terça-feira, 8 de junho de 2010

TERÇA FEIRA DA X SEMANA DO TEMPO COMUM = 08/06/2010.

II Terça Feira do Saltério (Vésperas = II Salmo)

Ant 2 Ajuntai vosso tesouro no Céu, diz o Senhor

Salmo 48, 14-21 (49): A ilusão o das riquezas.

O salmo 48 é um poema sobre a ilusão das riquezas e a brevidade inexorável da vida. A Liturgia de Vésperas no-lo apresenta dividido em duas partes, vv. 2-13 e vv. 14-21, como se fosse dois Salmos. A Bíblia de Jerusalém dá a este Salmo o título de "O nada das riquezas". Usando um tema dito irônico (vv. 13-21) como nos Salmos 37 e 73, este Salmo trata do problema da retribuição e da felicidade aparente dos ímpios; e o resolve conforme a doutrina tradicional dos Sábios. Se as riquezas não livram da morte (vv. 2-13), a morte mesma é o pastor que conduz o rebanho humano ao cemitério, ensinam os vv. 14-21. O sepulcro, não os ricos palácios, será a morada dos ricos. O pobre, pelo contrário, escapará da morte. O Deus justo não se deixa subornar pelo dinheiro dos ricos; ao contrário, tem sua complacência pelos pobres que nEle confiam. No v. 16 o salmista conta com Deus para escapar das garras do Xeol, pois acredita que a sorte final dos justos deve ser diferente da dos ímpios e que a amizade divina não deve cessar. Esta fé, ainda implícita, em uma retribuição futura prepara a revelação posterior da ressurreição dos mortos e da vida eterna (2 Mac 7,9+). Pelo contrário, Deus glorificará os justos (Sl 73,24; 91,15).
Esta seção do Salmo condena também a falsa esperança engendrada pela idolatria da riqueza. Trata-se de uma das tentações constantes da humanidade: aferrando-se ao dinheiro, ao que se considera dotado de uma força invencível, os homens se enganam, acreditando que podem “comprar também a morte”, arremessando-a para longe de si. Na realidade, a morte irrompe com sua capacidade de demolir qualquer ilusão, eliminando todos os obstáculos, humilhando toda confiança em si mesmo (cf. v. 14) e encaminhando ricos e pobres, soberanos e súditos, néscios e sábios para o além. É muito eficaz a imagem que o salmista utiliza, apresentando a morte como um pastor que guia, com mão firme, o rebanho das criaturas corruptíveis (cf. v. 15). Por conseguinte, o Salmo 48 nos propõe uma meditação realista e severa sobre a morte, meta fundamental e iniludível da existência humana.
O salmista termina repetindo o estribilho de que o esplendor do homem rico é transitório e, no fim, “é semelhante ao gado gordo que se abate”.


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