quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Comentando o Salmo 76:


1.Ao mestre de canto, segundo Iditum. Salmo de Asaf.
2.Minha voz se eleva para Deus e clamo. Elevo minha voz a Deus para que ele me atenda;
3.No dia de angústia procuro o Senhor. De noite minhas mãos se levantam para ele sem descanso; e, contudo, minha alma recusa toda consolação.
4.Faz-me gemer a lembrança de Deus; na minha meditação, sinto o espírito desfalecer.
5.Vós me conservais os olhos abertos, estou perturbado, falta-me a palavra.
6.Penso nos dias passados,
7.lembro-me dos anos idos. De noite reflito no fundo do coração e, meditando, indaga meu espírito:
8.Porventura Deus nos rejeitará para sempre? Não mais há de nos ser propício?
9.Estancou-se sua misericórdia para o bom? Estará sua promessa desfeita para sempre?
10.Deus se terá esquecido de ter piedade? Ou sua cólera anulou sua clemência?
11.E concluo então: O que me faz sofrer é que a destra do Altíssimo não é mais a mesma...
12.Das ações do Senhor eu me recordo, lembro-me de suas maravilhas de outrora.
13.Reflito em todas vossas obras, e em vossos prodígios eu medito.
14.Ó Deus, santo é o vosso proceder. Que deus há tão grande quanto o nosso Deus?
15.Vós sois o Deus dos prodígios, vosso poder manifestastes entre os povos.
16.Com o poder de vosso braço resgatastes vosso povo, os filhos de Jacó e de José.
17.As águas vos viram, Senhor, as águas vos viram; elas tremeram e as vagas se puseram em movimento.
18.Em torrentes de água as nuvens se tornaram, elas fizeram ouvir a sua voz, de todos os lados fuzilaram vossas flechas.
19.Na procela ribombaram os vossos trovões, os relâmpagos iluminaram o globo; abalou-se com o choque e tremeu a terra toda.
20.Vós vos abristes um caminho pelo mar, uma senda no meio das muitas águas, permanecendo invisíveis vossos passos.
21.Como um rebanho conduzistes vosso povo, pelas mãos de Moisés e de Aarão.

Lembrando as maravilhas do Senhor”.

O lamento do salmista não é fruto de uma desgraça pessoal (perseguição, injustiça, enfermidade) e sim da situação do povo. Não importa muito a circunstância histórica concreta; o decisivo é que Deus, que prometeu estar e atuar com Moisés, como esteve e atuou com Abraão, Isaac e Jacob, mudou sua maneira de agir. Algo irreparável sucedeu: um terremoto convulsiona a alma do povo e do salmista: “A mão de Deus não é a mesma: está mudada”. Não é possível silenciar às perguntas que se aglomeram. Porém o salmista as assume com fé varonil. Ele pergunta: “Haverá deus que se compare ao nosso Deus”? Ele ora e suas perguntas obtém uma resposta na fé de seu povo que, superficialmente, é uma fé oriunda da recordação do passado, sobretudo do grande feito da libertação do Povo do Egito. Não fará Deus hoje, como fizera antigamente? -Após a tempestade, sempre vem uma bonança-...


Maria Ignez Veloso- Comunidade S. Edite Stein- Três Pontas

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