noviciado, como superior e mestre de noviços e ao mesmo tempo Delegado Provincial para a OCDS. Neste cargo permaneci até 2005. DE 2008-2010 exerci a missão de Provincial; 2011 voltei a Belo Horizonte e no final deste mesmo ano estava destinado a fazer parte da nova comunidade que iniciaríamos no Nordeste...

2.     O senhor foi pego de surpresa para este trabalho ou já esperava essa designação?

No final do mês de novembro um e-mail do P. Geral, fr. Saverio, colocou-me a possibilidade de atuar junto À OCDS, como seu Delegado...  Certamente que isto me deixou apreensivo e fez-me refletir, rezar muito a fim de responder-lhe conforme o que já professara como religioso. Não foi fácil, mas via que os motivos para não aceitar eram apenas humanos e não justificavam um não, apesar das resistências em ter que deixar o Brasil...  Depois veio a nomeação do fr. Rubens como Bispo e novamente lhe coloquei a questão – pois seríamos dois frades a sair da Província; prevaleceu o que antes estava programado.

Cheguei em Roma dia 25 de abril para conhecer e iniciar o novo trabalho. Cabe ressaltar que o Fr. Aloysius, então Delegado para a OCDS, foi extremamente fraterno em passar-me os seus conhecimentos e experiência de 15 anos nesta função. A ele agradeço por todo serviço prestado à Ordem, particularmente na elaboração dos documentos que atualmente regem o Carmelo Secular.

3.     O que o senhor acha que essa posição de Delegado Geral para a OCDS exige e o que é mais desafiador nessa missão?

Diante desta nova missão, o fazer de ponte entre a Ordem Secular e os frades, o conhecimento da realidade da OCDS em todo o mundo vai exigir um esforço maior, a fim de poder respeitar os variados estilos das Comunidades nas mais variadas partes do mundo e colaborar com o crescimento da OCDS nas várias realidades em que se encontra.  Devo ainda estudar inglês para poder comunicar-me com os que falam esta língua e isto é também um desafio imediato. Outros certamente haverão, porém, vamos com calma...

4.     Quais será a sua linha de trabalho e que objetivos deseja alcançar?

Minha expectativa para o Carmelo Secular é a de que cresça no amor à vocação recebida. Com uma vivência autêntica da própria identidade laical como carmelitas teresianos, a OCDS enriquece a vida consagrada dos frades, bem como das monjas carmelitas com o que é próprio da vocação laical (cf. Constituições 38). Ser carmelita secular é descobrir-se inserido neste carisma bonito que o Espírito Santo suscitou em S. Teresa de Jesus. E isto é possível nas três formas em que ele é vivido pelos Frades, pelas Monjas e pelos Leigos.  
Por isso, nesta preparação ao V Centenário do nascimento da S. Madre, ela quer sobretudo nos recordar: o amor e bondade de Deus manifestaram-se de forma definitiva e irrevogável na pessoa de Jesus, e assim será “feliz quem de fato O amar e sempre o trouxer como companhia” e amigo (cf. Vida 22,6). Desta amizade com Cristo Jesus nasce o desejo de partilhar com o outro na comunidade, de ajudar e “ser amigos fortes de Deus”, apoiando-se mutuamente no serviço amoroso e gratuito às suas próprias famílias, à Igreja, nos variados ambientes de trabalho em que se encontram.

5. Qual a sua opinião sobre a OCDS no Brasil?

Penso que no Brasil a OCDS tem muito que avançar. Como organização, já formam dados passos significativos, agora com a presença dos dois Delegados provinciais fr. Wilson e fr. Fabiano. Vejo que sobretudo no caminho da formação, que de fato deve ir tornando o estilo das Comunidades mais fraterno e que a formação recebida na Comunidade transforme-se em vida, testemunho fraterno que atraia. Ao mesmo tempo a comunidade inteira é chamada a sentir-se responsável e envolvida no testemunho cristão com virtudes concretas. Somente assim a evangelização será fecunda na construção e no serviço do Reino, onde os leigos tem um papel de protagonismo nos vários campos da sociedade, como já assinalaram os Bispos nas últimas conferências do Episcopado Latino Americano (S. Domingo e Aparecida). Vejo também que precisamos potenciar o trabalho com os jovens em nosso país. É um desafio diante de tantas outras propostas da sociedade que levam à morte. Precisamos levar-lhes a proposta do Evangelho e do Carisma carmelitano-teresiano que os leve ao conhecimento de uma proposta de Vida, como já vem fazendo a Comissão de Jovens e outras. Neste sentido somos chamados a aproveitar a ocasião da JMJ no Rio de Janeiro ano que vem, para tornar mais conhecido o Carisma do Carmelo.

6.     Aos seculares, o senhor poderia fazer

  - uma pergunta:
Queria deixar esta reflexão à luz do evangelho da Eucaristia de hoje (V domingo da Páscoa): que frutos estou produzindo em minha condição de Carmelita Secular? Ou vivo só de aparências?

- uma recomendação (conselho):
Jesus nos lembra que, somente permanecendo unidos ao Tronco da Videira – Jesus Ressuscitado – pela oração e pela comunhão fraterna na comunidade é que produziremos frutos para a glória do Pai...

- um pedido de oração:
Peçamos à Virgem Maria, Mãe e Irmã no Carmelo, especialmente cultuada neste mês de maio entre nós, que nos leve sempre a seu Filho Jesus e nos ensine a cumprir em tudo a Sua vontade. E que o Senhor nos sustente com sua graça. Às orações de vocês, recomendo-me.

Fraternalmente em Cristo e no Carmelo,

Fr. Alzinir F. Debastiani OCD - Roma, 6 de maio de 2012.

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