terça-feira, 15 de junho de 2010

TERÇA FEIRA DA XI SEMANA DO TEMPO COMUM = 15/06/2010.

III Terça Feira do Saltério (Vésperas = II Salmo)

Ant 2 Tornai-nos, Senhor, como crianças, para podermos entrar em Vosso Reino!

Salmo 130 (131): Confiança filial e repouso em Deus.

Foi dito que este é o Salmo da "infância espiritual". Pelo contrário, é a canção de homens adultos, que desconsideram as idealizações e tem os pés firmes na realidade. Somente o adulto sabe o que é o centro de sua vida: "muito, muito íntima", e nesta interioridade está Deus. O homem que encontrou Deus é muito feliz sendo homem: nem ele, nem o mundo, nem os homens são seus inimigos. Do encontro consigo mesmo e com Deus sai o homem disposto a desempenhar suas tarefas reais, com sua autêntica obediência ou com sua simples fidelidade. Este Salmo pode ser um bom programa de humanização.
A divisão dos salmos em individuais e coletivos é prática, porém nem sempre corresponde à realidade. Neste Salmo, o salmista se expressa na primeira pessoa do singular. Todavia, sua experiência só foi possível enquanto membro de um povo religioso, que goza de uma experiência similar.
Ao começo do Salmo se diz ser um “Cântico Gradual” ou “Cântico das Subidas”, em peregrinação a Jerusalém e ao seu Templo. A Bíblia de Jerusalém denomina este Salmo “O espírito de infância”. A alma em paz abandona-se a Deus, sem inquietação ou ambição. A mesma confiança filial é pedida (v. 3) a todo o povo de Deus. Este belíssimo poema, o Salmo 130, expressa a profunda humildade da alma que se entrega sem pretensões aos caminhos secretos da Providência Divina. Este espírito de infância espiritual reflete uma requintada sensibilidade religiosa, num tempo em que ainda não se tinham luzes sobre a retribuição após a morte. As coisas grandes e fascinantes desta vida não perturbam a profunda serenidade espiritual desta alma. Todas as suas ambições estão sujeitas aos desígnios misteriosos de Yahweh sobre a sua vida.
Humilhado diante de Deus, o salmista nEle confia e convida todo o Israel a ter a mesma confiança. De um modo delicadíssimo se exalta o espírito de “infância espiritual”. Em tudo se vê a providência divina e por isso nada perturba a alma. “Confiança filial em Deus. Enfrentamos a vida com realismo porque Deus nosso Pai nos sai ao encontro através de pessoas, acontecimentos e coisas. Não podemos buscá-Lo em outro lugar, fora da realidade, como tal: é a atitude filial de humildade e mansidão a qual nos convida Cristo (Mt 11,29); é a infância espiritual ou o fazer-se como crianças (Mt 18,3)”.

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