terça-feira, 19 de janeiro de 2010

V Centenário de nascimento de Santa Teresa‏


O que fazer?

“Ler cada ano na Ordem, desde o 15 de outubro de 2009 até 2014, pessoal e comunitariamente uma obra da Santa Madre Teresa de Jesus” (Para vós nasci, n° 38). Assim pois, desde hoje, nós carmelitas, tanto pessoal como comunitariamente, adquirimos o compromisso de dedicar todos os dias um pouco de nosso tempo e de nossa atenção à leitura dos escritos de Teresa. É um compromisso discreto, escondido e, no entanto, essencial.


O que esperamos?

O que esperamos deste exercício de leitura? As obras de Teresa não serão lidas simplesmente para aumentar nossa cultura, para obter dela conteúdos históricos e doutrinais para estudar e ensinar. Ler-se-ão para entrar em comunicação com ela, para conhecer a pessoa que nos está falando e, em familiaridade com ela, para conhecermos a nós mesmos. Meu professor de filologia românica, Gianfranco Contini, um dos leitores mais penetrantes que conheci, definia ao bom leitor como “quem está disponível a deixar-se invadir pelo espírito do outro, através da leitura”.


Porque?

Estamos sedentos como a Samaritana que vai ao poço para tirar água. Mas, qual água poderá saciar-nos verdadeiramente, não só por um momento, não só superficialmente, mas plena e definitivamente? Não se trata da água que podemos tirar com nossas forças dos poços que nossos pais cavaram. É a água que mana abundantemente da pessoa de Jesus, que nos encontra aqui e agora, aparentemente de modo casual, mas que na realidade nos conhece desde sempre e lê no profundo de nós, nos escuros isolamentos de nosso coração. Também Jesus tem sede, é movido pela sede. A mulher Samaritana e o homem Jesus se encontram juntos no poço.


Para que?

Teresa se abandona totalmente a ele libertando-se de tudo o que a constrangia no plano pessoal, social e eclesial. Seu coração ferido é o coração do homem novo, o coração de carne (Ez 11,19), libertado e aliviado, como no impulso ascensional da representação de Bernini,( O EXTASE DE SANTA TERESA) para o amor que a atrai a si e a faz sua. Sua esposa, porém mais ainda sua amiga e colaboradora. Precisamente como a Samaritana é descrita como a amiga que fala com Jesus e a discípula que fala aos demais de Jesus, assim é Teresa. À passividade de ser perdoada, escutada e amada por Jesus, corresponde à atividade da amiga e colaboradora que já não se espantará mais com sua fragilidade ou das dificuldades materiais ou dos prejuízos dos homens, inclusive sendo eclesiásticos influentes. Teresa se coloca a caminho e não deixará de caminhar até sua morte,


O que é o que nos impede de segui-lo?

só a ação obediente à vontade de Deus pode transformá-nos.

“Agora começamos...” e para fazê-lo “de bem a melhor” oferecemos a nossos irmãos e irmãs este simples material. A leitura fiel e criativa de cada um de nós, esperamos, será o terreno adequado no qual estas simples sementes darão fruto abundante.

Da carta de apresentação do Padre Geral ocd

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